DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Troca-troca responde ao interesse dos mesmos

A “janela” a ser escancarada ainda esta semana por 30 dias, para que deputados, senadores e vereadores troquem de partido sem risco de perda do mandato, traduz com perfeição o espírito da reforma política que se pretendeu fazer no Brasil em 2015.

O resultado é a perda, mais ainda, de função dos partidos como células do regime democrático, transformados em meros aparatos jurídicos, dissociados do que seria a essência de sua existência.

Quadros, propostas e mesmo alianças vivem em permanente rotatividade, refletindo as circunstâncias da eventualidade e impossibilitando a identificação de programas e a participação popular.

O importante, segundo a interpretação vigente, é que as coisas não mudem, e o poder continue sendo conquistado e ampliado pelos que já o detêm, não em favor da nação, mas de interesses até criminosos de grupos e pessoas.

Infidelidade é a regra que a política cultua

Infidelidade partidária sempre foi um conceito etéreo no país, embora exista de longa data. Tanto que foi necessário o TSE intervir com uma resolução em 2007 para que o princípio sofresse uma mínima moralização.

Foram impostas, então, para admissibilidade de mudança, algumas limitações, como a necessidade de “justa causa” ou a criação de nova legenda, instrumentos que não demonstram eficácia alguma, dada a profusão de legendas e de recursos judiciais, e a troca de partidos não parou.

Recentemente, foram relaxadas as restrições para a desfiliação de detentores de mandatos majoritários – governadores, senadores, prefeitos e até o presidente, se for o caso.

País pode esperar outra “janela” no futuro

Sempre prevaleceram, enfim, medidas que não contribuem para o fortalecimento do sistema partidário – antes o enfraquecem, como a queda da cláusula de barreira e da verticalização de coligações.

A primeira permite que continuem existindo e, portanto, usufruindo de recursos públicos e tempo de rádio e TV, partidos sem representação popular mínima, uns “ideológicos” que nada mais têm de ideológicos, outros, puras cafuas.

A verticalização obrigaria aos partidos ter em alianças regionais apenas legendas que fizessem parte da aliança nacional, num processo que, em tese, tenderia à unidade de pensamento.

A “janela” é aberta no clima de liberou-geral pós-Carnaval. Se há algo de que não se pode duvidar é que nova fórmula virá, em tempo hábil, quando o “equilíbrio” de agora estiver desgastado.

Por mais dignidade para o descompromisso

Renovamos aqui nossa sugestão de que seja revogada a sintomática denominação de “janela”, que sugere o ato ilícito de invasão furtiva de propriedade alheia.

A natureza do entra-e-sai de partidos poderia ser mais bem caracterizada por “porta-giratória”.

Na ausência de recursos para implantação desta, poderiam ser usadas as com molas, como nos salões de filmes de faroeste.

Be Sociable, Share!

Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 16 Fevereiro, 2016 at 7:12 #

Porta da fortuna.


vitor on 16 Fevereiro, 2016 at 11:09 #

Boa, Taciano. Muito boa. Anotado!!!


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Fevereiro 2016
    S T Q Q S S D
    « jan   mar »
    1234567
    891011121314
    15161718192021
    22232425262728
    29