“No Tempo dos Quintais” (e dos pardais): a maravilhosa composição de Sivuca (muita gente pensa que isso é coisa de Chico Buarque, mas é minha e de Paulinho Tapajós, ouvi o autor dizer uma vez na Bahia) vai dedicada a dois queridos colegas de jornalismo e de boemia nos bares “e casas de familia” em Salvador: Araken Gomes E Silva, em presença cada vez corajosa, leal e verdadeira; e a José Rodrigues “Irecê, em memória.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

abr
05

DEU NO G1/O GLOBO

Renan Ramalho

Do G1, em Brasília

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que receba um pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer e envie o caso para análise de uma comissão especial a ser formada na Câmara. A Câmara poderá recorrer ao plenário da Corte.

A decisão atende ao pedido de um advogado, Mariel Márley Marra, de Minas Gerais, que acionou o STF para questionar decisão de Cunha que arquivou uma denúncia que ele apresentou contra Temer, em dezembro do ano passado. O presidente da Câmara entendeu que não havia indício de crime de responsabilidade do vice-presidente.

Procurado pelo G1, Cunha ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

Na segunda-feira, para instruir a ação apresentada pelo advogado mineiro, a Câmara enviou um parecer à Corte alegando que o STF “nunca, jamais” poderia determinar o início de um processo de impeachment, em substituição ao presidente da Casa.

Na última sexta-feira, por um equívoco, o STF havia divulgado uma “decisão em elaboração” a respeito deste mesmo pedido.

O teor da decisão assinada por Marco Aurélio é quase idêntico à minuta divulgada na semana passada. Na prática, a decisão manda Cunha decidir da mesma forma como procedeu com o pedido da presidente Dilma Rousseff, em dezembro do ano passado.

Na decisão, Marco Aurélio entende que o recebimento de uma denúncia por crime de responsabilidade pelo presidente da Câmara deve tratar apenas de aspectos formais e não analisar o mérito das acusações. Na peça, o ministro diz que Cunha, ao apreciar o mérito da acusação, “queimando etapas que, em última análise, consubstanciam questões de essencialidade maior”.

“Os documentos que instruem a peça primeira permitem concluir pelo desrespeito aos parâmetros relativos à atuação do Presidente da Casa Legislativa, pois, embora tenha reconhecido, de maneira expressa, a regularidade formal da denúncia, procedeu a verdadeiro julgamento singular de mérito, no que consignou a ausência de crime de responsabilidade praticado pelo Vice-Presidente da República, desbordando, até mesmo, de simples apreciação de justa causa”, escreveu o ministro.

Marco Aurélio, porém, negou pedido do advogado para suspender a análise do pedido de impeachment já em andamento contra a presidente Dilma Rousseff. Além disso, a ação original pedia uma nova análise pelo presidente da Câmara da denúncia contra Temer, não o seu acolhimento, como determinado pelo ministro.

Ação
A ação do advogado Marra pede o impeachment de Temer sob o argumento de que ele também editou decretos, em 2015, abrindo créditos suplementares incompatíveis com a meta de superávit primário e sem autorização do Congresso. Foi esse o principal motivo apontado por Eduardo Cunha, para acolher a denúncia contra Dilma.

Ao analisar a acusação contra Temer, porém, o presidente da Câmara argumentou que os decretos do vice foram apresentados antes da revisão da meta, em julho de 2015. Os de Dilma foram editados depois, e, por isso, teriam infringido a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Simplesmente espetacular. Pode bater palmas de pé, que Edu merece!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO JORNAL ZERO HORA, DE PORTO ALEGRE

Depois de publicar uma carta aberta a Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, o músico Lobão, reconhecido crítico do governo petista e de seus apoiadores, voltou a endereçar uma mensagem ao trio. Se no primeiro texto ele propunha uma trégua na troca de hostilidades, desta vez reclamou da ausência da resposta dos artistas citados.

Lobão explica pedido de perdão e volta a provocar Gil, Caetano e Chico
Gil aceita desculpas de Lobão, mas Chico não pretende ler carta aberta
Em carta aberta, Lobão desculpa-se com Gil, Chico e Caetano e pede “debate pacífico”

Gilberto Gil, o único a responder Lobão, disse que recebia a primeira carta com “leveza” e não acrescentou mais comentários. Caetano Veloso, fora do Brasil, e Chico Buarque não se manifestaram. Nesta segunda carta, Lobão diz que Chico deveria pedir desculpas ao povo brasileiro “pela falência absoluta de suas crenças ideológicas”.

Leia a carta na íntegra.

“Caros amigos,

Há uma semana escrevi uma carta aberta a vocês e, como já poderia prever, não houve nenhum sinal significativo de resposta.

Saliento comovido e contente o meigo e solitário depoimento de Gil ao aceitar as minhas desculpas. Contudo, se Gil se dispusesse a ler o texto com atenção constataria que o cerne da questão gira em torno de um outro intento: uma convocação.

Chico deixou bem claro que sequer se interessara em ler a mensagem quanto mais respondê-la e Caetano adotou uma atitude evasiva eximindo-se de qualquer manifestação a respeito.

Pois bem, apesar desse comportamento um tanto lacônico por parte de vocês três, sou forçado a constatar que a carta causou um forte impacto entre oposicionistas, governistas, populares, isentões e intelectuais dos mais variados sexos, feitios e tamanhos. Reações que variaram entre o rejúbilo, o amor, a compreensão do meu gesto (era essa a minha meta), e o repúdio, a indignação e o desprezo (para o meu espanto!) sendo que nessa segunda categoria de reações descontroladamente apaixonadas, expressaram seu veemente protesto, tanto alguns muitos oposicionistas me criticando por ter ‘amarelado’ diante de ‘artistas vendidos’, como governistas explodindo de indignação por acharem o cúmulo dos cúmulos um nada como eu pleitear uma conversa com o Olimpo ‘da nossa MPB’.

A que ponto chegamos, não é verdade? Entretanto, nutrido pelos sinceros sentimentos que me guiam somados a uma necessidade premente de esclarecimentos e mudanças, não somente na mentalidade como também nos desígnios políticos em que se enredou a nossa classe, retorno ao teclado do computador para redigir-vos mais um insistente apelo.

Optarei, como recurso didático e adequado para essa ocasião, adotar a abstrata condição de nada. Portanto, a partir de agora, me apresentarei assim: Muito prazer, meu nome é Nada.

Ser Nada muito me convém para que meus motivos se ergam das névoas da dúvida. Ser o Sub do Mundo é uma condição que muito me convém para ser mais bem sucedido em mostrar a vocês três os absurdos, discrepâncias e cacoetes comportamentais que doravante exporei.

Vou dividir meu carinhoso pito em duas partes: a primeira caberá a Caetano e Gil, a segunda a Chico. Prossigamos.

Querido Gil, você ocupou o cargo de ministro da Cultura durante os oito anos da administração Lula e prossegue, na administração Dilma com forte penetração no ministério, pois o atual ministro Juca Ferreira é homem de sua inteira confiança tendo atuado como seu subordinado no tempo em que você foi o titular da pasta. Não sei se é apenas uma estranha coincidência, mas foi exatamente durante todo esse período que as perversidades e aberrações da Lei Rouanet começaram a pulular em total descontrole. Foi aí inaugurada a era em que artistas consagrados com grande nicho de público e mercado, começaram a pautar seus eventos, shows, projetos, discos e DVD por intermédio de subvenção de incentivos hospedados no bojo dessa lei, transformando o mainstream cultural num antro de parasitas, chapas-brancas e castrados de opiniões confiáveis.

Essa lei proporcionou que a criação artística decrescesse a níveis alarmantes, pois os tais editais dos quais se extrai a grana dos medalhões privilegiam as enfadonhas comemorações de aniversários de carreira, reuniões insólitas entre artistas improváveis, homenagens pouco sinceras a astros falecidos, festas sem algum sentido real de se comemorar e outras chicanas lamentáveis para justificar o uso do dinheiro público.

Para piorar a situação, como se isso só não bastasse, esse grupo de parasitas passa a atuar como um grupo de ardentes defensores do governo. É a Era do Artista Chapa-Branca. Uma era a ser esquecida.

Imagine você, Gil, faça um exercício de alteridade e experimente o meu espanto em saber um ministro da Cultura ter um camarote no carnaval de Bahia subvencionado com uma grana possante da lei Rouanet! Isso, definitivamente não é bonito. E para agravar a situação, é de se prever que artistas periféricos sem a metade de seu talento se estimulem e muito em se lambuzar nesse mesmo estilo sem o menor prurido de consciência, não é mesmo?

Quanto a você, Caetano, pilotando uma outra desastrosa escaramuça temos o Procure Saber capitaneado por sua esposa, arregimentando algumas dezenas de artistas a impor goela abaixo, a toque de caixa, uma lei absurda que estatiza os direitos autorais aprovada com uma celeridade inexplicável extraída dos parlamentares diante daquele decadente espetáculo no Congresso Nacional protagonizado por nada mais nada menos que Roberto Carlos cercado de uma plêiade de artistas circunstantes. Roberto que aceitou ser anexado ao grupo em troca de vossas presenças, Caetano Gil e Chico na defesa a censura das biografias não autorizadas.

Isso também não é bonito.

E o resultado disso? Se vocês ainda não sabem, procurem saber! A lei que estatiza os direitos autorais designando ao ministério da Cultura o controle das entidades de arrecadação, provocou um decréscimo dramático na arrecadação de mais de 350mil autores, compositores e músicos em todo o Brasil. Sem falar das demissões em massa de funcionários no ECAD e nas Associações de músicos e compositores.

Eu tenho aqui comigo os dados e se vocês tiverem maior interesse, posso mostrá-los com mais detalhes assim que vocês o desejarem.

E é como Nada que me dirijo a vocês, como um anônimo entre esses autores e músicos que tocam nos bares, botequins, churrascarias, quermesses, puteiros e coretos, como par desses artistas que estão apartados de grandes eventos, que não têm acesso a leis de incentivos, que não são residentes de trilhas de novelas de grande emissoras, que não contam com o beneplácito das editorias de cultura dos jornais… É como um Nada amalgamado àqueles que não fazem parte de cortes de subservientes a posar como um entorno cenográfico de coronéis da canção que profiro um apelo angustiado: Seria plausível vocês reverem suas posições quanto a essa lei de direitos autorais e nos ajudar a revogá-la? Ainda é tempo. O STF está analisando nosso pedido de revisão e o relator é o Ministro Fux. Seria lindo nos aliarmos nesse momento de tamanha gravidade. Seria mais lindo ainda derrubar a Lei Rouanet como vigora e tentarmos direcionar seus benefícios àqueles que realmente dela precisam (Sou o Nada mas, mesmo nessa hipótese continuaria a não me incluir como beneficiário).

Seria muito triste vocês, que tanto fizeram pela música e a cultura brasileiras, se resumissem, se reduzissem já entrados nos seus setenta anos, como ícones de uma era vergonhosa, como defensores de um governo execrável, incompetente, corrupto, criminoso. É disso que estou falando. Ainda há tempo! Só o perdão liberta! Posso dizer de coração, uma vez que vim a público vos pedir o meu. O arrependimento lhes concederá uma verdadeira bênção, podem crer.

Chico, te deixei por último, longe de ser o menos, pois hei de fazer aqui uma ressalva em sua defesa por ter sabido através de uma amiga em comum ser você contrário a utilizar pessoalmente da Lei Rouanet e perceber, até onde posso conceber o que é justiça, não ser você responsável por aparentados seus nem mesmo o diretor que fez um filme sobre sua obra, todos estes, maiores de idade, serem beneficiários dos incentivos da dita-cuja. Se isso realmente procede, preciso dar-lhe meus parabéns ‘localizados’.

Localizados sim, pois gostaria muito de ampliá-los ao resto de sua conduta, no entanto é na clave da tristeza e da angústia o diapasão que domina todo o restante da minha mensagem.

Caro Chico, você já tem 50 anos de vida pública, pelo menos. Com a sua inteligência e talento é de assustar sua impermeabilidade diante da falência absoluta de suas crenças ideológicas. E por isso mesmo, um exemplo vivo do modelo do intelectual brasileiro a viver na infâmia da delinquência intelectual.

Se todos nós concordamos que toda a ditadura é algo injustificável, mais injustificável ainda atacar uma ditadura defendendo outra e é exatamente assim que você agiu no período da ditadura militar e vem assim se jactando imune a dúvidas no transcorrer de todas essas décadas.

Para deixar escancarada a minha angústia, gostaria de invocar um Nelson Rodrigues descendo do céu em que atualmente habita, com seu olhar sampaco, suas bochechas ondulantes, com as mãos apoiadas nos cotovelos a dirigir-lhe entre baforadas de Caporal Amarelinho uma súplica daquelas, rodrigueanas… algo como: Chico Buarque, só o perdão liberta! Encha de ar vossos pulmões e brade forte e alto como jamais outrora ousara bradar dirigindo-se contrito ao povo brasileiro: Povo brasileiro, me perdoe. Me perdoe por ignorar seu descontentamento, suas desgraças e sua legitimidade em protestar contra esse governo criminoso. Me perdoe por aviltá-lo chamando de golpista toda uma nação genuinamente enfurecida.

Me perdoe povo brasileiro por ser um charlatão em posar contra uma ditadura militar e ser amigo durante todos esses anos de um dos maiores ditadores genocidas da história, Fidel Castro.

Me perdoe, povo brasileiro por defender o indefensável, por interferir com o meu prestígio logrando a confiança que milhões de brasileiros depositaram em meu chamado, por defender uma presidente que beira a demência, por defender um psicopata que anseia se perpetuar no poder através do crime, do suborno e da falcatrua. Me perdoe, povo brasileiro por defender uma organização criminosa como nunca dantes na história da humanidade ocorreu aqui em terras brasileiras e que é dirigida pelo Foro de SP tendo como os irmãos Castro centro de todas as ações criminosas perpetradas em toda América Latina. Me perdoe por ser leniente com narco ditaduras como a Venezuela e a Bolívia, com seus milhares de assassinatos e presos políticos, por esse regime brega, retrógrado, autoritário e cafona que é o bolivarianismo.

Me perdoe, povo brasileiro por ser cúmplice de toda essa ignomínia, e por isso mesmo, carregar minhas mãos respingadas com o sangue desses incontáveis que tombaram sob o jugo de assassinos. Me perdoe, povo brasileiro por ser eu, um mimado por uma corte de intelectuais flácidos ao meu redor me tornando imune a qualquer drama de consciência e insistir em subscrever um ideário comunista que tem sob seu manto a opacidade dos medíocres, cujo o único brilho que emana de seus anseios é o da inveja, da revanche e do ódio. Enfim, povo brasileiro, me perdoe por te trair”.

Desincorporando Nelson e retornando a minha condição de Nada, de Sub-do-Mundo quero terminar essa carta ressaltando mais uma vez esse momento terrível que o Brasil está passando, as nossas responsabilidades diante desse momento e de nossa boa vontade independente de quais lados nos posicionemos, esperando que as linhas desse Nada que vos escreve possam fazer alguma diferença (para melhor) nesse impasse a nos envolver. E que elas tenham alguma chance real com a vossa determinante ajuda, em contribuir para um Brasil mais adulto, mais justo e mais unido.

Um forte abraço. LOVE, LOVE, LOVE

Lobão (SP, 3 de abril de 2016)”

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Pinheiro e o Rede

Atribui-se a Júlio Rocha, líder marinista na Bahia, o anúncio, em conversa informal, da próxima filiação do senador Walter Pinheiro ao Rede Sustentatbilidade.

Neto se empenha para neutralizar Rui

A presença crescente do governo do Estado em obras em Salvador pode, na concepção de um deputado oposicionista, mudar o perfil da eleição municipal, em outubro, retirando o favoritismo do prefeito ACM Neto e tornando a competição “mais parelha”.

O governador Rui Costa, ao tempo que se dedica a uma grande intervenção no sistema viário, em que colheu e colherá vitórias no decorrer do ano, aproximou-se do espírito popular com a programação de encostas e pulverização de serviços nos bairros mais pobres.

O quadro foi captado no Palácio Thomé de Souza, pois, nestes seis meses que faltam até o pleito, Neto está intensificando o corpo a corpo que já faz no seu cronograma semanal, consciente de que administrar a vantagem será um componente importante para a reeleição.

Caso consiga caracterizar-se como um grande eleitor na capital, Rui tem uma missão dupla para desequilibrar o quadro a seu favor: achar um nome realmente forte, que não é mais o senador Walter Pinheiro, e, no decorrer da campanha, receber, de um em um, os apoios dos demais candidatos governistas.

A estratégia poderia dar certo com a deputada Alice Portugal, (PCdoB), o deputado Sargento Isidório (PDT) e o vereador Edvaldo Brito (PSD). Só não pode ser chamada para um acordo desses a senadora Lídice da Mata (PSB), a não ser que seja ela própria a figura central.

Grana não será problema para o governador

A dedicação do governador Rui Costa foi apontada na Assembleia Legislativa pelo combativo oposicionista Herzem Gusmão (PMDB), que observou um contraste entre a paralisação de quase 200 obras no interior e os recursos de empréstimos que o Estado levanta em instituições de créditos nacionais e estrangeiras para investir, principalmente, na capital.

Em euros e dólares, são três operações que totalizam R$ 2,5 bilhões, dinheirama s ser derramada em programas de infraestrutura, mobilidade urbana e manutenção de rodovias, e não por acaso a oposição gritou desesperadamente, sem, no entanto, conseguir impedir a aprovação dos projetos de autorização.

abr
05
Posted on 05-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-04-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

abr
05

DO EL PAÍS

Rodolfo Borges

De Brasília

A contagem regressiva está definida: a data tem margem de erro de um ou dois dias, para mais ou para menos, como nas pesquisas de opinião pública, mas a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff pelo plenário da Câmara não deve passar do dia 19 de abril. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), considera antecipar a votação para o dia 17, um domingo, para intensificar a pressão popular sobre os deputados, mas a decisão seria controversa e de difícil sustentação. A ofensiva dos dois lados para garantir os votos já está em curso.

Nesta segunda-feira, Dilma Rousseff apresentou sua defesa à Comissão Especial do Impeachment da Câmara. Começam a contar no dia seguinte as cinco sessões que o relator do caso, Jovair Arantes (PTB-GO), tem para fechar seu relatório — ele já disse que pretende finalizar o trabalho antes do prazo limite e que espera poder votá-lo até o dia 12 de abril. Submetido à comissão, o relatório deve ser publicado no Diário da Câmara e o parecer sobre o impeachment — seja ele a favor ou contra — só poderá entrar na pauta do plenário 48 horas após a publicação. Daí a expectativa de que o processo vá a plenário entre os dia 15 e 19 de abril.

O presidente da Câmara diz que a votação do impeachment pode levar três dias e que, caso comece numa sexta-feira, pode seguir pelo sábado e pelo domingo seguintes. “São 27 partidos representados na Câmara, e cada partido tem uma hora para falar. São 27 horas, sem contar as discussões de quem se inscrever. É o que está na lei. O que vamos fazer é cumprir a lei, a Constituição e o regimento [da Câmara]”, disse Eduardo Cunha.
Processo no Senado

Se de fato a votação demorar todo esse tempo, o processo, caso aceito pela Câmara, chega ao Senado na semana seguinte, de 26 a 30 de abril. A exemplo do que ocorreu na Câmara, os senadores destacam uma comissão especial — com 21 membros, um quarto dos 81 parlamentares — para deliberar sobre o processo. A partir daqui, os prazos são menos claros. Não está previsto de forma explícita quantos dias os senadores têm para deliberar sobre a aceitação do processo de impeachment. Questionado nesta semana, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que “se esse processo chegar ao Senado, e eu espero que não chegue, vamos, juntamente com o Supremo [Tribunal Federal, STF], decidir um calendário”. Por lei, o processo é presidido no Senado pelo presidente do Supremo. Espera-se que o trabalho da comissão leve duas semanas, o que poderia levar o parecer ao plenário do Senado, no cenário mais otimista, no dia 13 de maio — ou pelo menos até o dia 20 daquele mês.

Se tudo seguir com a celeridade que tem sido imprimida ao processo — existe a possibilidade de o Governo ganhar tempo com recursos à Justiça e manobras processuais —, a presidenta Dilma pode ser afastada do cargo entre os dias 13 e 20 de maio. Caso aceito o processo, a presidenta Dilma é automaticamente afastada do cargo e recebe um prazo de 20 dias para apresentar sua defesa. Conduzido pelo presidente do STF— que atualmente é Ricardo Lewandowski e passa a ser Cármen Lúcia a partir de setembro —, o julgamento tem prazo limite de 180 dias, o que pode levar a sangria até outubro. A expectativa no Congresso Nacional para o fim do processo varia, contudo, entre os meses de junho e agosto, o que pode envolver a suspensão do recesso parlamentar do meio do ano.

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