DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Globo revela decretação da prisão de Santana

Dois pesos-pesados da imprensa brasileira – o Globo e a Folha de S. Paulo – noticiam hoje, de formas distintas, a deflagração da 23ª etapa da Operação Lava-Jato: o jornal paulista não cita a decretação da prisão do marqueteiro João Santana, supostamente acusado de ter no exterior contas bancárias não declaradas.

Ambos, no entanto, concordam sobre a outra investigada desta fase, a empreiteira Odebrecht, pela recorrente prática de propina em contratos da Petrobras. Possivelmente pela origem baiana do publicitário e da empresa, a ação policial recebeu o nome de Operação Acarajé. O portal G1 esclarece que “Santana está no exterior e não foi preso”

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 23 Fevereiro, 2016 at 9:13 #

Caro Luís

Como descrever o calafrio que abate jornalistas de tantas redações, João, o mecenas, João, o mágico, João, o exemplo, agora é João, o Deus caído. Sem, esforço é possível ouvir suspiros e desalentos.

Aprender a conviver com a realidade, sem direito a mimos, é realmente doloroso.


luis augusto on 23 Fevereiro, 2016 at 9:34 #

Caro Poeta, eu o conheci no meio baiano, fui por ele chefiado em O Globo. Poderia ter se contentado com menos.

A propósito do texto, quero fazer uma observação: quando me deparei com o fato, antes das 8 da manhã, a Folha, realmente, não o havia noticiado. Fiz a ressalva na nota porque estranhei, sei lá. Mas depois a Folha incluiu.


luiz alfredo motta fontana on 23 Fevereiro, 2016 at 10:06 #

Mitos são assim, estorvam ao derreter. Há muito de placitude na adoração aos mesmos. Atrofia-se sentidos, entorpecem sinapses, dizem que dói acordar.


luiz alfredo motta fontana on 23 Fevereiro, 2016 at 10:08 #

Quanto ao acarajé, a PF parece ter esclarecido, seria o termo usado pelos doces meninos ao referirem-se a dinheiro. Por certo João teria preferido “bolinho de Jesus”.


luis augusto on 23 Fevereiro, 2016 at 11:15 #

Aos 18 anos, na puberdade de minha movimentação nesse meio, terminei num boteco no Tororó nas companhias de Gustavo Falcón (que tinha sido meu colega no Severino), Patinhas (o João Santana) e Antônio Rizério. Rapaz, os caras falaram a noite toda e eu não entendi nada!


Jader martins on 23 Fevereiro, 2016 at 12:49 #

Do Brasil 247

Os mistérios da Acarajé

Tereza Cruvinel

A cada dia fica mais difícil entender algumas coisas que estão acontecendo no Brasil. Ou faltam partes do enredo ou estamos vivendo mesmo uma anomia, um surto inquisitorial ou num “clima de perseguição”, como disse o publicitário João Santana ao largar uma campanha presidencial na República Dominicana para voltar ao Brasil e ser preso, embora tenha tentado prestar depoimento antes.

Nesta Operação Acarajé, a 23ª conduzida pela força tarefa da Lava Jato, existe um texto e um sub-texto. O texto que chega ao senso comum diz o seguinte: vai ser preso o marqueteiro que o PT pagou com propinas do Petrolão. Mas o exame do sub-texto conta as coisa de modo diferente: Santana é suspeito de receber recursos ilegais mas isso não tem conexão com as campanhas petistas. Pelo menos até agora, foi o que disse a PF.

Não é fácil compreender a decretação da prisão preventiva de alguém que na semana passada ofereceu-se para prestar depoimento e esclarecer dúvidas e suspeitas, como fez Santana. Mas o Juiz Sergio Moro não quis, e ainda negou aos advogados do publicitário acesso ao processo em que ele figura como suspeito. Claro, que graça haveria na notícia de que Santana, como bom cidadão, compareceu espontaneamente para prestar esclarecimentos à Justiça? Navegar é preciso, e a Lava Jato navega no espetáculo. Não poderia perder o efeito da fotografia em que o “marqueteiro do PT” aparecerá preso e sendo levado para Curitiba.

Aliás, nestes tempos interessantes, os acusados importantes têm seus nomes alterados numa metonímia que atende aos objetivos desejados. O empresário Bumlai já protestou contra o fato de ter sido rebatizado de “amigo do Lula” no noticiário. “Eu tenho nome”, disse ao depor numa CPI no final do ano passado. Assim também João Santana, que já teve e tem tantos outros clientes, foi carimbado como “marqueteiro do PT”.

É difícil também compreender por que só agora a Lava Jato saiu no encalço de Santana, se já faz um ano que a Polícia Federal descobriu um bilhete de sua mulher Mônica sobre pagamentos no exterior que embasou as suspeitas e investigações posteriores. Mas por que não antes? Não é por temer a ação de suspeitos que a Lava Jato usa e abusa das preventivas? Parlamentares do PT enxergam uma coincidência entre a iminente prisão de Santana, logo que ele chegar ao Brasil, e a proximidade do julgamento, pelo TSE, da ação de impugnação de mandato eletivo (AIME) em que o PSDB pede a cassação dos mandatos de Dilma e Temer e a posse do senador Aécio. Isso dá para entender. Se ficar provado que Santana foi pago com recursos que eram na verdade propina, o jogo estará feito no TSE e o ministro Gilmar fará o gol da sua vida.

Mesmo assim, continua sendo difícil entender. A Polícia Federal declarou textualmente que, em relação aos pagamentos feitos pelas campanhas de Lula, Haddad e Dilma “não há, e isso deve ser ressaltado, indícios de que tais pagamentos estejam revestidos de ilegalidades”. Ora que interesse. Mas Santana trabalha para o PT, e a conexão está feita. Não fosse o vínculo, será que suas finanças despertariam algum interesse? Você duvida? Eu também.

Mais espantoso foi o anuncio de que a Odebrecht pode ter “construído” o prédio do Instituto Lula. Centenas, talvez milhares de pessoas já estiveram no casarão antigo da rua Pouso Alegre, no Ibirapuera, desde que lá foi implantado, em 1991, o IPET e depois seu sucessor, o Instituto da Cidadania, antecessor do Instituto Lula. Mas estamos na temporada de caça a Lula e toda notícia desta natureza, mesmo que depois desmoralizada pelos fatos, ajuda a matar o mito.

Mas o que não entendo mesmo a eternidade da Lava Jato, se tão claro está que, enquanto ela durar, nem o governo vai governar nem a economia vai se recuperar. Mas quem se habilitará a negociar com Sergio Moro um limite temporal antes que o país derreta? O STF já deu mostras de que não fará isso.


Taciano Lemos de Carvalho on 23 Fevereiro, 2016 at 14:21 #

Chantagem, é? Essa história de que com a Lava-Jato nem o governo vai governar nem a economia vai se recuperar é história que só beneficia os mesmos, os que vêm roubando, assaltando o Estado por décadas e décadas. O buraco é mais embaixo. Muito mais embaixo.

Essa tese, que é uma vergonhosas tese do ‘esquecimento’ vem sendo defendida desde o primeiro momento da Lava-Jato pelos advogados dos empresários bandidos. E também por uma ou outra entidade empresarial, especialmente aquelas com forte presença dos empresários/empresas acusadas. E, infelizmente, por muitas autoridades do governo federal.

Mas governantes corajosos pra encampar as empresas ladronas, não temos. Ao contrário, fazem ‘acordos’ de leniência, coisa vergonhosa e humilhante para o Estado.

Por que não encampam? E também por que não querem ver punidos os empresários e as empresas? Imagina!!

No caso específico da Operação Acarajé, a arrogância e a crença na impunidade dos criminosos bilionários, fizeram com que eles —os arrogantes— esquecessem de um risco:

Quando se come muito acarajé há sempre o risco de uma diarreia. Diarreia ainda não é, nesta última operação da PF e MPF. Mas o ‘desarranjo’ que deu pode evoluir para uma tremenda diarreia. Infecção já é.


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