DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

“In God we trust” – e em mais ninguém

Para quem não vive as entranhas da política, é difícil entender como podem ser tão precárias as relações entre governadores, prefeitos e até presidentes com sucessores que saem do nada, apenas do bolso de colete do titular.

É o caso recente do deputado federal e três vezes prefeito de Camaçari, Luíz Caetano, que estaria fraco nas pesquisas e não conta com o apoio de sua criatura, o prefeito Ademar Delgado, que, ao contrário, tem candidata própria para dispersar votos.

Em tempo mais remoto, a então grande liderança nacional Orestes Quércia, governador de São Paulo, lançou seu desconhecido secretário da Segurança Pública, Luiz Antônio Fleury, que, eleito, o trairia solenemente.

Não se pode dizer o mesmo de Lula e Dilma, apesar das evidentes divergências em muitos aspectos do governo, de certa forma, compartilhado. Mas no geral, sem dissecação de tantos outros exemplos, fica a lição de que o caráter, mais que as ideias, rege a história.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 25 Abril, 2016 at 10:25 #

E por falar em traição e traidores:

Está no DNA, vide tucanos, nasceram traindo Ulysses, o ninho foi inaugurado sob a esperteza de Covas, FHC, Serra, e outros emplumados, levando consigo o ingênuo Montoro, sob a desculpa de que odiavam Quércia.

Não é de estranhar, portanto, a desconfiança explícita havida entre Alckmin, Serra, e Aécio.

Temer que se cuide!

De um lado, envolvidos na Lava Jato, de outro tucanos de bicos em riste, lutando por 2018.

Enquanto isto, na Bahia, uma varanda corre risco! A vida sem foro privilegiado é risco, barba de molho será suficiente?


luis augusto on 25 Abril, 2016 at 13:53 #

Poeta, bela interpretação do quarteto de outrora e do trio de hoje, ou ainda quarteto, considerada a remanescência de FHC. Perfeita também a definição de Montoro, além da briga de foice entre AN,JS e GA.

Me esclareça uma coisa: qual a gênese dessa sua intimidade com a política da Bahia?

Sobre a varanda, acho que não há risco, deve estar quitada, a menos que ele não tenha para a taxa de condomínio.


luiz alfredo motta fontana on 25 Abril, 2016 at 19:56 #

Caro Luís

Estranha a tua indagação, afinal eu e você vivemos em uma federação, nada mais natural que o interesse pela política baiana componha minhas atenções. Porém, não reconheço, neste meu interesse, o que se poderia chamar de intimidade, tanto que, por vezes indago, a você ou ao VHS, buscando luzes sobre minhas dúvidas.

É verdade que nem sempre sou sequer notado, como na pergunta que lhe fiz, que não mereceu nenhuma resposta, sobre a existência, ou não, de algum remanescente dos autênticos do MDB na Bahia, insisti e recebi o silêncio como resposta ,o que me fez parecer um menino estouvado tentando intrometer-se em conversa de adultos.

Claro esta, que o que acontece em terra baiana me afeta. como cidadão tupiniquim, nada além disto, sendo evidente que minhas canhestras intervenções restringem-se ao campo livre de meros comentários, distantes portanto das matérias que ilustram a pauta.

A gênese do interesse, não da intimidade, está em Millôr Fernandes: livre pensar é só pensar!


luiz alfredo motta fontana on 25 Abril, 2016 at 20:16 #

Por falar em livre pensar, um paulista que só olhasse para o que ocorre dentro de suas divisas geográficas, jamais entenderia, o protagonismo do PMDB nestes dias, Temer, o sem voto, que correria risco de não se reeleger como deputado federal quando aceitou o convite para vice, tato que São Paulo só elegeu Edinho Araújo, este mesmo Edinho que figurou de forma inexpressiva como Ministro dos Portos.

Assim como, tucano na Bahia, ao que parece é só citação ornitológica. Reconheça-se a sabedoria do povo baiano.


vitor on 25 Abril, 2016 at 20:41 #

Releve, poeta. Releve! A sua pergunta sobre remanescentes dos autênticos do MDB baiana requer um tempo próprio para resposta, meio parecido com “o tempo da Igreja Católica, do Vaticano”, como dizia um antigo e saudoso correspondente do Jornal do Brasil, quando passava por Salvador.Talvez Luis Augusto de boas fontes e diária convivência na Assembleia possa dizer melhor. Mas até onde a vista fraca e a memória mais curta alcançam, só lembro de Inácio Gomes, ainda combatente das melhores causas democráticas e dos direitos da cidadania. O gigante Chico Pinto se foi há algum tempo, cheio de decepções e desapontamentos. Mas recentemente se foi Luis Leal, imensa perda também. Bem, temos ainda por aí Waldir Pires (hoje no PT, na Câmara de Vereadores de Salvador), e Domingos Leonelli (filho do bravo e saudoso Leonelli do velho PC de São Paulo, que você deve ter conhecido), hoje no PSB de Lídice da Mata. Olha aí a enrascada onde fui me meter, poeta. Que o papa Francisco, com a sua sabedoria vaticana, me socorra. Ou o editor do Por Escrito , de memória e verve imbatíveis. Mas ele hoje está em festas, porque o PE completa bravos sete anos de vida. Tim Tim!!!


luiz alfredo motta fontana on 25 Abril, 2016 at 21:28 #

Grato VHS, nestas horas, quando recebo tua atenção, tua resposta e posso então compartilhar teu olhar, sinto que vale a pena seguir o BP, transformando este seguir, em parte ativa, da minha necessidade de compreender o que me cerca.


luiz alfredo motta fontana on 25 Abril, 2016 at 21:35 #

A resposta vem de encontro ao que imaginava, tornando real a minha discordância com Luis, que asseverava:
-“Também aumenta, e exponencialmente, uma possibilidade que já era grande: a indicação de um peemedebista autêntico – que se permita o histórico adjetivo em caráter especialíssimo – como candidato a vice na chapa de Neto à reeleição.”

Como potencializar o inexistente?


vitor on 25 Abril, 2016 at 23:04 #

Fontana:

É como disse antes:Luis Augusto circula mais, tem mais informações e memória mais fresca. Na pressa da resposta (fora do padrão da terrinha) seguramente devo ter deixado escapar algo ou alguém. É melhor aguardar.Tim Tim!!!


luís augusto on 26 Abril, 2016 at 7:44 #

Poeta, desculpe, talvez a profusão de informações tenha me dado um branco.

Quanto ao cerne da questão, você agora entenderá, pois está claro um mal-entendido, por minha culpa.

Não! Não sobrou na ativa um autêntico sequer no PMDB da Baia. Quando me referi a “um peemedebista autêntico em caráter especialissimo” é porque existe a possibilidade de ser o vice de ACM Neto o deputado Bruno Reis, que é apenas um amigo do prefeito, foi colocado no PMDB para a eventualidade da vice.

Agora, portanto, com Temer no poder, o “autêntico”, entre aspas, seria Lucio ou Geddel Vieira Lima ou, ainda, um indicados deles.

Cordialíssimas saudações. Tenho-o na mais ala conta, embora você não me deva nada. Tim-tim.


luiz alfredo motta fontana on 26 Abril, 2016 at 8:19 #

Caro Luís Augusto!

Devo agora o valor imenso da resposta. Grato!


luis augusto on 26 Abril, 2016 at 13:46 #

Grande Vitor, confesso que, aturdido pelas palavras do Poeta, menos por mim, mais pela perspectiva de tê-lo agredido, apenas passei a vista “na diagonal” nas suas considerações, embora já de primeira haja percebido sua atitude de dar-me tempo para explicar.

Não certamente o tempo da Igreja Católica, expressão que não conhecia, sendo-me de agrado que pudesse esclarecê-la.

“Daqui” (o PE), como gosta de se referir a sua coluna festejado articulista baiano, tenho louvado velhos autênticos verdadeiros (!?), como Chico Pinto, Fernando Lira, Élquisson Soares, Alencar Furtado, Marcos Freire e outros que injustiço com omissão alzherrámica e preguiça googlática.

Abração. E tim-tim por sua eterna confiança.


vitor on 26 Abril, 2016 at 14:18 #

Luis Augusto:

Antes de tudo, parabéns pelos 7 anos brm vividos pelo Por Escrito, leitura obrigatória para mim, que recomendo a todos. O caso do espaço e do tempo da Santa Sé, inteiramente diferente do espaço e do tempo do jornalismo, é uma história que ouvi aqui na Bahia, do jornalista Araújo Neto, correspondente durante dácadas do Jornal do Brasil em Roma.Apenas a maneira mais prática que me ocorreu para pedir paciência ao poeta de Marília(SP). Para mim, valeu a pena esperar. Parabéns, mais uma vez, no aniversário de PE, parceiro irmão do BP.


luiz alfredo motta fontana on 26 Abril, 2016 at 14:55 #

VHS e Luís!

Não costumo prometer o que não me é próprio, o que talvez prejudique a tolerância de vocês, gostaria até que fosse diverso, mas, penitencio-me, compareço neste espaço de comentários da mesma forma que sento à mesa com amigos, alma aberta, olho no olho, com a irresistível ausência de hierarquia.

Por vezes, talvez em excesso, discordo, questiono, acrescento, até pela simples razão de me apresentar sem nenhuma prova de proficiência em nenhum assunto, o que me torna liberto.

Assim, embora perceba uma certa reticência, que talvez, suponho para aceitar, advenha do fato de ter infringido alguma regra, apenas reitero que o silêncio com que fui contemplado, apesar da infantil insistência, não tinha aroma de reflexão sacra, nem de eventual distração, posto que reiterado.

Mas, submeto-me ao costume da casa, embora não prometa solenemente, tentarei evitar futuras questões, especialmente quando disserem respeito a estranhamentos que possam me acometer.

De qualquer sorte, e maestra arte, foi interessante reviver, neste deserto de almas, a existência passada de autênticos, quando o que nos resta é apreciar maneirismos de Geddel e cia.

Tim Tim!

Com as devidas, além de esperadas, escusas de estilo!


luís augusto on 27 Abril, 2016 at 7:44 #

Poeta, nunca soube que a casa tivesse costumes. Reitero minhas palavras e te peço: não reprima seus estranhamentos.

E Vitor, obrigado pelas congratulações. É um sufoco essa labuta diária.


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