DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (DE LISBOA)

Hillary Clinton e Donald Trump pontificavam neste início de madrugada de quarta-feira(2) como os grandes vencedores da Super Terça-feira das eleições primárias americanas, em que 11 estados votam os seus candidatos à corrida à Casa Branca.

As primeiras projeções das televisões americanas CNN e CBS dão a vitória a Clinton, do lado democrata, nos estados do Alabama, Tennessee, Virginia, Georgia, Arkansas e Texas. Donald Trump arrecadou as preferências republicanas no Alabama, Massachusetts, Tennessee, Georgia e Virginia.

Já Bernie Sanders, o “candidato fenomeno” democrata que faz frente a Hillary no seu partido, venceu Vermont, o seu estado natal, e poderá ter ficado com o Massachusetts, Vermont e Oklahoma (projeções que ao início da madrugada não era possível confirmar). Do lado republicano, o candidato Ted Cruz venceu no Texas e no Oklahoma.

Hillary já trabalha na estratégia contra Trump

Em janeiro, Hillary Clinton garantia no Tonight Show, da NBC: Donald Trump “está muito mais obcecado comigo do que eu com ele”. Passado um mês e meio, a ex-primeira-dama já não terá tanta certeza. Com o magnata do imobiliário a sair-se como grande vencedor da super terça-feira do lado republicano, Hillary estará já a preparar a estratégia para derrotar Trump nas presidenciais de novembro nos EUA.

É verdade que a última sondagem do instituto ORC para a CNN mostra que tanto Hillary como Sanders derrotariam Trump num duelo pela Casa Branca. A ex-secretária de Estado surge no estudo com 52% das intenções de voto, contra 44% para o milionário (o senador do Vermont lideraria com 55% contra 43%). Mas como num sistema político tão complexo como o americano nada é garantido – muito menos a oito meses das eleições e com as primárias ainda no início -, Hillary já pôs sua equipe a trabalhar na grande questão: Como derrotar Trump nas presidenciais?

Segundo o New York Times (NYT), teria sido Bill Clinton a forçar a mulher a agir já, pouco convencido de que o seu apelo junto dos eleitores negros, hispânicos e entre as mulheres seja suficiente para travar Trump. Para isso, o ex-presidente está convencido de que é preciso uma campanha que retrate Trump como um homem perigoso e intolerante. O jornal garante que o plano já está em marcha, com a equipe de Hillary preparando discursos e anúncios que mostrem a ex-estrela do reality show The Apprentice como alguém misógino e inimigo da classe trabalhadora.

A mesma ideia surgia ontem no Washington Post, com o jornal a sublinhar que a imigração pode ser um campo de batalha decisivo, com Hillary a privilegiar o caminho para a cidadania e a reunião familiar, em contraste com os muros e deportações prometidos por Trump.

Menosprezar Trump pode ser um erro fatal para os democratas. Se dúvidas houvesse, basta pensar que os rivais republicanos, como Hillary no Tonight Show, também começaram por ironizar o milionário de cabelo louro. Mas depressa perceberam que num eleitorado cansado dos candidatos do sistema, a mensagem de Trump tem apelo. Na mesma sondagem da CNN, mas na pergunta sobre quem consideram mais honesto, Trump lidera com 35%, bem à frente dos principais adversários, Ted Cruz (14%) e Marco Rubio (13%).

Nos últimos dias, os dois senadores não pouparam esforços para roubar votos a Trump nos 11 estados que foram ontem à votação (ao todo são 14, uma vez que as primárias republicanas e democratas não são totalmente coincidentes). Mas, ontem, as sondagens mostravam que dificilmente teriam resultados, uma vez que Trump apenas era derrotado num dos estados a votos: o Texas, onde Ted Cruz, a jogar em casa, devia vencer.

A cautelosa vs. o desbocado

Perante a hipótese cada vez mais forte de ter Trump como adversário em novembro, Hillary não pode deixar que lhe aconteça o mesmo. E espera usar os comentários menos próprios do magnata contra ele. Uma estratégia que nada garante vir a ter sucesso. Afinal, Trump já chamou violadores e traficantes aos mexicanos, propôs proibir os muçulmanos de entrar nos EUA e recusou condenar o apoio de um supremacista branco do Ku Klux Klan sem que isso o prejudicasse nas urnas. A confirmar-se o duelo, resta ver como a “cautelosa” e “racional” Hillary lida com o “desbocado” Trump, escreveu o NYT. “Hillary construiu um grande petroleiro, mas está prestes a ser atacada por piratas somalis”, brincou Matthew Dowd, antigo estrategista do ex-presidente George W. Bush, agora independente.

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