DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Senado ainda vai “negociar” antes do desfecho

Admirado personagem de humorístico de TV bradava ao interlocutor que não compreendia sua tese: “Realiza!” – passando a trocá-la em miúdos. Era, literalmente, um chamamento à realidade, o que é menos desnecessário do que parece em muitos casos da vida – pessoal, política, pública…

Assim, encaremos a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, por 367 votos a 137, com sete abstenções e duas ausências, como a primeira etapa técnica de um processo que pode ser longo, embora todos os indicadores apontem para uma breve solução, com a posse de Michel Temer na presidência da República.

Esse era um projeto delineado há muito tempo, mesmo excluindo-se Temer da condição de conspirador original, pois ninguém lhe contestará a postura discreta em muitos anos e, até, a disposição de ajudar – não bem assimilada – quando a crise estava muito longe da dimensão atual.

A faca e o queijo, com o beneplácito do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público, da Ordem dos Advogados e até das Forças Armadas, que não têm por que ser convocadas, está com a alta representação legislativa do Brasil, a Câmara e o Senado.

Entretanto, não nos iludamos – e aí evoquemos diretamente a inesquecível figura de Francisco Millani, criador do tipo citado na abertura deste texto: a “nata” política quer a cabeça de Dilma (e a de Lula), estando a ponto de cortá-las. Mas os interesses são fluidos e mutáveis, e ainda há muito a negociar daqui pra frente.

O primeiro degrau é simples, como a minoria que o batiza. Não quer dizer que as exigências sejam de baixo calibre, pois há senadores gravemente envolvidos nas teias da corrupção a desejar algum tipo de salvo-conduto, e o resultado da próxima apreciação poderá ter como efeito imediato a saída da presidente da cadeira.

Quando for galgado o outro patamar, que é a maioria qualificada de 54 senadores, que afastaria Dilma do cargo definitivamente, só Deus sabe que natureza de argumento será chamada ao “diálogo da razão”, certamente impura. Rezemos, porém pela mudança real na alma política do Brasil, que estará garantida pelo menos enquanto Marcelo Odebrecht estiver preso.

O homem que calculava (mal)

Para quem previa mais de 200 votos contra o impeachment, o ministro Jaques Wagner, que diz ter sido estudante de Engenharia na PUC-Rio, está muito ruim de cálculo.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 18 Abril, 2016 at 9:59 #

E agora, com vocês, o grande perdedor!

O insuperável, Wagner, o “avarandado”, que despencará do Planalto, sem rede de proteção, para as agruras paranaenses.

O que teria levado, o antes “aquartelado”, a tamanha falseta?

Nu, sem foro e privilégios, conseguirá escafeder-se pelas sombras?

O que será do “mordomo de base de Aratu”?

Para piorar terá de suportar o ar blasé, de vitória, estampado na face de ninguém mais, ninguém menos, que Geddel.

O que aconteceu com o sindicalista de resultados?

O grito, de desespero, ouvido ao fundo, é de Gabrielli?


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