DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Memórias de um estudante de jornalismo

Fui a São Paulo ainda jovem para uma semana de estudos de jornalismo, e nas farras que acompanham esse tipo de esforço teórico fui parado, com colegas paulistas, cinco vezes, de madrugada, por policiais “fortemente armados”, como diz o jargão eterno da imprensa.

Aos 20 anos, era um… não diria semialienado, mas um alienado completo, porque, naquele tempo, muitas das pessoas que tínhamos em nossa companhia eram opositores do regime militar, que eu também era, mas num nível elementar de consciência.

Eles, não. Eram membros de organizações armadas. Patrocinavam, com seu talento e preparo, a propaganda de combate à ditadura. Militavam, na imprensa, na universidade, nas ruas, com o único propósito do enfrentamento.

Por sorte, não foram identificados nem portavam nessas blitzes material proibido, pois se assim fosse talvez nem eu, de todo inocente, estivesse aqui escrevendo esta história, ao contrário, figuraria na lista dos mortos ou desaparecidos.

Não é brincadeira. Falo de 1972, de fase mais cruel da ditadura, sob o comando do general Médici. Muitos desses heróis hoje pontificam na imprensa nacional, outros ficaram pelo caminho.

Eu venho daí, desse susto inicial… Por isso, sem querer entrar no denso miolo que nos traz aos dias atuais, quero dizer apenas que me entristece ver coagulado sem razão tanto sangue de brasileiros sinceros até a morte – coisa que, justiça se me faça, nunca fui. (LAG)

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