Sede da Odebrecht no Rio de Janeiro

DO EL PAIS

Os procuradores da Operação Lava Jato, em Curitiba, repetiram por dois anos que estavam atacando o que chamam de “modelo de negócios” da política brasileira, que envolve superfaturamento de obras e contratos públicos e financiamento ilegal de campanhas política. No centro desse esquema, posicionaram a “joia da coroa” das empreiteiras brasileiras, a Odebrecht. Nesta terça-feira, instalações da empresa foram alvo de nova fase da Lava Jato, ampliando as investigações que já levaram a condenação do ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, a 19 anos de prisão. No final do dia, veio a notícia esperada com ansiedade e tensão por vários atores políticos brasileiros: os executivos da companhia, incluindo potencialmente Marcelo, anunciavam que farão “colaboração definitiva” com as investigações.

Segundo o Jornal Nacional, os procuradores da Lava Jato disseram que não há acordos selados com a empreiteira, mas que avaliarão os mais vantajosos para a operação. Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015, havia repetido que não faria delação. Diante de deputados na CPI da Petrobras, chegou a atacar moralmente o expediente de colaboração com a Justiça. Segundo relatos da imprensa brasileira, ele está sofrendo pressões da família para aceitar o acordo diante da perspectiva de não poder recorrer de sua sentença em liberdade por causa de uma mudança legal aprovada neste ano pelo Supremo Tribunal Federal.

“Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país – seguimos acreditando no Brasil”, diz a nota da empresa, um império há 72 anos no mercado com atuação em 28 países.
Potencial para “mudar o jogo”

Por meses se especulou qual seria a capacidade de estrago de uma colaboração de executivos da Odebrecht, uma das maiores contribuintes legais de partidos políticos no Brasil, com somas vultuosas tanto para os políticos do PT, incluindo a campanha da presidenta Dilma Rousseff, como de seus principais adversários, como o senador Aécio Neves (PSDB).

Se aceitas as colaborações, o provável é que a Lava Jato, a maior investigação de corrupção no Brasil, entre em uma nova fase. Além de Odebrecht, está em curso a delação do ex-presidente da construtora OAS, Leo Pinheiro. Para a consultoria de risco Eurasia Group, colaborações de Pinheiro, Odebrecht ou mesmo de pessoas ligadas a outra construtora do esquema, a Andrade Gutierrez, poderiam “mudar o jogo”. “Os próximos dois meses serão críticos, e provavelmente representam o terreno mais delicado e perigoso para a presidente na crise até o momento”.

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