DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Dossiê: Flávio Werneck irá a Curitiba

Sobre a história do dossiê contra a Lava Jato que o policial federal Flávio Werneck teria ajudado a montar, O Antagonista apurou que:

a) Flávio Werneck irá a Curitiba amanhã, para negar diretamente aos delegados envolvidos na operação que tenha confeccionado qualquer dossiê contra a Lava Jato;

b) Se possível, ele também quer por tudo em pratos limpos com os procuradores da força-tarefa. Estão tentando conciliar as agendas.

c) No final do ano passado, Flávio Werneck participou de uma reunião com Jaques Wagner. No entanto, segundo ele, foi apenas para falar sobre as necessidades dos agentes federais. Na reunião, Flávio Werneck diz ter despejado críticas à cúpula da PF, sim, mas nada a ver com a condução da Lava Jato. Ele é contra que a PF seja dividida entre o alto clero dos delegados e o baixo clero dos agentes, como ambicionam muitos delegados apoiados pelo governo;

d) Entre ontem e hoje, procuradores da Lava Jato foram informados por procuradores de Brasília de como Flávio Werneck ajudou a neutralizar várias ações do governo contra a operação.

O Antagonista espera que todos se entendam e não percam o foco. O foco é a quadrilha que está destruindo o Brasil.

“Lero Lero”, de Edu Lobo e Cacaso, para embelezar mais o domingo azul da primeira capital do Brasil!

BOA TARDE !!!

(Gilson Nogueira)

mar
06

OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Indiciamento de Lula está a caminho

Baixada a poeira 24 horas depois da “condução coercitiva” de Lula à Polícia Federal, é possível ao observador prever aquilo que o promotor Carlos Fernando de Souza Lima estava impedido, por dever de ofício, de antecipar: aproxima-se o dia em que o ex-presidente passará de investigado a indiciado na Operação Lava-Jato, com grande chance de prisão preventiva e condenação.

As relações espúrias de cinco empreiteiras envolvidas na investigação com a empresa e o instituto mantidos por Lula, claramente demonstradas pela análise fiscal do quadro, e sua extensão a empresas das quais são sócios dois filhos do ex-presidente, foram respondidas como sempre: com bravatas, dissimulação e manifestações encomendadas.

Em geral, os acusados injustamente buscam, até em desespero, uma forma de comunicar seu drama à sociedade. Lula, não. Além de não tocar no mérito das denúncias contra ele, convidou a imprensa a uma entrevista após ser liberado, mas não permitiu que nenhuma pergunta lhe fosse feita. Sabia que, talvez, não resistisse à primeira.

Instituições unidas contra o crime de cúpula

Ante a fama nacional de país da impunidade, é natural a incredulidade brasileira quanto à consumação da justiça. Entretanto, a marcha dos fatos – rigorosamente falando, desde a prisão de Marcelo Odebrecht – não deixa dúvida de que mesmo os maiores criminosos pagarão por seus atos. Nesse contexto, a intimação forçada a Lula funcionou como um ensaio.

Vê-se uma comunhão institucional ditada pela razão que ainda nos resta, pela consciência de que o Brasil entrará em breve numa era de convulsão de consequências imprevisíveis caso não seja freada a onda de gangsterismo que tomou conta das cúpulas do poder.

O Supremo Tribunal Federal, guardião-mor da Constituição, demonstra que não é mais aquela corte da acomodação e da protelação, com numerosas decisões que, exceto os casos de proteção a legítimos direitos individuais e de princípios, apontam para a célere responsabilização de poderosos.

Foi assim na época do mensalão e tem sido assim agora, por exemplo, nos pleitos referentes ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Não deverá ser diferente quando entrar na pauta o presidente do Senado, Renan Calheiros. Ambos, inaceitáveis num Brasil que se pretende purgado.

Tiro no coração exige dignidade

Do “exército do Stédile” ao fim por ele próprio decretado do “Lulinha paz e amor”, o ex-presidente mostra o vazio de sua argumentação e restringe-se a uma realidade que não existe mais, na qual ele defendia os pobres despossuídos contra os malignos representantes “das elite”.

Na “entrevista” de ontem na sede do PT, em São Paulo, Lula fez a incitação ao ódio com sua luta de classes de tartufo, uma verdadeira sugestão ao conflito. “Vão ter que me enfrentar nas ruas deste país”, anunciou, antes de proclamar-se “jararaca”, certamente prenhe de veneno.

Não falou dos favores recebidos de empresários, do enriquecimento da família e do uso discricionário dos poderes do governo, dos quais é acusado. Preferiu atribuir tudo ao revanchismo eleitoral.

Na sua ótica impudica, as ações que se movem contra ele e o partido são produto de discriminação social, racismo – já que “negro não podia ser dentista ou engenheiro” –, preconceito contra as mulheres, no caso, a presidente Dilma, e até a motivação religiosa, pois “a internet soltou os demônios”.

Lula declarou-se “o maior presidente do século XXI”, e aí pode-se levar em conta que, pelo menos, desistiu de comparar-se a Getúlio Vargas, que na sua carta-testamento disse antes de dar um tiro no coração: “Aos que pensam que me derrotam, respondo com minha vitória”. A dignidade e a consciência de Lula não comportam o suicídio.

É muita liberdade…

Não deixou de ser notado por espectadores mais atentos o chega-pra-lá que Jaques Wagner deu em Juca Ferreira para ficar ao lado da presidente Dilma no pronunciamento de ontem. Realmente, onde já se viu ministro da Cultura querer tomar o lugar do da Casa Civil?

BOM DIA!!!


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Um recado do MPF a Marco Aurélio Mello

O MPF divulgou nota de esclarecimento sobre a adoção da condução coercitiva de Lula. É um recado ao próprio Lula e, especialmente, a Marco Aurélio Mello, que ironizou o argumento usado pela Lava Jato para a deflagração da Operação Alethea.

Na nota, os procuradores de Curitiba lembram que já foram executados 117 mandados de condução coercitiva em 24 fases da Lava Jato, mas só agora surgiram críticas.

“Considerando que em outros 116 mandados de condução coercitiva não houve tal clamor, conclui-se que esses críticos insurgem-se não contra o instituto da condução coercitiva em si, mas sim pela condução coercitiva de um ex-presidente da República”

“Assim, apesar de todo respeito que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva merece, esse respeito é-lhe devido na exata medida do respeito que se deve a qualquer outro cidadão brasileiro, pois hoje não é ele titular de nenhuma prerrogativa que o torne imune a ser investigado na operação Lava Jato.”

O MPF lembra que a legalidade da decisão adotada ontem já foi reconhecida pelo próprio STF e que, diferentemente do que Lula apregoa, não bastaria convidá-lo. Isso ficou claro no episódio envolvendo o MP de São Paulo.

“Após ser intimado e ter tentado diversas medidas para protelar esse depoimento, incluindo inclusive um habeas corpus perante o TJSP, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva manifestou sua recusa em comparecer.”

E finaliza:

“Por fim, tal discussão nada mais é que uma cortina de fumaça sobre os fatos investigados. É preciso, isto sim, que sejam investigados os fatos indicativos de enriquecimento do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, por despesas pessoais e vantagens patrimoniais de grande vulto pagas pelas mesmas empreiteiras que foram beneficiadas com o esquema de formação de cartel e corrupção na Petrobras, durante os governos presididos por ele e por seu partido, conforme provas exaustivamente indicadas na representação do Ministério Público Federal.”

mar
06
Posted on 06-03-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-03-2016


Amarildo, hoje, Gazeta (ES)


DO EL PAÍS

Afonso Benites

De Brasília 5 MAR 2016 – 21:06 BRT

Enquanto o mundo político ainda digeria nesta sexta o impacto dos holofotes da Operação Lava Jato voltados com força total para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição ao Governo Dilma Rousseff (PT) fazia seus cálculos. Após mais de um ano de crise política, os opositores querem se aproveitar ao máximo da turbulenta semana enfrentada pela gestão petista para aumentar a pressão pelo impeachment. Dois fatores técnicos e um político deverão ser somados aos elementos já apresentados para forçar uma saída dela do mandato.

Os técnicos são: 1) a delação feita pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS) que afirma que a presidenta e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam das irregularidades na Petrobras e se beneficiavam, ainda que indiretamente, delas; 2) a prisão do ex-marqueteiro do PT, João Santana, contra quem pesa a suspeita de ter recebido recursos de caixa dois durante uma das campanhas eleitorais.

No lado político, os opositores da gestão petista se aproveitarão da investigação contra Lula nos casos envolvendo um sítio em Atibaia e um apartamento no Guarujá. A ideia é macular ainda mais a imagem do Executivo mostrando que os erros cometidos pela presidenta foram iniciados pelo seu antecessor. “Antes imaginávamos que o chefe de toda a quadrilha era o José Dirceu. Mas depois que ele foi preso pelo mensalão, os desvios continuaram. O que está se provando é que as ordens sempre partiram do Palácio do Planalto. Primeiro de Lula, depois de Dilma”, afirmou o deputado federal Nelson Marchezzan Júnior (PSDB-RS).

“Temos que acelerar a decisão do impeachment

Geraldo Alckmin (PSDB)

Os opositores analisam se fazem um aditamento do atual pedido de impeachment ou se apresentam um novo requerimento. O pedido de destituição que tramita na Câmara dos Deputados hoje se baseia apenas nas pedaladas fiscais, que foram as distorções contábeis cometidas pelo Governo para maquiar as contas de 2014. Até os deputados menos radicais com relação à gestão Rousseff já admitem que esse fato está enfraquecido atualmente. “Impeachment por pedaladas não passa mais. Se ocorrer um impeachment será por conta das denúncias de Delcídio”, afirmou Chico Alencar (PSOL-RJ). Ao sair de uma reunião de uma reunião da presidenta com 26 governadores e vice-governadores, o governador de São Paulo e um dos presidenciáveis tucanos, Geraldo Alckmin (PSDB), deu o tom: “Temos que acelerar a decisão do impeachment”.

Do lado dos governistas, a bancada diz que o país está em vias de se deparar com uma deposição presidencial à força. “O que ocorre é um golpe moderno articulado por parte da imprensa, parte do Judiciário e do Ministério Público. Não tem as Forças Armadas, mas é um golpe”, afirmou Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Para adicionar mais pimenta nesse caldeirão, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) os detalhes da delação de Delcídio do Amaral, que foi preso no fim do ano passado por arquitetar a fuga do país de um dos réus da Lava Jato, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O objetivo da OAB é avaliar se os documentos podem embasar um novo pedido de impeachment. Enquanto isso, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aguarda uma definição do Judiciário sobre um pedido de esclarecimento feito por ele com relação à composição da comissão especial do impeachment.
Nova comunicação e defesa própria

Pega de surpresa com más notícias dois dias seguidos, Rousseff mudou sua estratégia de comunicação e nos dois dias emitiu duas notas à imprensa e fez um raro pronunciamento. Quando falou aos jornalistas, a presidenta fez uma breve defesa de Lula, que foi obrigado pelo juiz Sergio Moro a prestar depoimento para a Polícia Federal nesta sexta-feira. Entre os ministros, o cálculo é que a presidenta não deve se afastar de seu antecessor, mas é melhor que ela mantenha essa crise o mais distante possível de Brasília. Para chegar a essa conclusão, Rousseff fez uma série de reuniões com seus ministros mais próximos e ouviu argumentos jurídicos e técnicos deles. Ao fim dos encontros, ligou para Lula e prestou solidariedade a ele.

Sobre a delação de Delcídio, a presidenta foi mais dura e declarou que estava indignada com as declarações do senador. Entre outros pontos, o parlamentar afirmou que Rousseff teria nomeado ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com o objetivo de libertar empresários envolvidos na Lava Jato. “É absolutamente subjetiva e insidiosa a fala do senador, se ela foi feita”, reclamou Rousseff.

A presidenta disse ainda que o vazamento da delação de Delcídio teve como único motivo uma tentativa de atingir a pessoa dela e o seu Governo. “Provavelmente pelo desejo de vingança, pelo imoral e mesquinho desejo de vingança e de retaliação de quem não defendeu quem não poderia ser defendido pelos atos que praticou”.

A polarização, que parecia ter diminuído por algumas semanas no Brasil, tem tudo para ganhar força. Nesta semana, vários parlamentares petistas foram hostilizados quando chegavam aos aeroportos de seus Estados. Tudo isso a poucos dias de mais uma manifestação contra a gestão Rousseff. Daqui a dois domingos, no dia 13, grupos sociais anti-Dilma prometem ocupar as ruas das principais cidades do país para pedir que ela saia do Governo.

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