Walter Pinheiro ao PT: “obrigado e adeus”.

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

David mendes

No dia em que Salvador completou 467 anos (29/3), o senador Walter Pinheiro anunciou a sua saída do Partido dos Trabalhadores (PT). Filiado à legenda desde 1986, o parlamentar, eleito para o Senado em 2010 com 3,6 milhões de votos na chapa encabeçada pelo ex-governador Jaques Wagner (PT), ainda não anunciou a qual partido vai se filiar, mas o PSD, comandado pelo senador Otto Alencar, poderá ser o destino de Pinheiro.

À Tribuna, o senador Otto negou qualquer pretensão de filiar o ex-petista. “Ele nunca conversou comigo sobre isso e não tenho nenhuma informação de qual será o caminho dele. [A saída do PT] é uma coisa que mexe com os sentimentos dele. Ele passou muitos anos no partido. É uma coisa dolorosa. Ele deve ter tempo para refletir qual o melhor caminho”, disse Otto. Entretanto, conforme apurou a reportagem, Pinheiro avalia um convite para disputar as eleições em Salvador, apesar de já ter negado a pretensão. O senador integraria, pelo PSD, a estratégia de pulverização de partidos aliados ao governo do Estado para enfrentar o atual prefeito, ACM Neto (DEM), que disputará a reeleição e, até o momento, é considerado o favorito a vencer o pleito.

O PSD conta também conta com o vereador Edvaldo Brito, pré-postulante na disputa pelo Palácio Thomé de Souza. Apesar de negar a filiação de Pinheiro, Otto diz ser contra pulverizar candidaturas e deu sinais de como poderá atrair Pinheiro. “A única coisa que não concordo é que cada partido saia pulverizado com dois, três, quatro nomes. Ou o governo tem um nome que preencha os pré-requisitos para governar a cidade, como experiência, competência, histórico de bons serviços prestados a Salvador, e com honra e dignidade. Nós vamos trabalhar esse nome”, defendeu o senador. As negociações com o núcleo político do governo petista em torno de uma possível candidatura de Pinheiro teriam sido concretizadas na semana passada em encontro entre o parlamentar e o governador Rui Costa (PT). O senador foi procurado, mas não foi localizado pela reportagem.

Ontem, Pinheiro, em audiência pública no Senado, enalteceu a capital baiana e fez um longo discurso sobre os desafios futuros da cidade. “Óbvio que os soteropolitanos, com todo o esforço empreendido ao longo desses anos todos, ainda reclamam muito de uma cidade que efetivamente cresceu, ou melhor, em certa medida, inchou. Hoje estamos numa perspectiva positiva da cidade ganhar uma estrutura de mobilidade compatível com as necessidades de uma cidade que durante muito tempo se transformou numa ‘Meca’, por conta exatamente da concentração”, discursou.

Pinheiro também defendeu a necessidade de buscar novas vocações para o desenvolvimento econômico da capital baiana. “Salvador é uma cidade que perdeu sua vocação industrial. (…) Essa cidade baixa, onde tínhamos fabricas têxteis e indústrias de sabão, toda essa parte foi desativada, e era exatamente a região industrial, e isso não foi substituído por nada”, apontou.

Em carta, senador diz que continuará jornada

O senador Walter Pinheiro enviou uma carta ao PT baiano, partido que estava filiado há 30 anos e que ajudou a fundar no estado, comunicando a sua saída e solicitando a sua desfiliação. O parlamentar já estava ausente, desde o ano passado, de todas as atividades partidárias. Sua saída já era esperada há algum tempo. Entre os motivos alegados estaria a discordância dos rumos que o governo da presidente Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores tomaram.

“Decido encerrar, depois de uma reflexão profunda, minha única filiação. Agradeço pelas coisas boas, pelo apoio, pelas amizades, por tudo que vivenciei na vida pública e tudo que foi possível construir. Vou continuar cumprindo, com todo empenho, a jornada que o povo da Bahia me confiou”, disse no documento.

O senador ainda agradeceu a todos que caminharam junto com ele. “Grato aos meus familiares, grato aos parceiros que constroem nosso mandato, grato aos amigos, aos companheiros, ao povo da Bahia e muito, mais muito grato a Deus que pela sua Graça tem me sustentado”, disse. “Creio que, como diz o apóstolo Paulo, combati o bom combate. Permanecerei com o trabalho firme e mantendo minha Fé, Fé que é possível, Fé no Brasil e Fé na vida”, finalizou o ex-petista, que é evangélico. (DM).

mar
30
Posted on 30-03-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-03-2016


Cunha na reunião do PMDB.
Fernando Bizerra Jr. EFE


DO EL PAIS

Afonso Benites
Rodolfo Borges

De Brasília

“Brasil pra frente, Temer presidente” e “Fora PT” foram os poucos gritos de guerra que conseguiu cantar a claque de dirigentes peemedebistas que participou do encontro relâmpago do diretório nacional da legenda nesta terça-feira, em Brasília, quando a sigla anunciou o rompimento com o Governo Dilma Rousseff. Foram menos de cinco minutos e faltou tempo para mais palavras de ordem, mas o recado estava dado: todos os esforços da cúpula do partido que não ocupa a presidência desde 1990 a partir de agora estarão voltados para o impeachment contra presidenta que, se aprovado, levará a assunção ao cargo do vice-presidente peemedebista Michel Temer. Temer, que articulou o abandono do Planalto nas últimas semanas, não compareceu ao ato para tentar evitar a imagem de “que estaria estimulando o rompimento para ver a presidência cair em seu colo”, afirmou um parlamentar ligado ao vice.
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A decisão de cerca de cem membros do diretório do PMDB foi aprovada por aclamação e, com ela, o partido anunciou a entrega imediata dos cargos, incluindo os seis ministros que ainda estão nas funções. Três deles, Katia Abreu (Agricultura), Celso Pansera (Ciência Tecnologia) e Marcelo Castro (Saúde), no entanto, evitaram o contato com os colegas e abriram dissidência. Pelas contas do Planalto, cerca de 600 cargos que hoje estão com a sigla ficarão vagos nas próximas semanas e a redistribuição deles é o único ativo do Governo para tentar recompor os ministérios e a base de sustentação no Congresso.

“Não tenho dúvida de que o impeachment ganhará força agora. O rompimento deveria ter acontecido muitos meses atrás. Mas antes agora, do que nunca”, ponderou o deputado pernambucano Jarbas Vasconcelos. Nos cálculos dos peemedebistas opositores, 60 dos 68 deputados da legenda deverão votar a favor da destituição de Rousseff e o processo deve durar no máximo mais dois meses. Ainda assim, o secretário-executivo do partido, Eliseu Padilha, nega que esse assunto esteja sendo debatido internamente. “Impeachment não está no nosso programa. Temos de ter o partido fora da base do Governo para nos tornarmos um player em 2018”. E insiste Padilha: “O melhor que o PMDB pode fazer em se tratando de impeachment é não fazer nada. O que fizer pode tirar o processo da linha”.

A tese de ruptura com o PT ganhou força depois que os protestos sociais contra a gestão Dilma cresceram. Visto como um partido governista desde a redemocratização do país, a legenda entende que era o momento de ser protagonista e aproveitou a fragilidade da presidenta para abandonar o barco e anunciar que deverá ter candidato em 2018, mesmo que o vice-presidente Michel Temer assuma o cargo ainda neste ano. “Temos uma corrente do partido que nunca foi do Governo. Fazíamos uma batalha de guerrilha, estávamos na selva, sem espaço, e agora descemos da montanha. Éramos 11 deputados opositores, agora, somos imensa maioria. Ganhamos espaço e por isso decidimos romper. O impeachment é o próximo passo”, afirmou o deputado gaúcho Osmar Terra.

O único nome do partido que saiu em defesa pública de Rousseff foi a ministra Kátia Abreu. Em entrevista à rádio CBN, disse que se o impeachment prosperar da forma como está, o país testemunharia um golpe, ecoando os argumentos oficiais do Planalto. “É um processo traumático que deixa feridas duradouras numa nação”, declarou. Se os ministros não deixarem seus cargos até 12 de abril, eles serão expulsos da legenda.

Outro aliado de primeira hora de Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros, também não esteve no evento e disse que precisaria ser independente, caso o processo de impeachment da presidenta seja aprovada na Câmara e seja enviado ao Senado. “Se esse processo chegar no Senado, espero que não chegue…”, disse em uma breve entrevista coletiva no corredor do Senado.
As reações e efeito cascata

As reações no mundo político sobre a oficialização do desembarque peemedebista foram quase imediatas. Assim que terminou o encontro, dirigentes do PSOL e do PT trataram de dizer que a “saída Temer” não era a melhor para o país. “Não podemos aceitar um impeachment sem argumentos jurídicos da forma como está ocorrendo. Não queremos ser governados por alguém que é investigado pela operação Lava Jato, assim como o Eduardo Cunha”, reclamou o líder do PSOL, Ivan Valente.

A fundadora da REDE, a ex-senadora Marina Silva, afirmou, por meio de seu Facebook, que o PMDB é o mesmo partido de sempre, que decide romper com o Governo sem dar satisfação à sociedade ou pedir desculpas por ter sido um dos responsáveis pela atual crise. “(…)nenhuma autocrítica, nenhuma proposta. Apenas a jogada política supostamente magistral para tentar se descolar da crise política e reinventar-se como solução. Continua o mesmo e velho PMDB tentando renascer das cinzas da fogueira que ele ajudou a atear”.

Além da demissão coletiva, a decisão dos peemedebistas deverá causar um efeito cascata entre outras legendas. Os deputados do PP anunciaram que nesta quarta-feira farão uma reunião para definir se também rompem com a gestão Rousseff. Nos cálculos dos parlamentares, 30 dos 49 deputados da legenda são contra a permanência no Governo. O PR e o PDT podem tratar do assunto nas próximas semanas. Para complicar mais a situação de Rousseff no Legislativo, o PT perdeu uma importante voz no Senado. Filiado à legenda desde sua fundação, há 33 anos, o senador baiano Walter Pinheiro anunciou nesta terça-feira que se desligou do partido alegando que a atual gestão se distanciou do programa partidário.

Para tentar reagir à perda de apoio, o Governo Rousseff tentará distribuir os cargos do PMDB para outras legendas na expectativa de conseguir o mínimo de sustentação no Congresso para frear o impeachment. O ministro do Gabinete pessoal da Presidência, Jaques Wagner, chamou a estratégia de repactuação. “A decisão deles [peemedebistas] chega em boa hora, porque oferece à presidenta Dilma uma ótima oportunidade de repactuar o seu Governo”.

Os ataques a Temer não tardaram. “Era jurista, agora é golpista”, declarou o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA). “Os últimos movimentos dele foram de um cidadão desleal com quem está ao seu lado”, reclamou outro deputado petista, Léo de Brito (AC). A outra é vincular Temer ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é réu no Supremo Tribunal Federal dentro da operação Lava Jato.

A reação direta de Rousseff, ainda que sutil, foi simbólica. Ela cancelou sua viagem para os Estados Unidos na próxima quinta-feira, onde participaria da Cúpula de Segurança Nuclear. Por estar no exterior, ela teria de passar o comando do país, por ora temporariamente, ao seu vice. Preferiu não fazê-lo.

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

É vergonha política sem-terra na porta do Incra

Uma busca na internet revela, quase literalmente, uma infinidade de ocupações, protestos e manifestações de sem-terra e suas entidades, anos a fio, contra a lentidão – ou inexistência, como agora – do processo de reforma agrária.

E por trás delas, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, prefeitos, até senadores e governadores – por que não dizer: presidentes da República. Mas estão por trás só por causa de votos. Tantos o voto dos sem-terra nos políticos como o voto dos políticos no governo.

O assunto é provocado por mais uma mobilização de agricultores – ou talvez nem o sejam, impossibilitados que estariam do acesso à terra – em frente à sede do Incra, no Centro Administrativo. O que faz, por sua vez, despertar uma série de raciocínios conexos, ou imbricados, no jargão da “esquerda”.

Estranha-se que os trabalhadores vão ao Incra, pois é próprio Incra a atestar, obviamente numa lavagem de mãos estatística, que os governos do PT, juntos, tomam uma surra do governos de Fernando Henrique Cardoso em número de desapropriações e área imóveis destinados à reforma agrária.

FHC desapropriou, em oito anos, 3.436 imóveis, superando a marca de Lula em igual período de Lula, que ficou em 1.987. O desastre, entretanto, só veio com Dilma Rousseff: em quatro anos, 216 desapropriações. De 2015 para cá, nada.

A curva é descendente também em área desapropriada. FHC atinge o pico em 1998, com 2,256 milhões de hectares, começando então uma queda até cerca de 500 mil ha em 2002. Com Lula, o ponto mais alto ocorreu em 2005, com 1 milhão de hectares. O máximo conseguido por Dilma foram 400 mil, em 2010.

Paradoxalmente, essa categoria de brasileiros sofredores seguem elegendo governos que juraram defender suas bandeiras, mas os mantém em mendicância social, enquanto seus supostos representantes renovam os mandatos sem enfrentar a opressão, pelo menos dizendo assim: “Olha, vamos votar isso, mas vocês deem aquilo àqueles miseráveis”.

mar
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Posted on 30-03-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-03-2016


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Moro defende grampo em Teixeira

Sobre a interceptação de conversas com Roberto Teixeira, compadre e advogado de Lula, Sergio Moro explicou que ele é suspeito de encobrir a compra do sítio de Atibaia.

“Se o advogado se envolve em condutas criminais, no caso suposta lavagem de dinheiro por auxiliar o ex-Presidente na aquisição com pessoas interpostas do sítio em Atibaia, não há imunidade à investigação a ser preservada, nem quanto à comunicação dele com seu cliente também investigado.”

Muitos grampos não foram divulgados

Sergio Moro explicou ainda que há uma “quantidade bem maior de diálogos interceptados” que não foram divulgados e serão remetidos ao STF “em mãos e com as cautelas devidas”.

“Não seria correto, portanto, afirmar que os diálogos foram juntados ao processo sem o maior cuidado.” Segundo Moro, constam nesses áudios conversas com advogados e outras de “índole eminentemente privada”.

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