Advogada Janaína no Senado:pelo impeachment…


…Milena com Alessandro:no Ministério do Trismo


ARTIGO DA SEMANA

Brasília entre Milena e Janaína, e o português do voo Barcelona – Lisboa

Vitor Hugo Soares

Pensei com os meus botões, quando vi as imagens da baiana Milena Santos, na noite de segunda-feira, 25, desfilando tranquila, vaidosa e feliz, os seus maiores atributos de “Miss Turismo”, em Brasília, no meio do ataque de nervos geral causado por uma das maiores crises política, econômica, governamental e moral de que se tem notícia no País: “que moça danada, e que espantosa escalada ela fez até chegar a tão almejado posto no universo das “celebridades” nacionais!.

Sim, moro em Salvador e já conhecia bastante, de vista, e ouvira falar daquela mulher que agora faz visita de inspeção, e de celebração, ao gabinete do marido Alessandro Golombiewiski Teixeira, nomeado ministro do Turismo pela presidente Dilma Rousseff, na bacia das almas de um governo em estertores, mas já apresentando sinais evidentes de decomposição.

Confesso que demorei um pouco antes de completar a ligação. Vacilei por momentos diante das novas fotografias, até constatar, de vez, à moda do samba famoso de Chico Buarque: “Esta moça está diferente”, mas é ela mesma. Explico os motivos da dúvida: Vi Milena, pela primeira vez, nas eleições municipais de 2012, quando ela causava furor sexual e polêmica política e de comportamento na mídia baiana. Era candidata a vereadora, pelo nanico PSL, no município de Lauro de Freitas, cidade próxima ao aeroporto da capital, na aprazível rota turística do litoral norte, região metropolitana de Salvador.

Teve espaço midiático tão farto e generoso quanto as suas curvas, porque aparecia no horário eleitoral gratuito da TV, na propaganda impressa e até na boca de urna, “vestida” em modelitos típicos das denominadas “Marias chuteiras”, acenando com o chamariz da sua plataforma: “Milena, Tudo pelo Esporte”. Ganhou estatura de “celebridade”, mas não os votos necessários para eleger-se.

A candidata, então, largou a política, tão abruptamente quanto nela ingressara. Mas não desistiu dos planos de se dar bem e de tornar-se “celebridade”. Viajou para Miami onde, no ano seguinte, sairia eleita “Miss Bumbum” Estados Unidos 2013. Em seguida conquistou Alessandro Teixeira, atual comandante do turismo no Brasil, casou com ele, e está feita a ligação entre os dois pontos desta incrível história.

Atados os elos, duas poderosas e emblemáticas recordações me bateram na memória: A primeira, o pensamento nada elogioso mas, seguramente, definidor e visionário, que o grande líder da França, Charles de Gaulle, tinha sobre nós, quando afirmou “o Brasil não é um país sério”. A segunda, uma experiência pessoal vivida na Europa, em 2005, no primeiro Governo Lula – quando a bandeira politicamente correta do combate ao chamado turismo sexual começava a ser levantada, com vigor e indignação, deste lado de baixo da linha do Equador para o mundo. Principalmente nos denominados paraísos nacionais da “rota do bumbum”, com destaques da mídia mundial para o Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Recife e Maceió.

Viajava no voo curto entre Barcelona e Lisboa, em companhia de Margarida (também jornalista, de pavio curto, quando envolvida em questões machistas e chauvinistas). Na fila tripla de poltronas numeradas, sentou-se com a gente um europeu de meia idade, daquele tipo classe média sisudo que se vê comumente em Lisboa ou Madri. Aparentemente de poucas palavras, nos surpreendeu puxando conversa sobre o Brasil, ao se dar conta da nossa nacionalidade.

Contou das suas viagens de turismo pelo mundo. Ressaltando que se lembrava com mais saudade de sua vinda ao Brasil, principalmente da visita ao Rio de Janeiro, da qual não poupou elogios: Para confirmar o deslumbramento, sacou de sua carteira de cédulas um postal de suas lembranças, uma foto de uma baita mulata quase nua, numa pose de “miss bumbum”!

Mais não digo porque houve indignação e constrangimentos no final desta história. Além disso, do serviço de som vem o aviso para apertar os cintos, que o avião começava a descer em Lisboa. Antes do ponto final, porém, um registro da presença e da participação feminina que redime esta triste semana da política e da vida inteligente e ética no País.

Refiro-me à participação da advogada e professora de Direito, Janaína Paschoal na sessão da comissão especial de impeachment do Senado, na noite de quinta-feira, 28. Dia reservado para apresentação das acusações contra a presidente Dilma Rousseff. Contundente quase sempre, brilhante em vários momentos, bem humorada em muitas passagens e devastadora, sempre, em especial na apresentação de dados, argumentos, princípios e nos debates de respostas demolidoras, com ênfase no embate com a bancada de senadoras governistas.

Não entro em detalhes, mas recomendo a busca de uma cópia na Internet, a quem não viu a íntegra transmitida ao vivo pela TV Senado e pela Globo News. Histórico, verdadeiramente. Cito apenas dois instantes que julgo essenciais neste artigo. Primeiro, Janaína indignada com os ataques e ameaças que vem sofrendo:
“Depois da minha fala no Largo São Francisco, jornalistas estrangeiros me perguntam se sou pastora ou mãe de santo. Não, o meu livro sagrado é a Constituição. Livro sagrado que o PT não assinou. Por isso que eles falam em golpe”.

No fim a referência à Dilma Rousseff. Contou que certa vez se sensibilizou muito com uma entrevista da mandatária, na qual ela disse ter um sonho de ser bailarina, desde criança: “Eu falei: É uma mulher firme, de alma sensível. Eu criei uma expectativa enorme. [Mas] A bailarina se perdeu. A bailarina se perdeu e não me deixou alternativa”. Bravo!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 30 Abril, 2016 at 10:41 #

Grande VHS

A tal Milena compõe o ar de “Casa de Mãe Joana”, com que transformaram a Esplanada.

Em compensação:

Janaína!

não é parlamentar, mas lamenta em nosso nome

não é jornalista, mas relata os fatos sem se perder em referências alienígenas

não é mocinha em flor, mas jamais será decrépita

Janaína

não é mãe de santo, mas traz a guia.

Tim Tim!!!


vitor on 30 Abril, 2016 at 10:50 #

Isso, poeta!!! Assino embaixo, pela segunda vez. Tim Tim!!!.


Chico Bruno on 1 Maio, 2016 at 17:33 #

O marido da Milena sempre viveu nas sombras na Apex e depois na Abid. Trabalha com Dilma deste os tempos do governador Alceu Colares. Saiu das sombras graças a Milena.


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