Janaina no Senado:”a Constituição é o meu livro sagrado”

DO G1/ O GLOBO

Gustavo Garcia e Fernanda CalgaroDo G1, em Brasília

A jurista Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira (28) que os senadores devem levar em conta, no julgamento do impedimento, as investigações da operação Lava Jato, que apura desvios de dinheiro da Petrobras. A declaração foi dada durante sessão da comissão especial do impeachment do Senado em dia reservado para acusações contra a presidente.

A comissão analisa as acusações contra o governo Dilma dentro do processo de impeachment. O colegiado votará um relatório recomendando a instauração ou o arquivamento do processo pelo Senado. Caso o parecer seja favorável à abertura do julgamento, a petista será afastada por 180 dias e o vice Michel Temer assumirá a Presidência da República.

“Tem gente gravando vídeo, falando para o povo que não tem nada de Lava Jato na denúncia. As pessoas do povo me mandam e-mail querendo entender. O primeiro pilar da nossa denúncia é a Lava Jato, é o Petrolão. O segundo pilar são as pedaladas. O terceiro pilar são os decretos [de abertura de créditos suplementares sem autorização do Congresso Nacional]”, disse Janaína Paschoal.

“Pois bem, seguindo a obra de Paulo Brossard [ministro aposentado do STF morto em 2015], inclusive fatos alheios à denúncia num processo de impeachment, que é jurídico-político, podem ser levados em consideração pelo Senado Federal na hora do julgamento. A doutrina diz isso, está na minha denúncia, mas eu não estou pedindo vossas excelências que considerem nada além do que está na denúncia, nada além do que está na denúncia, muito embora Paulo Brossard me daria respaldo para tanto”, completou a jurista.

A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) discordou de Janaína Paschoal quanto à amplitude da denúncia que deve ser analisada pelos senadores. Para Grazziotin, o julgamento deve ser feito em cima apenas do que está no processo enviado pela Câmara dos Deputados: as “pedaladas fiscais” e os seis decretos orçamentários editados sem autorização do Congresso.

“O ofício enviado pela Câmara: o presidente da Câmara comunica a autorização, dada por aquela casa, da instauração do processo por crime de responsabilidade, em virtude da abertura de créditos suplementares e em relação, novamente, ao Plano Safra. Então ela vem aqui, fala de tudo, menos dessas duas questões”, expôs Vanessa Grazziotin.

Em meio às discussões, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), disse que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não acatou o trecho da denúncia que dizia respeito à Lava Jato “por razão óbvia”. “Foi excluído (…) porque ele não era conveniente nem à Presidente Dilma Rousseff nem, tampouco, ao Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aliados nesse momento no combate à Lava Jato”, afirmou.

Em diversos momentos, senadores governistas questionaram Janaína sobre a sua ligação com o PSDB. No ano passado, ela colaborou com um parecer feito por Miguel Reale Júnior encomendado pelos tucanos. A professora de direito reconheceu que participou do trabalho e que recebeu R$ 45 mil pela empreitada, mas negou ser filiada a qualquer partido e criticou ainda a oposição feita pelo PSDB, que considera “fraca”.

Para se justificar, ela listou uma série de atividades que realizou para órgãos ligados a governos tucanos e também outros sob gestão petista.

Durante depoimento ao colegiado, Janaína Paschoal afirmou que, dentro dos “pilares” da denúncia, tem “crime de sobra” para justificar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Cada um desses pilares tem crime de sobra, tem crime de sobra de responsabilidade e tem crime de sobra comum”, afirmou.

Nem ‘pastora’, nem ‘mãe de santo’

Na sequência, a jurista disse que não é “mãe de santo” nem “pastora” se referindo a um discurso que fez em São Paulo e que ganhou repercussão na Internet. Ela contou que foi procurada por jornalistas, inclusive de outros países, que questionaram se ela praticava alguma atividade religiosa. No vídeo, Janaína Paschoal faz um pronunciamento inflamado a favor do impeachment da presidente.

“Eu não tenho a iluminação necessária nem para ser pastora nem mãe de santo. O meu trabalho jurídico não seria pior se fosse mãe de santo ou pastora porque o estado é laico, não é estado ateu, é o estado que faz com que todas as religiões convivam bem”, declarou.
A autora da denúncia também se emocionou, falando com a voz embargada sobre da Constituição Federal, que, segundo ela, é “livro sagrado”. “Este [Constituição Federal] é o livro sagrado que permite que todos os livros sagrados sejam respeitados e convivam bem. O que eu quero é que as criancinhas, os brasileirinhos, acreditem que vale a pena lutar por esse livro sagrado, que o PT não assinou. Por isso que eles falam em golpe. Eles nunca reconheceram a Constituição Federal”, disse.

Janaína também contou que se sensibilizou quando, certa vez, viu uma entrevista da presidente Dilma em que ela relatava ter tido vontade de ser bailarina. “Eu falei: ‘É uma mulher firme, de alma sensível’. Eu criei uma expectativa enorme. [Mas] A bailarina se perdeu. A bailarina se perdeu e não me deixou alternativa”, disse.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 29 Abril, 2016 at 7:17 #

Momento Jaques Wagner!!!

Hilário, imperdível para o BP!

Deu no UOL, para os que, como eu, vencidos pelo cansaço já não acompanhavam a sessão.

Aqui o UOL:

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“Pela família”, Magno Malta lê voto de Jaques Wagner como se fosse o dele
Estadão Conteúdo De Brasília 29/04/201601h09

Nove horas após o início da sessão, o senador Magno Malta (PR-ES) anunciou que iria antecipar seu voto na comissão especial do impeachment. Mas depois de ler, confessou que aquele discurso não havia sido escrito por ele, mas pelo ministro Jaques Wagner na ocasião do afastamento do ex-presidente e hoje senador Fernando Collor (PTC-AL).

“Quero dedicar estas palavras e o meu sim na tarde de hoje aos meus pais e aos meus filhos. (…) Esta Casa não lhes negará a esperança de que amanhã o Brasil será outro”, leu, como se estivesse no dia da votação. Ao fim, perguntou: “Bonito meu voto? Não é meu. Foi o do ministro Jaques Wagner no impeachment de Collor”, confessou.

A brincadeira foi para defender os deputados das críticas sofridas pelos governistas de que os votos na Câmara foram dedicados, principalmente, à família.

“Quando é contra eles, não vale, porque eles acham uma vergonha. Mas foi assim que Wagner votou”, disse, sobre ministro-chefe do gabinete pessoal da Presidência.

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Como diria, caso eu fosse pescador, “nunca jogue botina velha no rio, um dia ela retorna em teu anzol”!


Rosane Santana on 29 Abril, 2016 at 8:31 #

Figura decrépita essa Janaína. O vídeo no qual ela aparece quase em transe, recentemente viralizado nas redes sociais, por se só é revelador do time que se uniu para rasgar a Constituição e depor o governo. O bom senso foi varrido deste país. O Brasil virou o reino do vale–tudo. Esperar que de uma manobras como essa, possa surgir um país melhor, é pura sandice.


luiz alfredo motta fontana on 29 Abril, 2016 at 9:32 #

Reflexões após o banho. Ou como o chuveiro lava além do óbvio.

Ao sentirmos repulsa a algo ou alguém, de forma inversa, consciente ou não, refletimos, contrário sensu nossa afeição ao oposto.

Assim, ao repudiarmos, o arbitrário, condenado este ilógico comportamento, demonstramos nossa atração ao justo.

Por outro lado, ao escolhermos, em vasto repertório, livre que somos, os adjetivos com que brindamos esta, ou aquela personalidade, o fazemos em conformidade com o que consideramos normalidade ou, contrário sensu, anormalidade.

E daí? Indagaria o enfastiado! Assim, o é, deste tempos imemoriais. qual a novidade?

Nenhuma, por óbvio, é a resposta. Mas, em certos casos, reveladora.

Vejamos:

Decrépita é uma palavra forte, tem um odor de agressão, tem um som áspero, dissonante, fere a sensibilidade distraída.

Provoca repulsa!

Se provoca repulsa, por certo, o contrário sensu, aplicado ao caso, deverá despertar simpatia, afeição.

Vamos então aos antônimos de decrépito, cujos sinônimos mais triviais, são velho, senil, ou de forma mais pejorativa, caduco ou esclerosado.

São vários, os antônimos, destacam-se: adolescente, juvenil, moço, imaturo, e por ai vai, tudo aquilo que indique tenro ou pouco utilizado.

Aplicado assim, o adjetivo decrépita, em Janaina, como repúdio à presença física e discurso proferido, teríamos como contraponto, digno, portanto, de afeição, uma adolescente, na “flor da idade”, como diriam os decrépitos cronistas do século passado, entoando um discurso hodierno, prenhe de expressões e gírias ainda com o tempero fresco de novidade linguística.

Já o impeachment, ora o impeachment, que palavrinha mais decrépita! Diria a adolescente em flor!

Assim começa o dia e o renovar do banho!


Taciano Lemos de Carvalho on 29 Abril, 2016 at 10:32 #

Uma coisa temos que reconhecer. Janaína parece que estava protegida pelas forças das águas. Resistir e desmontar todos os discursos “treinados” (mas vazios, falaciosos) como vimos ontem, tem mesmo que estar protegida por todos os santos e forças da natureza.

Ela conseguiu, mais uma vez, demonstrar que houve crime, sim. Se os senadores reconhecerão isso, são outros quinhentos (sem trocadilhos ou segundas intenções).


Taciano Lemos de Carvalho on 29 Abril, 2016 at 18:39 #

Ver Eduardo Cardoso (AGU) e Nelson Barbosa defender Dilma na Comissão do Impeachment do Senado é um sacrifício.

Mas, agora, ouvir Kátia Abreu, latifundiária, defender a absolvição de Dilma no processo do impedimento não tem preço.


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