DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Entrada de serviço para Pinheiro no governo

No meio da manhã, a notícia chocante e estarrecedora. Não, não era Dilma Rousseff na ONU reverberando contra o golpe, muito menos pedindo asilo político nos Estados Unidos. A presidente foi discreta, postura que faltou ao governador Rui Costa ao anunciar o senador Walter Pinheiro para secretário da Educação.

Sem que se tenha visto nenhuma declaração aspeada do senador, foi o governador quem falou a um site de notícias desta capital: “Vou conversar com Pinheiro mais tarde e devemos confirmar o nome dele para a secretaria para poder impulsionar ainda mais os trabalhos na SEC”.

A novidade, que, ainda segundo a imprensa, surpreendeu até petistas, está nos fatos mais elementares, constatáveis a uma olhada superficial: Pinheiro acaba de deixar o PT, partido de Rui, após anos de rusga, com evidente rompimento da confiança e cumplicidade de quase 30 anos.

Crê-se que o fez por acúmulo de situações que começaram em 2003, nos primeiros meses do primeiro governo Lula, com a nomeação do então deputado tucano Henrique Meirelles para presidente do Banco Central e a reforma da Previdência, episódios que originaram forte dissidência e a criação do PSOL – que, veja-se, vota por Dilma.

Interesses político-eleitorais certamente o mantiveram petista, mesmo com o escândalo do mensalão, até a desgraceira hoje instalada, em cujo princípio, na época de Dalva Sele e do Instituto Brasil, envolveu-se o senador Pinheiro como beneficiário, em sua campanha, de desvio de recursos públicos, levando-o a declarar que o PT “aprontou mais uma” para ele.

O desprestígio do partido, no entanto, a partir do petrolão, do enfraquecimento de Lula e do naufrágio do governo Dilma, foi o pontapé decisivo que o senador esperava, desvinculando-se do profundo desgaste, mas tão tonto ainda que não pôde, de pronto, tomar um novo destino.

O governador não teria a leviandade de antecipar a nomeação para constrangê-lo, embora haja postergado a decisão final, supostamente a ser tomada esta tarde, em horário e local que não quis revelar a outro veículo de comunicação local. Pinheiro, por outro lado, nada falando pessoalmente, estaria delegando uma prerrogativa muito cara.

A consumação do senador como secretário da Educação daria margem a pelo menos duas questões: a reação do PT baiano a um filho pródigo que retorna pela porta do fundo e os votos a serem dados por ele na admissibilidade do processo e no julgamento da presidente Dilma neste futuro imediato.

Há sempre a possibilidade de ele aguardar firme pela canetada de Rui e participar das duas históricas sessões que se prenunciam. Ou deixar a responsabilidade com o suplente, Roberto Muniz, que está afastado da política e, presumivelmente, do PP e de suas implicações baianas.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 23 Abril, 2016 at 13:31 #

Nada mais adequado a puxadinho para apaniguados do que a secretaria da educação. Talvez Pinheiro inove e implante a educação solar renovável, crianças ao ar livre, ensolaradas, absorvendo a energia solar tão a gosto do engenhoso senador, o que economizaria em instalações, propiciando um maior número de contratações à companheirada, engrossando a tropa eleitoral, 2018 se avizinha.

Rui Costa terá de dar tratos à bola após o impeachment, serão tantos os exilados do governo central que seu organograma padecerá de nanismo.

Esperto este Pinheiro, rapidinho na reserva de
boquinha.

Quanto à educação! Pinheiro discursará agradecido. Querer mais “educado” que isto é falta de etiqueta!


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos