Lula e Waleska:o passado do polonês
e o futuro do brasileiro.

ARTIGO DA SEMANA

Ascensão e Decadência: viagem do paraíso ao inferno de Lula

Vitor Hugo Soares

“Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco, afinal”
(Verso de “A Banca do Distinto”, samba antológico de Billy Blanco).

Na encruzilhada da atualidade política, econômica, social e ética, da vida brasileira, poderá parecer cruel para uns, e inoportuna para outros, citar a música famosa, feita em desagravo à desfeita sentimental sofrida por Dolores Duran, confessada ao amigo, pela artista, em noite de fossa, álcool e cigarro, num bar de Copacabana. Isso “há muito tempo atrás”, como era comum dizer-se nas canções de então.

Além disso, nunca é demais repetir: estamos em plena Quaresma, período do calendário cristão que aponta para uma advertência crucial, ao ser humano em geral, de qualquer religião ou mesmo sem credo algum, incluindo o ateu que acredita em milagres, a exemplo do jornalista que assina esse artigo semanal de opinião: “Lembra-te de que és pó, e ao pó retornarás”.

Pensamento verdadeiro e transcendente, mais atual que qualquer letra de samba.
Acontece, também, e merece registro: o verso simbólico de Billy Blanco ganha maior significado quando comparado com as imagens e palavras de um vídeo, do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Depoimento político carregado de bravatas e explosão de ego inflado, nas alturas (real e metaforicamente falando), que circula há anos na Internet.

Revi inúmeras vezes e com maior atenção esta semana. São registros de passado mais remoto ou mais recente, que ressurgem, não por simples acaso, neste espaço e nestes dias quaresmais, de fevereiro de 2016. Ao lado dos fatos espantosamente significativos, do tempo temerário que atravessamos, mostrados ao País, esta semana, em frente ao Fórum de Justiça da Barra Funda, em São Paulo.

Demonstrações públicas e contundentes, de realidade e contexto sobre os quais não é mais possível negar, camuflar e muito menos tergiversar (para usar uma expressão de cunho ideológico bem ao gosto de alguns segmentos das chamadas “esquerdas brasileira”.

Refiro-me, evidentemente, ao fenômeno da política nacional mais intrigante do momento: a notável e histórica ascensão de um líder e seu partido, ao ponto máximo do poder, em contraste agora com vertiginosos sinais de decadência e descrédito, que parecem a cada dia dominar Lula e do PT.

O que faz o ex mandatário exibir sintomas cada vez mais freqüentes de cansaço físico, descuido pessoal, isolamento e agressivo desarvoramento mental e gestual, que preocupam progressivamente os seus mais próximos: na política, no poder e, principalmente, nos círculos fechados dos grupos econômicos de alto coturno, de onde pipocam – depois de suspeitas levantadas pela Lava Jato e outras operações de rastreamento, de procuradores da República e agentes da PF – evidências de arranjos (a expressão preferida dos petistas no poder) e negócios nada republicanos, que cobram explicações firmes, ágeis e cabais do ex-presidente, à sociedade em geral e, em particular, aos que ainda seguem sua liderança.

Comando e segurança que há pouco pareciam inabaláveis, mas que se fragilizam, cada vez mais, à medida que o próprio Lula se esconde em versões evasivas. E os que o defendem e apóiam substituem argumentos civilizados e democráticos, pela baderna e grosseria mais selvagem, a exemplo das ocorrências em frente ao Fórum da Barra Funda.

Este fenômeno que contaminou Lula, neste mês de fevereiro, se mostra tão viral e surpreendente quanto o do mosquito (ou mosquita?) transmissor da zika, o aedes aegypti, que voa há 30 anos no Brasil, e agora virou alvo principal de “guerra” declarada pela mandatária, que aparenta não se preocupar com mais nada, além de atacar Eduardo Cunha, rachar o PMDB e tentar aprovar a CPMF, panacéia petista para acabar com todos os males do País. Incluindo o mosquito da zika.

No caso de Lula, quanta diferença para o líder que aparece no vídeo referido no começo deste artigo. A cinco dias da vitória eleitoral espetacular que o levaria (e o PT) ao Palácio do Planalto e daí ao topo do mundo! O Lula que, dentro do jatinho, em vôo para o comício de quase encerramento da campanha de 2002, em Belém do Pará, mal se continha, tomado pela euforia do ego inchado, vaidade e arrogância (vestida de operário de linha de montagem, na comparação de Brizola).

Acompanhado do empresário mineiro Zé Alencar, candidato a vice, sentado na poltrona ao lado, cercado de assessores e marqueteiros que o incensam, a cada frase Lula se supera: chama de “pelegão” (e sugere atitudes dúbias e moralmente desabonadoras) a Lech Waleska, companheiro do Sindicato Solidariedade e depois presidente da Polônia. Se compara aos craques Didi e Zizinho, quando jogava futebol (até tira o sapato para mostrar as marcas no pé com o qual batia “folhas secas” ao jeito do craque do Botafogo). Alardeia sobre o fascínio que então exercia sobre estudantes, intelectuais e padres, bispos e fiéis da “igreja da opção preferencial pelos pobres”. E mais não digo, mas recomendo o vídeo integralmente.

Só mais duas singelas perguntas antes do ponto final: onde anda, e como se sustenta Lech Waleska, atualmente? E o futuro de Lula, qual será? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Comentários

Jader martins on 20 Fevereiro, 2016 at 15:48 #

PROCURA-SE UMA BOIA PARA FHC

Por Leandro Fortes

A mídia ainda não achou um jeito de tirar Fernando Henrique Cardoso da enrascada em que a jornalista Mirian Dutra o meteu.

A tese de que a relação com a amante é uma questão de foro íntimo só faria sentido se:

1) O presidente da República e, por extensão, o Brasil, não tivessem sido feitos reféns da Rede Globo, por oito anos, sabe-se lá a que preço, para que essa amante ficasse escondida na Europa;

2) O presidente da República não tivesse se utilizado de uma empresa concessionária — a Brasif — para enviar dinheiro para o exterior, por meio de uma offshore aberta em paraíso fiscal, para o filho que ele imaginava ser dele — e, que, agora se sabe, pode ser mesmo;

3) O presidente da República não tivesse se mancomunado com um editor da revista Veja para fraudar uma notícia com o objetivo de mentir ao País sobre a gravidez de Mirian Dutra;

4) O presidente da República não tivesse nomeado a irmã da amante, Margrit Dutra Schmidt, para cargo público federal, no Ministério da Justiça e, mais tarde, ter providenciado junto a um aliado, o senador José Serra (PSDB-SP), um emprego-fantasma no Senado, onde ela está há 15 anos, recebendo salário, todo mês, sem aparecer para dar expediente.

A nota da Brasif, uma explicação seca e patética montada por advogados para dizer que Mirian recebia dinheiro da empresa, mas que FHC nada tinha a ver com o caso, é uma dessas coisas que só podem ser vinculadas seriamente no Brasil, dada a indigência moral e profissional da nossa imprensa pátria.

Mirian recebia 4 mil dólares por mês para pesquisar preços — o que, aliás, ela disse que nunca fez.

Para acreditar nessa versão mambembe é preciso ser cínico em nível patológico ou uma besta quadrada completa, categorias em que se enquadram 99% dos batedores de panela e manifestantes da CBF dos domingos de histeria e ódio da Avenida Paulista — Margrit Dutra Schmidt entre eles.

Em um muxoxo particularmente hilariante, FHC acusou o golpe: acha ser “uso político” a Polícia Federal investigar essas transações de com toda pinta de evasão fiscal feitas pela Brasif nas Ilhas Cayman, o paraíso dourado dos tucanos.

Então, está combinado.

Quando a investigação é sobre o barco de lata de dona Marisa Letícia ou sobre o número de caixas de cerveja que Lula levou para um sítio em Atibaia, é combate à corrupção.

Mas investigar remessas de dinheiro, via paraíso fiscal, feitas por uma concessionária do governo, a mando de um presidente da República, para manter uma amante de bico fechado com o apoio da TV Globo e da Veja, é uso político.

O problema central é que, antigamente, bastava silenciar e manipular o noticiário.

Hoje, com as redes sociais, como bem sabe José Serra e sua bolinha de papel atômica, é preciso muito mais do que jornalistas servis e desonestos para esconder um escândalo desse tamanho.


Vanderlei on 20 Fevereiro, 2016 at 22:44 #

Se o Brasil fosse um país sério tudo seria investigado, seja do PT, PSDB, PMDB e por aí vai… E o Sr. Renan do PMDB quando realmente será investigado do Petrolão? Acho que nunca, pois o processo referente sua amante anda mais lento que passo de tartaruga, isto quando anda. Isto é o Brasil!


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