Dilma conversa com João Santana em 2014.
E. Knapp Folhapress

DO EL PAIS

A estrela do marketing político do PT, o baiano João Santana, é o principal alvo da 23ª fase da operação Lava Jato, realizada na manhã deste segunda-feira. Ele foi responsável pela propaganda de campanha que ajudou a reeleger o ex-presidente Lula, em 2006, e pelas peças publicitárias de Dilma Rousseff nos pleitos de 2010 e 2014. Além disso, Santana atuou como conselheiro da presidenta em diversos momentos da crise política que o Planalto atravessa. De acordo com fontes não oficiais dentro da Polícia Federal, os agentes tentam cumprir mandado de prisão temporária contra ele, que de acordo com seus assessores está na República Dominicana. A suspeita da força-tarefa é que o marqueteiro tenha contas não declaradas no exterior que teriam sido irrigadas com dinheiro da empreiteira Odebrecht – os ativos superariam 7 milhões de dólares. O nome desta etapa da operação, Acarajé, seria uma referência ao nome usado pelos envolvidos no esquema para designar dinheiro vivo.

A nova etapa da operação tem potencial de colocar mais lenha na fogueira da crise política vivida pelo Governo, que ainda tem pela frente um processo de impeachment – suspenso pelo Supremo Tribunal Federal – e um Congresso hostil. Além disso, o Planalto ainda lida com o desgaste provocado pela fase anterior da Lava Jato, a Triplo X, que mirou um triplex que teria sido reformado pela OAS para Lula.

No total a PF cumpre hoje 51 mandados judiciais nos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Além de Santana, a PF também realiza buscas em escritórios da construtora Odebrecht, uma das investigadas na Lava Jato. O ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht, preso em junho de 2015, é um dos poucos executivos denunciados que continua detido – ele não aderiu ao acordo de delação premiada.

A relação entre o herdeiro do império Odebrecht e o marqueteiro começaram a ficar mais claras em junho do ano passado, quando, no telefone celular do ex-presidente da empreiteira a força-tarefa encontrou a seguinte mensagem, endereçada a outro executivo da companhia: “Dizer do risco cta suíça chegar na campanha dela”. Para os agentes, trata-se de uma possível menção a pagamentos feitos pela Odebrecht depositados nas contas de Santana que seriam redirecionados para a campanha da presidente.

No ano passado a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia Federal havia aberto inquérito para investigar Santana por outra suposta irregularidade. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, havia a suspeita de que ele teria trazido ao Brasil 16 milhões de dólares, oriundos de Angola, em 2012, no que poderia ser uma operação de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT. Naquele ano o marqueteiro atuou em duas campanhas eleitorais: em São Paulo, para o então candidato Fernando Haddad, que venceu o pleito para prefeito da capital, e em Angola, onde assessorou o partido Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA). Santana negou qualquer irregularidade, e publicou no site de sua agência, a Pólis Propaganda, recibos e comprovantes das transações realizadas.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a PF também cumpre hoje mandado de prisão contra o consultor Zwi Skornicki. Ele seria um dos operadores do esquema envolvendo Santana, e é representante da Keppel Fels, um estaleiro de Cingapura que prestou serviços à Petrobras.Dos 51 mandados, 38 são de busca e apreensão, dois de prisão preventiva, seis de prisão temporária e cinco de condução coercitiva (quando o intimado é obrigado a comparecer às dependências da Polícia).

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