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CRÔNICA

O Golpe da Bengala

Gilson Nogueira

De repente, após longo período sumido da minha rua, ele aparece. Alto,forte, corpo curvado, cabelos cheios e alvos, com alguns tons de cinza, de rosto meio marcado pelo sol, o “artista”aparenta ter uns 70 anos de idade. Na mão esquerda, um terço cor de vinho, na direita, uma bengala de alumínio. Bem vestido, para os padrões dos pedintes soteropolitanos, o sujeito caminha, devagar, bem devagar, no passeio direito, olhando para trás,de dois em dois minutos. Se vem um carro, ela deixa a bengala cair no chão e, incontinente, faz de conta que não consegue pegá-la. O motorista que flagra o instante, pelo retrovisor, ao ver a bengala cair no asfalto e o suposto deficiente demonstrando ter dificuldade motora para pegar a peça de volta salta do seu automóvel, apanha-a, entrega-a ao homem (?) e vai embora,sem, antes,atender o pedido de um trocado qualquer do impostor que volta a caminhar sua farsa abusando da boa vontade de homens e mulheres de bem. Caso não venha a ludibriar alguém, ele pisa na ponta da bengala e consegue levantá-la. É o falso deficiente. No mínimo, um indivíduo sem caráter, merecedor da repulsa de todos os cidadãos e cidadãs de bem que o viram, um dia, como eu, “armar” a arapuca para iludir as pessoas que dirigem seus carros.

Hoje, por volta das 10:30 horas,constatei o interesse dele em conferir se vinha algum automóvel às suas costas. Certamente, iludiu novas boas almas. Ao observá-lo, quase da esquina, demorei poucos segundos, uma vez que estava a caminho de um compromisso inadiável. E fui, lembrando que o safado tinha um terço na mão esquerda. E lamentei não carregar a minha máquina fotográfica, nem meu celular, objeto que uso atendendo a pedidos da família, para registrar o golpista praticando mais um crime que considero quase hediondo. E, sem tirar nem por, cantei a pedra, em silêncio: bem que o infeliz poderia candidatar-se nas próximas eleições.

Gilson Nogueira é jornalista colaborador do BP

Billy Vaughn, uma orquestra inesquecível, com o tema do filme Se Meu Apartamento Falasse, para ouvir e recordar!

Boa Tarde!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Só tribunal internacional para salvar Dilma

Embora lamentável, não é inacreditável que o ministro Jaques Wagner recomende à presidente Dilma defender, na ONU e nas entrevistas que concederá nos Estados Unidos, a tese do golpe contra a democracia no processo do impeachment.

É lamentável porque, partindo da mais alta autoridade, a versão será levada em conta, com evidente agressão à imagem do país, pela qual ela deveria zelar, ainda mais que seu iminente afastamento tem base constitucional e respaldo das mais elevadas instituições nacionais.

Não é, no entanto, inacreditável, porque Wagner deu ao longo da vida mostras de que não tem compromisso com a verdade. Seus compromissos são mais com ele próprio e os interesses do seu grupo, variando conforme os ventos aconselhem.

Na década de 90, queria a transformação do PT numa “máquina eleitoral”, e hoje, exposta a máquina da corrupção, finge entender que o partido deveria ter feito a reforma política quando estava no auge do poder.

Começou a carreira defendendo em operários do Polo Petroquímico, mas como ministro do Trabalho nada fez pelo cumprimento da cláusula 4ª do acordo coletivo de 1989, que o empresariado não respeitou, impondo à categoria perda salarial considerável, só no ano passado reparada por decisão do STF.

A contradição máxima de sua carreira é associação ao Yacht Clube da Bahia, que é o remanescente dos grandes clubes sociais da elite de Salvador, deles certamente o mais aristocrático e fechado. Claro que o ex-governador tinha esse direito, mas a escolha foi um claro rompimento com sua, digamos, história.

Nos tempos atuais, a grande bravata de Wagner, após dizer que “governo que não tem um terço da Câmara não é governo”, foi estimar 215 votos contra o impeachment, bem distantes dos 137 da realidade. Nessa toada, não será estranho se orientar Dilma a levar sua questão para a Corte de Haia.

DO PORTAL TERRA BRASIL

O ícone do pop Prince foi encontrado morto no complexo residencial em que morava nesta quinta-feira (21) em Minnesota, nos Estados Unidos, segundo o site TMZ . Ainda não há informações sobre a causa da morte do músico.

Nas últimas semanas, o cantor passou mal e pediu para fazerem um pouso de emergência em seu jato particular, em Illinois. Mas, no dia seguinte, o artista apareceu em um show para assegurar a seus fãs que ele estava bem. De acordo com fontes próximas ao músico, ele estava lutando contra uma gripe.

Além disso, antes de sua aparição mais recente, Prince cancelou dois shows, um deles foi em Atlanta, devido a problemas de saúde.

Carreira

Prínce tornou-se uma estrela internacional em 1982 após seu primeiro álbum de sucesso “1999”. No decorrer da carreira, ele acumulou 7 Grammys, 1 Globo de Ouro e, também, vendeu mais de 100 milhões de discos, além de ganhar o Oscar de Melhor Trilha Original com o single Purple Rain em 1985.

Em 2007, o músico se apresentou no Super Bowl, uma de suas maiores e marcantes performances ao vivo de todos os tempos e em 2014 entrou no Rock and Roll Hall of Fame..

Prínce foi casado duas vezes – a primeira com a dançarina Mayte Garcia e a segunda com Manuela Testolini, que se separou em 2006.

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Marcela Temer, provável futura primeira-dama do Brasil tem menos 42 anos
do que o marido, Michel Temer | D.R.

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (DE LISBOA)

“Bela, recatada e do lar”, escreveu a ‘Veja’ sobre mulher de Temer. As redes sociais não tardaram a reagir a esta descrição

Marcela Temer já se tinha habituado a ser notícia no Brasil e no mundo de quatro em quatro anos. Primeiro na tomada de posse da dupla Dilma Rousseff-Michel Temer, em 2011, e depois após a reeleição, em 2015. Mas a crise política brasileira levou Temer, o provável futuro presidente, aos cabeçalhos e, mais cedo ou mais tarde, teria de arrastar a ex-Miss de 32 anos, menos 42 do que o marido. A revista Veja, conservadora, de direita e obstinadamente antigoverno, escreveu um perfil de Marcela sob o título “Bela, recatada e do lar”, que motivou uma espécie de ira cômica das mulheres brasileiras.

O título chegou à liderança dos tópicos da rede social Twitter beneficiando do fato de o país ser o segundo do mundo, atrás dos EUA, com mais acessos à internet mas também refletindo a força do movimento feminista local, considerado o principal acontecimento político de 2015 no Brasil. Centenas de milhares de mulheres publicaram fotos sob o mesmo título – “Bela, recatada e do lar” – em que surgiam em poses ousadas e sensuais, a trocar lâmpadas ou a pregar quadros na parede, em discotecas de copo de whisky ou garrafa de cerveja na mão, entre outras.

Houve quem usasse, ainda sob o título da Veja uma foto do filme Ninfomaníaca, com a protagonista interpretada por Charlotte Gainsbourg nua entre dois homens, uma imagem de Claire Underwood, personagem diabólica da série House of Cards, ou montagem de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados acusado de corrupção, e a sua mulher, a jornalista Cláudia Cruz, com a inscrição “bela, recatada e dólar”, aludindo aos desvios de dinheiro do deputado que serviram, entre outras coisas, para lhe pagar um curso de tênis na afamada escola de Nick Bolletieri, na Florida.

O movimento Think Olga, um dos mais ativos nos movimentos feministas brasileiros do ano passado, também conhecidos como Primavera das Mulheres, usou uma foto do príncipe Filipe de Inglaterra e as palavras “belo, recatado e do lar”. “E se fosse ao contrário, o que diriam?”, escreveu Juliana de Faria, coordenadora do movimento.

“A matéria da Veja é mais uma cartada dentro da estratégia de direita de criar um discurso conservador que legitime o golpe em curso, além disso é um outro modo de essa revista de ultradireita afrontar as feministas que desde o ano passado denunciam Eduardo Cunha e a sua corja”, disse ao DN Mariana Patrício, professora e ativista brasileira, neta de Rui Patrício, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Marcello Caetano.

A jornalista Anitta di Ungaro concorda: “A matéria é acima de tudo machista, dá a entender que a mulher deve ser grande mas atrás de um homem, nunca dirigindo o país, é um perfil para opor ao de Dilma, o Brasil é cíclico, às vezes “careta”, outras vezes com mais liberdade mas agora está a ficar “caretaço”.”

Mas, num país que vive em ambiente de guerra fria e declarada entre esquerda e direita, nem só esta última é vista como machista. Houve mulheres a denunciarem as respostas sexistas contra Marcela de homens que defendem Dilma. “São os mesmos que disseram que a Janaína Paschoal estava com falta de homem”, disse a professora Regina no seu perfil, a propósito de um comício em que a advogada, uma das três subscritoras do pedido de impeachment da presidente, se apresentou eufórica.

Outras mulheres sublinharam nas redes sociais que “o que está em causa não é a Marcela é o modelo de mulher que nos querem vender”, lembrando passagens do texto da Veja em que a provável futura primeira-dama é elogiada por usar saias até ao joelho, de ter tido apenas um namorado e Michel Temer é descrito, por isso, “como um homem de sorte”.

A provável primeira-dama do Brasil daqui a um mês é licenciada em Direito mas não exerce a profissão atualmente. É mãe de Michelzinho, que tem 6 anos.

abr
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Posted on 22-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-04-2016


S. Salvador, no jornal Estado de Minas (MG)

DO EL PAIS

Silvia Ayuso

Washington

A presidente brasileira, Dilma Rousseff, e o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Aloysio Nunes Ferreira, não se encontraram nos Estados Unidos por pouco. Enquanto a mandatária viajou na quinta-feira para Nova York para participar da assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança Climática, o senador do partido de oposição PSDB, que deverá votar a favor do impeachment no Senado, partiu de Washington na quarta-feira depois de se reunir com congressistas norte-americanos, empresários, representantes de instituições financeiras e, também, com o influente subsecretário do Departamento de Estado Thomas Shannon, ex-embaixador em Brasília.

Uma visita na qual há quem enxergue uma maquinação do vice-presidente Michel Temer para justificar o impeachment, diante das denúncias de “golpe” do Partido dos Trabalhadores (PT), da governante. Em entrevista ao EL PAÍS, Nunes Ferreira negou taxativamente essas afirmações ao dizer —como também confirmou o Departamento de Estado— que o encontro já estava previsto há meses. E aproveitou para advertir a presidenta a não transformar sua estadia em Nova York em uma “reunião política”.

Pergunta. O que o senhor espera da viagem de Dilma aos EUA?

Resposta. É importante que venha para a assinatura na ONU, porque o Brasil teve um protagonismo importante na conferência climática e tem uma atividade importante na defesa do meio ambiente. Agora, espero que não faça desse evento uma reunião política no qual vá apresentar uma visão falsa do que é a democracia brasileira hoje e do funcionamento de suas instituições. Ela acaba de chamar o Brasil de “República de bananas”, um país em que não se respeitam os direitos, e é exatamente o contrário. Um dos grandes ativos do Brasil em relação a outros países emergentes é que temos instituições que funcionam. Nos últimos tempos, em seu desespero por manter-se no cargo, [Rousseff] está trabalhando para destruir essa imagem positiva do país. Na Espanha houve graves acusações de corrupção contra políticos importantes, agiu-se dentro da lei e ninguém falou de golpe. Nos Estados Unidos houve dois processos de impeachment e ninguém falou de golpe. Com que autoridade se diz que no Brasil está havendo golpe?

P. Mas não houve impeachment de um presidente espanhol..

R. Claro, as instituições são diferentes. Impeachment é próprio de regime presidencial.

P. O processo de impeachment foi visto com olhos críticos pela comunidade internacional, visto com incredulidade. A presidenta fala de um golpe. Como o senhor tem explicado o cenário?

R. Os observadores da cena política brasileira, familiarizados com nossos assuntos, não se surpreenderam com a votação da Câmara. Houve manifestações populares no Brasil, envolvendo milhões de pessoas pedindo a saída da presidente. Pesquisa de opinião mostra que maioria da população quer a sua saída. As denúncias de crime de responsabilidade, que nos termos da Constituição brasileira, são punidos com o afastamento da presidente, são comprovadas. Era também notório o isolamento político em que ela se confinou pela sua incompetência e sua incapacidade de manejar os assuntos políticos do Congresso. Pela sua arrogância de tentar confrontar o partido majoritário, que era o PMDB. Contribuiu para a própria desagregação da sua base política. A legislação brasileira é muito clara. Um presidente não pode autorizar despesas sem autorização da lei orçamentária. No Brasil é motivo de cassação de prefeitos, governadores, e de presidente da República. Não pode tomar financiamentos de bancos públicos e ela fez isso reiteradamente. Ela foi pessoa chave na administração da Petrobras enquanto se produziu um assalto de milhões. O Congresso nos EUA julgou dois presidentes por terem mentido [Nixon, que renunciou antes, e Bill Clinton, cujo pedido foi rejeitado no Senado]. E Dilma mentiu para o país inteiro com manipulação de lei orçamentária.

P. O questionamento de Luis Almagro, secretário-geral da OEA, é que se trata de uma questão política que as acusações não dão para um impeachment. Alguém o questionou nesse sentido?

R. O processo é supervisionado pelo Supremo Tribunal, onde 8 dos 11 juízes foram indicados por governos petistas. Que se posicionou em duas ocasiões pelo rito. Tem apoio da Ordem dos Advogados do Brasil, de associação de juristas, do Ministério Público e tem apoio da opinião pública. É claro que é um processo jurídico político. Se fosse só jurídico seria julgado pelo poder Judiciário. É claro que é um julgamento político, proferido por políticos, mas tem que ter fundamento jurídico, que existe.

P. Como este processo de impeachment está afetando a imagem do Brasil?

R. O golpe à imagem do Brasil é a corrupção na Petrobras. Um golpe à imagem do Brasil é um presidente que não cumpre a lei. Um golpe contra o Brasil é a crise econômica que está sendo provocada por este governo inepto e corrupto, isso sim é um golpe contra o Brasil. E quem está pagando? Os brasileiros. A origem deste comportamento irresponsável da presidenta Dilma Rousseff. Mas o Brasil é um grande país e vamos superar esta crise.

P. Há um ano, o Sr. dizia que não queria um impeachment, e sim ver Dilma “sangrar”. O que mudou para que agora apoie sua destituição?

R. Nunca disse isso no sentido físico. Sangrar significa exercer oposição constante, vigilante, intransigente, o que não impediu de apoiar muitas leis enviadas pela presidenta Dilma. O sentido era desgastar o Governo pela oposição. O que aconteceu foi a dimensão da crise econômica, que é inédita no Brasil, com uma total desorganização das finanças públicas, com um índice crescente de desemprego, com um atraso nos investimentos e as revelações da extensão da corrupção montada pelo governo do PT, da qual ela se beneficiou politicamente. E se a presidente não conseguiu barrar o processo de impeachment ela não tem condições de ver aprovada uma emenda constitucional da sua autoria. É uma fantasia política de muitos políticos oportunistas que escolhem essa fábula para não tomar posição nem de um lado e nem de outro.

P. Mas a corrupção salpica muita gente no Brasil.

R. Eu sei, mas quem está envolvido tem que pagar. E agora [ela] tem que pagar também. Assim funciona um governo das leis. E além da corrupção, ela foi incapaz de manter a Petrobras, onde tinha total ingerência, não velou pela probidade da administração. E as infrações gravíssimas de lei orçamentária e de Responsabilidade Fiscal. Não pode descumprir. Muitos prefeitos e muitos governadores foram cassados porque cometerem infrações de menor monta inclusive.

P. Estariam dispostos a participar de um governo do ainda vice-presidente Temer?

R. Em princípio, sim. O PSDB participou desse processo, tem 100% dos votos na Câmara, participou das manifestações populares que ocorreram e, portanto, têm uma responsabilidade política em relação a um novo governo. Sentimos a obrigação, diante de nosso eleitorado, de nos esforçarmos para que o próximo Governo dê certo. Já preparamos uma espécie de plataforma, uma carta de princípios que deveriam servir de base para o entendimento com o próximo presidente. Temos uma agenda de comum acordo com as demais forças políticas que seriam convidadas. [São] pontos com respeito sobretudo à reforma política, apoio ao procedimento das investigações e a algumas decisões que, se forem tomadas, poderão destravar os investimentos em infraestrutura, simplificação tributária e estimular novos acordos bilaterais de comércio. O Brasil está muito isolado nesse campo.

P. Adiantar as eleições não seria uma solução mais simples e rápida?

R. É uma possibilidade de ação política que [eu] não apoiaria porque a Constituição diz que os mandatos têm uma duração fixa. Só podem ser interrompidos em circunstâncias previstas na Constituição, como em caso de impeachment. Os mandatos não podem ser ampliados nem reduzidos. Se Dilma não tem votos suficientes para evitar o impeachment, então [pensar em eleições antecipadas] é uma fantasia política, uma fábula que os oportunistas escolhem para não tomar posição de um lado nem de outro.

P. Com a proximidade das novas eleições, o ex-presidente Lula continua com alta intenção de voto. Como explica isso?

R. Lula é um homem muito popular e um político muito competente. Não tenho dúvida de que será um rival forte nas próximas eleições. As pesquisas indicam isso, mas também indicam que é o político com maior índice de rejeição do país. Evidentemente, as acusações pesam e desgastaram sua imagem. O próprio PT é um partido que continuará existindo. Mas tem que se reciclar, mudar os métodos. Acima de tudo, tem que abandonar a ideia de que é um partido redentor, um partido portador da felicidade sobre a Terra. Os pobres já não acreditam nisso.

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