Dilma acena aos militantes na subida
ao navio militar entregue ontem.

DEU NO G1/O GLOBO

Por Catarina Alencastro, enviada especial

A presidente Dilma Rousseff deixou para trás o tom combativo de defesa de seu mandato que vinha adotando em seus discursos e, ao inaugurar um navio no Porto de Salvador, ateve-se quase que exclusivamente à necessidade estratégica de investir nas Forças Armadas. A única menção de que enfrenta um processo de impeachment na Câmara foi feita ao agradecer aos manifestantes que, na calçada em frente ao navio, gritavam, sob forte chuva, o já tradicional “não vai ter golpe”.

— Queria agradecer a todos os manifestantes que se colocam aqui debaixo de chuva defendendo a nossa democracia e defendendo a institucionalidade do nosso país — disse Dilma, encerrando sua fala, no convés do navio.

Depois, a presidente ignorou a chuva e foi até a ponta da embarcação acenar para os manifestantes. Os gritos então aumentaram: “não vai ter golpe, vai ter luta” e “não vai ter golpe, vai ter Dilma”.
Dilma Rousseff na inauguração de um navio no Porto de Salvador – Divulgação / Roberto Stuckert Filho

Antes dela, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), fez uma defesa mais enfática contra o impeachment. Essa parte do discurso dele também teve como mote o agradecimento aos manifestantes. O governador aproveitou para dar um recado à plateia de oficiais da Marinha que lotava a cerimônia, afirmando que as Forças Armadas têm o dever de salvaguardar a Constituição.

— Queria saudar todos os baianos e baianas que estão debaixo dessa chuva pedindo respeito à constituição, respeito à legalidade e defendendo aquilo que nós acreditamos: que uma democracia, e as Forças Armadas existem inclusive para isso, para defender a nossa Constituição, para defender a legalidade e para defender a legitimidade do voto – disse, complementando:

— Uma democracia não fica de pé se a Constituição não for respeitada e se o voto do cidadão não for respeitado. E esse povo lá fora está dizendo que quer o seu voto, que a legalidade seja respeitada nesse país. Se alguém deseja chegar ao governo central, que se submeta e ofereça suas propostas para o brasileiro para que ele possa, eventualmente, votar no momento oportuno.

O evento foi organizado como espécie de batismo da nova aquisição da Marinha, o navio doca multipropósito Bahia, que conta com um complexo hospitalar com 49 leitos e uma unidade para queimados. Essa função do navio pode ser útil em missões de paz. Além disso, a embarcação serve para o transporte de embarcações, de tropas e de equipamentos militares. Ontem Dilma visitou o avião KC 390, em Brasília.

abr
06
Posted on 06-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-04-2016

O amigo

O melhor amigo de Marco Aurélio Mello hoje é Jaques Wagner.

BOA TARDE!!!


Marina Silva discursa em evento da Rede em Brasília
por novas eleições. EVARISTO SA AFP

DO EL PAIS

Rodolfo Borges

De Brasíiia

“Nem rechaço nem aceito [novas eleições em outubro]. Eu acho que é uma proposta. Convença a Câmara e o Senado a abrir mão dos seus mandatos. Aí vem conversar”, respondeu a presidenta Dilma Rousseff a jornalistas em evento na Base Aérea de Brasília nesta terça-feira. Dilma falou em tom de ironia, mas o fato de não ter descartado a ideia — ao contrário do que faz sempre que questionada sobre a possibilidade de renunciar ou sobre o processo de impeachment de que é alvo — é um dos sinais de que o mundo político brasileiro passou a considerar uma nova eleição, presidencial ou geral, como solução para a atual crise.

“Seis meses atrás, essa ideia não seria entendida por ninguém. As ideias têm seu momento. Quando essa ideia fica a favor do espírito do tempo, ninguém segura mais”, resumiu o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), um aspirante à Presidência da República, durante reunião promovida pela Rede Sustentabilidade para defender a realização de novas eleições. No encontro, que tinha a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva como estrela, membros da Rede e de partidos como PPS e PPL relembraram o movimento das Diretas Já, que defendeu eleições diretas em 1984, para endossar a proposta de um novo pleito.

Derrotada na eleição presidencial de 2014, Marina defendeu que impeachment não é golpe, como argumenta o Governo, mas disse que a melhor saída para o país virá do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — para os apoiadores da ex-senadora, o vice-presidente Michel Temer não teria apoio popular para governar após a queda de Dilma. É no TSE que correm quatro processos movidos pelos tucanos que podem resultar na cassação da chapa Dilma-Temer, vencedora na última eleição. “Não é o momento daquilo que é mais fácil, mas daquilo que é mais eficaz. Ao se caçar a chapa, que a sociedade brasileira possa fazer sua escolha”, discursou Marina em um hotel de Brasíila, onde propôs um Governo de transição de dois anos e também que aquele que seja eleito nesse pleito intermediário não participe da eleição de 2018. A ex-senadora, a mais bem colocada nas pesquisas de intenção de voto para 2018, não se apresentou explicitamente como candidata para essa possível nova votação.

Para garantir que a cassação da chapa vitoriosa em 2014 leve a novas eleições, a Rede Sustentabilidade vai tentar participar das ações apresentadas pelo PSDB no TSE como amicus curiae – o termo jurídico, literalmente “amigos da corte”, descreve os atores que não são partes dos processos, mas que atuam como interessados na causa. A intenção é alegar que, apesar de as denúncias terem sido apresentadas entre o fim de 2014 e o início de 2015, a corte deve considerar legislação aprovada em setembro de 2015, que prevê nova eleição em caso de cassação, e não a posse do segundo colocado, como pediam originalmente os tucanos. Nem todo mundo está a favor dessa saída, contudo. Novo presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) ocupou o lugar de Temer à frente do partido para blindá-lo e fez um duro discurso no Senado para chamar de “golpe” a ideia de novas eleições, por ausência de previsão constitucional.

Na prática, o gesto de Marina Silva é uma tentativa de fazer uma pressão pública para que o TSE apresse o passo com os processos que acusam a chapa Dilma-Temer de abuso de poder político e econômico. A velocidade depende da corregedora do TSE, Maria Thereza de Assis Moura, que relata os casos. Existe uma expectativa de que o processo ganhe velocidade com a chegada ao tribunal das delações premiadas de 11 executivos da Andrade Gutierrez no âmbito da Operação Lava Jato, que, especula-se, poderia engrossar a acusação de que a campanha do PT e do PMDB teria recebido caixa 2 em 2014. Mas para a vontade de Marina Silva e de sua Rede se fazer valer, o processo deve ser julgado até o fim deste ano. Se a decisão do TSE ocorrer a partir de 2017, a cassação da chapa vai levar a uma eleição indireta, feita pelos parlamentares.
Alternativas e parlamentarismo

Uma alternativa ao demorado processo do TSE seria a renúncia conjunta de Dilma e Temer — assim, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) assumiria por 90 dias para convocar as eleições. Presidente e vice não parecem inclinados a isso, mas a situação pode mudar à medida que o processo de impeachment avançar no Congresso Nacional. Nesta terça-feira, o presidente do Senando, Renan Calheiros (PMDB-AL), se uniu a outros senadores, como João Capiberibe (PSB-AP), que têm se manifestado a favor de novas eleições.

“É uma proposta bem elaborada e a vejo com bons olhos”, disse Renan ao ser questionado sobre a proposta do colega de PMDB Valdir Raupp (RO) nesta segunda-feira. “Se a política não arbitrar saídas para o Brasil, nós não podemos fechar nenhuma porta, deixar de discutir nenhuma alternativa. Nem essa de eleição geral, nem a de fazer uma revisão no sistema de Governo e até identificarmos o que há de melhor no parlamentarismo e no presidencialismo”, completou o presidente do Senado, mencionando outra polêmica proposta de saída para a crise.

Nesta quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve pautar ação que questiona se é possível trocar o sistema presidencialista pelo parlamentarismo por meio de uma emenda à Constituição, sem consulta popular, ao contrário do que foi feito em 1993, quando a possibilidade foi derrotada por ampla margem. A ação foi proposta em 1997 e, após passar pelas mãos de vários ministros, enfim deve ir a julgamento, não sem polêmica por causa do timing. Parte do mundo político enxerga no parlamentarismo a solução para os problemas impostos pelo presidencialismo de coalizão e expostos pela crise do Governo Dilma Rousseff, mas há vozes que consideram a reanálise de algo já rechaçado popularmente como ilegítima. Mais uma vez, caberá ao STF, que já organizou o rito de impeachment, dizer se a alternativa imaginada é possível.

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

PMDB e Dilma: fisiológicos até dizer chega

Os fatos como eles são revelam com clareza meridiana a alma do PMDB: o partido pulou do governo Dilma por aclamação, mas seis ministros insistem em permanecer nos cargos, cada um, naturalmente, com objetivos e cacifes distintos.

Isso significa que não há, ali, como, aliás, no resto das legendas, uma instituição partidária. Sempre se soube disso, por tratar-se de um bando fisiológico e, ostentando as mais numerosas bancadas, ter sido governo praticamente ao longo de toda a fase da redemocratização.

Incrédulos cidadãos devem indagar-se perplexos como pode, depois do rompimento, um quinto dos ministérios da República estar em mãos de adversários do governo. Seria, então, de se esperar que o governo demitisse sumariamente os ocupantes.

Se não o faz, é porque não passam da retórica os discursos que acusam o PMDB de aderir ao “golpe”, com direito a ataques diretos de Lula ao vice-presidente Michel Temer. No fundo, certamente com o conselho do “articulador”, Dilma nutre a esperança de que essa proporção se traduza em votos.

“Gordinhos gostosos” prontos para o sumô

Entre as ressalvas de que, embora em baixíssima proporção, são credores peemedebistas de todo o Brasil, destaque-se, por ser baiana, a dupla Geddel-Lúcio Vieira Lima.

A bem da verdade, os irmãos – fala-se dos dois como de um só, raridade nas famílias políticas – mostraram desapego a cargos desde 2009, quando se deu o rompimento unilateral com o governo Jaques Wagner.

Geddel, que na época falava mais pelo grupo, justificou o passo com restrições às ações do governo, e o fato é que, pela posição, viria a ser ironizado pelos petistas após a eleição de 2010, quando, dizia-se, por uma suposta obsessão de ser governador, perdeu uma vaga certa de senador.

A permanência, entretanto, na base do governo federal, fê-lo alimentar a esperança de ser, seis anos atrás, um dos candidatos “de Lula e Dilma” ao governo da Bahia, até que a traição explícita de ambos, em solo baiano, o jogou na completa oposição.

A crise de Lula, Dilma e o PT encontra os Vieira Lima na planície e dispostos a brigar. A querela começa com Kátia Abreu – que vá ser ministra em outro lugar. A curiosidade é por saber se os demais ministros têm representação palpável na corporação, a ponto de se lhes passarem a mão pelas cabeças.

Um país que não sabe para onde caminha

Se há um consenso entre os analistas da cena política brasileira, de jornalistas a cientistas políticos, comumente manifestado nos debates e comentários sintonizáveis em qualquer emissora de TV, é, com toda razão, quanto à imprevisibilidade do momento presente.

Há um ano, quando já era acentuada a reação ao governo Dilma Rousseff pelo evidente estelionato eleitoral e o desastre da Petrobras, surgiram as primeiras denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e até hoje o quadro não teve a evolução que, pela gravidade, era de se presumir.

Não se trata, portanto, de vislumbrar acontecimentos em prazos longos, mas imaginar as coisas que podem ocorrer esta semana, dentro do imediatismo com que temos convivido todo este tempo, o que resulta, praticamente, na imobilidade, na sensação de que tão cedo não será desatado o nó que estrangula o país.

Não existe, não diríamos um líder, que seria um luxo extremo, bastava um homem público com conhecimento, credibilidade e autoridade para propor uma agenda mínima que pudesse direcionar o Brasil, ainda este ano, por parâmetros que conduzam ao início da solução.

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Posted on 06-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-04-2016



Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

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