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Postado em 01-04-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-04-2016 01:48


Ato na praça da Sé nesta quinta-feira. Ricardo Stuckert Instituto Lula.

DO EL PAIS

Marina Rossi

Afonso Benites

São Paulo / Brasília

“Não votei na Dilma, mas ela deve ficar. Se o Governo dela não está bom, que resolvam isso em 2018″, disse a dona de casa Luiza Borges, na Praça da Sé, em São Paulo. Por ali também estava um grupo de cinco homens, todos por volta de cinquenta anos, que tirava uma selfie. “Preferia não ter que voltar aqui para defender a democracia de novo”, disse um deles, em referência à imensa manifestação que, em 1984, pediu eleições diretas no penúltimo ano da ditadura. Trinta e um anos depois, milhares voltaram à cena para dizer “não vai ter golpe”, numa mobilização que coincidiu com o aniversário da tomada do poder pelos militares em 1964. A data e a praça do centro – e não a usual avenida Paulista – buscavam exatamente esse simbolismo: reforçar a mensagem de defesa da presidenta Dilma Rousseff de que o processo de impeachment que tramita na Câmara contra ela é legalmente frágil e, portanto, um “golpe” contra a democracia.

De acordo com o Datafolha, 40.000 estiveram no protesto em São Paulo, enquanto os organizadores estimaram em 60.0000 e a Polícia Militar, em 18.000. Além de São Paulo, todos os Estados e o Distrito Federal também assistiram a manifestações contra o impeachment, apenas duas semanas depois de grandes marchas tomarem as cidades pelo mesmo motivo, convocadas por movimentos sociais e sindicatos. De acordo com um levantamento realizado pelo portal G1, 149.000 pessoas saíram às ruas no Brasil em 75 cidades, segundo estimativas policiais. Há 15 dias foram 275.000 pessoas em 54 cidades, segundo as mesmas fontes.

Enquanto as marchas ainda se desenrolavam, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu a mobilização em vídeo distribuído pelo Instituto Lula. De branco, ele pediu constância na resistência ao “golpe”. Apesar do menor fôlego, os atos pró-Dilma Rousseff foram um alento em uma semana crítica para o Governo, quando a presidenta viu seu principal aliado, o PMDB, abandonar a gestão. A quinta-feira relembrou a seus opositores que o Planalto e o PT, se imensamente menos populares do que o impeachment apoiado por mais de 60% da população, ainda têm alguma musculatura de rua.

Os discursos das manifestações refletiram o novo quadro, com o rompimento do Planalto com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), beneficiado com a presidência em caso de impeachment. Em Brasília, 50.000 pessoas, segundo a Polícia Militar, e 200.000, conforme os organizadores, ouviram oradores inflamados atacar Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Sobraram críticas também para o juiz Sergio Moro, da Lava Jato. “Os golpistas querem instalar a ditadura do capital e da toga”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Na capital brasileira, aglomeravam-se representantes de centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos pelo trajeto entre o estádio Mané Garrincha e o Congresso Nacional, um percurso de quase cinco quilômetros. Em frente ao Congresso, falaram deputados, senadores, atores, presidentes de sindicatos, dirigentes de ONGs, o ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Agrário, e um ex- ministro de Lula, Samuel Pinheiro Guimarães.

No mar da militância organizada, havia os não tinham nenhuma filiação partidária ou atuação política: estudantes, microempresários e servidores públicos que discordam do Governo Dilma Rousseff, mas acreditam que o impeachment como está proposto é ilegal. “Sei que a Dilma fez um monte de barbeiragem, mas não posso ser a favor de um golpe. Prefiro criticá-la do que apoiar sua queda”, afirmou a funcionária pública Sandra Almeida em Brasília.

Em São Paulo, o descrédito à proposta de impeachment se mesclava à defesa fechada dos Governos petistas. “A gente passou a ter cisterna para ter água, começamos a recebemos o Bolsa Família. É pouco, mas para quem passava fome é uma grande ajuda”, dizia, vestido com uma camiseta da CUT, o pipoqueiro Junior, paraibano há uma década em São Paulo. “Voto no PT até morrer. Porque, antes do Lula, a gente passava fome no Nordeste. Se a Dilma cair, isso vai voltar”.

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Comentários

Jader martins on 1 Abril, 2016 at 6:46 #

Não se faz mais necessário iniciar o comentário com a frase antológica de Luis Augusto :
“..a querela atual não é entre a Rede Globo e Lula. É entre o Brasil e Lula”.

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/223432/Em-todo-o-Pa%C3%ADs-multid%C3%B5es-gritam-n%C3%A3o-vai-ter-golpe.htm


Jader martins on 1 Abril, 2016 at 7:08 #

Jader martins on 1 Abril, 2016 at 7:10 #

Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2016 at 9:04 #

Golpe eu não sei se vai haver.

Mas a verdade é que todo dia surge uma nova operação caça-ladrão dentro da Operação Mãe Lava-Jato. Hoje explodiu a 27ª. É ladrão que não acaba mais, como diz o profeta Bezerra da Silva.


Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2016 at 9:17 #

Operação Carbono 14: Mensaleiro Delúbio, Silvio Pereira e o empresário Ronan Maria Pinto são alguns dos alvos da 27ª fase da Lava Jato

Eita!!!! Será que continuaram delinquindo?


Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2016 at 9:24 #

O que mais temos é golpe. Milhares de golpes descobertos pela Lava-Jato. E são sempre os mesmo que lavam a égua.


Jader martins on 1 Abril, 2016 at 9:32 #

Jader martins on 1 Abril, 2016 at 9:54 #

Taciano Lemos de Carvalho on 1 Abril, 2016 at 11:42 #

Brasil 247?

Na 27ª Operação da Lava Jato:
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o jornalista Breno Altman, diretor editorial do site Opera Mundi (e colunista do Brasil 247), foram os alvos de condução coercitiva (quando o investigado é levado para depor e liberado).


luis augusto on 2 Abril, 2016 at 10:13 #

Mas a querela de Lula com o Brasil permanece e se amplia.


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