Adeus, Rogério. R.I.P.

(Vitor Hugo Soares)


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Combinando o jogo

Marco Aurélio Mello cumpriu o ritual governista e pediu há pouco a suspensão dos trabalhos do Supremo e convocação de sessão extraordinária às 17h30 para analisar as ações protocoladas.

Ele foi acompanhado por Edson Fachin, Luís Barroso e Ricardo Lewandowski.


Rogério Duarte com Capinan

DEU NO DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Por: Viver/Diario – Diario de Pernambuco

Morreu na noite de ontem (13), no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, o baiano Rogério Duarte, de 77 anos. Ele era músico, desenhista, escritor, compositor e um dos mentores intelectuais do movimento tropicalista. Segundo familiares, o artista lutava contra um câncer ósseo e no figado há dois meses. O sepultamento será na cidade de Santa Inês, na Bahia, “como era desejo dele”, postou o filho do artista, Diogo Duarte, no Facebook.

Rogério criou capas de LPs de Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso na época da Tropicália. Também se tornou conhecido por ter sido mentor intelectual de Zé Celso Martinez Corrêa, Hélio Oiticica e Torquato Neto. E por sua participação no Cinema Novo – já que assinou pôsteres de filmes como Deus e o diabo na terra do Sol (Glauber Rocha, 1964).

Rogério criou também pinturas, aquarelas e xilogravuras. A exposição mais recente dele foi Marginália 1, mostra inaugurada em agosto do ano passado, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro. À época, escreveu no Facebook: “…sou um marginal porque descobri que a margem fica dentro do rio…”. Já doente, Rogério não foi à vernissage.

Rogério Duarte foi um dos primeiros a ser preso e a denunciar publicamente a tortura no regime militar. A detenção dele com o irmão Ronaldo Duarte mobilizou artistas e mereceu ampla divulgação no jornal carioca Correio da Manhã, que publicou uma carta coletiva pedindo a libertação dos “Irmãos Duarte”.

Nos anos 1970, Duarte se tornou seguidor do movimento Hare Krishna, e foi iniciado com o nome de Ragunatha Das. Em um dos últimos posts no Facebook, escreveu: “Agora entendo o mistério/Desse nó que não desata/Eu preciso ser Rogério/Pra também ser Ragunatha”.

Além de cantar os nomes de Krishna em mantras, Rogério se dedicava ao estudo do livro clássico Bhagavad-Gita, com tradução de A.C. Bhaktivedanta Prabhupada, e compôs um álbum inspirado nele. Canções do divino mestre foi lançado com participações de Siba, Arnaldo Antunes, Chico César, Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso, entre outros. Uma das faixas, cantada por Tom Zé, foi intitulada Quem parte na luz, quem parte nas trevas.


Cartaz do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”


Familiares das vitimas da chacina buscam justiça

Brasília – Por decisão unânime do Conselho Pleno da OAB tomada na sessão da última terça-feira (12), a entidade atuará junto ao Ministério Público Federal (MPF) pelo deslocamento para a Justiça Federal da competência de julgamento da chamada Chacina do Cabula, ocorrida no início de 2015 na periferia de Salvador. Na ocasião, 12 jovens foram mortos pela tropa de Rondas Especiais da Polícia Militar da Bahia (Rondesp) com 88 tiros.

Para o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, a posição unânime do Conselho revela a gravidade da questão. “Vamos levar a demanda ao MPF e contamos com a sensibilidade extrema que a matéria requer, a fim de se obter o julgamento mais justo. Estas famílias querem e merecem justiça”, apontou.

O relator da matéria no Plenário, conselheiro Juliano Breda (PR), se disse estarrecido com os detalhes do crime. “O procurador responsável pelo caso afirmou que a posição dos disparos nos corpos das vítimas mostra que estas estavam em posição inferior ao atirador e, portanto, que não reagiram. O Ministério Público da Bahia ofereceu a denúncia e, por incrível que pareça, a justiça absolveu os nove policiais envolvidos”, lembrou.

Em seu voto, Breda afirmou não ter dúvidas de que é necessário o Incidente de Deslocamento de Competência. “Está caracterizada execução. As autoridades estaduais que investigam o caso podem perder a capacidade de analisar o episódio com a independência que a situação requer, em função da enorme repercussão. Não se trata de lançar suspeita sobre a imparcialidade da Justiça Estadual, mas de tratar fatos particularmente muito graves de acordo com os compromissos e tratados internacionais que o Brasil assina”, votou.

O conselheiro Everaldo Patriota (AL), especialista em Direitos Humanos, lamentou o fato de que a situação se repete Brasil afora. “É um fenômeno que ocorre em quase todas as capitais. Grupos de extermínio, milícias, grupos que fazem execuções sumárias sistemáticas nas áreas de vulnerabilidade social. Em Alagoas, somente em 2015 foram 102 pessoas mortas em confronto com a polícia. A OAB tem um compromisso estatutário com a defesa dos direitos humanos, sobretudo por sua consciência histórica”, disse.

O processo teve origem no conselheiro Fabrício Castro (BA). “A seccional baiana tem acompanhado o caso desde o dia em que aconteceu. Sempre em defesa dos direitos humanos, demos uma nota de preocupação exigindo uma apuração imediata e isenta das mortes, fomos ao secretário de Justiça colocar nossa estrutura à disposição para uma investigação independente e promovemos uma audiência pública sobre o caso que entrou para a história da OAB da Bahia como uma das mais concorridas. Então essa foi uma decisão muito acertada do nosso conselho e é de grande importância para que, garantidos os princípios da presunção de inocência, devido processo legal e ampla defesa, seja feita justiça”, ponderou.

(Com informações da OAB)

BOM DIA!!!

DO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Com discurso pronto, a Temer só falta o terno

A impressão que transmitem os fatos, mais uma vez precipitando-se em alta velocidade sem que se saiba se com ou sem segundas intenções, é de que, caso a presidente Dilma Rousseff pretenda salvar o seu mandato, deve procurar entender-se com o Senado, porque na Câmara não há mais o que fazer.

Aprovado, como se delineia, o processo no próximo domingo pela Câmara, será difícil evitar nova admissibilidade no Senado, por maioria simples, que retiraria Dilma do cargo imediatamente, e, mais tarde, por dois terços do plenário – 54 senadores – a decretação do impeachment propriamente dito.

A debandada de partidos da base do governo projeta uma realidade visível há muito tempo: tendo encontrado espaço e motivação, o establishment político decidiu tirar Lula do poder e neutralizá-lo, o que inclui, natural e prioritariamente, a queda da presidente da República.

Só o TSE evitará troca de seis por meia dúzia

Data: 13/04/2016
09:58:07

O ex-presidente tornou-se personagem indesejável, especialmente quando, atribuindo-se características ofídicas, promove escancaradamente uma operação fisiológica para salvar a si e a sua criatura. Nesse meio tempo, ocorre a prisão de Gim Argello, ex-senador que Dilma tentou colocar no Tribunal de Contas da União.

O vazamento do “discurso” de Michel Temer, nesse contexto, nada mais é que uma senha de ensaio geral. A “gafe” do áudio não muda nada: o eleitorado cujo apoio o vice-presidente “espera” é imune a indignação, só vê interesses, tanto que vem sendo disputado a tapa – ou argumento mais persuasivo.

Daqui pra frente, somente o Tribunal Superior Eleitoral poderia afetar Temer. Se ele chegar ao Planalto e tiver fôlego para acomodar as coisas, para o que haverá sensível colaboração das grandes forças empenhadas em liquidar o petismo, não se pode duvidar de que, num país onde Eduardo Cunha ainda preside a Câmara, alguma acomodação será arranjada.

Balcões e balconistas em excesso

O prefeito ACM Neto, que não trairia a genética se tivesse o feeling da direção dos ventos, grita contra o “balcão de negócios” montado em Brasília sob o comando, claro, de Lula. Mas a verdade é que, balcão, todo mundo faz quando precisa.

Palavras são do jogo político, como, também, faz o governador Rui Costa ao dizer que “o golpe não passará”. Não poderia mesmo jogar a toalha, nem ele nem o ministro Jaques Wagner, que sonha com 215 votos contra o impeachment.

abr
14
Posted on 14-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 14-04-2016


Aroeira, no jornal O Dia (RJ)


Bancada do PSD decide destino do governo


DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

Brasília

Debandada do PP enfraquece ainda mais Dilma na Câmara
Temer diz estar “preparado” após Dilma chamá-lo de “conspirador”

“Agora já tem a caneta vermelha, para o PT”, debochava o deputado Carlos Manato (SD-ES) pelos corredores da Câmara dos Deputados ao coletar palpites para o “bolão do impeachment” da presidenta Dilma Rousseff. A brincadeira, na definição de Manato, contava com 13 apostas de 100 reais no início desta tarde, todas com placares favoráveis ao impedimento. Essas avaliações não representam exatamente as tendências da votação — o governista PDT anunciou nesta quarta-feira que dará seus 20 votos para a presidenta —, mas é cada vez mais arriscado apostar a favor de Dilma na Câmara.

O Governo resiste em jogar a toalha. Questionada por jornalistas sobre o processo nesta quarta-feira, Dilma tentou manter as esperanças: “Digo qual é o meu primeiro ato pós-votação na Câmara [em caso de vitória]: a proposta de um pacto, de uma nova repactuação entre todas as forças políticas, sem vencidos e sem vencedores. Seja pós-Câmara, mas também pós-Senado, sobretudo. No pós-Senado, é que isso será mais efetivo”. A presidenta admitiu, contudo: “se eu perder, sou carta fora do baralho”. Ela convocou dez jornalistas para uma coletiva na manhã desta quarta, onde reafirmou que seu vice-presidente, Michel Temer, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, trabalham em sociedade pelo golpe. “Chefe e vice-chefe do golpe”, afirmou ela, segundo o portal UOL que participou da entrevista.

De acordo com o relato dos jornalistas presentes, a presidente transmitiu tranquilidade, e apesar das baixas no Governo, avaliou que é natural viver uma “guerra psicológica” na reta final deste processo.

A Câmara, onde o processo dá o primeiro passo, encaminha-se para o domingo inclinada a votar pelo impedimento da presidenta. Depois de PMDB e PP abandonarem a base aliada no Congresso Nacional e de partidos como PSB e PRB fecharem posição para votar em bloco contra Dilma, o PSD, uma das últimas esperanças do Palácio do Planalto, anuncia que vai liberar sua bancada — majoritariamente a favor do impeachment — para votar como bem entender. Nas contas mais conservadoras, 26 dos 36 deputados do PSD votarão pelo envio do processo ao Senado.

Agora, sem conseguir atuar no atacado, o Governo Dilma Rousseff está tentando obter no varejo os votos que lhe faltam para evitar o andamento do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Depois dos últimos anúncios de rompimentos ou de declarações de votos a favor da destituição presidencial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Jaques Wagner (Gabinete Pessoal) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) começaram a ter conversas individuais com os parlamentares. Antes, os diálogos ocorriam principalmente com os líderes das bancadas e com presidentes dos diretórios nacionais.

Assessores e ministros de Dilma usaram o caso dos parlamentares do PP – que contrariaram o seu presidente e o líder da bancada para anunciar voto pelo impeachment – como o principal exemplo do insucesso na condução das negociações.Três deputados do PP que conversavam nos corredores da Câmara nesta quarta-feira debatiam onde foi a falha governista. “O Governo disse que colocaria o Ricardo Barros no Ministério da Saúde sem consultar ninguém. Fez um acordo com o líder e nem consultou a maioria. Foi a gota d’água para a rebelião e mostrou que, se permanecer, a Dilma continuará a mesma. Sem fazer política, sem dialogar, sem ouvir a base”, ponderou um deles.

Com o desembarque do progressista, o efeito dominó já era esperado pelo Planalto: a declaração do PSD ou o completo rompimento do PRB. O novo temor é que o PMDB não entregue para Dilma os votos que diz ter (entre 20 e 30 de uma bancada de 67), haja defecções em grupos que declararam apoio aberto (como o PDT que tem 20 deputados) ou alguns nomes específicos de partidos nanicos, como do PTN e do PROS, mudem o voto conforme o andamento das manifestações no fim de semana. “As pressões que esses deputados sofrem vêm de todos os lados. Nas conversas, tentamos evitar que isso interfira muito na decisão final deles”, disse um auxiliar do Governo.

Nesta quinta-feira, será a vez do PMDB anunciar o seu posicionamento. A tendência é que o líder Leonardo Picciani (PMDB-RJ) libere o voto de sua bancada. A decisão, tomada após uma conversa com o vice-presidente, Michel Temer, ainda precisa ser referendada pelos 66 deputados peemedebistas. “O que ficar decidido eu falarei no microfone, por mais que não concorde com o impeachment e tenha sido contra o rompimento com o Governo”, afirmou Picciani.

Para amenizar perdas, a gestão Rousseff autorizou que três deputados licenciados do PMDB que hoje são ministros retornem para seus cargos apenas para votarem contra o impedimento da mandatária. Celso Pansera, da Ciência e Tecnologia, Mauro Lopes, da Aviação Civil, e Marcelo Castro, da Saúde, devem retornar aos seus gabinetes no Legislativo entre quinta e sexta-feira.

O clima de que uma derrota se aproxima para a petista é tamanho que as estimativas de deputados favoráveis ao impedimento registram adesões dia a dia e se aproximam do mínimo necessários de 342 votos. Por outro lado, a lista de contrários permanece orbitando em torno de 120 votos. Para interromper o processo na Câmara, o Governo precisa de 172 deputados votando ao seu favor, se abstendo ou se ausentando. A guerra dos placares já chegou até aos votos para a sequência do processo no Senado. De acordo com contagem do jornal O Estado de S.Paulo, 42 dos 81 senadores já se posicionaram a favor do impedimento de Dilma. Apenas 17 disseram ser contra o processo.

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