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Postado em 08-03-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 08-03-2016 00:23


Campos dos Goytacazes (e Gabeira) na hora do café

Maria Aparecida Torneros

Acordo às 8 e preparo um simples café da manhã. Ligo a TV onde o Gabeira mostra o Norte fluminense. Aparecem tomadas com entrevistas sobre a crise daquela região. A redução de receita pós boom do petróleo além da nostalgia da época áurea da riqueza colonial mantida pelo ciclo da cana de açúcar.

Tenho carinho especial por Campos dos Goytacazes. Aprendi ainda menina a gostar dali pois meu pai representava um fazendeiro de lá que mantinha escritório no Rio para acompanhar os processos do DNOS que cuidava das dragagens onde o velho Chico Pinto dos olhos azuis mantinha seus negócios e papai o assessorava. Quando o Coronel campista vinha na capital Niterói , papai ia presrar-lhe contas das atividades e era comum voltar para casa com presentes saborosos. Goiabada cascao e o inesquecivel doce chuvisco feito de ovos. Nos Natais vinham os perus. O fazendeiro mandava o caminhão com eles vivos.

Papai providenciava o abatedouro, a limpeza e embalagem das aves e sua distribuição aos funcionários da autarquia e outros varios amigos do fazendeiro que figuravam na lista dos perus. O telefone de casa não parava. Todos queriam o seu. E papai se desdobrava para atender com o famoso e tradicional presentinho para a ceia de Natal. Eram os anos 60, 70 e início de 80.

Acompanhei meu pai em algumas viagens àquela cidade. Meu irmão ajudava nas idas ao abatedouro e na entrega aos premiados.

Anos depois, trabalhando para o Governo do Estado, comecei a visitar Campos regularmente. Na Saúde primeiro e depois na SERLA em trabalho de Rios e Lagoas.
Nessa fase conheci Cristina Márcia e ganhei uma irmã campista. Ela me trouxe a mãe Zezé com suas broas de milho e uma plêiade de amigas como Helô Cordeiro, Carol e outras.
Daí fui conhecer Atafona e o delta do Paraíba do Sul. Acompanhei o enriquecimento com o petróleo chegando a ver o inicio das obras do Porto de Açu. Passei a observar que se abriam cursos de mandarim visando a troca co os chineses que viriam para as trocas comerciais.
Gabeira mostra que tudo parou.

Um impasse que a crise trouxe. A prefeita Rosinha Garotinho tenta governar Campos cortando gastos.

O povo da região se adapta ao novo quadro. Os municípios vizinhos também
Mordo meu pão com mortadela. Recordo o gosto da broa de milho da d. Zezé. Quero revisitar minha família de Campos. Acho que não vou por lá há mais de 5 anos. Saudades dos passeios pela cidade. Saudades do peixe bijupira que Helo faz com banana da terra. Saudades da cantoria com Cris nos bares na noite. Saudades do meu pai cuidando das coisas do Chico Pinto como se cuidasse de um pai. Saudades das feiras agropecuárias onde trabalhava em estand do governo estadual e até das viagens de barco pela Lagoa Feia com técnicos da SERLA.

De repente Gabeira finaliza o programa sem resposta para o futuro do Norte fluminense.
Termino meu café com gosto de goiabada na memória. Penso na cana de açúcar. Sua pujante economia. No petróleo e sua viscosa lucratividade. No Rio Paraíba do Sul e a embocadura no mar quase abandonado ou até ameaçado pelas obras paradas do Porto de Açu.
Repentinamente, lembro de um encontro de jornalistas no Sesc da praia nos anos 80. Havia promessa de futuro.

Meu café tem sabor de esperança apesar dos pesares. Terra com chuvisco é terra de índios guerreiros. História de um Brasil a ser redescoberto.
Resolvo que não vou demorar muito a voltar lá.
Minha mana me espera e a crise é nada diante da força daquela gente agricultora amante da terra que dará a volta por cima com certeza.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. É editora do Blog da Mulher Necessária

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Comentários

Cida Torneros on 8 Março, 2016 at 5:10 #

Bom dia turma do BP! Um bom dia especial para a mulherada do mundo inteiro que ainda é “Refugiada” da sua própria história que inclui luta e superação ao longo dos milênios. Viva a feminilidade onde quer que ela se manifeste. Ser mulhe é Cultural. Vai além de gênero. É estágio de alcance humano e estado de espírito rico em doação e amor, sobretudo. Bom dia!


Cida Torneros on 8 Março, 2016 at 5:13 #

Corrigindo o nome da minha amiga campista é Helo Cordeiro. Em tempo!


vitor on 8 Março, 2016 at 11:06 #

Salve, Cida !!!

Através do texto mais saboroso que a melhor goiabada campista com queijo de Minas, assinado por esta carioca da Vila famosa, Bahia em Pauta saúda todas as mulheres do Brasil e do mundo neste 8 de março.Viva a Mulher Necessária!!!


Taciano Lemos de Carvalho on 8 Março, 2016 at 11:59 #

Começou.

Do Jornal do Brasil

Nesta terça-feira (8), a Justiça Federal condenou o empresário Marcelo Odebrecht a 19 anos e quatro meses de prisão por crimes envolvendo o esquema de corrupção descoberto na Petrobras pela Operação Lava Jato. Odebrecht foi condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O doleiro Alberto Youssef, os executivos Márcio Faria da Silva, Rogério Santos de Araújo, Cesar Ramos Rocha e Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, e os ex-diretores da Petrobras Renato Duque, Pedro José Barusco Filho e Paulo Roberto Costa também foram condenados na mesma ação penal.


luiz alfredo motta fontana on 8 Março, 2016 at 13:02 #

Caros Vitor e Cida

Aproveitemos a data e louvemos uma senhora imprescindível, frágil, delicada, na forma, mas forte de caráter e espirito, o suficiente para nos dar alento e direção.

Saudemos a Senhora Democracia!

E nela, a cada mulher que resiste, neste vasto deserto de sensibilidade, em que se move pesadamente essa tal sociedade, cada dia mais estéril, cada mais carente de feminilidade!


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