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Postado em 18-03-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-03-2016 00:29


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

De cima, Lula escarnece da sua história

A coletânea de frases de Lula nos grampos telefônicos é um primor, mas uma, especialmente, chama a atenção: é quando ele diz, em conversa com um irmão, que ficaria “escondido” em casa porque na porta haveria “um monte de peão pra bater nos coxinha” (sic) e que, “se os coxinhas aparecer” (sic) “vão levar tanta porrada que eles nem sabem o que vai acontecer”.

Para melhor esclarecimento, informe-se que “coxinha” é uma gíria correspondente, também, ao antigo “almofadinha”, aplicada atualmente para definir pessoas empenhadas na luta contra o poder do PT. Lula usa como massa de manobra os manifestantes que vão defendê-lo em domicílio e demonstra evidente descaso até com a segurança deles, pois sugere a ocorrência de um confronto físico.

Mais que um simples elitismo, a declaração causa repulsa pelo fato de que Lula, durante toda a sua vida antes de meter-se em política, foi um peão, com todos os estereótipos incorporados a essa figura que, afinal, é quem constrói a riqueza sem recebê-la, pois apropriada será pelos “burgueses” que, praticamente, o escravizam.

Lula foi flagrado nesse ato cínico pela decisão de um juiz de informar à sociedade o que “os governantes fazem protegidos pelas sombras”, mas não se trata de nenhum conceito que o “ministro” não emita abertamente e até com deboche, como quando declarou, no depoimento à Polícia Federal, que o tríplex do Guarujá não era grande coisa, parecia até obra do Minha Casa Minha Vida.

Ora, esse é o programa habitacional popular que produziu mais de 4 milhões de imóveis, sendo usado frequentemente como grande trunfo eleitoral dos governos do PT, tanto o federal quanto os estaduais e os municipais. As palavras de Lula exibem claramente o verdadeiro pensamento que ele tem sobre a qualidade das moradias que propicia ao segmento mais pobre, cuja posse, para ele, seria, portanto, uma ofensa.

Essa é a marca definitiva de um período governamental no país sustentado pela demagogia. Em vez da busca do compromisso histórico de transformação que assumiram, os governos petistas promoveram remendos sociais, frágeis ao mais leve vento, enquanto as classes dominantes continuaram enriquecendo e, como se vê hoje, criando, com os detentores do poder igualmente locupletados, um universo promíscuo que ameaça o país.

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Autosserviço

Uma das missões do ministro-chefe da Casa Civil é orientar o presidente para a legalidade das medidas que toma.

Nesse caso, se fosse cumpri-la corretamente, Lula teria de sugerir a Dilma a revogação do próprio ato que o nomeou.

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Nota Vermelha

O novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, estreou dando aula ao juiz Sérgio Moro. Vamos aguardar quem será reprovado após os exames.

O Batista da Esplanada

“É bom pra a nega aprender”, disse Wagner quando informado por Lula dos xingamentos que a senadora Marta Suplicy, que trocou o PT pelo PMDB, recebeu nas manifestações do último domingo.

“Falou”, disse Wagner a Lula em resposta às providências que deveria tomar para levar a presidente Dilma a, de alguma forma, interferir nas medidas que a ministra Rosa Weber tomaria em relação a ele, Lula.

“Tá bom, um beijo na Marisa e nos meninos”, disse Wagner a Lula, em mais uma melancólica demonstração, travestida de bons modos, de subserviência e disposição completa para atender aos caprichos do chefe.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 18 Março, 2016 at 8:21 #

E o bravo envarandado era apenas um doce “meu querido”!

Tanta pose, tanta circunstância, terminou assim. Começou como mordomo da Base de Aratu, fazendo bico como governador. Prudente, conseguiu uma vaguinha no quartel, mas a vocação para “diva no planalto”, o levou à fatídica “Casa da Mãe Joana”, quer dizer Civil. Agora com a chegada do mestre e senhor, como bom submisso recolhe-se , de novo como mordomo, sem o doce mar baiano, sem poder, em dias endiabrados, emprestar lanchas de “amigos” para a madame passear.

Percalços do sindicalismo de resultados, por sorte, ainda detém a doce varanda conquistada.


luiz alfredo motta fontana on 18 Março, 2016 at 8:59 #

E por falar em tragédia wagneriana…

Merece acordes monumentais, além do brilho de um “heldentenor”, um “tenor heroico” digno da escola wagneriana, o drama a que se lançou o “sindicalista envarandado”.

Para adequar o novo posto às agruras do momento, Madame Dilma editou a MP 717, criando o cargo de Ministro de Estado Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República, afinal é crucial escapar das eventuais garras de Moro, aquele ser mitológico residente nas escarpas paranaenses.

E Wagner, em sua trágica aventura de submisso renitente, acreditou estar a salvo, esquecendo, talvez por vício de origem, que a tal MP padece de ser acolhida no, hoje incerto, congresso nacional, nas duas casas, como é de estilo e norma.

Já ecoa nos corredores e salões do senado federal, vozes dissonantes, prevendo a queda da tal medida, por ferir de morte a celebração havida a poucos dias, 9 e março, de MP que extinguiu parcos ministérios.

Wagner começa a suar frio, a “morofobia” apresenta seus primeiros sintomas.

Apeado da “Casa de Mãe joana”, convertido novamente à condição servil de mordomo, sem sequer ter a certeza de que continuará ministro, portanto imune aos sortilégios assombrosos vindos das profundezas do Paraná!

É drama para orgulhar o Wagner original.


luiz alfredo motta fontana on 18 Março, 2016 at 10:27 #

E Wagner tem seu dia de leão de chácara…

Embora more na varanda, age como se a rinha fosse seu habitat.

Aqui a reprodução de um doce e amoroso diálogo, com seu irmão de fé e candura Rui Falcão:

Presidente do PT pede que Wagner interfira em decisão sobre pedido de prisão de Lula
“Toma a decisão de estado maior aí”. Rui Falcão pede, ainda, que Wagner alerte Dilma
FLÁVIA TAVARES
16/03/2016 – 21h33 – Atualizado 16/03/2016 21h33
(Época)

No dia 10 de março, às 17h34, o presidente do PT, Rui Falcão, fala com o ministro Jaques Wagner no telefone do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela tarde, os promotores do Ministério Público de São Paulo haviam pedido a prisão preventiva de Lula. Falcão diz a Wagner: “Acho que tem que vir alguém para cá, se mexer aqui também”. Wagner responde: “Alguém quem?”. Falcão descarta o “ministro da Justiça”, mas completa: “Alguma iniciativa vocês precisam tomar. Porque está na mão de uma juíza da quarta vara que não sabe quando toma a decisão”. Mais adiante, Falcão pergunta o que aconteceria se o ex-presidente fosse nomeado ainda naquela quinta-feira. E, por fim, pede para Wagner alertar a presidente. “Toma a decisão de estado-maior aí.” Leia o trecho do diálogo:

Rui Falcão: Oi, Jaques. O louco do Conserino aqui pediu a preventiva do Lula.
Jaques Wagner: É, eu vi, p**a.
Rui: Sim, e vocês vão deslocar alguém pra cá, como é que é?
Jaques: Deslocar em que sentido?
Rui: Não, acho que tem que vim alguém pra cá, p**a, pra se mexer aqui também.
Jaques: Mas alguém quem? Só pra eu entender. Não, que eu não tô raciocinando.. (Ininteligível)
Rui: Não tem ministro da justiça, não tem.
Jaques: Não, tem ministro da justiça. Ele tá no ministério. Claro. Ele tá no posto.
Rui: Alguma iniciativa vocês precisam tomar. Porque tá na mão de uma juíza da quarta vara que não sabe quando toma decisão, mas pode tomar decisão hoje. Nós…
Jaques: Ah, ele pediu a preventiva do cara em cima do que?
Rui: Não… não tem… em cima do triplex, da denúncia, ele é louco. Os três promotores aqui.
Jaques: Tá bom. Deixa eu fazer alguma coisa aqui.
Rui: É, porque eles podem, a juíza pode despachar agora, tá? Tem os advogados tá lá, “ tamo” chamando deputado…
Jaques: Falou, ok.
Rui: A outra coisa é o seguinte: se nomear ele hoje, o que que acontece?
Jaques: Aí não sei, eu tô por fora.
Rui: Então, consulta isso também…
Jaques: Mas ele já decidiu?
Rui: Não, mas nós “tamo” todo mundo pressionou ele aqui. Fernando Haddad, todo movimento sindical, todo mundo.
Jaques: Tá bom.
Rui: Tá.
Jaques: Eu acho que tem que ficar cercado em torno do prédio dele e sair na porrada, Rui.
Rui: Tem nada.
Jaques: Não, tudo bem, ué? Mas tem que cercar tudo.
Rui: Não, eu sei, mas enquanto isso..
Jaques: Tudo bem, deixa eu falar aqui.
Rui: Alerta a presidente. Toma a decisão de estado-maior aí.


luiz alfredo motta fontana on 18 Março, 2016 at 10:44 #

Wagner o descuidado

A aprovação da MP 717 não é certa, Wagner aceitou benesse de quem já não detém a anuência paquidérmica de uma maioria hoje eventual.

O interlocutor desbocado, o companheiro desabrido, destas gravações, terá momentos de pavor, sonhando com Curitiba, enquanto o trâmite da MP na Câmara e no Senado padecer de toda a espécie de óbices.

Terá saudades do tempo em que, prudentemente, mimetizou-se aquartelado.


luis augusto on 18 Março, 2016 at 11:03 #

Já tinha ouvido o diálogo na TV e tomado a decisão de escrever a respeito. Tem mais gente candidata a Curitiba.


Taciano Lemos de Carvalho on 18 Março, 2016 at 11:44 #

E diante dos diálogos entre Rui Falcão e Jaques Wagner ainda tem gente que tenta convencer que a “nomeação” de Lula não tem nada de acoitamento contra a ação —e hipotética prisão do ex-presidente— da Justiça Federal no Paraná.


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