Dilma, Lula e Mariza: day after em São Bernardo


DEU NO G1/O GLOBO

A presidente Dilma Rousseff visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista neste sábado (5). Dilma foi ao apartamento de Lula para dar apoio ao ex-presidente, que na sexta-feira (4) foi levado por condução coercitiva para depor à Polícia Federal na Operação Lava Jato. Ela ficou pouco mais de uma hora na companhia de Lula.

Dilma chegou por volta das 13h deste sábado (5) a São Paulo. Ela saiu de Brasília em um avião, que pousou no início da tarde no Aeroporto de Congonhas, Zona Sul da capital paulista. Em seguida, ela foi de helicóptero até São Bernardo do Campo, no ABC, e seguiu de carro até o prédio do ex-presidente, acompanhada do ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner.
operação

R$ 30 mi em doação e repasse
entenda as suspeitas
alvos da operação
lula: ‘me senti um prisioneiro’
dilma: ‘inconformada’
instituto lula: ‘ação arbitária’
confronto entre manifestantes
fotos
repercussão internacional
cobertura em tempo real

Na sacada do apartamento, Dilma acenou para militantes, acompanhada de Lula e da esposa do ex-presidente, Marisa Letícia. Na rua em frente ao prédio, manifestantes em apoio a Lula soltaram uma fumaça vermelha.

Às 14h30, Dilma desceu para cumprimentar os militantes e acenar para as pessoas que desde cedo esperavam no local. Ela não falou com a imprensa e voltou para dentro do prédio. Dilma foi embora logo em seguida.

Após o encontro, Dilma Rousseff seguiu para Porto Alegre (RS), onde tem compromissos pessoais.

Este é o primeiro encontro da presidente com Lula depois de a Polícia Federal (PF) ter deflagrado, na sexta-feira (4), nova etapa da Operação Lava Jato, cujo foco era o ex-presidente.

Vigília
Militantes pró Lula fizeram vigília em frente ao prédio onde o ex-presidente mora. Cerca de 300 pessoas, segundo a Polícia Militar, passaram no local protestando contra a investigação da Justiça Federal, que apura se o petista recebeu dinheiro da corrupção da Petrobras.

No começo da tarde deste sábado, o ex-presidente saiu do prédio e se reuniu com os militantes. Ele foi ovacionado pelos manifestantes, tirou fotos com simpatizantes, mas não subiu em um carro de som estacionado em frente ao edifício.

“Companheiros, sei que vocês querem um discurso, mas não podemos porque tem um hospital aqui perto”, disse Lula a sua militância. Em seguida, Lula voltou para dentro do prédio para esperar a chegada de Dilma.

Do lado de fora do prédio, manifestantes gritavam palavras de ordem como “Não vai ter golpe” e “Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”.

Grupos contrários ao ex-presidente não estavam presentes até as 12h, quando a modelo e socialite Ju Isen, conhecida por protestar contra o governo petista tirando a blusa, apareceu perto do protesto pró Lula usando camisa da seleção e bandeira do Brasil. Ela não falou com a imprensa e foi embora de táxi, sem conseguir realizar seu protesto, após militantes jogarem uma garrafa vazia nela. A modelo estava escoltada por seguranças particulares.
Fumaça vermelha é lançada por manifestantes em frente a prédio onde mora o ex-presidente (Foto: Carolina Dantas / G1)
Fumaça vermelha é lançada por manifestantes em frente a prédio onde mora o ex-presidente (Foto: Carolina Dantas / G1)

Pichação ao Instituto
Um portão do Instituto Lula, na Zona Sul de São Paulo, apareceu pichado na manhã deste sábado após o ex-presidente que dá nome ao local ter prestado depoimento na sexta-feira (4) na 24ª fase da Operação Lava Jato. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do instituto. Posteriormente, a assessoria disse que grafiteiros cobriram a pichação.

De acordo com a assessoria, a pichação deve ter ocorrido durante a madrugada deste sábado. Câmeras de segurança do prédio deverão ser analisadas para tentar identificar os responsáveis. O G1 esteve nesta manhã no local. O portão estava levantado, mas mesmo assim era possível ver a pichação “sua hora chegou corrupto”. O petista é investigado pela Justiça Federal por suspeita de ter sido beneficiado pelo esquema de desvios de dinheiro na Petrobras.

Depoimento à PF
Além de levar Lula para depor, em um posto da PF no Aeroporto de Congonhas, os policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente, em São Bernardo, na sede do Instituto Lula, na capital paulista, e no sítio que era usado por ele em Atibaia (SP).

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Lula é investigado porque há indícios de que ele recebeu benefícios desviados da Petrobras por meio da execução de reformas no apartamento triplex do Guarujá (SP) e do sítio de Atibaia (SP). Os procuradores ressaltaram ainda que há evidências de que o petista recebeu móveis de luxo nos dois imóveis e teve a armazenagem de bens em uma transportadora bancada pela construtora OAS, uma das empreiteiras investigadas na Lava Jato.

Depois de prestar depoimento à PF, Lula fez um pronunciamento. O ex-presidente disse que que se sentiu “prisioneiro” por ter sido levado coercitivamente para prestar depoimento à Polícia Federal. O ex-presidente afirmou ainda que “acertaram o rabo da jararaca”, mas “não mataram”. E também falou sobre a presidente Dilma Rousseff: “Não permitem que a Dilma governe esse país”.

Com os agradecimentos do Bahia em Pauta ao jornalista Chico Bruno, que levantou a bola em seu endereço no Facebook.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


J.C. Teixeira Gomes(Joca):brava e digna
travessia de um jornalista e escritor aos 80…


…e Lula, depois da condução coercitiva
pela Aletheia para depor na Lava Jato

ARTIGO DA SEMANA

Teixeira Gomes, 80: jornal, livro, marqueteiros, Aletheia

Vitor Hugo Soares

Bate vigorosamente na porta dos 80 o jornalista e escritor João Carlos Teixeira Gomes. “Dito assim parece à toa”, mas o verso do samba famoso, sobre feitiço e paixões, me vem providencialmente à memória na incrível sexta-feira (4), da Operação Aletheia (a busca da verdade): vigésima quarta etapa da Lava Jato, conduzida, de Curitiba, pelo juiz Sérgio Moro. Agentes da Polícia Federal chegam no apartamento do ex-presidente Lula, na região do ABC paulista – berço do PT há 36 anos, festejados na semana passada – em cumprimento ao principal dos mais de 40 mandados diversos, no vasto circuito da propina e das suspeitas de perversa corrupção praticada em conluio de agentes públicos e privados, em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

E o que tem a ver com isso Teixeira Gomes, filho orgulhoso e homônimo do lendário goleiro do Esporte Clube Bahia, nos tempos de glória do antigo e extinto Campo da Graça, dos grandes embates do futebol baiano? Perguntarão alguns leitores mais apressados e menos informados. Muito a ver, respondo e garanto.

Conheço tão de perto, e de tão longa data, o personagem principal deste artigo que não tenho dúvidas em afirmar: Joca (assim é chamado, com carinho e admiração), será o primeiro a entender e aceitar as justificativas para a divisão do espaço dedicado a ele, com a operação da PF que mexe com os nervos do PT, do Planalto e do País . Ainda que resmungue, ele conhece, proclama e acata, como poucos da sua profissão e crença no jornal, no livro e na verdade (ontem e hoje ) a força de “Sua Excelência, o Fato”, na sábia denominação de Charles De Gaulle.

Ontem (4) fui tirado da cama, bem cedo, pelo telefonema da vibrante irmã jornalista, que avisa sobre a movimentação “da Federal”. Ligo de imediato a TV no canal privado Globo News.Começo, então, a acompanhar a cobertura nervosa mas eficiente (imagens, informações, comentários opinativos). Logo em seguida, helicópteros começam a sobrevoar bem diante da janela do apartamento onde moro, em um bairro de classe média de Salvador, a poucos metros do heliporto de uma unidade do Exército, na VIª Região. Ultimamente, para mim, este tem sido um termômetro seguro da temperatura política e social. Sinal barulhento de que alguma coisa de grave acontece ou repercute na Cidade da Bahia, de onde escrevo estas linhas semanais.

Na mosca! Ou tiro e queda, se preferirem.

Assim, em meio à tensão e ambiência tão comuns e recorrentes na profissão que abracei, preparo-me para acompanhar, mais uma vez, outra encrenca nacional, com passagem por meu portão. E, ao mesmo tempo, cumprir a pauta que havia me proposto na véspera: compor um perfil pessoal da figura, do caráter profissional e da trajetória de vida de João Carlos Teixeira Gomes, o teimoso e inveterado resistente da imprensa, da cultura, do ensino e das letras em sua terra.

Mestre do discurso impresso da Bahia e do Brasil, que festeja semana que vem (09/03) seu aniversário de nascimento do modo e jeito que ele mais gosta: produtivo, irrequieto, barulhento, provocativo e cercado de polêmicas por todos os lados. O evento comemorativo coincide com o lançamento do novo livro e acontece a partir das 16h30, na Livraria Cultura, do Salvador Shopping.

O último dos moicanos da imprensa de resistência, antes da invasão dos meios de comunicação, em geral, pelos “hunos marqueteiros” (primeiro na Bahia dos anos 70/80 e depois no País), tornando cada vez mais difícil separar o que é informação e o que é propaganda. Notícias ou fofocas. Economia ou negociatas vulgares. Políticos, governantes e homens públicos e estadistas ou meras celebridades e aventureiros de ocasião. Embusteiros, palavra preferida de sua pena implacável para fustigar canalhas. Desvios eticamente intoleráveis, contra os quais JC Teixeira Gomes (como ele assina seus textos ultimamente) briga e se insurge desde sempre.

E assim ele festeja a chegada aos oitenta. Na quarta-feira, 9, coincidindo com a nova idade, vai lançar “A Brava Travessia”: Memórias, Viagens e Artigos do Pena de Aço”.

Gregório de Mattos, o Boca de Brasa, de quem Joca Teixeira Gomes é um dos maiores e mais reconhecidos estudiosos da obra, não teria feito melhor.

“É um longo percurso, marcado por muitos momentos difíceis, pois grande parte da minha militância verificou-se sob a ditadura militar, quando eu chefiava o “Jornal da Bahia”, definiu Joca em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia. Encurto o caminho para não me tornar cansativo e repetitivo. Outros dirão mais e melhor sobre o poeta, o romancista, o ensaísta, o contista, o acadêmico e o professor de inúmeras gerações na UFBA. Vibrante, inspirado, fulgurante no que fala e no que escreve, como assinalou Joaci Góes em artigo brilhante, sobre o aniversariante, publicado na TB.

Diante dos fatos nacionais referidos na abertura deste artigo sobre a Aletheia escolho, antes do ponto final,o João Carlos Teixeira Gomes tempestuoso e profético, o jornalista ao lado do qual caminhei muitas léguas e de cujos ensinamentos e exemplos bebo anos a fio. Orgulhosamente.

O Teixeira Gomes, por exemplo, deste trecho do discurso de saudação na cerimônia de posse de Joaci Góes na Academia de Letras da Bahia (presente o saudoso João Ubaldo Ribeiro), em setembro de 2009:

“O poder no Brasil nunca está a serviço da sociedade e sim de grupos que o detém… Predomina hoje no país, mais do que nunca, a ideologia do oportunismo, acintosa e corrosiva, promovida por conhecidos e diariamente citados políticos desavergonhados, íntimos dos cofres públicos e privados. Só não os cito nominalmente aqui, porque além de notoriamente conhecidos, não pretendo perturbar com revelações óbvias este clima de confraternização e de festa”.

“Mas todo momento é importante quando se trata de denunciar e combater as fraudes das instituições e o esvaziamento da Democracia. A consciência social não pode acomodar-se e deve agir como instrumento de libertação”…

Bravo! Esse é Joca, Pena de Aço, que a Bahia conhece e aprendeu a querer bem e admirar. O Brasil também, mais ainda nesta encruzilhada da travessia de combate contra a corrupção, o embuste e busca da verdade.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Chanson D`Amour,Conjunto Farroupilha, afinação gaúcha que deixou saudade! Bom sábado! Com churrasco! E vinho!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)


DEU NO POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Sem defesa

Enquanto os cães ladram, o juiz Sérgio Moro bloqueia R$ 35 milhões do marqueteiro João Santana e de sua mulher, Mônica Moura.

Vaga certa

Após cassado, preso ou qualquer outro destino infeliz que tenha, Eduardo Cunha poderá arranjar emprego de manobrista. Talento para tanto não lhe falta.

mar
05


Mega-protesto, dia 13, tira o sono no Planalto

DO EL PAIS

Era pouco antes das 9h desta sexta-feira quando dois carros passaram vagarosamente em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, buzinando insistentemente e com seus motoristas gritando: “A casa caiu. Acabou PT”. O buzinaço era o quinto no mesmo dia, conforme seguranças que guardam um dos acessos à sede da Presidência da República brasileira e eram os primeiros sinais de um dia de inflexão na grave crise política que engoliu o quarto mandato do Partido dos Trabalhadores no país.

A 24ª fase da Operação Lava Jato, que atingiu em cheio o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e familiares, ocorre em um dos piores momentos para o Governo de Dilma Rousseff. Havia, há semanas, temor e espécie de contagem regressiva para o cerco final a Lula na maior investigação de um escândalo de corrupção já montada no Brasil, que polariza governistas e opositores e ocorre em meio à crise que também é econômica. O depoimento de Lula, escoltado pela polícia e com ampla cobertura midiática, estimula o debate sobre a espetacularização da operação a nove dias antes de um novo megaprotesto convocado para pedir o impeachment da presidenta. Um dos grupos radicais anti-PT está inclusive articulando um protesto express em São Paulo, ainda nesta sexta.

Para o Governo, o barril de más notícias da semana já estava fervendo com vários ingredientes. O primeiro foi na segunda-feira, a demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, acusado, por seus correligionários petistas, de ser incapaz de conter supostos excessos da Polícia Federal, braço auxiliar do Ministério Público na operação e hierarquicamente sob seu controle. Na quinta-feira, foi a vez do vazamento da delação premiada que estava sendo firmada pelo ex-líder do Governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS). Delcídio citava Lula, mas pela primeira vez em dois anos de investigações, alguém acusava diretamente também Rousseff, tragando-a para o furacão do escândalo.

A notícia sobre a suposta colaboração com a Justiça do Senador, publicada pela revista IstoÉ, obrigou Cardozo a transformar a posse de seu sucessor no ministério da Justiça em uma longa entrevista coletiva para atacar Delcídio. Mais tarde, foi a própria presidenta quem reagiu. Emitiu uma nota para reclamar do vazamento da delação – “uma arma política” – e para defender que seu Governo sempre defendeu o combate à corrupção.

No Congresso Nacional, os aliados do ex-presidente e de sua sucessora trataram de criticar a operação Lava Jato. “A operação é ilegal e política”, destacou o líder do Governo na Câmara, Afonso Florence (PT-BA).Já o deputado Pepe Vargas (PT-RS) disse que os procuradores e os policiais passaram dos limites aceitáveis. “Quiseram criar um fato político. Se aproveitam que o Lula não tem a prerrogativa de foro e o cercam de uma maneira exagerada. É um absurdo. Se tem denúncia, que apresentem, não precisa tentar humilhar o ex-presidente”. Membros do Executivo, como o ministro do Trabalho, Miguel Rossetto (PT), também reclamaram. “O presidente Lula já prestou depoimento e sempre se colocou à disposição das autoridades. Isso não é justiça, isso é uma violência”.
A batalha de Dilma

Se o impacto do ponto de vista político já está evidente e pode voltar a pender o pêndulo do Congresso para a destituição de Rousseff, do ponto de vista legal, ainda é cedo para dizer o quanto a delação do senador, se confirmada, pode comprometer diretamente a presidenta, já que os procuradores tem de reunir provas e evidências do que ele acusa, o que parece não ser fácil pelo que vazou até agora. O certo é que a Lava Jato entrou em uma nova fase, com novos delatores de peso já confirmados, como o ex-presidente da construtora OAS, Leo Pinheiro, e os rumores de que Marcelo Odebrecht, dono da maior empresa do setor na América Latina poderia liberar, desde a prisão onde se encontra, seus executivos para também colaborar com a Justiça.

Para a consultoria de risco Eurasia Group, colaborações de Pinheiro, Odebrecht ou mesmo de pessoas ligadas a outra construtora do esquema, a Andrade Gutierrez, poderiam “mudar o jogo”. “Os próximos dois meses serão críticos, e provavelmente representam o terreno mais delicado e perigoso para a presidenta na crise até o momento”, escreveram a clientes nesta quinta, quando o mercado comemorava, com a queda do dólar e valorização da Petrobras na Bolsa, os novos desdobramentos.

mar
05
Posted on 05-03-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-03-2016


Paixão, no Diário do Povo (PR)

DO EL PAIS

Gil Alessi

De São Paulo

O maior pesadelo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT começou a tomar forma na manhã desta sexta-feira. O petista, que tenta se manter como um candidato viável para disputar as eleições em 2018, foi o principal alvo da 24ª fase da operação Lava Jato. Além de ser conduzido coercitivamente para depor, Lula viu a Polícia Federal fazer uma devassa em seu apartamento de São Bernardo do Campo e na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Sob a batuta do juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, a força-tarefa segue o rastro de uma espécie de cadeia de troca de favores que culminariam, segundo os investigadores, em pagamento de vantagens indevidas envolvendo o ex-presidente e algumas das maiores empreiteiras do país – todas na mira da Lava Jato. Já pesavam suspeitas sobre reformas feitas em imóveis ligados ao ex-presidente: um sítio frequentado por ele em Atibaia e um tríplex no Guarujá, pagas respectivamente pela Odebrecht e OAS. Mas agora os investigadores colocaram na mira doações e repasses feitos pelas construtoras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras ao Instituto Lula e à empresa de palestra do ex-presidente, a LILS. Os recursos movimentados superariam os 30 milhões de reais.

Batizada de Aletheia – referência à entidade mítica grega ligada à ‘busca pela verdade’ – a nova etapa da Lava Jato coloca em xeque também os atos de Lula na presidência. “Estão sob análise todos os atos de nomeação de diretores da Petrobras e de casos envolvendo outras empresas e órgãos estatais”, afirmou hoje em entrevista coletiva o procurador da força-tarefa Carlos Fernando dos Santos Lima. Segundo ele, as autoridades investigam se “esse aparelhamento deu-se por orientação do Governo”. “Sabemos que José Dirceu [ex-chefe da Casa Civil de Lula, já preso] estava ciente [das irregularidades]. Agora vamos verificar se esses desvios eram de conhecimento do ex-presidente”, afirmou.

O procurador confirmou a existência de evidências do pagamento de vantagens a Lula “sem nenhuma justificativa plausível para isso”. Ele cita como indício o fato de que as cinco maiores empresas que doaram para o Instituto Lula entre 2011 e 2014 são as cinco maiores empreiteiras investigadas pela Lava Jato. Os repasses feitos por Camargo Corrêa, Odebrecht, UTC, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez ao Instituto somam 20 milhões de reais no período. “Doações podem ser realizadas por diversos motivos, mas temos que analisar se isso tem relação com obras fraudadas da Petrobras”, disse Lima. O procurador fez questão de frisar que essa é uma hipótese investigativa ainda não confirmada: “Estamos analisando evidências de que o ex-presidente e sua família receberam vantagens. Certamente o Governo dele foi um dos grandes beneficiários desse esquema de compra de apoio político partidário, mas vamos ver se ele foi pessoalmente beneficiário disso”.

Prova de que as autoridades ainda não dispõem de provas concretas contra Lula é o fato de que foi feito apenas um pedido de condução coercitiva do ex-presidente – quando o investigado é obrigado a depor. Não foi decretada pelo juiz Moro a prisão temporária ou preventiva do petista, como foi feito com a maioria dos outros suspeitos de envolvimento no esquema. “Entendemos que não se caracterizavam os pressupostos [para um pedido de prisão]”, disse o procurador Lima. “Neste momento as investigações não são conclusivas a ponto de pedir a prisão do senhor Luís Inácio”, disse o servidor. Segundo ele, as autoridades optaram pela condução coercitiva porque o país vive um clima de polarização política. “Se tivéssemos marcado um depoimento antecipado isso levaria movimentos pró e contra o Governo à rua, e isso poderia desencadear atos de violência”, afirmou.

Sobre o sítio em Atibaia, o procurador afirmou que “os pagamentos [para a compra de materiais para a reforma] eram feitos em dinheiro, uma das formas mais elementares de lavagem de dinheiro, porque é difícil de rastrear”. O tríplex no Guarujá também voltou a ser citado pela procuradoria: “Não podemos ignorar que haja o pagamento de 40.000 [feito pela mulher de Lula] pela opção de compra de um apartamento no qual foram gastos 700.000 em obras, e que isso simplesmente não seja considerada vantagem”.

Os supostos favores trocados entre Lula e as empreiteiras não param por aí: segundo a força-tarefa, 40% das receitas da empresa LILS (cerca de 10 milhões de reais), que gerencia as palestras do ex-presidente, foram provenientes de pagamentos feitos pelas empreiteiras investigadas na Lava Jato. “Estamos verificando se as palestras ocorreram, onde ocorreram, e se houve um ato do Governo que pode ser vinculado a essas empreiteiras que pagaram por estes serviços”, diz Lima. Em seu despacho autorizando as buscas na LILS, o juiz Sérgio Moro destaca algumas palestras pagas por empreiteiras: “Chama a atenção os elevados valores pagos ao ex-presidente por suas palestras, como, cerca de 200.000 dólares líquidos pela OAS por palestra e 449.580,84 reais líquidos pela Odebrecht por palestra”.

Além disso, existe a suspeita de que tenha havido triangulação de recursos envolvendo as empresas de Lula: doações feitas ao Instituto como contrapartida por contratos recebidos durante o Governo do petista podem ter sido repassados para familiares do ex-presidente. A força-tarefa da Lava Jato investiga se o Instituto Lula, que é uma entidade sem fins lucrativos, realizou repasse de um milhão de reais para a empresa G4, de propriedade de um dos filhos do ex-presidente, por serviços que podem não ter sido prestados.

“O Instituto é isento de tributos, logo os recursos que entram lá precisam ser usados na finalidade da organização”, afirmou Roberto Lima, auditor fiscal da Receita Federal. “O que entra lá precisa ser aplicado lá, ele não pode distribuir lucro ou recursos para eventuais dirigentes”, disse o integrante da força-tarefa. Segundo o fiscal, os pagamentos feitos pelo Instituto estão sob investigação uma vez que existem provas de uma “confusão operacional e financeira entre as duas entidades [LILS e Instituto] ainda a ser confirmada”. “Estamos investigando a entrada e saída de recursos das empresas”, afirmou. O filho do ex-presidente, Fábio Luiz da Silva, mais conhecido como Lulinha, também é um dos alvos da investigação: agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em seu apartamento em Moema, zona sul de São Paulo.

Outra ponta da investigação apura o pagamento por parte da OAS, sem motivo aparente, dos custos de transporte e armazenagem de objetos do ex-presidente recebidos de presente durante seu mandato. Quando Lula deixou o Planalto, a empreiteira teria desembolsado ao menos um milhão de reais para levar para um depósito dez contêineres – com conteúdo desconhecido das autoridades.

A Aletheia acontece menos de 24h depois do Planalto ter sido sacudido por informações não oficiais de que o senador Delcídio do Amaral, que havia sido preso pela Lava Jato, implicava Dilma e Lula em sua delação premiada. O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula afirmou nesta sexta que a 24ª fase da operação “não tem nenhuma relação com a suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral, vazada ontem [quinta-feira]”.

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