Magnífico “Polaco” Goyeneche!!! Boa tarde e tango para todos!

(Vitor Hugo Soares)


Dilma com Nalvinha em Paulo Afonso


CRÔNICA

Dona Nalvinha, Stalin e o Bode-Preto

Janio Ferreira Soares

Poucos dias antes da abertura do processo de impeachment, veio da Região Metropolitana de Salvador um sinal de que os fatos também não estavam muito favoráveis à nossa ex-guerrilheira no sentido simbólico da coisa. É que lá foi preso um jovem com 300 comprimidos de Ecstasy, que seriam distribuídos nas baladas.

Até aí tudo bem, não fosse pelo pitoresco detalhe de seu nome ser… Josef Stalin. Embora não se saiba nada sobre a defesa do delinquente bolchevique, creio que, em nome da causa, deverá surgir um advogado chamado Dr. Lênin para alegar que essa droga,assim como a religião, é só mais um tipo de ópio que os fanáticos por música eletrônica usam para achar que David Guetta é algum Messias peregrinando sobre um mar de luz neon.

A propósito, semana passada fui ao Povoado Batatinha saber como dona Nalvinha tinha visto a derrota de sua “amiga” Dilma. Antes, uma explicação. Na campanha da reeleição, ela e Lula estiveram em sua casa comendo bode e traumatizando vira-latas, que até hoje vivem pelos cantos com medo dos helicópteros. Na ocasião, rolou a maior polêmica por causa de uma denúncia da Folha de São Paulo, de que a anfitriã teria sido presenteada com uma dentadura só para sair bem na foto. Simbora!

Risonha, ela me recebe com uma criança no colo. Acomodo-me e logo chegam alguns dos 10 filhos que resistiram(ela teve 16). Conversa vai, menino vem e quando falo sobre a votação todos riem. “Ligue não, meu filho, eles estão é mangando de mim, pois eu pensava que o sim era pra mulher ficar. Pulei feito uma doida e só no fim fui saber que ela tava era lascada. Ô derrota!”. E emenda: “Mas Cunha vai pagar por isso!”.

Provoco: “Será?”. E ela: “Oxi, e aquele Cão é encantado, é?”. Penso em dizer que sim, mas a criança chora. “Tá vendo o que o Bode-Preto faz? Chore não, fofinho, chore não que Nalvinha tá aqui”, diz ela, como se fora uma espécie de santa guerreira desdentada protegendo suas crias do dragão da maldade, nesse sertão que é dela, de Glauber,de Graciliano e meu.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura da Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Advogada Janaína no Senado:pelo impeachment…


…Milena com Alessandro:no Ministério do Trismo


ARTIGO DA SEMANA

Brasília entre Milena e Janaína, e o português do voo Barcelona – Lisboa

Vitor Hugo Soares

Pensei com os meus botões, quando vi as imagens da baiana Milena Santos, na noite de segunda-feira, 25, desfilando tranquila, vaidosa e feliz, os seus maiores atributos de “Miss Turismo”, em Brasília, no meio do ataque de nervos geral causado por uma das maiores crises política, econômica, governamental e moral de que se tem notícia no País: “que moça danada, e que espantosa escalada ela fez até chegar a tão almejado posto no universo das “celebridades” nacionais!.

Sim, moro em Salvador e já conhecia bastante, de vista, e ouvira falar daquela mulher que agora faz visita de inspeção, e de celebração, ao gabinete do marido Alessandro Golombiewiski Teixeira, nomeado ministro do Turismo pela presidente Dilma Rousseff, na bacia das almas de um governo em estertores, mas já apresentando sinais evidentes de decomposição.

Confesso que demorei um pouco antes de completar a ligação. Vacilei por momentos diante das novas fotografias, até constatar, de vez, à moda do samba famoso de Chico Buarque: “Esta moça está diferente”, mas é ela mesma. Explico os motivos da dúvida: Vi Milena, pela primeira vez, nas eleições municipais de 2012, quando ela causava furor sexual e polêmica política e de comportamento na mídia baiana. Era candidata a vereadora, pelo nanico PSL, no município de Lauro de Freitas, cidade próxima ao aeroporto da capital, na aprazível rota turística do litoral norte, região metropolitana de Salvador.

Teve espaço midiático tão farto e generoso quanto as suas curvas, porque aparecia no horário eleitoral gratuito da TV, na propaganda impressa e até na boca de urna, “vestida” em modelitos típicos das denominadas “Marias chuteiras”, acenando com o chamariz da sua plataforma: “Milena, Tudo pelo Esporte”. Ganhou estatura de “celebridade”, mas não os votos necessários para eleger-se.

A candidata, então, largou a política, tão abruptamente quanto nela ingressara. Mas não desistiu dos planos de se dar bem e de tornar-se “celebridade”. Viajou para Miami onde, no ano seguinte, sairia eleita “Miss Bumbum” Estados Unidos 2013. Em seguida conquistou Alessandro Teixeira, atual comandante do turismo no Brasil, casou com ele, e está feita a ligação entre os dois pontos desta incrível história.

Atados os elos, duas poderosas e emblemáticas recordações me bateram na memória: A primeira, o pensamento nada elogioso mas, seguramente, definidor e visionário, que o grande líder da França, Charles de Gaulle, tinha sobre nós, quando afirmou “o Brasil não é um país sério”. A segunda, uma experiência pessoal vivida na Europa, em 2005, no primeiro Governo Lula – quando a bandeira politicamente correta do combate ao chamado turismo sexual começava a ser levantada, com vigor e indignação, deste lado de baixo da linha do Equador para o mundo. Principalmente nos denominados paraísos nacionais da “rota do bumbum”, com destaques da mídia mundial para o Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Recife e Maceió.

Viajava no voo curto entre Barcelona e Lisboa, em companhia de Margarida (também jornalista, de pavio curto, quando envolvida em questões machistas e chauvinistas). Na fila tripla de poltronas numeradas, sentou-se com a gente um europeu de meia idade, daquele tipo classe média sisudo que se vê comumente em Lisboa ou Madri. Aparentemente de poucas palavras, nos surpreendeu puxando conversa sobre o Brasil, ao se dar conta da nossa nacionalidade.

Contou das suas viagens de turismo pelo mundo. Ressaltando que se lembrava com mais saudade de sua vinda ao Brasil, principalmente da visita ao Rio de Janeiro, da qual não poupou elogios: Para confirmar o deslumbramento, sacou de sua carteira de cédulas um postal de suas lembranças, uma foto de uma baita mulata quase nua, numa pose de “miss bumbum”!

Mais não digo porque houve indignação e constrangimentos no final desta história. Além disso, do serviço de som vem o aviso para apertar os cintos, que o avião começava a descer em Lisboa. Antes do ponto final, porém, um registro da presença e da participação feminina que redime esta triste semana da política e da vida inteligente e ética no País.

Refiro-me à participação da advogada e professora de Direito, Janaína Paschoal na sessão da comissão especial de impeachment do Senado, na noite de quinta-feira, 28. Dia reservado para apresentação das acusações contra a presidente Dilma Rousseff. Contundente quase sempre, brilhante em vários momentos, bem humorada em muitas passagens e devastadora, sempre, em especial na apresentação de dados, argumentos, princípios e nos debates de respostas demolidoras, com ênfase no embate com a bancada de senadoras governistas.

Não entro em detalhes, mas recomendo a busca de uma cópia na Internet, a quem não viu a íntegra transmitida ao vivo pela TV Senado e pela Globo News. Histórico, verdadeiramente. Cito apenas dois instantes que julgo essenciais neste artigo. Primeiro, Janaína indignada com os ataques e ameaças que vem sofrendo:
“Depois da minha fala no Largo São Francisco, jornalistas estrangeiros me perguntam se sou pastora ou mãe de santo. Não, o meu livro sagrado é a Constituição. Livro sagrado que o PT não assinou. Por isso que eles falam em golpe”.

No fim a referência à Dilma Rousseff. Contou que certa vez se sensibilizou muito com uma entrevista da mandatária, na qual ela disse ter um sonho de ser bailarina, desde criança: “Eu falei: É uma mulher firme, de alma sensível. Eu criei uma expectativa enorme. [Mas] A bailarina se perdeu. A bailarina se perdeu e não me deixou alternativa”. Bravo!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br



BOM DIA !!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO(DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

BRT, Metrô etc.

A democracia de Michel Temer será testada na Bahia, depois que o governador Rui Costa decidiu “queimar as caravelas”, tachando o iminente e eminente presidente de “traíra”, ou de “amigo da onça”, conforme a diversidade do noticiário.

Enquanto isso, o prefeito ACM Neto fala em ministério para sua turma, vai isentando evangélico de IPTU e proíbe o Uber, golpeando a modernidade e atentando contra a livre iniciativa, mas é que taxeiro deve estar sobrando.


Dilma é recebida por apoiadoras em Brasília. R. STUCKERT FILHO AFP

DO EL PAIS

Marina Rossi

De São Paulo

Em contagem regressiva para ser afastada temporariamente da presidência, Dilma Rousseff saiu em busca de retomar relações com movimentos sociais que historicamente orbitaram ao redor do PT. Para reconfigurar seu tabuleiro de aliados, que poderão ser cruciais para a formação de uma oposição a um eventual Governo Temer, Dilma deu acenos importantes – e em alguns casos, raros – a movimentos ligados à defesa dos povos indígenas e da reforma agrária.

No início deste mês, a presidenta recebeu lideranças do Movimento dos Sem Terra (MST) no Palácio do Planalto para a assinatura de decretos que desapropriam terras para a reforma agrária e regularização de quilombos. Ao todo, foram assinados 25 decretos referentes à desapropriação de terras em 12 Estados. E outros quatro decretos se referiram à regularização de quatro comunidades quilombolas em quatro Estados. No mesmo evento, o Governo também lançou o edital do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), para disponibilizar 4 milhões de reais a projetos de promoção da igualdade racial.

No caminho para atravessar o abril desesperador o Governo petista enfrenta, Dilma também mandou acelerar processos de reconhecimento e homologação de terras indígenas. “A presidenta determinou que nós nos reuníssemos com os ministérios que também têm interferência na demarcação das terras indígenas para que nós possamos, o mais rápido possível, encontrar pontos comuns para adiantar esta pauta”, afirmou o ministro da Justiça, Eugênio Aragão, em uma coletiva de imprensa após evento da instalação do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) nesta semana. “O momento é muito favorável a que possamos dar vazão às inúmeras iniciativas de declaração, demarcação, reconhecimento que estão paralisadas.”

Aragão negou, porém, que o Governo estivesse fazendo isso para aglutinar o apoio dos movimentos sociais por causa do processo de impeachment. “Estamos fazendo isso como um compromisso com os indígenas”, disse. E ressaltou que o Governo sempre se preocupou com essa questão, mas pagou caro pelas alianças que fez. “Com certeza se preocupar com a política indigenista é uma constante neste Governo. Tivemos fragilidades, que dizem respeito às alianças que tivemos que construir no Congresso Nacional para garantir estabilidade ao Governo. Alianças que no final das contas se revelaram extremamente frágeis.”

O gesto chama a atenção em um Governo que pouco olhou para a questão indígena. Se, por um lado, o estoque de terras a ser reconhecidas diminui com o passar dos anos, é também verdade que o Governo Dilma Rousseff caminhou a passos muito lentos nesse quesito, batendo recordes negativos nos números de terras reconhecidas: 13 terras desde seu primeiro mandato (2011), contra 84 nos dois mandatos de Lula e 141 nos oito anos de Fernando Henrique Cardoso.
A conta-gotas

Neste mês, de acordo com Marcio Santilli, sócio-fundador do Instituto Socioambiental (ISA), a Fundação Nacional do Índio (Funai) publicou quatro relatórios de identificação – primeira etapa para que as terras indígenas sejam oficialmente reconhecidas – e o Ministério da Justiça emitiu cinco portarias declaratórias – segunda etapa. A última fase é a homologação da presidência. “Para o Governo Dilma, é a maior quantidade de atos praticados numa mesma data”, diz. “Neste Governo [o processo de reconhecimento e homologação de terras indígenas], sempre foi um conta-gotas”.

Ele ressalta que as demarcações de terras sempre foram feitas em situações atípicas. A iminência de um impeachment, por exemplo, seria mais uma delas. “São conjunturas políticas determinadas que viabilizam essa tomada de atitude”, diz. Ainda no evento da criação do CNPI, o ministro Eugênio Aragão fez mea-culpa. “Poderíamos ter feito muito mais. Talvez o momento de crise seja um momento de reflexão. Deixamos de fazer muita coisa, nos omitimos muito e devemos pedir desculpas àqueles que foram afetados por isso”.

Para o cientista político Fabio Wanderley, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os acenos que Dilma Rousseff está fazendo agora para essas parcelas dos movimentos sociais não é capaz de salvar o Governo do impeachment. “Não acredito que daí surja nada que possa parecer a solução do embarace do Governo petista”, diz. “Dificilmente essa posição do Governo seja capaz de desfazer o que os senadores já decidiram”. Mas é uma agenda positiva num momento em que o Partido dos Trabalhadores está prestes a deixar o Planalto pela porta de trás. “Faz sentido como um primeiro passo de reaproximação das bases. Neste sentido, é um passo válido. Mas não é possível fazer previsões sobre os impactos que essa atitude terá em 2018, por exemplo.”

Os movimentos sociais devem aproveitar deste momento em que o Governo está nas cordas. De acordo com o jornal Valor, uma ação coordenada entre algumas entidades e o ex-presidente Lula pede que Dilma acelere programas sociais antes de um possível afastamento, que, se ocorrer, deverá ser entre os dias 11 e 12 de maio. Na pauta, estão reajustes nos repasses do Bolsa Família, do Fies (financiamento estudantil), a aceleração das contratações do Minha Casa Minha Vida, redução da taxa de juros, novas desapropriações de terra e a criação de mais uma faixa do seguro desemprego. Ainda segundo o Valor, Dilma deverá anunciar algumas dessas medidas no ato do 1º de maio, em São Paulo, ao lado de Lula. O PT que chegou ao poder e nele se consolidou expandindo sua base tradicional com a massa de mais pobres. Agora, o partido se volta para ao núcleo mais ideológico e, tenta, em meio à crise, para reforçar os programas que defenderá como seu legado.

abr
30
Posted on 30-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-04-2016



Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

É mentira que a ação de Janot anulará investigações

Rodrigo Janot entrou com uma ação de inconstitucionalidade para impedir que delegados possam firmar e levar adiante acordos de delação sem a participação do MP. Em resposta, a associação dos delegados da PF soltou uma nota na qual afirma que, se a ação for deferida pelo STF, investigações importantes, como as da Lava Jato e da Acrônimo, poderão ser anuladas.

Agora à noite, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) saiu em defesa da ação de Janot.

Eis a nota assinada por José Robalinho Cavalcanti, presidente da ANPR:

“O Procurador-Geral da República propôs Ação Direta de Inconstitucionalidade contra itens da Lei de Organizações Criminosas que preveem possibilidade de acordos de colaboração premiada propostos ou travados por delegados de polícia (ADI nº 5.508/2016).

Em nota publicada no dia de hoje, a Associação dos Delegados de Polícia Federal afirma que o deferimento desta ADI poderia levar à anulação de importantes investigações em curso no País, inclusive as Operações Acrônimo e Lava-Jato.

A Associação Nacional dos Procuradores da República vem a público esclarecer que isto não corresponde à verdade. A declaração desinforma a opinião pública, foge à boa técnica e mesmo a uma leitura direta do que foi pedido ao Supremo Tribunal Federal pelo Chefe do MPF.

Muito ao contrário do que afirmado pelo órgão de classe dos delegados de polícia federal, a ação busca exatamente impedir que continuem a ser aplicados artigos da lei de organizações criminosas cuja utilização poderia – aí, sim –, levar a nulidades futuras. E, igualmente em favor da segurança jurídica, pede ainda o PGR, expressa e claramente, que o STF module sua decisão no sentido de que tenha efeitos apenas no futuro, vale dizer, que NÃO afete a decisão qualquer eventual colaboração já consolidada, em qualquer processo, mesmo que realizada pela autoridade policial e não, como impõe o princípio acusatório, pelo Ministério Público, titular privativo da ação penal. Determinada esta modulação em ação de controle concentrado no Supremo, estarão garantidas TODAS as colaborações que foram travadas com base nos artigos questionadas, evitando-se, assim – e não provocando, como afirmado -, decisões anulatórias por parte de órgãos inferiores do Poder Judiciário.

Não se coaduna com os princípios de nosso sistema jurídico, e atenta contra os direitos de defesa de qualquer investigado, que seja travado qualquer nível de acordo de colaboração sem que a iniciativa seja do titular da ação penal, entre outros pelo simples motivo de que este órgão de Estado – o Ministério Público –, e nenhum outro, é em todos os casos o responsável por decidir se há de fato provas mínimas para que seja denunciado.

Toda e qualquer investigação – notadamente aquelas a cargo do Ministério Público Federal, e da Polícia Federal -, será, de toda a forma, preservada, na completa integridade. Mesmo os acordos de colaboração que foram eventualmente praticados usando esta equivocada e inconstitucional previsão de iniciativa de autoridade policial serão, se o STF deferir o pedido do PGR, integralmente mantidos e convalidados. O MPF, fiscal da Lei e titular da ação penal em nível federal, trabalha sempre pela segurança jurídica e pela integridade, eficiência e eficácia das ações criminais a seu cargo.

As investigações em curso nas Operações Lava Jato e Acrônimo – nas quais, aliás, são absolutamente pontuais, quando existentes, os casos de colaboração firmados pela polícia – continuarão a apresentar, com toda a segurança jurídica, os excelentes resultados que a sociedade acompanha e espera, decorrentes do trabalho técnico e conjunto do Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. Declarações em que se sobressai, infelizmente, o aspecto corporativo, em detrimento do interesse público, não farão com que as instituições fraquejem em nada no cumprimento de seus deveres.”

BOA TARDE!!!

abr
29
Posted on 29-04-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-04-2016

DO PORTAL G1/ O GLOBO

O juiz Sérgio Moro aceitou nesta sexta-feira (29) duas denúncias contra o publicitário João Santana e a mulher dele, Monica Moura. Além do casal, também virou réu o ex-presidente do Grupo Odebrecht Marcelo Odebrecht e outras 14 pessoas. Eles passam responder por crimes como corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro em mais dois processos da Operação Lava Jato.

As ações têm origem na 23ª fase, batizada de Acarajé, que investigou pagamentos feitos ao marqueteiro de campanhas do Partido dos Trabalhadores (PT) João Santana, e na 26ª, que apurou a suspeita de que empresa Odebrecht possuía um departamento responsável por fazer pagamentos de vantagens indevidas a servidores públicos.

Esta é o terceiro processo a que Marcelo Odebrecht vai responder na primeira instância. Ele já foi condenado a 19 anos e quatro meses em uma das ações e recorre junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). O outro processo está em fase de indicação das testemunhas. Já João Santana passa a responder aos primeiros processos na primeira instância.

Primeira denúncia
De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, nas investigações da 23ª fase, João Santana e a mulher dele, Mônica Moura, aparecem como suspeitos de receber dinheiro do esquema de corrupção na Petrobras e do engenheiro Zwi Skornicki, apontado como um dos operadores do esquema na estatal.

Para a Polícia Federal (PF), há indícios de que Santana recebeu US$ 3 milhões de offshores ligadas à Odebrecht, entre 2012 e 2013, e US$ 4,5 milhões do engenheiro Zwi Skornicki, entre 2013 e 2014. Zwi é representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels e, segundo o MPF, foi citado por delatores do esquema como elo de pagamentos de propina.

Veja os réus dessa ação

1) Zwi Skornicki – operador: organização criminosa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro.
2) João Santana – marqueteiro: corrupção passiva, lavagem de dinheiro.
3) Mônica Moura – mulher de Santana: corrupção passiva, lavagem de dinheiro.
4) João Ferraz – ex-diretor da Sete Brasil: organização criminosa, corrupção passiva.
5) Pedro Barusco – ex-gerente da Petrobras: corrupção passiva, lavagem de dinheiro.
6) Renato Duque – ex-diretor da Petrobras: corrupção passiva.
7) João Vaccari Neto – ex-tesoureiro do PT: corrupção passiva, lavagem de dinheiro.
8) Eduardo Musa – ex-gerente da Petrobras: organização criminosa, corrupção passiva.

O dinheiro, conforme a denúncia, teve origem em contratos celebrados entre o estaleiro Keppel Fels e a Petrobras para a realização das plataformas P-51, P-52, P-56 e P-58. Segundo a denúncia, houve pagamento de propina para Renato Duque e Pedro Barusco nesses contratos.

A Keppel Fels também tinha contratos com a Sete Brasil, empresa criada para operar o pré-sal e tem a Petrobras entre as acionistas. Os contratos para construção de sondas entre a empresa e a Sete Brasil chegam a R$ 185 milhões.

Segundo as investigações, um terço da propina paga nesses contratos foi dividida entre o ex-presidente da empresa, João Ferraz, e os ex-gerentes da Petrobras Pedro Barusco e Eduardo Musa. Os outros dois terços foram encaminhados ao então tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que solicitou que parte dos depósitos ficasse com João Santana e Monica Moura, segundo a denúncia.

O MPF sustenta que as indicações e manutenções no cargo de Renato Duque, Pedro Barusco e João Ferraz eram concretizadas a partir da influência e poder político exercido pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

O MPF pede que os suspeitos percam bens, no total de R$ 111,9 milhões, adquiridos com dinheiro ilícito. Os procuradores solicitaram também R$ 683,8 milhões, correspondentes a 0,9% do valor total dos seis contratos firmados com a Petrobras relativos ao fornecimento de sondas pelo estaleiro Brasfels, por intermédio da Sete Brasil, nos quais houve pagamento de propina a Renato Duque.

Além desses valores, a denúncia quer ainda que seja arbitrado como dano mínimo a ser ressarcido à Petrobras o valor de R$ 1.591.446.023,02. O montante corresponde ao dobro dos valores totais de propina paga.

Além dos pagamentos no exterior, planilhas apreendidas pela PF com uma funcionária da Odebrecht apontam que a empreiteira pagou R$ 22,5 milhões a alguém com o codinome “Feira”, entre outubro de 2014 e maio de 2015 – quando a Operação Lava Jato já havia sido deflagrada e em período que coincidiu com as eleições presidenciais de 2014.

Para a investigação, o codinome era usado em referência ao casal. Deltan Dallagnol afirmou ainda que João Santana e Mônica Moura tinham conhecimento da origem espúria do dinheiro.

“Esses valores que eram repassados à Mônica Moura e João Santana eram contados como uma parcela da propina que deveria ser paga ao Partido dos Trabalhadores, sim. A remessa dos valores era feita por orientação de João Vaccari, que era a pessoa que coordenava o repasse dos valores no interesse do Partido dos Trabalhadores”, acrescentou a procuradora Laura Tessler.

Ao receber a denúncia, o juiz Sérgio Moro afirmou que as acusações devem ser melhor discutidas ao longo do processo, mas que há indícios de autoria e materialidade dos crimes apontados pelo MPF.

“É certo que João Cerqueira de Santana Filho e Monica Regina Cunha Moura não são agentes públicos, mas se, como afirma a Acusação, receberam conscientemente recursos provenientes de acertos de propinas entre dirigentes da Petrobras e empresas fornecedoras da estatal, são passíveis de responsabilização por crime de corrupção passiva”, afirmou o juiz.
Marcelo Odebrecht, presidente da construtora Odebrecht e réu na Operação Lava Jato, sorri durante sessão da CPI da Petrobras em Curitiba. Ele se recusou a falar sobre o processo judicial e negou a possibilidade de assinar acordo de delação premiada (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)
Marcelo Odebrecht virou réu em mais um processo
da Lava Jato (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

Segunda denúncia
A segunda denúncia trata da 26ª fase da Lava Jato, que recebeu o nome de Xepa. A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) afirmaram que a Odebrecht possuía um departamento responsável pelo pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos em razão de contratos firmados pela empresa com o poder público.

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