CRÔNICA

Viva a Vida!

Gilson Nogueira

O Cambacica ( Coereba flaveola) pousa na tela de proteção da janela da sala, canta e voa. Chega no horário, em mais uma manhã, dando bom dia.

Minha netinha soteropolitana, com, quase, um ano e sete meses de genialidade, cumprimenta-o com um sorriso Deus. E a chuva fina volta a aliviar o calor de final de verão, avisando que as águas de março estão chegando.

É hora, portanto, de cuidar das encostas da Cidade da Bahia, que completou esta semana 467 anos de absurdos, magia e beleza. Tomara que não ocorram acidentes graves no caminho do outono de trovões, raios e tempestades no cenário político que possam resultar em mais sofrimento para o povo mais festeiro e paradoxalmente mais triste, com os rumos que seu país escolheu nos últimos anos.
A manhã segue e a rotina assina o ponto, esperando novidades que alegrem a população da capital do berimbau no campo econômico, como, por exemplo, recordes na extração de petróleo em terras e mares baianos.

De repente, “Vassô!!! Soreiro!!!”, é ele, que andava sumido, mercando vassouras e espanadores, na marcha cotidiana das tradições da Boa Terra. Com ele, marmanjos que desfilam às primeiras horas do dia com gaiolas de passarinhos na palma de uma de suas mãos como se estivessem dando, de bandeja, um passeio de liberdade aos pintassilgos, bigodinhos, coleiras, cardeais, canários e outras aves baianas, hábito que, segundo seus donos, faz com que suas crias cantem mais. Que beleza!

O grito de socorro dos prisioneiros em forma de canção comove quem passa.

Enquanto isso, o gavião se esconde, aguardando o sol, para o voo assassino. Ao bater asas, o silêncio perdura, até que ele vá matar em outro lugar. Dizem que é carcará. Não é. O carcará morreu de fome. No sertão.

O motor da motocicleta ronca. Minha caçulinha, entre as netas, se assusta. Logo, pergunta: “Vovô, tem festa no Farol!!!???” Espanto-me. E ela sai correndo em direção ao peito da mãe com Charlie Brown e Luci nas mãos.
Um dia de rotina, embelezado pela benção especial do Nosso Senhor do Bomfim ao aniversário da terra em que nasci e a quem, de coração, desejo tudo de bom. Em primeiro lugar, respeito ã vida humana, sem o qual não passaremos de pedaços de nada.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 1 Abril, 2016 at 15:00 #

Grande Gilson

Tua poesia liberta os pássaros.

Por falar em cambacica, esse pássaro que sobrevive aos apelidos chulos, na minha varanda ela é sorrateira e vem toda manhã furtar os colibris, agarra-se ao bebedouro e sorve o que pode.


luiz alfredo motta fontana on 1 Abril, 2016 at 15:06 #

Na fiação em frente, o bem-te-vi acusa o furto e denuncia em alto e bom som.

Por sorte, aos poucos, a natureza recupera-se nas cidades, nos devolve a infância. sinto falta dos sanhaços, e dos caboclinhos, estes ainda não retornaram. assim como as choronas. Já tucanos, os de verdade, maritacas estridentes, garças, gaviões, pombas juritis e fogo-apago, se fazem presentes.


luiz alfredo motta fontana on 1 Abril, 2016 at 15:09 #

E o verão se despede com periquitos em busca de coquinhos!


Gilson Nogueira on 1 Abril, 2016 at 18:55 #

ABAIXO AS GAIOLAS,CARO FONTANA!!!
AS DOS PASSARINHOS!!!
GRANDE ABRAÇO!


luiz alfredo motta fontana on 1 Abril, 2016 at 19:50 #

Gaiolas jamais, fico com meu bebedouro e a visita de colibris e cambacicas, toda noite renovo a oferta, descobri que alguns dos colibris mal esperam o sol raiar. A varanda os recebe por volta das 5h30min e estende a farra até o cair da noite


Gilson Nogueira on 1 Abril, 2016 at 20:39 #

FONTANA,VOCÊ NÃO É DE ENGAIOLAR PASSARINHOS, EU TINHA CERTEZA DISSO. A LIBERDADE DELES NOS INSPIRA. VOEMOS! BOM SÁBADO E BOM DOMINGO!


luiz alfredo motta fontana on 2 Abril, 2016 at 14:16 #

Caro Gilson, e por falar em colibris:

momento

(luiz alfredo motta fontana)

era um colibri
e distraidamente
beijava a tarde


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