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DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Lula passa Semana Santa com medo de Moro

Se o grande medo do ex-presidente Lula é a “república de Curitiba”, ele pode começar a tremer, porque não será na semana que amanhã se inicia – santa na tradição cristã – que o Supremo Tribunal Federal julgará a liminar concedida ontem à noite pelo ministro Gilmar Mendes colocando-o nas mãos do juiz Sérgio Moro.

Com a dedicação que vem demonstrando na condução do processo, o magistrado paranaense poderá aceitar a denúncia contra Lula e fazê-lo réu, o que descartaria a possibilidade de ele ser nomeado para o ministério, mesmo que Moro não chegue ao extremo de decretar sua prisão preventiva.

A decisão do ministro Gilmar Mendes é apenas mais uma demonstração de que o sistema no poder vive de remendos no seu agônico esforço para escapar de apreciação dos crimes que vem cometendo, e não é de agora. Esse espírito na indicação de Lula foi percebido pela nação de imediato, bem antes que os grampos viessem prová-lo.

Nesse sentido, o discurso da presidente Dilma, ontem, em Feira de Santana, constitui-se numa peça de engodo para colocar uma névoa sobre os fatos. Diante de uma multidão que lá estava para receber suas casas que não são nenhum tríplex, o desespero levou-a a acusar o juiz Moro de grampeá-la ilegalmente, uma mentira deliberada e inconsequente.

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Wagner transita de “gentleman” a valentão

A propósito, o telefonema entre o presidente do PT, Rui Falcão, e o ministro Jaques Wagner, a partir de um aparelho vigiado do Instituto Lula, eliminou qualquer sombra de dúvida que pudesse haver quanto ao objetivo de conceder ao ex-presidente foro privilegiado para livrá-lo da ameaça mais iminente – a “república de Curitiba”.

Como isso era senso comum, outro aspecto da conversa assume uma importância que, entretanto, não se refletiu proporcionalmente no noticiário que se seguiu, aparecendo como uma simples parte da gravação.

Foi quando Wagner, instado por Falcão sobre como agir se a juíza Priscila Veiga acatasse o pedido de prisão preventiva de Lula feito pelo Ministério Público paulista, sugeriu: “Eu acho que tem que ficar cercado em torno do prédio dele e sair na porrada, Rui”.

No Brasil, o chefe da Casa Civil – que ele era naquele momento – é a segunda pessoa da administração federal, podendo até assinar atos em lugar do presidente. Fazer uma barreira de pessoas num local para impedir uma prisão legal passa de “atrapalhar a investigação”. É desacatar, com a promoção da violência, uma ordem judicial.

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Comentários

Jader martins on 20 Março, 2016 at 7:48 #

Janio de Freitas na FSP:
Talvez sem volta
20/03/2016

Se fosse preciso, para o combate à corrupção disseminada no Brasil, aceitar nos Poderes algumas ilegalidades, prepotência e discriminações, seria preferível a permanência tolerada da corrupção. Os regimes autoritários são piores do que as ditaduras, ao manterem aparências cínicas e falsos bons propósitos sociais e nacionais, que dificultam a união de forças para destituí-los.

A corrupção é um crime, como é um crime o tráfico de drogas, como o contrabando de armas é crime, como criminoso é –embora falte a coragem de dizê-lo– o sistema carcerário permitido e mantido pelo Judiciário e pelos Executivos estaduais. Mas ninguém apoiaria a adoção de um regime autoritário para tentar a eliminação de qualquer desses crimes paralelos à corrupção.

A única perspectiva que o Brasil tem de encontrar-se com um futuro razoavelmente civilizado, mais organizado e mais justo, considerado entre as nações respeitáveis do mundo, é entregar-se sem concessões à consolidação das suas instituições democráticas como descritas, palavra por palavra, pela Constituição. Talvez estejamos vivendo a oportunidade final dessa perspectiva, tamanhas são a profundidade e a extensão mal percebidas mas já atingidas pela atual crise.

Apesar desse risco, mais do que admiti-las ou apoiá-las, estão sendo até louvadas ilegalidades, arbitrariedades e atos de abuso, inclusive em meios de comunicação, crescentes em número e gravidade. Os excessos do juiz Sergio Moro, apontados no sensato editorial “Protagonismo perigoso” da Folha (18.mar), e os da Lava Jato devem-se, em grande parte, à irresponsabilidade de uns e à má informação da maioria que incentivam prepotência e ódio porque não podem pedir sangue e morte, que é o seu desejo.

Moro e seus apoiadores alegam que as gravações clandestinas foram legais porque cobertas por (sua) ordem judicial, válida até 11h12 da quinta 17. Dilma e Lula foram gravados às 13h32. Esta gravação sem cobertura judicial foi jogada para culpa da telefônica. Mas quem a anexou como legal a um inquérito foi a PF, em absoluta ilegalidade. E quem divulgou a gravação feita sem cobertura judicial foi o juiz Sergio Moro, cerca de 16h20.

Na sua explicação que seguiu a divulgação, porém, Moro deixou a evidência que desmonta seu alegado e inocentador desconhecimento daquele “excedente” gravado. Ao pretender justificá-lo como informação aos governados sobre “o que fazem os governantes” mesmo se “protegidos pelas sombras”, comprovou que sabia da gravação sem cobertura ilegal, de quem estava nela e do seu teor. E tornou-a pública, contra a proibição explícita da lei.

A ilegalidade foi ampliada com a divulgação, em meio às gravações, dos telefones particulares e das conversas meramente pessoais, que Moro ouviu/leu e, por lei, devia manter em reserva, como intimidades protegidas pela Constituição. E jornais em que a publicação de pornografia e obscenidades está liberada, para pasmo da memória de Roberto Marinho, atacam a “falta de decoro” das conversas pessoais.

O STF decidiu desconectar as ações sobre contas externas de Eduardo Cunha e de Cláudia Cruz: a dela foi entregue a Moro. No mensalão, em 38 julgados no STF só três tinham foro privilegiado. Os demais foram considerados conexos. Há duas semanas, o STF manteve em seu âmbito, como conexos, os processos do senador Delcídio e o do seu advogado. Por que a decisão diferente para Cruz? A incoerência não pode impedir suposições de influência da opinião pública, por se tratar de Cunha e sua mulher.

Ainda no Supremo, Gilmar Mendes, a meio da semana, interrompeu uma votação para mais um dos seus costumeiros e irados discursos contra Dilma, o governo, Lula e o PT. Seja qual for a sua capacidade de isenção, se existe, Mendes fez uma definição pessoal que o incompatibilizaria, em condições normais, para julgar as ações. Assim era.

Muitos sustentam, como o advogado Ives Gandra, que “a gravação [a ilegal] torna evidente que o intuito da nomeação [como ministro] foi proteger Lula”, o que justificaria o impeachment. Foi o mesmo intuito da medida provisória de FHC que deu ao advogado-geral da União título de ministro para proteger Mendes, com foro especial, contra ações judiciais em primeira instância. Uns poucos exemplos já mostram a dimensão do que se está arruinando no Brasil, talvez sem volta.


Jader martins on 20 Março, 2016 at 8:52 #

Caro Luis Augusto, O que tem a comentar sobre o texto do Janio de Freitas? Argumentos , pois é contrário ao seu texto.


Taciano Lemos de Carvalho on 20 Março, 2016 at 12:11 #

Caro Luís Augusto:

Não precisa comentar sobre o texto de Rui Martins. Mas que o texto é muito bom, é. Vale ser lido.

RUI MARTINS: “O AUTOGOLPE DE DILMA”.

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/03/rui-martins-o-autogolpe-de-dilma_20.html


Jader martins on 20 Março, 2016 at 12:19 #

Estou sentindo neste blog que está faltando “o bom combate”. Carta de Paulo : Quanto a mim, já fui oferecido em libação, e chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo juiz, naquele dia; e não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor sua aparição (2Timóteo 4,6-8). Já citei ( e pedi o contraditório) vários nomes de comentaristas e autores do BP e vejo um silêncio preocupante !!!!
A cara dos golpistas:
http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/geral/genial-a-folha-tucana-lanca-moro-pelo-psdb/
Vamos resistir!!Acabamos com o espetáculo e vamos acabar com outros!
http://www.viomundo.com.br/denuncias/em-musical-de-chico-buarque-claudio-botelho-faz-intervencao-contra-dilma-plateia-grita-nao-vai-ter-golpe-e-interrompe-sessao.html
Tim,tim.


Jader martins on 20 Março, 2016 at 12:27 #

Caro Vitor , Por que tanta demora em publicar meu comentário?
Att.
jader


Taciano Lemos de Carvalho on 20 Março, 2016 at 13:34 #

Canalhas! Pelo WhatsApp, bandidos da direita falsificam mensagem do ex-ministro Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa Conta verificada ?@joaquimboficial
https://twitter.com/joaquimboficial/status/711589603749339136?lang=pt

Comunicado: não é minha a voz contida em áudio veiculado em redes sociais desde ontem. É falsificação pura. JB.


Taciano Lemos de Carvalho on 20 Março, 2016 at 14:23 #

Quer ouvir a canalhice? O vídeo falso?

https://youtu.be/-7DMp4ouK60


Taciano Lemos de Carvalho on 20 Março, 2016 at 14:25 #

Correção: O áudio falso…


luís augusto on 22 Março, 2016 at 7:35 #

Caro Jader, acabei respondendo a um comentário seu em outra matéria, não nesta, onde seria o certo. Por isso, achando que você não leu, repito abaixo o que disse. Abraços, Luís.

Dá gosto ler um balanço tão esclarecedor do quadro como esse do El País. Aproveito-o para dizer ao caro Jader algumas palavras que ele me solicitou no comentário ao artigo de Jânio de Freitas em artigo anterior.

Admiro seu posicionamento, sinceridade e engajamento, mas a monstruosidade da situação (em tamanho e forma) torna irrelevantes tecnicalidades outras. É como – caso tenha ocorrido mesmo – se um pequeno deslize servisse para encobrir milhões de outros e proteger pessoas que não tiveram o zelo devido com o dinheiro público que lhe foi confiado.

Ouso dizer, como força de expressão, que se Fernando Henrique, em quem jamais votei, tivesse roubado tanto, não seria tão grave quanto o PT e Lula.

Lula teve três votos meus, o PT teve mais de 20, portanto me sinto pelo menos insuspeito para qualquer crítica.

Por Lula fiz campanha no segundo turno de 89 e no primeiro de 98. Já em 2002, com uma ideia mais consolidada, dizia a meu querido colega Adilson Borges, petista roxo, na Redação de A Tarde, que nele votaria no segundo turno “sob ressalvas” e, de fato, me decepcionei logo no início do governo com a volta da propaganda de cigarro na Fórmula 1.

O PT exigia autocrítica de quem quisesse filiar-se e simplesmente não interagia com outras forças políticas, sendo famosa a prática do partido de só receber apoio, jamais dar. A legenda se construiu como a guardiã feroz da ética e da defesa dos verdadeiros interesses populares e contentou em construir isso que temos aí, que não era meu sonho de juventude (há muitas décadas).

No passado a enxergávamos como um instrumento importante na luta do povo brasileiro, talvez sem compreender a extensão da definição do velho Brizola, de que se tratava da “UDN de tamancos”.

Por minha posição, por coincidência, fui chamado por um colega esquerdista de “udenista”, enquanto eu acho que a UDN nunca conseguiria desmoralizar a esquerda brasileira como Lula e o PT conseguiram.


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