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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Teori manda Delcídio de volta ao antro

Vai aqui um exercício de interpretação sobre as restrições impostas a prisioneiros liberados sob condições especiais, como trabalhar durante o dia, não sair à noite e evitar contatos com determinadas pessoas ou locais.

O trabalho é elemento essencial na recuperação do detento, para que possa garantir o próprio provento, o que facilita o processo de futura reintegração à vida comunitária.

Quanto aos limites à movimentação, é certo que, distanciado de indivíduos que eventualmente poderiam incitá-lo ao crime, seria reduzida a possibilidade de reincidência.

Presume-se, contudo, que o legislador considerou os tipos de delito que na época preocupavam a sociedade, como o furto de galinhas em quintais, mais exequível sob a sombra da noite.

Não se esperava, pelo menos na incidência dos dias atuais, que o espírito do assalto aos cofres públicos dominasse tantos políticos, empresários, advogados, jogadores de futebol e profissionais outros de bom berço e formação superior.

Por isso, se é justa a soltura do senador Delcídio Amaral, não faz sentido que o ministro Teori Zavascki lhe aplique sanções comumente reservadas aos presos “comuns”.

Proibi-lo de sair em certos horários do dia não o deixará, como aos antigos pés-de-chinelo, incomunicável, nestes tempos pródigos de celular, internet e outros meios.

Por outro lado, nada poderia ser mais infeliz do que a autorização para que Delcídio volte ao “trabalho”, pois é justamente lá que estará lado a lado com uma infinidade de más companhias.

Pronunciamento do líder é aguardado

Em 18 de dezembro, sob o título “Mulher inspira a liberdade do marido”, este blog relacionava a ida do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a providências que poderiam resultar na libertação do senador Delcídio durante o recesso do Poder Judiciário, por decisão monocrática do seu presidente, Ricardo Lewandowski.

O prazo foi um pouco ultrapassado, pois só agora, dois meses depois, veio a medida, não mais pelo presidente, mas igualmente solitária, pelas mãos do ministro Zavascki, o mesmo que, no início, transferira Delcídio da carceragem da Polícia Federal para um quartel de bombeiros.

Na certeza de que, com a consolidação da delação premiada de Nestor Cerveró, o senador não mais terá condições de atrapalhar as investigações, que podem envolvê-lo, resta saber quando fará seu primeiro pronunciamento pós-cana como líder do governo, já que ainda não foi substituído.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 21 Fevereiro, 2016 at 11:32 #

“De volta ao antro”. É isso mesmo. Perfeita a colocação.

Como o diabo gosta. E o Brasil padece.


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