DEU NO POR ESCRITO (BLOG DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

A noite do morto-vivo

Entre os mitos que estamos acostumados a ver erigidos da noite para o dia em torno de Lula está o de que sua condução coercitiva para depor à Polícia Federal na Operação Lava-Jato provocou “manifestações populares” em seu apoio, a ponto de pôr em risco a segurança pública pelos conflitos com grupos e pessoas a ele contrários.

Muitos analistas, articulistas e colunistas dedicados ao trato do quadro político apressaram-se a interpretações de pretensão histórica, pelas quais o país estaria à beira de uma quase guerra civil apenas em razão de procedente inquirição de um cidadão comum por suspeita de crime.

Como se trata de um ex-presidente, a comparação é natural com duas outras situações que o Brasil já viveu. A primeira, em 1954, após o suicídio de Getúlio Vargas, acossado, de fato, e injustamente, como hoje sabemos, pela mídia da época.

A população saiu às ruas e depredou redações da imprensa antigetulista. Caminhões que distribuíam os jornais foram virados pelo povo enfurecido. A embaixada dos Estados Unidos, identificada como foco da pressão sobre o presidente, foi igualmente atacada.

Em 1976, o quadro era diferente. Cassado 12 anos antes pelo regime militar, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, recluso em sua fazenda, parecia uma vaga lembrança, até os jornais estavam esquecidos dele.

Morto em acidente na Via Dutra até hoje cercado de mistério, seu velório, na catedral de Brasília, foi uma comoção. A multidão tomou o caixão nas mãos e o conduziu por quatro horas até o Campo da Esperança, no que era um desafio ao silêncio político imposto pela ditadura.

Lula está biologicamente vivo, e que assim seja por muitos anos que virão. Mas politicamente morreu e não quer saber. Seu cortejo é artificial e pequeno, de sindicalistas de falsas bandeiras, leões-de-chácara e apaniguados do poder público. É outro tipo de noite que estamos vendo a terminar.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 8 Março, 2016 at 9:04 #

Caro Luís!

Os 30 milhões doados ao Instituto Lula, pelas empreiteiras, por si só, traduz a materialidade e autoria do crime. O “namorado” de Rose foi pego com batom no baixo ventre. O sítio, o triplex, o apartamento vizinho em São Bernardo, comprado pelo primo do Bumlai para que o “antes nunca visto” não passasse pelo incômodo de ter vizinhos, são apenas chupões no pescoço. Excessos na luxúria, como diriam beatas e beatos, os mesmos que o apoiaram nos velhos tempos da criação do mito.

Risíveis e desarvorados, são os discursos de apoio no Senado Federal, Lindbergh, Gleise, entre outros, por coincidência, ou melhor, por evidência, também investigados.

Lula pode até não estar morto, em certos meios ainda é o líder máximo. Quanta honra! Quanta iniquidade!. Mas, certamente, já traz em seu suor frio, o cheiro da Papuda!

Nas últimas escaramuças, sua horda de vândalos ganhará as ruas? Talvez, o exército de Stédile não poderá permanecer restrito ao consumo de sanduíches nos arredores do tal Instituto. Andam receosos, contudo, vá que aquela velha e conhecida tática seja posta em prática? qual? Simples, transformar um deles em mártir! Justo eles que nem acreditam em virgens, muito menos em paraíso!

E Madame Dilma?

Moribunda, não está, jamais teve vida própria.

Postes são inanimados por natureza!

Até produzem ruídos, quem nunca se assustou com curto-circuito? Ou dilmês?

Que soem as matracas! Que chorem as Roses!

E por falar em Rose:

-Onde anda a moçoila?


Jader martins on 8 Março, 2016 at 9:31 #

Os derrotados nas urnas querem ganhar pelo poder e não pelo direito
07/03/2016
No emaranhado das discussões atuais relativas à corrupção importa desocultar o que está oculto e que passa desapercebido aos olhos pouco críticos. O que está oculto? É a vontade persistente dos grupos dominantes que não aceitam a ascensão das massas populares aos bens mínimos da cidadania e que querem mantê-las onde sempre foram mantidas: na margem, como exército de reserva para seu serviço barato.

A investigação jurídico-policial dos crimes na Petrobrás que envolve grandes empreiteiras e o PT envolve também muitos outros partidos, como o PPS, o PMDB e o PSDB, beneficiados com subsídios e propinas para suas campanhas. Por que ela é conduzida de forma a se centrar unicamente nos membros do PT? O objetivo principal parece não ser a condenação dos malfeitos, que obviamente devem ser investigados, julgados e punidos. Mas o PT não está sozinho nesse imbróglio. A maioria dos grandes partidos estão metidos nele. Quem deles não recebeu milhões da Petrobrás e das empreiteiras para suas campanhas? Por que o Ministério Público, a Polícia Federal e o juiz Sergio Moro não os investiga já que pretende limpar o pais? Alguém desses candidatos vendeu sua casa de campo, seu sítio ou algum bem para financiar sua campanha milionária? Financiaram-se pelo caixa 2 ilegal mas tido como prática corrente na nossa democracia de baixíssima intensidade.

É ingênuo e enganador pensar que estas instâncias, inclusive os vários níveis da justiça nos seus mais altos escalões não venham imbuídos de intenções e de ideologia. Que nos digam os clássicos da ideologia como Jürgen Habermas e Michel Foucault que demonstraram não haver nenhum espaço social imune à interesses e por isso à presença da ideologia e que não seja movido por algum propósito. É próprio do discurso ocultador dos golpistas enfatizarem a completa independências destas instâncias e seu caráter de imparcialidade. A realidade do passado e do presente revela bem outra coisa, especialmente quanto ao juiz Sergio Moro.

Um determinado propósito ideológico dos vários órgãos de poder vinculados ao poder policial, jurídico e de alguns das supremas cortes articulados com meios de comunicação privados de âmbito nacional, de reconhecido caráter conservador, quando não reacionário e antipopular, serviria de laço de ligação entre todos com a intenção de garantirem certo tipo de ordem que sempre os beneficiou e que agora com o PT e aliados foi posta em xeque.

Por que a tentativa sistemática de desmontar a figura de Lula, levado sob vara para depor na PF, depois de tê-lo feito antes por três vezes? É a vontade perversa de destruí-lo como referência para todos aqueles que veem nele o político vindo dos fundões de nosso país, sobrevivente da fome e que, finalmente, com seu carisma, galgou o centro do poder. Ele conferiu a coisa mais importante para uma pessoa: sua dignidade. O povo sempre era tido pelos donos do poder como Jeca-Tatu, plebe ignara e rebotalho. Sofrido, cansou de ver frustrada sua esperança de melhorias mínimas. A conciliação entre as classes, tônica de nossa sociedade política, sempre foi para aplainar o caminho dos grupos poderosos e negar benefícios ao povo. Com o PT houve uma inflexão neste lógica excludente.

Agora vem à tona o mesmo propósito das classes que não aceitaram que, um dia, foram apeadas do poder. Querem voltar a qualquer custo. Dão-se conta de que, pela via eleitoral não o conseguirão, por causa da mediocridade de seus líderes e por falta de qualquer projeto que devolva esperança ao povo, súcubos que são do poder imperial globalizado. Querem consegui-lo manipulando as leis, suscitando ódio e intolerância como nunca houve nesta proporção na nossa história. É a luta de classes, sim. Esse tema não é passado. Não é invenção. É um dado de realidade. Basta ver como se manifesta nas mídias sociais. Parece que a boca do inferno se abriu para o palavrão, para a falta de respeito, pela vontade de satanizar o outro.

A política não é feita de confronto de ideias, de projetos políticos e de leituras diferentes de nossa situação de crise que nã é só nossa mas do mundo. É algo mais perverso: é a vontade de destruir Lula, de liquidar o PT e colocá-lo contra o povo. Temem que Lula volte para completar as políticas que foram boas para as grandes maiorias e que lhe deram consciência e dignidade. O que os donos do poder mais temem é um povo que pensa. Querem-no ignorante para poder dominá-lo ideológica e politicamente e assim se garantir no privilégio.

Mas não o conseguirão. São tão obtusos e faltos de criatividade em sua fome de poder que usam as mesmas táticas de 1954 contra Vargas ou de 1964 contra Jango. Tratava-se sempre de deter os reclamos do povo por mais direitos, o que implicava a redução dos privilégios e uma melhora da democracia. Mas os tempos são outros. Não vão prosperar pois já há um acúmulo de consciência e de pressão popular que os levará à irrisão, não obstante seus porta-vozes mediáticos, verdadeiros “rola-bosta” que recolhem o que acham de ruim para continuarem a mentir, a distorcer, a inventar cenários dramáticos para desfalcar a esperança popular e assim alcançar seu retorno com a força e não com direito democrático. Porém “no, no pasaran”…

Leonardo Boff, não é filiado ao PT mas interessado nos destinos dos mais sofridos de nosso pátria que o PT ajudou a tirar da miséria.


luiz alfredo motta fontana on 8 Março, 2016 at 9:33 #

Caro Luís!

Sou de um tempo que tratados de sociologia e política faziam parte das conversas de boteco. Sou mesmo um ancião! Por vezes, até os meandros da antropologia misturavam-se ao cardápio alcoólico. Psicologia, contudo, ficava restrita ao fim de noite, quando duas ou três rainhas da “fossa”, restavam à mesa, solidárias e fraternas.

Que diríamos à época, sobre senadores e jornalistas? Como entender a similitude entre FHC e Renan,entre “monicas” e “mirians”?

Seriam assuntos cifrados, à surdina? Seria de bom tom?

Embora, reze a lenda, FHC atuava em outras áreas, especialmente na cozinha. Nunca mais se falou a respeito, nada mais se ouviu sobre uma certa cozinheira, afro descendente, que acabou contratada pelo senado federal. Era só maledicência?

Contudo, o estudo do tipo, senado/jornalismo, deveria merecer uma pesquisa mais aprofundada. Ou não?


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