DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

O petismo quer salvar a Petrobras

O ex-presidente Lula convocou a militância histórica – sem que tenha sido esclarecido o que é exatamente isso nos tempos atuais – a “reagir aos ataques” contra o governo Dilma Rousseff e o PT, usando, como de hábito, um pretexto que o povo brasileiro desconheça, mas que possa deixá-lo indignado.

Falamos do pré-sal, a virtual camada petrolífera submarina que ajudou a eleger muita gente. O projeto aprovado pelo Senado, de autoria de José Serra (PSDB), desobriga, mas não proíbe, a Petrobras da reserva de 30% do investimento na suposta exploração futura.

Combalida, endividada, desmoralizada pela metástase da corrupção que lhe ocupou o organismo, a Petrobras tem pouco a fazer nesse contexto, a não ser sobreviver e lutar. Não tem dinheiro para nada, perdeu mais de 80% do valor de mercado.

E se está nesta situação pré-falimentar, não é por causa do presidente Getúlio Vargas, que a criou, nem de nenhum dos presidentes que o sucederam, até chegar a Lula e suas mãos sujas de óleo.

À ínfima minoria de “artistas”, “intelectuais” e “cientistas” remanescentes em sua companhia, disse que é “vítima da imprensa”, que não é dono de tríplex nenhum e que vai “processar os promotores” que o acusam, sugerindo que os petistas devem “sair da defensiva” para conter o “massacre violento”.

O apelo aos valores da “esquerda” nunca funcionou no Brasil perante a massa, nem quando a verdadeira esquerda era formada por idealistas levados ao sacrifício extremo, quanto mais agora, que a população identifica a “esquerda” com um bando de ladrões oportunistas.

Doloroso é ver a velha imprensa intelectualizada personalista pró-lulopetismo do Brasil, tipo Mino Carta, dar abrigo a Lindbergh Farias (PT, para passar a ideia de que, segundo a publicação, “o projeto aprovado pelo Senado comprometerá investimentos cruciais em saúde e educação”.

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Comentários

Jader martins on 28 Fevereiro, 2016 at 12:05 #

Corrigindo: Doloroso é ver a nova imprensa se transformar em partido politico . Vide Janio abaixo :

Janio de Freitas:
O caminho e o desastre
28/02/2016 02h00

O Brasil experimentou uma democracia frustradamente reformista, passou por golpe de estado, sofreu a tragédia da ditadura militar, voltou à democracia caótica, e chegou. Chegou outra vez aos primeiros anos da década de 1950. O golpismo, o “entreguismo” ameaçador e a “república do Galeão” foram os estigmas daqueles anos. O golpismo volta no estilo PSDB; acompanha-o o “entreguismo” apontado na retirada de pré-sal da Petrobras, aprovada pelo Senado; e a versão civil da “república do Galeão”, sob o nome insignificante de Lava Jato, evidenciam juntos o estágio em que o Brasil de fato está.

Mas, se é desculpável a imodéstia de quem se aproximava da vida de adulto naquela década, o pequeno Brasil que não era então menos discriminatório e menos elitista, no entanto era mais inteligente, culto e criativo, menos incivilizado em suas cidades e muito, muito menos criminal.

O mundo se mediocriza, é verdade. A França o prova e simboliza. Mas o Brasil exagera, iludido por uns poucos e duvidosos avanços econômicos. Como a indústria automobilística, por exemplo, que sufocou os transportes públicos e deformou as cidades, dois efeitos antissociais no sentido menos classista da palavra. A degenerescência entra, porém, em fase nova. E acelerada.

São já os esteios do esboço de democracia a sofrerem investidas corrosivas. Ainda que sob outras formas, são prenúncios de repetição, se não contidos em tempo, dos desdobramentos lógicos que períodos como os anos 50 produzem, historicamente.

É melhor, e é urgente, que se comece a forçar o Congresso a ser menos infiel às suas finalidades institucionais e mais responsável com suas funções, seja em apoio ou oposição ao governo. Muitos poucos estão ali, em especial entre os deputados, para serem parlamentares. Dividem o seu tempo entre ser massa de manobra de interesses alheios e agir por interesses subalternos próprios. Uns e outros cada vez mais contrários à instituição e à democracia pretendida pela maioria do país.

A ministra Cármen Lúcia foi muito aplaudida pela invocação, em seu literário voto por liberdade biográfica, ao bordão “cala a boca já morreu”. Ninguém observou que o complemento foi omitido: “quem manda aqui sou eu”. O bordão é, na verdade, de extremo autoritarismo. Amputá-lo valeu como definição pessoal.

Mas não é o meio bordão, é o autêntico, realista, que os fatos já justificam: partes do Judiciário e do Ministério Público agem como se respondessem aos direitos civis (e por tabela a quem os defenda): cala a boca já morreu, quem manda aqui sou eu. E mandam mesmo, pela reiteração e pela indiferença, porque as instâncias com autoridade e meios de corrigir as deformações não o fazem, acomodadas no seu próprio poder ou intimidadas pela parcela da sociedade adepta do bordão. E os direitos e a Justiça se esvaem.

Crises políticas não se agravam sem imprensa. Crises econômicas expandem-se menos e menos depressa sem imprensa. Hoje em dia a imprensa brasileira pratica uma solidariedade de modos com as deformações no Congresso, no Ministério Público e no Judiciário. Assola-a nova onda de relaxamento dos princípios éticos, para não falar em qualidade jornalística. E cresce a cada dia uma grande dívida de autocrítica, para relembrar as responsabilidades dos jornalistas profissionais. Com medo da internet, a imprensa brasileira foge de si mesma.

O Brasil não é bem-vindo aos anos 1950


Taciano Lemos de Carvalho on 28 Fevereiro, 2016 at 16:04 #

Essa foto de Lula com as mãos sujas…

Em 15 de abril de 2014, portanto há quase dois anos, publiquei num bloguinho que edito duas fotos e dois comentários curtos.

A primeira foto é aquela em que Lula suja com a mãos, sob o olhar de Seu Lobão do Sarney, as costas de Dilma.

A segunda imagem é a de Lula mostrando as duas mãos sujas. E um pouco atrás dele o baiano Sérgio Gabrielle, também com mão melada de algum material.

O título da postagem: “Petróleo ou…

“Petróleo ou. . .
Terça, 15 de abril de 2014
Alguém pode afirmar se aquelas mãos de Lula nas costas de Dilma estavam sujas mesmo de petróleo? Não era outra coisa? Diante do escândalo com a refinaria de Pasadena fica difícil afirmar que aquilo era petróleo. Ou não! [Texto acima da foto de Lula e Dilma]

“A coisa nas mãos de Gabrielle e Lula não estariam meio marrom? Ixi! (Texto abaixo da foto de Lula com Gabrielle)

Agora,em fevereiro de 2016, não tenho mais dúvidas de qual o material que sujava as mãos e as costas dos fotografados.

Se alguém quiser ver as duas fotos, pesquise na internet por: “”Petróleo ou… gamalivre”


Taciano Lemos de Carvalho on 28 Fevereiro, 2016 at 16:07 #

Correção: “A primeira foto é aquela em que Lula suja com as mãos…”


vitor on 28 Fevereiro, 2016 at 19:08 #

Só um reparo, Taciano: BLOGUINHO!, NADA!. Considero o Gama Livre um blogão e o recomendo sempre, desde que o grande e saudoso colunista político Ivan de Carvalho (seu irmão de sangue e meu de afeto e admiração) pontilhava diariamente por lá. O resto e modéstia do editor do blog do Distrito Federal. Basta conferir o texto que vc agora relembra no BP. Bravo!!!


Taciano Lemos de Carvalho on 29 Fevereiro, 2016 at 11:25 #

Caro Vitor:

Blogão mesmo é o Bahia em Pauta. E, claro, também o Por Escrito. Leituras diárias indispensáveis. Tenho certeza que de onde Ivan estiver agora está torcendo pelo seu blog e por você.

Grande abraço!


luis augusto on 29 Fevereiro, 2016 at 15:13 #

Obrigado, querido amigo. Ivan sempre foi meu ídolo também.


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