DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

É vergonha política sem-terra na porta do Incra

Uma busca na internet revela, quase literalmente, uma infinidade de ocupações, protestos e manifestações de sem-terra e suas entidades, anos a fio, contra a lentidão – ou inexistência, como agora – do processo de reforma agrária.

E por trás delas, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, prefeitos, até senadores e governadores – por que não dizer: presidentes da República. Mas estão por trás só por causa de votos. Tantos o voto dos sem-terra nos políticos como o voto dos políticos no governo.

O assunto é provocado por mais uma mobilização de agricultores – ou talvez nem o sejam, impossibilitados que estariam do acesso à terra – em frente à sede do Incra, no Centro Administrativo. O que faz, por sua vez, despertar uma série de raciocínios conexos, ou imbricados, no jargão da “esquerda”.

Estranha-se que os trabalhadores vão ao Incra, pois é próprio Incra a atestar, obviamente numa lavagem de mãos estatística, que os governos do PT, juntos, tomam uma surra do governos de Fernando Henrique Cardoso em número de desapropriações e área imóveis destinados à reforma agrária.

FHC desapropriou, em oito anos, 3.436 imóveis, superando a marca de Lula em igual período de Lula, que ficou em 1.987. O desastre, entretanto, só veio com Dilma Rousseff: em quatro anos, 216 desapropriações. De 2015 para cá, nada.

A curva é descendente também em área desapropriada. FHC atinge o pico em 1998, com 2,256 milhões de hectares, começando então uma queda até cerca de 500 mil ha em 2002. Com Lula, o ponto mais alto ocorreu em 2005, com 1 milhão de hectares. O máximo conseguido por Dilma foram 400 mil, em 2010.

Paradoxalmente, essa categoria de brasileiros sofredores seguem elegendo governos que juraram defender suas bandeiras, mas os mantém em mendicância social, enquanto seus supostos representantes renovam os mandatos sem enfrentar a opressão, pelo menos dizendo assim: “Olha, vamos votar isso, mas vocês deem aquilo àqueles miseráveis”.

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