MPB4, NA TARDE -E NOITE- DO BP, PARA QUEM SABE QUE O SAMBA CURA!

(Gilson Nogueira)

De: “gilson nogueira”


Dilma, ontem(22), na ONU:sem falar em “golpe”…


…e Temer com Marcela no Brasil: ensaios do poder


ARTIGO DA SEMANA

TEMER (PMDB) X FALCÃO:(PT): CONFRONTOS DO IMPEACHMENT

Vitor Hugo Soares

O esquentado presidente do PT, Rui Falcão, saiu da reunião (com a presença do ex-presidente Lula) da direção do partido na terça-feira, 19, em São Paulo, como o diabo gosta. No calor da hora, convocou uma entrevista coletiva e danou-se (para usar a linguagem do coronel Saruê, na novela “Velho Chico”), a fazer ameaças e escarnecer da possibilidade do licenciado presidente nacional do PMDB, Michel Temer, eleito vice na chapa da coligação vencedora nas presidenciais de 2014, assumir o Palácio do Planalto, no caso bastante provável da aprovação do impedimento da mandatária, pelo Senado. Falcão, na verdade, apesar do tom belicoso de cada frase, apresentava sinais de ainda estar meio grogue com a surra demolidora do domingo, 17, na votação da Câmara que acolheu, por goleada, o relatório do deputado Jovair Arantes com indicativo do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mal (ou bem?) comparando, o dirigente petista parecia um protótipo de lutador de boxe ou de UFC, que, humilhantemente derrotado e levado ao nocaute, levanta zonzo da lona engrolando a fala, desmerecendo o adversário e cobrando revanche.

Afinal, mal houve tempo para tratar das feridas e assentar as ideias. O relatório com o resultado do embate na Câmara foi imediatamente levado pelo ágil mefistofélico Eduardo Cunha, do PMDB, à casa legislativa sob o comando do escorregadio companheiro de partido, de Alagoas, Renan Calheiros (visivelmente constrangido e desconfortável com a pressa), para seguir em sua rota política e constitucional de navegação.
Mais ou menos célere, a depender, é claro, da roda dos ventos e do tempo da política. Geralmente, bem mais instável que a das previsões meteorológicas de Maria Júlia Coutinho, a Majú do Jornal Nacional. É bom não perder de vista que ainda estamos na segunda metade do sempre instável e imprevisível mês de abril.
Observem, por exemplo, o tragicamente incrível desmoronamento de parte da ciclovia na Avenida Niemayer, no Rio de Janeiro, no feriado de Tiradentes: dois mortos, três feridos internados e suspeita de dois desaparecidos no mar.

A obra engoliu R$ 44,7 milhões da cada dia mais suspeita e controvertida administração do prefeito Eduardo Paes, às vésperas da abertura das Olimpíadas. Entregue em janeiro, a ciclovia não resistiu à primeira grande ressaca do histórico e notoriamente revoltoso mar do Rio. Mas que não venham com essa desculpa esfarrapada, para justificar o desastre previsível das coisas mal projetadas e mal acabadas de administrações incompetentes e corruptas.

Navegar segue sendo preciso e essencial, mas é bom ter cuidados especiais, principalmente em tempo de mar bravio e ondas maiores e mais perigosas. À exemplo das que se levantam também, ultimamente, na vida política e institucional do País, com evidentes abalos internos e externos, como os que prometem, por exemplo, a viagem da presidente Dilma aos Estados Unidos, para assinar, na ONU, o relevante acordo do clima, mas aproveitando o embalo para manobras temerárias, do tipo gritar que “é golpe” o impeachment contra ela.

É hora de enxergar para além do poema essencial de Fernando Pessoa, citado pelo notável timoneiro do antigo MDB, Ulysses Guimarães, em discurso de largada histórica, para escrever uma das páginas mais memoráveis de resistência da vida política nacional.

No caso, sim, um golpe ilegítimo e violento contra o regime democrático e suas instituições.

A poesia de Pessoa é sempre importante, mas não basta, agora, nesta travessia que empaca na crucial questão sobre como concluir o rito de passagem dos inqualificáveis anos Lula-Dilma (desnudados a partir da Operação Lava Jato, conduzida pelo juiz Sergio Moro). Desta vez é fundamental atentar, igualmente, para o conselho, – contido na letra do fado “Canoa do Tejo” – ao arrais que na área das docas, entre as muralhas de Lisboa, conduz o seu barco em espaço cercado de perigosas armadilhas por todos os lados. Magnífico poema português, que vale citar neste espaço, em seus versos mais emblemáticos:
– Canoa, conheces bem, quando há norte pela proa, quantas docas tem Lisboa e as muralhas que ela tem/Canoa, por onde vais/se algum barco te abalroa, nunca mais voltas ao cais/nunca, nunca, nunca mais”, canta Carlos do Carmo, suavemente, no clip do Youtube que escuto no meu computar enquanto escrevo estas linha semanais.

Na entrevista, depois da reunião do PT, em São Paulo, Rui Falcão revelou que o partido decidiu não reconhecer um eventual governo de Michel Temer (reeleito com Dilma na chapa de 2014). E fez alarde: “O PT não vai permitir que ele ponha em prática seu programa. Não podemos permitir que, depois de anos de avanço venha um cara sem voto (a chapa Dilma-Temer recebeu mais de 50 milhões de votos), traidor, retirar direitos conquistados com muita luta. Não vamos permitir”, disse Falcão.

Acrescentou que foi “emocionante” a participação de Lula na reunião: “muitos companheiros chegaram a chorar”. Disse mais: “Lula acha que foi importante a retomada da rua e disse que vamos ter que continuar”. A conferir. Provavelmente, daí veio a decisão da presidente Dilma de arrumar de novo a mala (que já mandara desfazer) e viajar para oa Estados Unidos, com o discurso do “golpe” na bagagem.

Diante disso, depois da festa de domingo, 17, e da ressaca da vitória retumbante na Câmara, a oposição decidiu levantar da cama. Na sua edição de ontem, para o Brasil, o jornal espanhol El País traz como principal manchete política uma entrevista exclusiva do senador Aloysio Nunes, feita em New York, nos calcanhares de Dilma, onde ele está e fala na condição de presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado.

Logo na primeira pergunta, o senador tucano (ex-guerrilheiro, como a mandatária petista, nas lutas contra a ditadura) dá resposta contundente à pergunta sobre a visita de Dilma. “É importante que venha para a assinatura na ONU, porque o Brasil teve um protagonismo importante na conferência climática e tem uma atividade importante na defesa do meio ambiente. Agora, espero que não faça desse evento uma reunião política no qual vá apresentar uma visão falsa do que é a democracia brasileira hoje, e do funcionamento de suas instituições”.

E arrematou, oferecendo de bandeja, ao diário espanhol, a manchete da exclusiva: “Golpe no Brasil é corrupção na Petrobras, e presidente que não cumpre lei”. Abril promete muito, ja se vê. E maio muito mais ainda. É só
esperar.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra,com.br

BOM DIA!!! BOM SÁBADO!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Entrada de serviço para Pinheiro no governo

No meio da manhã, a notícia chocante e estarrecedora. Não, não era Dilma Rousseff na ONU reverberando contra o golpe, muito menos pedindo asilo político nos Estados Unidos. A presidente foi discreta, postura que faltou ao governador Rui Costa ao anunciar o senador Walter Pinheiro para secretário da Educação.

Sem que se tenha visto nenhuma declaração aspeada do senador, foi o governador quem falou a um site de notícias desta capital: “Vou conversar com Pinheiro mais tarde e devemos confirmar o nome dele para a secretaria para poder impulsionar ainda mais os trabalhos na SEC”.

A novidade, que, ainda segundo a imprensa, surpreendeu até petistas, está nos fatos mais elementares, constatáveis a uma olhada superficial: Pinheiro acaba de deixar o PT, partido de Rui, após anos de rusga, com evidente rompimento da confiança e cumplicidade de quase 30 anos.

Crê-se que o fez por acúmulo de situações que começaram em 2003, nos primeiros meses do primeiro governo Lula, com a nomeação do então deputado tucano Henrique Meirelles para presidente do Banco Central e a reforma da Previdência, episódios que originaram forte dissidência e a criação do PSOL – que, veja-se, vota por Dilma.

Interesses político-eleitorais certamente o mantiveram petista, mesmo com o escândalo do mensalão, até a desgraceira hoje instalada, em cujo princípio, na época de Dalva Sele e do Instituto Brasil, envolveu-se o senador Pinheiro como beneficiário, em sua campanha, de desvio de recursos públicos, levando-o a declarar que o PT “aprontou mais uma” para ele.

O desprestígio do partido, no entanto, a partir do petrolão, do enfraquecimento de Lula e do naufrágio do governo Dilma, foi o pontapé decisivo que o senador esperava, desvinculando-se do profundo desgaste, mas tão tonto ainda que não pôde, de pronto, tomar um novo destino.

O governador não teria a leviandade de antecipar a nomeação para constrangê-lo, embora haja postergado a decisão final, supostamente a ser tomada esta tarde, em horário e local que não quis revelar a outro veículo de comunicação local. Pinheiro, por outro lado, nada falando pessoalmente, estaria delegando uma prerrogativa muito cara.

A consumação do senador como secretário da Educação daria margem a pelo menos duas questões: a reação do PT baiano a um filho pródigo que retorna pela porta do fundo e os votos a serem dados por ele na admissibilidade do processo e no julgamento da presidente Dilma neste futuro imediato.

Há sempre a possibilidade de ele aguardar firme pela canetada de Rui e participar das duas históricas sessões que se prenunciam. Ou deixar a responsabilidade com o suplente, Roberto Muniz, que está afastado da política e, presumivelmente, do PP e de suas implicações baianas.

abr
23


Dilma discursa na ONU: clima e crise

DO EL PAIS

A presidente Dilma Rousseff levou nesta sexta-feira ao centro da ONU a crise política que atinge o Brasil e a ela mesma, alvo de um processo de um processo de impeachment já aprovado na Câmara e que agora tramita no Senado. A mandatária aproveitou uma cerimônia de alto escalão em Nova York, a assinatura do acordo climático de Paris, que reúne 171 países, para fazer mais uma vez um apelo aos brasileiros, embora desta vez não tenha usado a expressão “golpe de Estado”, como vem fazendo em pronunciamentos públicos (e como especulava-se nos bastidores que ela o faria). Em um pronunciamento curto, que durou cerca de seis minutos, Dilma destacou as ações do Governo brasileiro para frear as mudanças climáticas, mas antes de se encerrar sua fala, afirmou que o povo brasileiro evitará qualquer “retrocesso” democrático – uma mensagem a meio caminho entre a queixa e a esperança.

A presidenta se referiu “ao momento tão grave que vive o Brasil”, nesta que é a sua primeira viagem internacional desde a aprovação do impeachment na Câmara. Ao final da sua fala sobre os compromissos do país na redução dos gases poluentes, ela lançou seu apelo: “Apesar de tudo, tenho a dizer que o Brasil é uma grande nação, com uma sociedade que superou o autoritarismo no passado e conseguiu construir uma democracia viva”, enfatizou, para emendar: “Nosso povo trabalha duro, ama a liberdade, e não duvido de que irá evitar qualquer retrocesso”.

Dilma encerrou dizendo-se “grata” a “todos os líderes que expressaram sua solidariedade” a ela. Mas até agora, ao menos publicamente, essa lista reúne apenas os presidentes esquerdistas do Uruguai, Bolívia, Venezuela e Equador, além da secretaria geral da Organização dos Estados Americanos.

A petista não participou da sessão especial da Assembleia Geral da ONU nesta semana, mas decidiu aproveitar o evento sobre o clima para marcar posição sobre a ofensiva que enfrenta seu Governo. Para viajar a Nova York, porém, teve de entregar o cargo ao vice, Michel Temer, que há bastante tempo deixou de ser o seu braço-direito para se transformar em alguém que a presidenta tacha de “golpista e conspirador”. Caso o impeachment seja aprovado no Senado, o peemedebista assume interinamente o cargo por até 180 dias.

Do lado de fora da assembleia, brasileiros protestavam a favor e contra o impeachment de Dilma Rousseff.

abr
23
Posted on 23-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-04-2016


Luscar, no portal de humor gráfico A Charge Online

abr
23

DO EL PAIS

A Argentina já não está em default parcial. Nesta sexta-feira, o Governo de Maurício Macri enviou 9,3 bilhões de dólares (33,35 bilhões de reais) às contas bancárias dos fundos abutres, como são chamados os 7% de credores que rejeitaram a reestruturação negociada em 2004 e 2010, e que levaram sua demanda aos tribunais de Nova York. “O pagamento aos holdouts é parte da normalidade. Este é o final de um caminho muito longo e de uma trajetória que não deveria ter existido”, disse o ministro da Economia, Alfonso Prat-Gay, ao anunciar o cancelamento da dívida.

Com esse pagamento o país sul-americano deixa de ser um pária nos mercados de capitais. Uma amostra disso tem sido a recepção dos títulos emitidos para saldar as dívidas: o Governo arrecadou 16,5 bilhões de dólares (cerca de 60 bilhões de reais) a uma taxa média de 7,2, uma cifra mais baixa que o esperado, mas ainda elevada para a média do entorno regional. Cerca de 2,5 bilhões do excedente serão usados para pagar os detentores de títulos “reestruturados”, que não recebem desde 2014 por decisão do juiz Thomas Griesa, que priorizou o pagamento aos fundos abutres. O resto engrossará as reservas do Banco Central (BRCA) e “será utilizado para financiar o déficit” das contas públicas, segundo o subsecretário de Financiamento, Santiago Bausili.

O presidente Macri pôs como prioridade de sua gestão o fim do conflito com os holdouts depois que sua predecessora, Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015) se negou a acatar uma ordem de pagamento emitida há dois anos por Griesa. O kirchnerismo assumiu a negativa como uma questão de “soberania nacional” e Griesa declarou a Argentina em desacato. Sem acesso ao crédito internacional, a solução foi o financiamento interno, uma estratégia que se esgotou quando caiu a entrada de dólares com exportações, em decorrência da queda dos preços das matérias-primas.

Depois do acordo, a Argentina viu seus títulos, considerados lixo até há pouco tempo, recuperarem a capacidade de sedução dos investidores. O Ministério da Economia pôde colocar sem problemas quatro títulos em 3,5, 10 e 30 anos com taxas que oscilaram entre 6,25% para o prazo mais curto e 7,62 para o mais longo. O título de 3 anos foi um pedido expresso dos investidores que decidiram arriscar seu dinheiro (o papel arrecadou 2,75 bilhões de dólares) só durante o prazo em que Macri estiver no poder. “A reclassificação da Argentina como mercado emergente habilitará o ingresso no país de fundos de investimento que se estima poderiam alcançar, no curto prazo, os 2 bilhões de dólares. A oferta de recursos obtida pelo Governo é uma demonstração de confiança no futuro do país”, afirmou Mariano Sánchez, da consultoria KPMG Argentina.

O Governo anunciou que encerrará o ano com um déficit fiscal de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e que o dinheiro obtido lhe permitirá cumprir essa meta sem novas emissões. O excesso de dólares deixou a equipe econômica, liderada pelo ministro Prat-Gay, diante da alternativa de ter que sustentar o preço da moeda com compras feitas pelo BCRA. A divisa se encontra hoje em torno dos 15 pesos, um valor competitivo para as exportações. Como primeira medida contra uma eventual superoferta de dólares, o Ministério da Economia decidiu liberar o acesso ao mercado de câmbio às empresas que devam cancelar pagamentos de importações, limitado pela política de controle cambial imposta pelo kirchnerismo. O paradoxo é que a luta da Casa Rosada é também contra a inflação (com o acumulado num ano já superando 30%), e mal pode dar-se ao luxo de permitir novas altas na cotação.

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