Ramon : o fazendeiro da família Castro

DO EL PAIS

David Marcial Pérez

Cidade do México

Ramón Castro Ruz, o irmão mais velho de Fidel e Raúl, também participou da insurreição cubana nos anos 1950. Mas, depois da vitória da revolução e uma passagem por alguns postos no Governo comunista, o terceiro irmão — dois anos mais velho que Fidel, com quem se parece muito fisicamente —, preferiu retornar para o pequeno vilarejo de Biran, na região leste da ilha, para cuidar da fazenda do pai e se dedicar aos negócios como pecuarista. Ramón Castro Ruz faleceu nesta terça-feira em Havana aos 91 anos de idade.

A causa da morte não foi divulgada pelos meios de comunicação oficiais cubanos. O corpo foi incinerado, e as cinzas serão levadas para o município da família Castro, onde ele nasceu e viveu durante praticamente toda a vida.

Nascido em 14 de outubro de 1924, Ramón participou, segundo o Granma, das primeiras ações pré-revolucionárias ao lado de seus irmãos. Outras versões, no entanto, afirmam, por exemplo, que ele não esteve presente no importante, embora fracassado, assalto ao quartel de Moncada, de 1953, que levaria Raúl e Fidel à prisão, mas que inspiraria o Movimento 26 de julho, que acabou vencedor anos mais tarde. Segundo a agência norte-americana AP, durante os quase dois anos em que os irmãos passaram presos, Ramón se encarregava de escrever as cartas familiares que chegavam à prisão, nas quais, às vezes, incluía uma caixa de charutos.

Enquanto Fidel deixou de fumar, oficialmente, o tabaco cubano desde 1986, seu irmão mais velho manteve o hábito do cigarro desde os 12 anos até o final da vida. Seu pai, o migrante galego Ángel Castro, também foi fumante. Ramón era o primogênito dos quatro filhos que teve com sua segunda esposa, a cubana Lina Ruz.

Como seus irmãos, Ramón teve uma formação religiosa. Os três frequentaram colégios de jesuítas, onde Fidel já se destacava como aluno dedicado, carismático e com gosto pelas grandes e messiânicas façanhas, enquanto em Raúl e em Ramón predominava uma personalidade mais pragmática e executiva.

Ramón Castro chegou a ser assessor dos ministros da Agricultura e do Açúcar

Ligado ao mundo agrícola e à pecuária, o primogênito dos Castro teve sob sua responsabilidade, segundo o seu perfil oficial, a rede de abastecimento da frente de batalha do leste da Sierra Maestra no ano decisivo de 1958. Depois da derrubada de Fulgêncio Batista, assumiu o comando de várias empresas públicas do setor agropecuário, principalmente no setor do açúcar e da pecuária. Chegou a ser assessor dos ministros da Agricultura e do Açúcar.

Embora não tenha ocupado cargos relevantes no aparelho governamental, foi um dos membros fundadores do Partido Comunista de Cuba, em cuja cúpula Fidel se manteve durante quase cinco décadas, até ser sucedido pelo irmão Raúl em 2011.

Se Raúl é conhecido popularmente como El chino (O chinês), pelos traços asiáticos de seu rosto, o apelido de Ramón era Mongo, e ele se parecia muito com Fidel. Apesar de sua predileção por chapéus de fazendeiro e por trajes civis, era comum que lhe pedissem para fazer fotos pensando que fosse Fidel. Mongo costumava desfazer o mal-entendido dizendo que ele havia nascido antes e que, portanto, Fidel é que se parecia com ele.

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