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Posted on 19-03-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-03-2016

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Terminou por volta das 19h30 a “passeata pela democracia” em Salvador. O ato começou no início da tarde de hoje (18), no Campo Grande, área central da cidade, e seguiu até a Praça Castro Alves. Segundo a Polícia Militar, que acompanhou o movimento, cerca de 70 mil pessoas participaram da manifestação contária ao impeachment e ao juiz Sérgio Moro e “a favor da democracia”.

Estudantes, representantes de movimentos sociais e centrais sindicais foram acompanhados por um trio elétrico levando bandeiras do Brasil e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), organizadora do ato. Frases como “Não vai ter golpe” foram entoadas entre os manifestantes, que carregavam bandeiras, cartazes e faixas em apoio ao governo da presidenta Dilma.

A manifestação reuniu militantes, estudantes e representantes de centrais sindicais e movimentos sociais de várias cidades do interior da Bahia.

“Hoje é dia de festa para a democracia, porque a população brasileira quer defender o país e quer que continue a distribuição de renda e a inclusão social. As pessoas vieram dizer sim à democracia e não ao golpe. São homens, mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, jovens e crianças dizendo não ao golpe”, informou o presidente da CUT na Bahia, Cedro Silva, pouco antes do início da passeata.

Durante o percurso, na Avenida Sete de Setembro, estudantes e integrantes da Frente Popular da Juventude realizaram um jogral, encerrado com a frase “Dizemos não ao golpe e seguiremos em marcha”.


Tarcisio Meira: brilho no começo de “Velho Chico”…


…Dilma e Lula: agora é tarde.

ARTIGO DA SEMANA

“Velho Chico”: antídoto da TV no ninho de serpentes

Vitor Hugo Soares

As imagens, diálogos, desempenhos e direção das cenas de abertura de “Velho Chico”, somados ao desenrolar dos primeiros capítulos do novo folhetim das 9h, da TV Globo, apontam para outro marco da teledramaturgia nacional, no meio da crise política, moral e econômica, e da geléia geral que os jornais do Brasil e do mundo anunciam. Não poderiam ser mais belos, ardentes e emblemáticos, em sua composição cênica e conteúdo de textos e contextos humanos, amorosos, religiosos e sociais. Magnífico painel, também, de desempenhos artísticos, a começar pela breve mas gloriosa passagem de Tarcísio Meira.

Pelo empolgante cartão de visita, a nova história levada à telinha, por Benedito Ruy Barbosa, tem um atrativo a mais: apresenta-se como oportunidade – cada vez mais rara nestes dias de tumultos, diálogos rasteiros e escatológicos de governantes, ministros, parlamentares, ex-primeira dama, que até então parecia um túmulo de silencio e recatamento, entre outros -, para confrontar e refletir sobre “dois brasis” que há décadas se encaram sem se ver mutuamente.

O de Brasília (da presidente sob tutela e quase desvario, como se viu nesta sexta-feira, 18, em Feira de Santana) e o de Paulo Afonso: simbólica cidade nordestina relegada ao esquecimento, na tríplice divisa da Bahia com Alagoas e Pernambuco.

Esquecimento que este jornalista imagina, há muitas décadas, ser algo venenoso e grosseiramente proposital. Política, administrativa e ideologicamente planejado, em razão da origem getulista do lugar onde nos anos 50 se construiu,no esturricado Nordeste, a hidrelétrica da CHESF. Marco da engenharia nacional, da modernização e desenvolvimento do País, da visão governamental em perspectiva de futuro, além da força insuperável de seus trabalhadores e da sua gente.

Tudo o que governos, administradores e partido míopes (para dizer o mínimo) – do tipo dos que nos comandam atualmente – mais abominam, estupidamente. Afinal, julgam-se os criadores e fundadores de tudo, ou quase. Não só pensam como propagam, a exemplo do que fez Dilma, ontem, na Bahia, que o Brasil começou no ABC paulista, ou mais propriamente, há cerca de 14 anos, quando Lula, fundador e guia do PT aportou no Palácio do Planalto.

Digo em imitação e tributo ao conterrâneo jornalista Sebastião Nery, na magnífica introdução de “Rompendo o Cerco” (dos discursos, pensamentos em Decálogo do Estadista, de Ulysses Guimarães) repetido no título de seu livro mais recente: “Ninguém me contou, eu vi”. Nascido nas barrancas baianas do São Francisco, vivi os melhores e mais reveladores anos da minha infância e formação na cidade de Santo Antonio da Glória, município que abrigava Paulo Afonso como um de seus distritos – no Governo Getúlio Vargas – quando começou a formação do formigueiro humano na beira da cachoeira, para a construção da barragem monumental e da usina da Companhia Hidrelétrica do São Francisco.

Estava na praça central da Vila Poty, aos 10 anos de idade, quando o serviço de alto falante local deu a notícia do suicídio de Vargas. Jamais vi, no coração de uma cidade e nos olhos de um povo, tamanha dor e consternação. Vi, em seguida, o presidente Dutra continuar a construção e estava na mesma praça no dia em que o presidente Café Filho desceu no aeroporto para inaugurar a obra monumental.

Depois vieram anos seguidos de esforços políticos e ideológicos de governos diferentes, (em fases ditatoriais ou democráticas), para jogar tudo isso no fosso do esquecimento mais medíocre e sorrateiro. Coisa de serpentes, de jararacas, para usar como referência a cobra da mod aneste quase final de Quaresma de um Brasil em transe.

De repente, eis que a novela das nove redescobre o rio da minha aldeia, e coloca Brasília e Paulo Afonso diante um do outro, com toda a força histórica e simbologias. A exemplo do folhetim “Lampião e Maria Bonita”, com todos os conflitos das grandes paixões amorosas e da política, no Raso da Catarina, deserto nordestino e santuário ecológico, habitat de serpentes, mas também de doces umbus, araticuns e outras frutas típicas. Ao lado de belas flores exóticas que nascem e crescem à beira de cavernas, onde Lampião e seus cangaceiros se abrigavam das “volantes” policiais, e Maria Bonita se enfeitava no pouso entre combates.

No começo da novela, o Brasil atravessa o ano de 1968, aquele que não terminou. E aparece um rio que não existe mais: as águas correm fartas, caudalosas e livres como as que passavam quase no quintal da casa da minha infância em Glória. A cidade original, por sinal, também desapareceu. Foi tragada pelas águas do lago artificial formado quando da construção de uma das usinas da CHESF, já na época da ditadura. A Nova Glória virou um bairro na periferia de Paulo Afonso. E aí se inicia a exploração selvagem, predatória e devastadora do rio.

Que só se agrava ao passar do tempo: o rio se transforma em reservatório de exploração político eleitoral e grossa corrupção no conluio do antes públicos com grandes empreiteiras privadas, principalmente nos últimos 14 anos dos governos petistas de Lula e Dilma. Anos do engodo do projeto de transposição das águas do São Francisco. “Velho Chico”, a novela, começa a se desfiar a partir de uma lenda, “que une a história do rio com o foco da trama”, sintetiza o autor. “Uma índia chora de saudade de seu grande amor, um guerreiro. Das suas lágrimas, surge a nascente do São Francisco”, escreve uma comentarista de TV. Em 1968, (época retratada no início da novela) as águas do rio eram fartas. Muitas famílias castigadas pela seca foram para as regiões banhadas pelo São Francisco, fugindo da fome, da sede, da miséria. A partir de uma lenda, a novela une a história do rio com o foco da trama, o amor.

Na telinha, o impacto de realidade na abertura do novo folhetim da Globo. Caetano Veloso canta “Tropicalia”, uma composição marcante gravada em 68, com a força, intensidade e atualidade de uma música que o baiano de Santo Amaro da Purificação tivesse feito ontem: “Sobre a cabeça os aviões/ Sob os meus pés, os caminhões/ Aponta contra os chapadões, meu nariz./ Eu organizo o movimento/ Eu oriento o carnaval/ Eu inauguro o monumento/ No planalto central do país”.

E segue “Velho Chico” em seus primeiros e significativos momentos. De impacto, relevância e simbologias, ainda mais marcantes pelas possibilidades de reflexões e comparações que o folhetim oferece, nestes dias de março de 2016, nesta semana de revelações, espantos e explosões indignadas nas ruas do Brasil. Mais que recomendável uma novela assim. No tempo em que as serpentes andam soltas e que o procurador Deltan Dellagnol, da Lava Jato, define, com ajuda do juiz Sérgio Moro, como época da “guerra desleal e subterrânea, travada nas sombras, longe dos tribunais”.

Que “Velho Chico” e a força do rio da minha aldeia (mesmo que sangrando de morte) ajudem a lançar luzes sobre os atuais tortuosos e temerários caminhos do Brasil. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares@1.com.br

Vai em memória de dona Jandira, minha mãe, onde ela estiver, em recordação da sua grande devoção por São José, a vida inteira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO G1/ O GLOBO

Mariana Oliveira

Da TV Globo, em Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes suspendeu nesta sexta-feira (17) a nomeação para a Casa Civil do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tomou posse nesta quinta (16). A decisão foi proferida em ação apresentada pelo PSDB e pelo PPS.

Na decisão, o ministro afirma ter visto intenção de Lula em fraudar as investigações sobre ele na Operação Lava Jato. O petista ainda pode recorrer da decisão ao plenário do Supremo.

Além de suspender a nomeação de Lula, Gilmar Mendes também determinou, na mesma decisão, que a investigação do ex-presidente seja mantida com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância judicial.

O ex-presidente Lula tomou posse nesta quinta-feira (17), pouco antes de 10h40, como novo ministro-chefe da Casa Civil em cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado da presidente Dilma Rousseff. Cerca de uma hora depois, o juiz federal Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara do Distrito Federal, suspendeu a posse por meio de uma decisão liminar (provisória).

Outras decisões semelhantes, em outras Varas de Justiça, também foram proferidas e cassadas por Tribunais Federais. Com a decisão de Gilmar Mendes, acaba o impasse de decisões divergentes nas instâncias inferiores da Justiça.

“O objetivo da falsidade é claro: impedir o cumprimento de ordem de prisão de juiz de primeira instância. Uma espécie de salvo conduto emitida pela Presidente da República”, afirma Gilmar na decisão.

“Pairava cenário que indicava que, nos próximos desdobramentos, o ex-Presidente poderia ser implicado em ulteriores investigações, preso preventivamente e processado criminalmente. A assunção de cargo de Ministro de Estado seria uma forma concreta de obstar essas consequências. As conversas interceptadas com autorização da 13ª Vara Federal de Curitiba apontam no sentido de que foi esse o propósito da nomeação”, diz o ministro em outro trecho.

Em meio ao julgamento do recurso da Câmara à decisão do rito de impeachment, o magistrado ressaltou que a nomeação do ex-presidente para o primeiro escalão deixa “muito mal” a Suprema Corte.

Já na quinta, o ministro do Supremo também afirmou que a conversa entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva interceptada pela Operação Lava Jato pode caracterizar crime de responsabilidade, o que poderia embasar um processo de impeachment.

“Se houver avaliação de que se trata de medida para descredenciar a Justiça, obstrução de Justiça certamente está nos tipos de crime de responsabilidade. Pode ter outros dispositivos aplicáveis da legislação penal”, afirmou Mendes.

A fala da presidente foi gravada numa interceptação telefônica autorizada e divulgada nesta quarta-feira pelo juiz Sérgio Moro, dentro das investigações da Lava Jato.

Segundo investigadores, o diálogo sugere que a presidente atuou para impedir a prisão de Lula, que é investigado na operação. Em diversos trechos da decisão de suspender a nomeação de Lula, Gilmar Mendes cita conversas interceptadas no telefone do ex-presidente.

Sobre a conversa entre Dilma e Lula, na qual a presidente diz ao ex-presidente para só usar o termo de posse “em caso de necessidade”, o ministro afirma que “a conduta demonstra não apenas os elementos objetivos do desvio de finalidade, mas também a intenção de fraudar.”

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Ex-presidente repete roteiro chulo de Collor

Em 1992, na semana que antecedeu sua cassação – frustrada na última hora pela renúncia –, o então presidente Fernando Collor teve uma festinha de solidariedade promovida por um deputado do Paraná, de nome Onaireves Moura, e nela fez um pronunciamento repleto de palavrões.

Não por acaso, o ex-presidente Lula demonstra agora o mesmo desequilíbrio, pois sabe que se aproxima a hora em que, afinal, vai acertar contas com a história. É um momento em que ele só é superado em destempero verbal pelo seu tarefeiro predileto, Jaques Wagner, que, de graça, como se diz, atacou a OAB, referindo-se a seu presidente como “filho da puta”.

Se a situação de Lula já era deplorável, agravou-se sensivelmente com o turbilhão de ofensas que desancou contra o Supremo Tribunal Federal, não sendo um grande risco afirmar que sua prisão, pelo menos por evidente tentativa de obstrução da Justiça, pode ser decretada ainda esta semana pelo “foro privilegiado” que ele próprio buscou.

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Posted on 19-03-2016
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Sinovaldo, no jornal NH (RS)

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