DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

PT faz 50 anos lembrando heróis da Revolução

Vinte e sete de fevereiro de 2030. Tinha mesmo de haver uma grande festa para comemorar os 50 anos do PT, partido hegemônico do Brasil que precisou fazer uma revolução contra o golpe institucional que lhe pretendeu aplicar a direita no já distante ano de 2016.

O Grande Templo de Dirceu, majestosa construção erguida no centro do Plano Piloto, em Brasília, em homenagem ao preso político mais emblemático daquele período de trevas, estava superlotado e vivamente agitado por bandeiras da CUT e balões do MST, tradição antiga da qual os petistas não conseguiram se livrar.

Vigiados pelo retrato do Coronel Lula, os oradores se sucediam na tribuna, narrando, cada um a seu modo e segundo a própria experiência, aqueles tempos épicos em que foi preciso mobilizar todas as forças para barrar a marcha reacionária que ameaçava tomar conta do país e acabar a felicidade do povo.

Os antigos heróis, muitos em cadeiras de rodas que eram troféus à longevidade, outros tantos mostrando no corpo as marcas das numerosas batalhas, assistiam orgulhosos aos discursos da impávida juventude formada no ProUni e Pronatec, hoje cidadãos produtivos, engrossando a estatística do pleno emprego.

O estopim da insurreição foi recordado com imagens da época. Tudo começou com a tentativa de sequestro do Coronel Lula por inimigos cujo objetivo era confiná-lo nas Masmorras de Curitiba, presídio para onde eram mandados os presos políticos, temido pelas quentinhas servidas no almoço.

A senha – “Queremos a paz, mas não tememos a guerra” – foi lançada pelo comandante das tropas do Sudeste. Rui Falcão, cuja figura, empalhada, adorna atualmente, como altiva sentinela, a entrada principal do Templo. Em pouco tempo receberia o apoio, vindo do Sul, do general Stédile, à frente do Exército do Sonho da Reforma Agrária.

Mas os vivas mais entusiásticos estavam reservados ao momento em que apareceu no telão o rosto severo do general Wagner, praticamente o garantidor da vitória no primeiro momento, quando, com seu Batalhão de Porradeiros da República, escorraçou os inimigos que faziam um cerco às tropas do Coronel Lula, num episódio que ficou conhecido como O Putsch de São Bernardo.

Do palavrão no progresso nacional

O triunfo do Lulismo, que agora fazia parte dos currículos escolares em todos os níveis, trouxe mudanças importantes ao país. Os homens passaram a dispor de aposentos reservados, mas próximos às esposas, para receber suas amantes – ou serem recebidos por elas, porque macho que se preza jamais recebe.

Instituiu-se o Bolsa-Pimpolho, concedendo à prole dos privilegiados empresas legalmente constituídas, recebendo (aí pode) recursos ilegais. Foi estimulado, dentro do programa Pátria Educadora, o uso desmesurado de palavras de baixo calão, proferidas em geral de baixo para cima, no sentido moral, e de cima para baixo, no sentido hierárquico.

Por recomendação da Casa Civil, a mesma metodologia de trabalho foi admitida no decurso de qualquer debate intelectual ou ideológico do qual o regime possa alimentar-se e ir tranquilo em frente, enquanto cumpre com naturalidade as necessidades fisiológicas.

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