DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

PMDB e Dilma: fisiológicos até dizer chega

Os fatos como eles são revelam com clareza meridiana a alma do PMDB: o partido pulou do governo Dilma por aclamação, mas seis ministros insistem em permanecer nos cargos, cada um, naturalmente, com objetivos e cacifes distintos.

Isso significa que não há, ali, como, aliás, no resto das legendas, uma instituição partidária. Sempre se soube disso, por tratar-se de um bando fisiológico e, ostentando as mais numerosas bancadas, ter sido governo praticamente ao longo de toda a fase da redemocratização.

Incrédulos cidadãos devem indagar-se perplexos como pode, depois do rompimento, um quinto dos ministérios da República estar em mãos de adversários do governo. Seria, então, de se esperar que o governo demitisse sumariamente os ocupantes.

Se não o faz, é porque não passam da retórica os discursos que acusam o PMDB de aderir ao “golpe”, com direito a ataques diretos de Lula ao vice-presidente Michel Temer. No fundo, certamente com o conselho do “articulador”, Dilma nutre a esperança de que essa proporção se traduza em votos.

“Gordinhos gostosos” prontos para o sumô

Entre as ressalvas de que, embora em baixíssima proporção, são credores peemedebistas de todo o Brasil, destaque-se, por ser baiana, a dupla Geddel-Lúcio Vieira Lima.

A bem da verdade, os irmãos – fala-se dos dois como de um só, raridade nas famílias políticas – mostraram desapego a cargos desde 2009, quando se deu o rompimento unilateral com o governo Jaques Wagner.

Geddel, que na época falava mais pelo grupo, justificou o passo com restrições às ações do governo, e o fato é que, pela posição, viria a ser ironizado pelos petistas após a eleição de 2010, quando, dizia-se, por uma suposta obsessão de ser governador, perdeu uma vaga certa de senador.

A permanência, entretanto, na base do governo federal, fê-lo alimentar a esperança de ser, seis anos atrás, um dos candidatos “de Lula e Dilma” ao governo da Bahia, até que a traição explícita de ambos, em solo baiano, o jogou na completa oposição.

A crise de Lula, Dilma e o PT encontra os Vieira Lima na planície e dispostos a brigar. A querela começa com Kátia Abreu – que vá ser ministra em outro lugar. A curiosidade é por saber se os demais ministros têm representação palpável na corporação, a ponto de se lhes passarem a mão pelas cabeças.

Um país que não sabe para onde caminha

Se há um consenso entre os analistas da cena política brasileira, de jornalistas a cientistas políticos, comumente manifestado nos debates e comentários sintonizáveis em qualquer emissora de TV, é, com toda razão, quanto à imprevisibilidade do momento presente.

Há um ano, quando já era acentuada a reação ao governo Dilma Rousseff pelo evidente estelionato eleitoral e o desastre da Petrobras, surgiram as primeiras denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e até hoje o quadro não teve a evolução que, pela gravidade, era de se presumir.

Não se trata, portanto, de vislumbrar acontecimentos em prazos longos, mas imaginar as coisas que podem ocorrer esta semana, dentro do imediatismo com que temos convivido todo este tempo, o que resulta, praticamente, na imobilidade, na sensação de que tão cedo não será desatado o nó que estrangula o país.

Não existe, não diríamos um líder, que seria um luxo extremo, bastava um homem público com conhecimento, credibilidade e autoridade para propor uma agenda mínima que pudesse direcionar o Brasil, ainda este ano, por parâmetros que conduzam ao início da solução.

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Comentários

rosane santana on 7 Abril, 2016 at 8:06 #

Geddel e Lúcio mostram desapego a cargos desde 2009? Caro Luis, pelo amor de Deus! Procure se informar quantos cargos tem a dupla na Prefeitura Municipal e no Governo Federal. Digo mais, de alta e seguríssima fonte, até antes da prisão de Marcelo Odebrecht, Geddel Vieira Lima atuava na sombra como o homem da Odebrecht na Bahia.


luis augusto on 8 Abril, 2016 at 14:56 #

Querida Rosane, hoje pensei tê-la vista degustando algo no Toque Especial, no CCI/Imbuí. Aproximei-me, não era você, ou meus óculos já não estão valendo nada.

A posição acima diz respeito aos episódios que cercaram a saída do PMDB do governo Wagner, época em que acompanhava a vida política mais de perto – hoje estou a 30% daquilo, por motivos pessoais.

É certo que Geddel e Lúcio devem deter muitos cargos na estrutura municipal, fora os ostensivos, que conhecemos, como Fábio Mota.

É razoável que os tenham, porque trabalharam na eleição, devem participar da gestão e, para o bem geral, estreitar relações e atuar com eficiência – se não o fazem já não é mais comigo.

Nada me liga diretamente aos dois irmãos, embora lhes reconheça a argúcia e a capacidade, além de considerar Lúcio uma simpatia.

Amanhã – este é um aviso geral – é dia de feijoada e sarapatel, entre outros quitutes, no Toque Especial, CCI, onde ficava a agência do Banco do Brasil (o BB agora é junto da igreja). Preço de PF.

Vale a pena chegar até 11 horas, para estacionar na sombra (no fundo do shopping), sob as árvores, juntinho das mesas.

Beijos generalizados.


luis augusto on 8 Abril, 2016 at 14:57 #

Tê-la visto, naturalmente.


Taciano Lemos de Carvalho on 8 Abril, 2016 at 18:59 #

Dilma, hoje (7/4) “repactuou” mais um:

“Dilma exonera diretora da Sudam e nomeia para o cargo indicada pelo PP”

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2016-04/dilma-exonera-diretora-da-sudam-e-nomeia-para-o-cargo-indicada-pelo-pp


Taciano Lemos de Carvalho on 8 Abril, 2016 at 19:00 #

Correção: Dilma, hoje (7,4), “repactou” mais um”


Taciano Lemos de Carvalho on 8 Abril, 2016 at 19:00 #

Correção: Dilma, hoje (7,4), …


Taciano Lemos de Carvalho on 8 Abril, 2016 at 19:03 #

Essa Dilma dá um trabalho!!
“Repactuou”


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