DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

De Lula a Delúbio, Robinson não sente vergonha

“Sinto-me com vergonha alheia, como se um irmão de luta cometesse uma falta grave diante dos nossos ideais de militância de toda a vida”.

A gongórica crítica é do suplente de deputado federal Robinson Almeida ao senador Walter Pinheiro por ter deixado o PT.

Pelas palavras, deduz-se que Robinson e Pinheiro tiveram uma convivência mais próxima na trajetória política, e é verdade: ambos se formaram na “tendência” petista Democracia Socialista, de sigla DS, de tradição mais à esquerda na legenda.

Senhor dos poderes do Executivo, e já visualizando uma candidatura à Câmara, onde, aliás, estava o “companheiro” Pinheiro, Robinson assumiu a Secretaria de Comunicação no primeiro governo Jaques Wagner.e começou a distanciar-se da DS, até o afastamento completo.

Pinheiro, mais ou menos no mesmo interregno, esteve para deixar o partido, inicialmente, em 2003, por causa da reforma da Previdência, mas resistiu. Robinson hoje o acusa de falta grave. Talvez o senador tenha considerado que falta mais grave cometeram Lula, Dirceu, Genoino, Vaccari, Delúbio, Gleisi, Silvinho…

As declarações raivosas do ex-secretário, portanto, longe de qualquer análise fria e embasada da conjuntura, só pode ser interpretada como fruto da obstinação petista de enfrentamento cego da crise política que o próprio partido instalou no país.

Celso Daniel (1951-2002)

A crise brasileira resvala perigosamente para o terreno do homicídio.

Be Sociable, Share!

Comentários

Jader martins on 3 Abril, 2016 at 9:01 #

Janio de Freitas na FSP:
O alvo
03/04/2016
Intencional, por certo não foi. Muito melhor: foi autêntico, com a naturalidade das palavras que burlam, espontâneas, a censura protetora das nossas conveniências. Foi um pequeno trecho de frase, intercalado com ligeireza. A frase, por sua vez, destinava-se a outro fim –o reconhecimento da “não intervenção” dos governos do PT na ação do Ministério Público e da Polícia Federal, “porque os governos anteriores realmente mantinham controle das instituições”. A palestra, está claro, decorria com plena e descontraída franqueza do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, o comunicador da Lava Jato.

Eis o pequeno trecho que o auditório da Câmara Americana de Comércio pôde ouvir, sem sinal de notá-lo, e a repórter Paula Reverbel não excluiu, como fizeram outros, do seu relato para a Folha: “[…] os governos que estão sendo investigados, os governos do PT, […]”.

O que a Lava Jato investiga de fato, por meio de investigações secundárias, não é a corrupção na Petrobras, não é a ação corruptora de empreiteiras, não são casos de lavagem de dinheiro: são “os governos do PT”.

Deixa, portanto, de ser coisa de esquerdista, governista, lulista, petista & cia., como alegado por tantos, a dedução de que a Lava Jato procede com direcionamento e seletividade. E age muito além do alcance investigativo e processual a que foi legalmente destinada. Com finalidade que explica o seu descaso por indícios e mesmo por delações premiadas, tão valorizadas em seu método, de corrupção anterior ao primeiro governo do PT.

A Lava Jato é, agora declaradamente, uma operação judicial com objetivo político-partidário, cujos atos e êxitos contra a corrupção são partes acessórias do percurso contra três governos (partido e personagens). Não são esses os mandatos conferidos ao juiz e aos procuradores da Lava Jato, no entanto. Pode-se imaginar o fim visado. Mas de onde vêm tal presunção e tal objetivo da Lava Jato é uma incógnita para o próprio Judiciário, que, afinal de contas, é o primeiro Poder questionado.

Dentro da crise que se vê há outra, senão outras crises. Como a de autoridade, que até as simples aparências de opinião pública esvaziam.

AMBIÇÕES

Apesar de haver um tanto de especulação, o tanto de realidade que há em um plano político torna conveniente noticiá-lo. É a ideia, já em ação, de obter que o Tribunal Superior Eleitoral casse, com o mandato de Dilma e pelo mesmo motivo, também o de Michel Temer. Mas o PSDB, é convicção na cúpula do próprio partido, não conta mais com as melhores perspectivas de êxito se houver eleições. Marina e mesmo uma eventualidade petista teriam menos dificuldades com o eleitorado. A alternativa dos neoliberais seria a campanha dos meios de comunicação para induzir, a um só tempo, a adoção do parlamentarismo já com um nome acoplado na novidade, para primeiro-ministro.

Um plano assim precisaria incluir eleições gerais. Com a atual conformação da Câmara, seria difícil ver a maioria dos deputados presentear o poder ao PSDB. O plano neoliberal precisa de ganhos demais para ter êxito. Não tem futuro nem com sotaque português.

VIRADA

Tudo na crise muda a cada dia. Mas há uma constância: o esquecimento, no comentarismo, do Senado e de sua importância na possível decisão do impeachment. E lá o silêncio predominante exprime a dificuldade do “fora, Dilma” para conquistar adesões firmes. O que significa um campo promissor para o “fica, Dilma”.

A ativação das manifestações contra o impeachment levou até certos meios de comunicação a baixarem o tom anti-Dilma. A semana encerrou-se com renovado otimismo dos governistas e perplexidade dos derrubadores.


Jader martins on 3 Abril, 2016 at 15:27 #

Como diria o Luis e a Rede Globo , existe o cidadãos de um lado (pro golpe ) e militantes do outro :
http://www.brasil247.com/pt/247/bahia247/223715/N%C3%A3o-vai-ter-golpe-e-Odeio-voc%C3%AA-Cunha-no-show-de-Gil-e-Cateano.htm


Taciano Lemos de Carvalho on 3 Abril, 2016 at 15:39 #

“Sinto-me com vergonha alheia, como se um irmão de luta cometesse uma falta grave diante dos nossos ideais de militância de toda a vida”. (Do suplente de deputado federal Robinson Almeida, PT/Bahia, ao senador Walter Pinheiro por ter deixado o PT)

Essa frase me levou a reler uma das mais lúcidas análises sobre a trajetória do PT. E olha que a análise, feita na carta endereçada ao presidente do partido, Zé Dirceu, mas lida na Tribuna do Senado quando da saída do senador Lauro Campos do PT, saída que ele chamou de expulsão, é de 15 de abril de 2001.Portanto, Lula ainda não havia vencido as eleições de 2002, nem assumido a Presidência da República.

Adiante alguns trechos pinçados da carta, um verdadeiro documento da história do Brasil. Um diagnóstico do PT já naquela época. De lá para cá, como tem demonstrado o Mensalão e a Lava-Jato, chega-se facilmente à conclusão de que aquele corpo que já estava doente foi se degenerando rapidamente, especialmente após chegar ao poder central do Brasil.

Eis os trechos destacados:

“…a ditadura pelega e intelectualóide que se instaurou no PT venceu arrasadoramente. “Aos vencedores, as batatas”, repito, machadianamente.

“Reconheço que a crise completa do capitalismo desfoca, confunde e “coloca o mundo de cabeça para baixo”, na conhecida e feliz determinação de Marx, aquele que foi expulso das estantes e da prática petistas. A crise do capital revela a natureza oculta, latente e real do sistema, como ocorre quando o chão lamacento e acomodado de um lago tranqüilo e límpido é revolvido pela agitação externa.

“Mário Covas disse que o “PSDB é, hoje, o anti-PSDB”. O PT, desejando vencer ou vencer, sequioso por se tornar confiável às “elites bandidas” (Rubem Ricúpero), confiável aos credores internacionais, aos latifundiários, aos militares e aos banqueiros caboclos sobreviventes, proerizados, adota novas e amareladas bandeiras, plagiadas do PSDB ou empunhadas pelo PFL.”

“…Por outro lado, recebe dinheiro das empreiteiras, vendendo o silêncio e a complacência para com os assaltantes do erário, comprometendo-se implicitamente com a não apuração das maracutaias e tranquibérnias.”

“O PT é obrigado a adotar uma dupla e falsa ética ao desconhecer as diferenças entre a moral do capital e a ética dos trabalhadores. A dualidade que divide o Partido é a de uma moralidade esotérica, intramuros, de uso interno e limitado, e uma moral exotérica, com a qual se apresenta à imprensa e que o obriga a pedir CPIs e defender uma certa assepsia administrativa e política, cada vez mais rala na prática.”

”O Partido dos Trabalhadores, ao se neoliberalizar, adotou o enxugamento e a desestruturação: a partir de 1988 desmanchou sua estrutura democrática e arejada, baseada em núcleos, comitês e em ligação com os sindicatos – embrião dos sovietes democráticos e da socialização do exercício do poder político.”

“Várias versões mentirosas e que visam justificar a globalização da espoliação – como a que afirma a possibilidade de “globalização sem exclusão”, tão verdadeira quanto a existência de um fogo que não queima ou de uma chuva que não molha – são oficializadas pela cúpula. Entre as desculpas covardes, destaca-se a de que os trabalhadores brasileiros merecem o desemprego porque não conseguiram se modernizar, pôr-se à altura das novas tecnologias. Culminam com a necessidade de enxugar o custo Brasil em nome do aumento da competitividade e das exportações. Prefere-se ignorar que estas foram bloqueadas pela política cambial de FHC que sobrevalorizou o real, trancando as exportações e abrindo o mercado interno para a onda de mercadorias subsidiadas que arrasaram os empregos e sucatearam o parque industrial nacional.”

“Sei que fui expulso pelo que fiz e defendi a favor dos trabalhadores, dos aposentados e dos marginalizados, contra os interesses eleitoreiros de um partido que deseja tornar-se confiável às classes e forças burguesas perdidas e ainda bem pagas.”

“A este partido menor devo minha expulsão, que recebo de pé.
Lauro Campos
Senador da República”

O senador Lauro Campos ao sair do PT ingressou no PDT, por convite de Brizola.

Morreu em janeiro de 2003.


Taciano Lemos de Carvalho on 3 Abril, 2016 at 15:49 #

Todo mundo sabe, mas não custa nada salientar.

O presidente do PT a quem o senador Lauro Campos entregou sua carta de desligamento/expulsão é hoje o condenado por capitanear o Mensalão (sempre há um coronel e um general acima do capitão). E está preso na República de Curitiba por sua participação, segundo a PF e o MPF, no roubo à Petrobras.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos