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EUA-Cuba, uma mudança apenas unilateral

O mundo livre – para usar uma expressão muito em voga no tempo da Guerra Fria – festeja o reencontro entre Estados Unidos e Cuba depois de mais de 50 anos. Realmente, nenhum país tem o direito de impor a tirania sobre uma pessoa ou nação.

Não sabemos, efetivamente, o que pode estar por trás disso, que interesses “imperialistas” estariam embutidos nesse “gesto” norte-americano, mas examinemos os fatos a distância e superficialmente.

Cuba já deu numerosas demonstrações e declarações de que em hipótese alguma abrirá mão de princípios nacionais. A convivência, portanto, terá de ser dar nos limites da autodeterminação de cada país.

Certamente, os Estados Unidos não quererão usar, na chamada ilha caribenha e nas relações com seu governo, os métodos de controle comuns em tantas partes do mundo, muito menos “exportar” democracia.

A Cuba, por sua vez, bastará que se mantenha como sempre – independente, altiva, sem fazer concessões sobre o que julga fundamental. Postura que países muito mais fortes, de territórios incomensuravelmente maiores, não conseguem ter.

Herói vivo

Merece repúdio o hábito do jornalista José Simão de tratar o presidente Fidel Castro como “o coma andante”.

E não o dizemos por motivos políticos, que talvez nem seja o caso. É porque, adeptos que somos do humor – e do bom humor –, entendemos que só o humor, neste vasto campo de contradições e conflitos de toda ordem, tem limite.

Não é possível nem aceitável que, em nome do humor, se atinja a dignidade elementar do ser humano num aspecto sobre o qual não temos o menor domínio, apesar de todo o progresso médico, tecnológico e farmacológico: a saúde.

O mesmo respeito se deve às “pessoas comuns”, mas, sobretudo, a um homem – com eventuais equívocos – que teve a coragem de jogar a própria vida buscando construir um mundo melhor para seus compatriotas.

Os Estados Unidos já tentaram matar Fidel umas 50 vezes. A imprensa, ultimamente, depois que o Comandante fez 80 anos e caiu doente, também tentou. Mas ele está vivo.

Fazendo história

Cabra macho, esse Obama.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 23 Março, 2016 at 8:07 #

Caro Luís

Algo errado com o fígado?
Limite ao humor? Traduzindo, censure-se o humor que eu não goste.
Haverá, assim, uma dicotomia, o humor do bem e o humor do mal.
Fidel ainda faz história?
Se faz, porque Obama não posou ao seu lado?
Cabra macho Obama, concordamos, foi preciso sua visita para que, enfim, Fidel, aceitasse seu papel, de passado já longínquo, sem poses e discursos anoréxicos quanto à contemporaneidade.
Censura ao humor?
Faria sentido se Fidel estivesse no comando.
O humor é, deve, necessita, jamais deverá deixar de ser, livre, mesmo quando de mau gosto.


luiz alfredo motta fontana on 23 Março, 2016 at 8:15 #

Censura-se o humor por traduzir, neeste “conceito apurado”, uma forma menor de expressão, afinal liberdade expressão, talvez neste mesmo “conceito”, seja benesse restrita à doutas manifestações, prenhes de erudição e louros acadêmicos.

Já o humor, que se porte como tal, sabendo ocupar seu papel marginal.

Fidel não faria diferente. É típico de vetusto autoritarismo.


luiz alfredo motta fontana on 23 Março, 2016 at 9:05 #

Façamos votos para que seja apenas a manifestação canhestra de um incomodo no fígado. Excessos são assim, produzem efeitos indesejáveis.


luis augusto on 24 Março, 2016 at 13:43 #

Caro Poeta, censura nenhuma, apenas repúdio, como está escrito. Censores, conheci-os diariamente entrando na Redação da Tribuna quando começava no jornalismo (1973).

O humor é o máximo, por isso não deve se conspurcar.

A propósito, vejam-se duas charges recentes publicadas no BP, com o Lula chefe da Casa Civil de Raúl Castro e de ministro da Páscoa no Brasil.

O humor me orienta, e eu próprio, com muito orgulho, me considero um porta-voz do bom humor, na vida, na vida diária (que é diferente) e na profissão, com toda raiva de carrego por outras coisas.

Apenas, por motivo espiritual, repudio o abuso de situações cuja causa não cabe à pessoa, como a saúde frágil de Fidel ou um dos olhos de Nestor Cerveró.

Quanto ao fígado, embora bombardeado diariamente, e em busca de mais petardos, está colaborando direitinho com meus intentos.

Grande abraço, sua crítica é respeitável e emocionante, como compete à condição de bardo.


luiz alfredo motta fontana on 24 Março, 2016 at 14:13 #

É mais que uma critica, é um alerta, não deixe dogmas antigos embaçarem teu olhar.

Coloque na conta de excessos de vizinhos de balcão, o bar tem disso, cuidados sem etiqueta.

Tim Tim!!!!


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