Brasília, domingo, 17 de abril:comemoração na Câmara.
Foto Reuters/ El Pais

Pérolas do impeachment..Teatro do absurdo…

Maria Aparecida Torneros

O jornalista Ricardo Boechat abordou na manhã de sábado, 16 de abril, a necessidade de catalogar as pérolas do impeachment que tem sido proclamadas nos discursos dos parlamentares durante a transmissão direta da sessão ininterrupta para discussão do impedimento da chefe da nação.
Trocando informações com repórter da Band de plantão durante toda a madrugada mencionaram o fato de que o ar refrigerado do plenário ensejou parlamentares enrolados na bandeira brasileira para aquecer seus corpos em atitude patriótica.

Boechat lembrou de uma expressão usada por uma deputada do Estado do Rio “amor de mãe ” , dita por Soraia , e ele não entendeu como a Parlamentar conseguiu enfiar tal referência na sua fala sobre impeachment.

Um Teatro do absurdo não no seu contexto inteiro, mas em diversos lances passíveis de críticas e verdadeiras pérolas para os eleitores observarem a qualidade dos seus representantes na Câmara Federal em tempos de escolhas que precisam ser mais conscientes e responsáveis.

Os ouvintes da Band e os telespectadores da Globo News assim como o público brasileiro ligado nas informações constantes de rádios e televisões acompanham o tal momento nacional que decidirá pelo afastamento ou não de Dilma Rousseff.

O Mineiro Marcelo Aro do PHS falou às 8 e pouco da manhã de sábado. Jovem, citou Ulysses e Tancredo, rememorando o que não viveu mas que considera uma oportunidade histórica de estar ali naquela tribuna e poder contar uma história de uma caverna com prisioneiros que viam sombras projetadas pelas frestas de luz que continham ilusões.

O moço comparou a realidade dura do Brasil a uma grande ilusão levada ao povo com mentiras que tentam esconder crise e violência.

O direito democrático de desfilar pérolas verdadeiras ou falsas é um fato inequívoco que a Democracia proporciona.
Realmente se alguém catalogar as tais pérolas poder-se-á publicar um livro curioso e histórico.

Em 2012 em Valência durante um almoço com amigos que vivem na Espanha , também me enrolei num lenço com a bandeira brasileira que costumo levar comigo quando saio do Brasil. É um lenço para amarrar no pescoço.

“Amor de mãe , as pérolas dos discursos do impeachment” , o jornalista anuncia o título do futuro livro, lembrando que um dos inscritos cantou o hino do estado do Pará devidamente enrolado na bandeira( Boechat sugeriu que deveriam ter produzido bandeiras de lã ) e ainda acionou um artefato de festa infantil que espalhou chuva de papel picado como se fora um Carnaval cívico.

Cida Torneros é jornalista e escritora, colaboradora da primeira hora do BP.Mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária.

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Comentários

Cida Torneros on 21 Abril, 2016 at 11:20 #

Bom feriado de Tiradentes! Viva a Democracia e até a liberdade de tantas pérolas! Todas somos belas, recatadas e do lar brasileiro! Como a futura ( quase) primeira dama foi descrita em reportagem recente. Uma mulher digna de usar muitas pérolas verdadeiras que ela possa ganhar do seu apaixonado maridão! Boechat terá vasto material para o livro!


Taciano Lemos de Carvalho on 21 Abril, 2016 at 23:56 #

Antes como hoje: em nome da família
Antes como hoje: Jaques Wagner dedicou voto contra Collor aos pais e filhos
Por Vera Magalhães – 21/04/2016 –

http://www.edsonsombra.com.br/post/antes-como-hoje-jaques-wagner-dedicou-voto-contra-collor-aos-pais-e-filhos20160421

No Palácio da Alvorada no domingo, convidados de Dilma Rousseff, entre eles o ex-presidente Lula, criticaram os deputados por votarem pela “família”. …

A título de registro histórico, vale revisitar o voto do ministro Jaques Wagner, do ministério do gabinete (sic) de Dilma, na votação do impeachment de Fernando Collor, em 1992, na mesma Câmara:

“Sr. Presidente, quero dedicar estas palavras e o meu “sim” na tarde de hoje aos meus pais e aos meus filhos. Aos meus pais como integrantes de uma geração que, na esperança, sempre plantou neste país a expectativa de sermos uma Nação correta, uma Nação altiva; aos meus filhos, que, junto com outros jovens, tomaram as ruas desta País, para dizer: ‘Vocês estão certos’. Esta Casa não lhes negará a esperança de que amanhã o Brasil será outro. Saí de minha casa hoje pela manhã, muito cedo, e tive o prazer de, às 7h30min, já encontrar brasileiros na Esplanada dos Ministérios, como aconteceu na disputa da final da Copa do Mundo de 1970. E este o espírito da Nação hoje. Estamos vivendo a final de um campeonato neste País, e é por isso que neste plenário não estaremos divididos na tarde de hoje entre oposicionistas e governistas, mas entre brasileiros que querem desfraldar a nossa bandeira verde e amarela e aqueles que, sorrateiramente, pretendem manter este país eternamente na impunidade, no jogo da corrupção, no jogo da conivência”.


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