Bossa na tarde do mundo,velhoTony!

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do G1, em São Paulo

Atentados terroristas deixaram dezenas de mortos e feridos no Aeroporto Internacional de Zaventem e na estação de metrô Maelbeek em Bruxelas, na Bélgica, na manhã desta terça-feira (22). O número de vítimas ainda é desencontrado. A imprensa fala em 34 mortos, além de 170 feridos, mas os números não param de crescer. As explosões levaram o país a entrar em alerta máximo para atentados terroristas.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, condenou o que classificou de “atentados cegos, violentos e covardes” que atingiram a capital belga. “Temíamos um atentado terrorista e aconteceu”, lamentou.

Duas explosões ocorreram no aeroporto e uma no metrô. Pelo menos uma delas foi provocada por um homem-bomba, segundo procuradoria local. Os atentados ocorreram na área de embarque, perto de um balcão da companhia American Airlines. Vozes em árabe e tiros também teriam sido ouvidos no local, segundo a imprensa belga.

A polícia belga diz ter encontrado um rifle Kalashnikov ao lado dos corpos no aeroporto de Bruxelas, segundo a emissora pública belga VRT. O canal privado VTM disse que um cinto com explosivos que não chegou a ser detonado também foi localizado.

Metrô
Uma terceira explosão atingiu a movimentada estação Maelbeek, que fica perto de um bairro onde parte das representações da União Europeia está sediada, segundo a CNN. O prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, afirmou que 20 pessoas morreram no metrô e outras 106 ficaram feridas, sendo 17 gravemente.

O número de vítimas diverge entre as agências e jornais locais. A VRT, TV pública belga, fala em 34 mortos, sendo 20 no metrô e 14 no aeroporto. A RTBF fala em 14 mortos apenas no aeroporto e 20 mortos, além de 170 feridos, na estação de metrô. A CNN segue a contagem da RTBF. O Le Monde diz que 28 pessoas morreram.
Um diplomata esloveno ficou ferido nos ataques. A imprensa local afirma que ele estava se deslocando para o trabalho de metrô no momento dos ataques, segundo a Reuters.

Ainda de acordo com a CNN, dezenas de pessoas foram retiradas de macas do aeroporto. As fotos do aeroporto mostram destroços e vidros quebrados. Imagens divulgadas pela BBC mostram a fumaça e a correria das pessoas para deixar o aeroporto.

Uma testemunha estava na área de embarque, entrevistada pela TV5, contou que logo após a primeira explosão houve um “momento de perplexidade”. Poucos instantes depois, veio a segunda explosão e “ninguém mais teve dúvida do ataque”, dando início à correria.

O primeiro-ministro belga, Charles Michel, afirmou que, nesse momento, a prioridade é estabilizar a situação: reforçar a segurança em alguns pontos onde os serviços de segurança temiam alguma ameaça e dar socorro às vítimas. O primeiro-ministro pediu calma e solidariedade para os compatriotas. “Nós estamos face a uma dificuldade, um desafio. Vamos enfrentar unidos e solidários”, declarou.

Ele disse que existe informações sobre mortos, mas não citou números. “Há muitos feridos, alguns, graves. É um momento negro para o nosso país”, afirmou.

As autoridades recomendam às pessoas evitar deslocamentos. O sinal de celular está prejudicado nesse momento. Por isso, as autoridades orientam a enviar mensagens ou fazer contatos por redes sociais. As ligações telefônicas devem ser deixadas apenas para emergências.

As autoridades esvaziaram todas as estações de metrô e suspenderam o deslocamento de trens em Bruxelas.

O aeroporto esvaziado e fechado para pousos e decolagens e o tráfego aéreo foi interrompido e desviados para outras regiões. A polícia bloqueou todas as vias de acesso ao complexo. O serviço de ônibus também foi interrompido.

mar
22

DO EL PAIS

Gil Alessi

São Paulo

22 MAR 2016 – 10:03 BRT

A 26ª fase da Operação Lava Jato, desencadeada na manhã desta terça-feira, teve como alvo altos executivos do Grupo Odebrecht. De acordo com a Polícia Federal, estes empresários operavam um esquema de contabilidade paralela dentro da empresa – batizado de “setor de operações estruturadas” – cuja finalidade era pagar vantagens indevidas a terceiros . Os investigadores acreditam que vários destinatários da propina, paga em espécie, têm vínculos “diretos ou indiretos com o poder público em todas as esferas”. A força-tarefa não especificou quais políticos teriam envolvimento com este esquema, nem o montante envolvido.

O presidente afastado do grupo, Marcelo Odebrecht, foi condenado no início de março a 19 anos de prisão por seu envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, e outros diretores da companhia também já estão detidos há meses por ordem do juiz Sérgio Moro.

Os investigados desta etapa responderão pelos crimes de corrupção, evasão de divisas, organização criminosa e lavagem de ativos. No total, os agentes da PF cumprem 110 mandados, sendo 67 de busca e apreensão, 28 de condução coercitiva (quando o investigado é obrigado a depor), 11 de prisão temporária e quatro de prisão preventiva. A operação se estende pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e Pernambuco. Logo no início do dia houve apreensão por parte do Planalto quando uma viatura da PF se dirigiu ao hotel Royal Tulip, em Brasília, onde está hospedado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, o carro da polícia deixou o local pouco depois sem ninguém preso.

Em nota, a PF afirmou que existem “indícios concretos” de que o Grupo Odebrecht utilizou doleiros para realizar pagamentos indevidos com o objetivo de conseguir vantagens para a empresa. Estes repasses foram feitos pelo menos até a segunda metade de 2015, quando Marcelo já estava detido. Os investigadores acreditam que o presidente afastado da empreiteira tinha conhecimento e dava anuência para que fossem pagas as propinas. Segundo os agentes, uma série de emails encontrados nos computadores dos suspeitos comprovariam o fato.

Esta etapa é um desdobramento da 23ª fase da Lava Jato – batizada de Acarajé -, que resultou na prisão do marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura no final de fevereiro. Ele atuou nas campanhas do ex-presidente Lula (2006) e da presidenta Dilma Rousseff (2010 e 2014). O ponto de partida desta nova fase foi o material apreendido na sede da empreiteira Odebrecht. De acordo com Santana, a empresa realizou pagamentos em contas off-shore de sua titularidade por serviços de marketing prestados a políticos no exterior, o que chamou a atenção da força-tarefa.

A 26ª fase da operação ocorre um dia após a 25ª fase, batizada de Polimento, a primeira etapa internacional da Lava Jato, que teve como alvo Raul Schmidt Felipe Junior, que seria responsável pelo pagamento de propinas aos ex-diretores da Petrobras Renato de Souza Duque, Jorge Zelada e Nestor Cerveró (todos já presos pela força-tarefa).


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Dilma cada vez mais ao sabor do vento

Hoje não existem mais bastidores. Está tudo às claras – e não é por causa de grampos telefônicos.

Os sinais valem mais que qualquer espionagem, como a ausência de Michel Temer da “posse” de Lula e a decisão majoritária da OAB de apoiar o impeachment.

O governo aproxima-se do décimo oitavo mês sem governar, e a paulada desferida contra certo ofídio parece que não o atingiu exatamente no rabo.

Nada supera a celeridade da Câmara dos Deputados para fazer sessões que contam prazo, como se viu, surpreendentemente, já na sexta-feira.

Temer conversa com o PSDB para que somem forças, e não se neutralizem, como têm feito até agora.

Salvo desastres que venham a ocorrer neste futuro próximo, tudo aponta para um acordo de compartilhamento de poder sem que o vice, assumindo, dispute a reeleição.

Não me toques

Cento e cinquenta petistas fazem vigília na porta do prédio do ex-presidente Lula em São Bernardo. Deve ser o batalhão de porradeiros de Jaques Wagner.

Dá-lhe, maestro Perez Prado, honra e glória da música cubana.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
22

DO EL PAIS

Marc Bassets

Havana

Barack Obama e Raúl Castro abordaram na segunda-feira, em sua reunião em Havana e em uma entrevista coletiva posterior, suas diferenças sobre direitos humanos e democracia. Obama disse que a falta de respeito aos direitos humanos é um dos obstáculos para a normalização plena das relações, mas reiterou que cabe aos cubanos decidir sobre o futuro de Cuba, não aos norte-americanos. Castro defendeu a saúde pública e a educação gratuita como um direito humano e estabeleceu o limite da aproximação aos EUA na manutenção do sistema político liderado por ele.

Quando um jornalista norte-americano lhe perguntou sobre a libertação de presos políticos em Cuba, Castro respondeu negando a existência desses presos: “Diga os nomes”. A entrevista coletiva de Obama e Castro, de uma hora de duração, serviu para ver Castro diante de perguntas incômodas. Em dois momentos, um assessor se aproximou do púlpito para aconselhá-lo. Respondeu outro questionamento com uma nova pergunta à jornalista.

Obama tenta isolar, na nova relação com Cuba, os direitos humanos dos outros assuntos em discussão. O presidente norte-americano admitiu o desacordo, mas também disse que os EUA têm aliados que também possuem sistemas políticos diferentes e citou a China como outro país no qual existem profundas discordâncias nesse assunto e, entretanto, as relações estão normalizadas há décadas. Os direitos humanos, disse Obama, não arruinarão a aproximação, mas podem tornar o ritmo mais lento. O embargo, que depende do Congresso, “acabará, mas não tenho certeza quando isso ocorrerá”.

Oferenda

O dia começou com uma oferenda de flores ao monumento do poeta José Martí, herói nacional de Cuba. A banda militar cubana interpretou o hino dos Estados Unidos. Obama e sua delegação escutaram firmes, a mão no coração, com o cenário revolucionário da Praça da Revolução. A praça é uma vasta extensão livre, com influência soviética, rodeada de edifícios governamentais e com um pano de fundo icônico: as faces dos revolucionários Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos nas fachadas ministeriais.

Ao iniciar a visita oficial com a homenagem a Martí, Obama não só seguiu a tradição de outros chefes de Estado que visitam Havana. Também enviou um sinal forte. “É uma forma de honrar os cubanos sem passar pela revolução”, disse após a homenagem o jornalista Jon Lee Anderson, autor da monumental Che Guevara, Uma Biografia, obra de referência sobre a vida de Che Guevara. A homenagem a Martí mostra o respeito à soberania cubana frente às ingerências estrangeiras, incluindo a dos EUA. E é uma homenagem ao prócer da pátria, uma figura de unidade que vai além das ideologias, um herói que não é monopólio da revolução, venerado em Havana e Miami.

A reunião de Havana é a terceira entre os dois mandatários desde o anúncio simultâneo da normalização das relações em 17 de dezembro de 2015. As reuniões anteriores foram em abril no Panamá, durante a cúpula das Américas, e em Nova York, em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU. Nesse período, o ritmo do degelo foi mantido. Os dois países reabriram embaixadas e os EUA suavizaram as condições para se fazer negócios e viajar a Cuba. Ao mesmo tempo, a abertura política foi inexistente: o cálculo da Casa Branca é que, a longo prazo, a liberalização econômica acabe por impulsionar uma transição a um regime pluralista.
Contrastes

O contraste entre os dois líderes é visível. Obama é um afro-americano de 54 anos, um presidente eleito democraticamente cujo segundo mandato termina em janeiro. Castro tem 84 anos, é branco e foi um revolucionário, ministro da Defesa e sucessor de seu irmão Fidel na liderança de Cuba. Fixou 2018 como limite de seu mandato. A Casa Branca quis acertar a normalização com um Castro, a família que dominou o governo de Cuba nos últimos 57 anos. Se eles têm algo em comum, é sua aproximação no final de seus mandatos.

A reunião de Havana deve selar o fim de uma hostilidade de mais de meio século, que começou pouco depois da revolução de 1959 e viveu seus momentos mais tensos durante a tentativa de invasão de Cuba em 1961 e a crise dos mísseis soviéticos em 1962. Os EUA impuseram um regime de sanções – o embargo – que em grande parte continua vigente. A ocasião mostrou e mostrará cenas insólitas: desde o Air Force One, o avião presidencial norte-americano, aterrissando em Havana, até o presidente dos EUA entrando com todas as honras no Palácio da Revolução, sede do poder em Cuba.

A coreografia da visita de Obama é reveladora. Não irá se reunir com Fidel porque ele não tem nenhum cargo oficial, mas também porque é, mais do que o irmão menor, o símbolo da hostilidade com os EUA. Até o último minuto, existiu uma discussão sobre a possibilidade de se realizar uma entrevista coletiva conjunta. Os EUA pediam; o Governo cubano resistia. No jantar de estado na noite de segunda-feira não estão previstos discursos e brindes: tudo muito sóbrio, com pouco espaço para efusões.

Na parte da tarde, Obama participará de reunião com empresários norte-americanos. Na terça-feira Obama falará ao povo cubano em um discurso no Grande Teatro de Havana e depois irá se reunir com dissidentes e representantes da sociedade civil, todos escolhidos pela Administração Obama, segundo a Casa Branca. A visita irá se encerrar na partida de beisebol entra a equipe norte-americana Tampa Bay Rays e a seleção nacional de Cuba. O beisebol é o esporte nacional dos dois países, símbolo da conexão entre os povos que Obama vê como fundamental para a normalização definitiva das relações entre Cuba e os EUA.

mar
22


Temer, com Dilma ao fundo, na posse em 2015.
Marcelo Camargo/Agência Brasil

DEU NO EL PAIS

Carla Jiménez

São Paulo

O paciente está na UTI, mas adversários e parentes já discutem seu espólio. É mais ou menos isso que está acontecendo no Brasil neste momento. Depois que o Governo Dilma Rousseff foi abatido pela abertura de um processo de impeachment – e a rocambolesca novela da nomeação de Lula ministro –, a oposição e nomes do PMDB já falam abertamente sobre planos para o futuro num eventual Governo do vice Michel Temer, caso a presidenta seja afastada. Na leitura de quem está próximo do vice, se o impeachment é um fato quase consumado, o importante é contar com um projeto consistente e um time reserva para preencher as cadeiras que ficarão vazias na Esplanada dos Ministérios.

As especulações aumentam a bolsa de apostas sobre nomes que podem suceder o Governo petista. Nesta segunda, uma entrevista do senador José Serra ao Estado de São Paulo mostrou que o tucano já começou a debater cenários, o que já o colocou como um dos nomes cotados para assumir a Fazenda, por exemplo, caso a presidenta seja afastada. Seu partido, o PSDB, intensificou conversas com o PMDB há algumas semanas depois que o país entrou numa crise aguda com Lula no foco da Lava Jato.

Moreira Franco, ex-ministro da Aviação Civil do Governo Dilma, e muito próximo ao vice-presidente Michel Temer, também tem circulado com algumas propostas a tiracolo. Nesta segunda, ele esteve com empresários em São Paulo para defender o programa Uma ponte para o Futuro, com as diretrizes do PMDB para a economia.

Temer é o herdeiro natural dos 55 milhões de votos da presidenta, caso ela seja destituída nas próximas semanas ou meses no Congresso. Prefere se manter discreto, fugindo do tiroteio de informações, para evitar interpretações duvidosas sobre seu modo de agir neste momento delicado. Ainda mais depois do episódio da carta à presidenta, em dezembro do ano passado, quando expôs seu descontentamento dentro do Governo e foi visto como oportunista e conspirador por tentar de descolar da presidenta. Agora que a situação de Dilma chegou ao limite, não quer passar recibo de ‘golpista’ por ajudar a empurrar ao precipício um governo que está no limite.

A bolsa de apostas de ministeriáveis para Temer tem nomes para todos os postos chaves, segundo fontes de Brasília. Os nomes de José Serra e do economista Mansueto de Almeida, por exemplo, foram aventados para uma equipe econômica voltada a implementar o ajuste fiscal que Dilma não conseguiu fazer a contento neste segundo mandato. Entram no balão de ensaio, ainda, nomes como o de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo para o Ministério do Desenvolvimento, Nelson Jobim para a Justiça, e Eliseu Padilha para a chefia da Casa Civil.

Na entrevista ao O Estado São Paulo, Serra mostrou desenvoltura para falar sobre o futuro do Brasil. “O PSDB será chamado [a participar de um novo Governo] e terá a obrigação de participar”, disse ele, lembrando que as duas áreas mais críticas atualmente no Brasil são a economia e saúde. Por coincidência, duas áreas nas quais foi ministro (Planejamento e Saúde) nos tempos do Governo de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 2002). O senador, que já concorreu à presidência da República duas vezes (foi derrotado por Lula em 2002, e por Dilma em 2010), chegou a sugerir que o o atual vice peemedebista não dispute reeleição em 2018 caso chefie este Governo de transição.

Temer toma distância das especulações. Nesta segunda, soltou uma nota em clara resposta à entrevista de Serra. “Michel Temer não tem porta-voz, não discute cenários políticos para o futuro governo e não delegou a ninguém anúncio de decisões sobre a sua vida pública”, afirmou. O recado é duro para preservá-lo dos holofotes, mas nos bastidores ele conversa com interlocutores de todas as cores partidárias. “Ele se faz de morto para aparecer mais vivo do que nunca quando for convocado a entrar em campo”, diz um observador próximo.

Seus gestos precisam ser cirúrgicos, ainda, diante da possibilidade de o PMDB anunciar o desembarque do Governo Dilma no próximo dia 29. Temer ficaria onde está, nesse caso, até porque não tem outra alternativa, desde que a ampulheta do impeachment começou a correr. Se virar realidade, as expectativas de tirar o país do buraco vão recair sobre seus ombros. Por isso, já estaria discutindo alguns nomes caso a bomba de um governo de transição caia nas suas mãos. Do dia para a noite terá de tomar decisões sobre a dura recessão econômica, lidar com uma Olimpíada pela frente, e uma epidemia de zika vírus: precisará ter habilidade para desarmar essa bomba com rapidez.

Tudo ainda está no terreno das possibilidades e ninguém dá como favas contadas um desfecho em específico. Mas, pelo perfil do vice-presidente, é certo que ele negociaria com seus pares para restaurar o ambiente de governabilidade imediatamente. Se presidente, avalia-se, manteria intactas, por exemplo, as engrenagens que alimentam a Lava Jato, ou seja, a Procuradoria Geral da República, o Ministério Público e a Polícia Federal. Um campo minado também para o atual vice, que também foi citado no esquema da Petrobras pelo senador Delcídio do Amaral em delação premiada.
Corrida contra o tempo

Enquanto isso, a presidenta Dilma corre contra o tempo para sair da UTI. Sem poder contar com Lula, seu principal aliado e mentor, Dilma nesta segunda-feira um apelo aos seus ministros e pediu o empenho deles na tentativa de barrar o impeachment que tramita no Congresso. Essa função seria principalmente de Lula, que está impedido ainda de assumir a Casa Civil.

A presidenta lotou sua agenda de encontros políticos. Após a tradicional reunião de coordenação, da qual participaram oito ministros, ela chamou em seu gabinete representantes de outras legendas que não estavam no encontro. Chegou-se a aventar também a possibilidade de investir numa reaproximação com o vice, agora que as relações andavam frias. Um quadro insólito. Do dia para a noite, a presidenta e o vice, que convivem há seis anos, se veem como concorrentes. Diante de um cenário tão sui generis, o Brasil não sabe qual dos dois será presidente da República nos próximos meses.

mar
22
Posted on 22-03-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 22-03-2016


Sinfrônio no Diário do Nordeste (CE)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“O diálogo maldito”

Carlos Velloso, que foi presidente do STF e do STJ, deu uma importante entrevista à coluna de Sonia Racy, no Estadão.

Questionado se Sergio Moro cometeu um abuso ao divulgar o grampo entre Lula e Dilma Rousseff, ele respondeu:

“Penso que não. A Constituição consagra o princípio da publicidade dos atos processuais, ao estabelecer, no art. 5º, LX, que “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.” Ora, as gravações estão nos autos, constituem atos processuais e o processo é público. O telefone que estava grampeado era o do investigado. A presidente telefonou para o investigado e veio para os autos o diálogo maldito, que deve ser avaliado pelo Ministério Público. E este, se entender que houve a prática de crime por parte da presidente da República e de novo crime por parte do investigado, pedirá a remessa das peças ao Supremo. O juiz Moro está conduzindo as ações penais com severidade, o que é bom, mas com critério e com respeito ao devido processo legal”.

Carlos Velloso também defendeu o fim do foro privilegiado:

“O foro privilegiado é algo não condizente com a república. Considero-o ofensivo aos princípios republicanos e aplaudo decisões do Supremo que não o admitem e que mandam para o juízo de 1º grau quem, pela Constituição, não detém o privilégio. Quando estava no Supremo eu já o classificava como uma excrescência. Temos esse foro por termos tido monarquia, que se caracteriza pelas distinções, pelos privilégios. Os Estados Unidos, que sempre foram república, não o conhecem”.

E atacou Lula por ter cobrado gratidão de Rodrigo Janot:

“Não faz sentido falar em ministros do FHC, do Lula, do Collor… Nenhum ministro chega ao Supremo de graça. Geralmente chega com uma biografia construída ao longo de anos. Ele pode ser grato a quem o nomeou, mas gratidão não se confunde com servilismo ou sacrifício da consciência. Quem chega à corte com uma biografia não vai querer emporcalhá-la. Só se for um idiota. E um idiota não deveria estar lá. Somente um presidente mau caráter seria capaz de pedir ao ministro que indicou algo capaz de emporcalhar sua consciência e sua biografia”.

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