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DO EL PAIS

O impopular presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conseguiu congelar o Conselho de Ética por quatro meses com uma intensa atuação de sua tropa de choque e seguidas protelações da análise de seu processo por quebra de decoro parlamentar. Mas vai ter de variar as manobras procrastinatórias na instância nesta quarta enquanto enfrenta um desafio mais difícil: tentar se livrar do Supremo Tribunal Federal, que analisará se ele se torna réu na operação Lava Jato.

Mesmo com uma situação mais fragilizada a cada dia, o seu tom confiante prevalece nas reuniões com colegas e nas entrevistas, quase que diárias, que concede no salão verde da Casa. Quando questionado se temia a dura semana que teria pela frente, com a análise da representação contra ele no Conselho de Ética, nesta terça-feira, e o início do julgamento de um processo no STF, na quarta, ele afirmou: “Todas as semanas são pesadas. Estamos prontos para enfrentá-las”.

Não foi só isso. Ao ser indagado se temia virar réu na ação em que é acusado por receber propinas no esquema da Lava Jato, disparou: “Se tornar réu não significa ser condenado. Significa apenas a continuidade da ação. Já passei por isso como líder [do PMDB] e depois fui absolvido por unanimidade”. Ele ainda não perdeu a oportunidade de apontar o dedo para outras dezenas de congressistas que também respondem a processos judiciais, vários deles seus aliados. “Aqui na Casa tem vários parlamentares réus, o que não significa que eles serão condenados.”

Sobre um possível afastamento seu, pedido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Cunha seguiu o seu antigo script desde que passou a ser investigado pela Lava Jato: atacou seu acusador. “O pedido de afastamento, não tem a menor lógica jurídica, política. Apenas foi um procedimento político feito pelo PGR [Janot], na época, e tenho certeza absoluta de que o julgamento disso aí será plenamente ao meu favor”.

Quando foi instado a comentar a pesquisa Datafolha que demonstrou que 76% dos brasileiros defendem seu afastamento do cargo, o peemedebista disse que não precisa de aprovação do país. “Não preciso ter popularidade. Diferente da presidente da República, que foi eleita por uma maioria absoluta da população brasileira, eu fui eleito por um segmento do meu Estado. Então, eu não tenho que buscar popularidade, tenho de buscar exercer o meu papel com correição”.
Revés no Supremo

A despeito da confiança, nesta terça-feira Cunha já sofreu uma derrota, ainda que parcial. O Supremo se negou a adiar o julgamento do processo contra ele. Os advogados do deputado peemedebista queriam que os ministros analisassem dois recursos que ele apresentou, antes de decidirem se ele se tornaria réu.

Mesmo sem obter esse aval do Supremo, os defensores de Cunha contam com um pedido de vista feito por algum ministro para que seu caso não seja julgado logo. O próprio deputado reclamou que ações envolvendo seu nome costumam ser mais céleres que as demais. Internamente no STF a discussão é que tornar Cunha réu seria o primeiro passo para afastá-lo da presidência da Câmara. A expectativa entre servidores com trânsito entre os ministros é que até meados de abril a Corte se decida sobre o afastamento dele.

Enquanto isso, no Conselho de Ética, depois de 120 dias de idas e vindas, os parlamentares finalmente conseguiram encerrar as discussões sobre a abertura de uma representação contra o peemedebista por quebra de decoro parlamentar. Esse é o primeiro passo para se decidir pela abertura da representação contra ele, o que se chama de admissibilidade do processo.

Os opositores de Cunha no Conselho acreditam que deverão ter a maioria dos 21 votos no colegiado para abrir a representação. Seus aliados fazem a mesma avaliação, de que o caso poderá ser engavetado sem dificuldades. Esta decisão deve sair ainda nesta quarta-feira, quando estão previstas mais duas sessões entre os conselheiros. Uma de manhã e outra à tarde, na mesma hora em que o peemedebista estará sendo julgado pelo STF.

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