J.C. Teixeira Gomes, aos 80, lança “A Brava Travessia, memórias, viagens e artigos do Pena de Aço”


ARTIGO/ Pena de Aço

Importância do livro e do jornal diário

J.C. Teixeira Gomes

Vivemos numa época de glorificação dos meios eletrônicos, mas ouso afirmar que nada suprimirá a relevância do livro e do jornal diário, impresso, como instrumentos de comunicação. Alguns jornais estão profundamente ligados à sociedade a que servem. A TARDE, por exemplo, tem a história da Bahia enraizada nas suas páginas.

Quanto ao livro, nenhum meio eletrônico a ele poderá equiparar-se na difusão da cultura. Embora tenha sido um jornalista profissional em toda a minha trajetória, sempre me utilizei do livro para difundir ideias e consolidar opiniões. A propósito, gostaria de convidar os leitores para o lançamento do meu novo livro, “A Brava Travessia, memórias, viagens e artigos do Pena de Aço”, na livraria Cultura do Salvador Shopping, a partir das 16,30, em nove de março próximo, quando estarei completando 80 anos de idade.

Ao me iniciar no jornalismo, em setembro de 1958, A TARDE já era o mais importante veículo de comunicação da capital baiana. Ernesto Simões Filho havia consagrado este jornal em todo o Brasil pela combatividade e afirmação política ou na preservação dos nossos interesses regionais e nacionais. Nos meus primeiros anos de atividade, lembro-me da admiração que me provocavam as campanhas de A TARDE em defesa da nossa economia e da exploração do nosso petróleo. Recordo-me também dos nomes de destaque dos seus redatores e colaboradores, vários dos quais constituíam a nata da intelectualidade baiana da época.

Entre os títulos jornalísticos que mais me engrandecem, está o de vir integrando a equipe de colaboradores deste jornal há cerca de vinte anos. Expressivo detalhe: em todo esse período, jamais tive um artigo meu censurado pelo jornal ou fui compelido a alterar uma linha sequer dos meus escritos, muitos dos quais duros e combativos, e que me valeram o apelido de “Pena de Aço”.

O jornalismo não pode conviver com a falta da liberdade. Em todas as épocas e em todos os lugares, os tiranos quiseram subjugar a livre expressão do pensamento, ou diretamente, pela violência, ou pelos sinuosos artifícios da dominação política. Por outro lado, a consciência crítica da opinião pública, indispensável à vida civilizada, não se faz através da ligeireza e superficialidade da informação eletrônica. Apenas a maturação das ideias, favorecida pelo contato da mente com o texto impresso, permite ao leitor consolidar os caminhos do seu discernimento.

Sou um homem do discurso impresso. Por isso,creio na eternidade do jornal diário. A ausência de um jornal relevante abre um buraco negro na sociedade humana. Todas as conquistas sociais e econômicas da Bahia, por exemplo, foram implantadas ou aceleradas com o concurso decisivo dos debates promovidos por A TARDE, ao longo da sua centenária existência. Esse patrimônio emerge no tempo com um poder que suplanta a durabilidade do bronze.

No livro que publicarei em nove de março,destacarei minha crença na permanência dos jornais impressos, na relevância da sua função no combate à corrupção e aos desvios políticos, na preservação do jogo democrático, bem mais frágil sem a vigilância da imprensa livre.

Estou convencido da minha autoridade pessoal para defender tais ideias, até porque grande parte da minha carreira se desenvolveu sob ditadura, agravada por perseguições políticas na Bahia. Se tudo isto significou a instauração de exaustivos confrontos, deu, no entanto, novo significado à minha vida, pois, como jornalista, aprendi, como dizia Indira Ghandi, que “é um privilégio viver uma vida difícil”. Com alma forte, resoluta, e uma pena de aço na mão.
Enviado do meu iPhone

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Comentários

Rosane Santana on 29 Fevereiro, 2016 at 14:28 #

Queridíssimo Joca,
Mestre da erudição e do saber,
Peço licença para refutar suas colocações:
Por ora, o jornal impresso ainda goza de grande credibilidade. Mas não há como garantir – e’ preciso acompanhar os hábitos de jovens leitores – que isso vá permanecer. Pesquisas de mídia revelam, no entanto, que o jornal já foi ultrapassado pela internet como fonte de informação. Quant ao jornal A Tarde, está morto. Falta sepulta-lo. Muita imprevidência financeira aliada à uma reforma editorial desastrada, totalmente desastrada (guardo os 50 primeiros exemplares do desatino) conduzidas por uma consultoria espanhola (águas passadas não movem moinhos) levaram o jornal ao último suspiro. Não há mais jeito. Falta sepultar o cadáver.


Taciano Lemos de Carvalho on 29 Fevereiro, 2016 at 20:06 #

Ministro nega pedido de indulto de José Dirceu na AP 470 (Mensalão do PT)

http://stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=310968


Gilson Nogueira on 3 Março, 2016 at 19:41 #

Bravo Joca, que Deus o ilumine cada vez mais. Na Cultura, quarta-feira, 9, irei abraçá-lo por sua “Brava Travessia” e pelos seus 80 anos de vida. Prepare a caneta, a fila de admiradores seus já começou a ser formada!
Um grande abraço do seu ex-aluno, mestre querido. Gilson Nogueira


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