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Fim da Ceplac: mau sinal para o Brasil

O rebaixamento da Ceplac à série D da administração federal pode ser abordado sob a ótica do desprestígio político da Bahia, a despeito de ter três mandatos governamentais consecutivos e simultâneos aos de presidentes da República do mesmo partido, totalizando, hoje, nove anos e três meses de feliz coincidência.

Mas a gravidade do fato vai muito além, a ponto de tornar este pobre Estado e sua cacauicultura secular “apenas um detalhe” do grande desastre. E a explicação está no breve relato que o deputado Eduardo Salles (PP) fez, em pronunciamento da tribuna da Assembleia Legislativa.

Salles tentou, há cerca de um mês, juntamente com a senadora Lídice da Mata (PSB) e seis deputados federais baianos, em audiência com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que não se consumasse o que ele definiu como “extinção” da Ceplac.

Ministra despreza os peixes pelos bois

A ministra, segundo o deputado, recebeu a delegação baiana questionando: “Vocês sabem que hoje a Ceplac cuida até de peixe, em vez de cuidar de cacau?” Certo de que, diante de tal argumento, Kátia Abreu só se preocupava com “seus bois lá no Tocantins”, Salles reagiu:

“Ministra, desculpe, a senhora sabe que eu fui secretário de Estado, que fui presidente do Conselho dos Secretários de Agricultura do Brasil, e quero dizer que a senhora está sendo mal assessorada, as pessoas que estão a seu lado não estão falando a verdade”.

O deputado expôs, então, o papel da Ceplac, há quase 60 anos, no desenvolvimento regional, com inclusão da piscicultura, apicultura, fruticultura, pecuária leiteira, além das lavouras de seringueira e dendê, o que – afirmou – “evitou um caos social muito maior” quando a vassoura-de-bruxa aniquilou a produção cacaueira.

Pichem-se os muros: o mensalão está vivo

Ante o nível de importância do tema, mesmo antes de a ministra assinar o decreto que fez da Ceplac departamento de “pequena secretaria do ministério”, o parlamentar já estava convencido de que Kátia Abreu “nada entende de cacau, muito menos de políticas públicas para a agricultura e para a agropecuária nacional”.

Foi adiante o ex-secretário, ao observar que a ministra agiu “com arrogância” por não ter gostado da atitude de “representantes legítimos de regiões produtoras arguindo e debatendo com ela”. A senadora Lídice afirmou na reunião que o grupo desejava ser ouvido, tendo Kátia Abreu interrompido: “Está bom! Vocês serão ouvidos” – o que não ocorreu.

A avaliação técnica de uma ministra de Estado, feita por pessoas competentes, demonstra a pobreza do momento nacional, em que o da Agricultura e outros ministérios são usados destemidamente para mais uma barbaridade, que é substituir por repactuar o verbo comprar, no caso, votos de deputados, como no mensalão.

Cenoura e bronze

Eduardo Salles não perdoou mesmo: “No fim de semana passado, a ministra estava um Ilhéus, curtindo as praias. Mas não quis largar sua praia para ir conhecer a Ceplac, conversar com os funcionários”.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 7 Abril, 2016 at 9:21 #

O que esperar da ministra do latifúndio no governo Dilma? E do governo Federal, esperar o quê?

Kátia Abreu é aquela
que recebeu o título de rainha da Motosserra pelo Greenpeace.

E mais, afirmou que pobre deve comer alimento com agrotóxico ‘sim!’. Deu a entender que rico deve comer alimento orgânico.

Um governo tóxico?


Taciano Lemos de Carvalho on 7 Abril, 2016 at 13:06 #

Sabe o que perguntou aquele cara ao ministro?

— Nobre colega, você repactuou quantos parlamentares hoje?


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