DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Sanders repete ciclo histórico nos EUA

A tentativa da nação norte-americana de superar a linha da mediocridade nas eleições presidenciais é sempre, de alguma forma, frustrada, como ocorreu, nas décadas de 60 e 70, nas derrotas de Eugene McCarthy e George McGovern, ambos do Partido Democrata.

No caso de McCarthy, o mundo vivia, em 1968, a revolução da juventude, que nos Estados Unidos teve a grande expressividade no movimento hippie, emergindo no clima tenso da Guerra Fria. A população queria o fim da guerra do Vietnã e ouvia os primeiros acordes do primado da ecologia.

Da “esquerda” democrata, o candidato levou o próprio presidente Lyndon Johnson, no início, a desistir da disputa, depois teve de enfrentar Robert Kennedy, que seria assassinado em junho, e terminou preterido na convenção por Hubert Humphrey, que perdeu a eleição para o republicano Richard Nixon.

McGovern, também “esquerdista”, não teve melhor sorte em 1972, embora tenha ido mais adiante. Com as mesmas bandeiras do antibelicismo, do feminismo, da defesa do meio ambiente, sofreu para Nixon uma fragorosa derrota, por mais de 60% dos votos.

O ciclo histórico se manifesta mais de 40 anos depois, numa época em que a sociedade detém amplos meios de informação, com a decolagem de Bernie Sanders, que, ao contrário dos antecessores, declara-se “socialista”, sem medo do que essa expressão maldita possa significar ao eleitorado.

Embora preservando antigas teses, Sanders vai para a luta com outro arsenal. Entra de sola em temas estruturais, como o controle do sistema financeiro, a taxação radical das camadas mais ricas e o combate à influência do poder econômico sobre as instituições democráticas, como o próprio Congresso.

Tais premissas, aliadas à redução dos gastos militares astronômicos, lhe dariam poder suficiente para garantir ao povo norte-americano acesso universal aos serviços de saúde e ensino superior gratuito, duas heresias na pátria do capitalismo. Talvez desta vez os americanos não elejam George Washington.

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Comentários

regina on 14 Fevereiro, 2016 at 10:32 #

Taciano Lemos de Carvalho on 14 Fevereiro, 2016 at 11:13 #

Rosane Santana on 14 Fevereiro, 2016 at 12:35 #

Cuidado: não generalize a questão da saúde e do ensino. São 51 estados. Cada um muito diferente. As informações sobre os EUA que nos chegam são eivadas de antiamericanismo. Vive três anos em Massachussets, com assistência médica e odontológica gratuita. Conheco outras pessoas que foram atendidas no UMASS sem pagar nada. Todo cuidado é pouco. O financiamento do ensino superior e a distribuição de bolsas e’ algo que jamais tivemos nem teremos.


Rosane Santana on 14 Fevereiro, 2016 at 12:35 #

Correção: vivi.


Rosane Santana on 14 Fevereiro, 2016 at 12:36 #

Não tivemos nem teremos porque o acesso é universal, o que conta é o cérebro.


Rosane Santana on 14 Fevereiro, 2016 at 12:45 #

Vou acrescentar com fatos: uma paulista amiga minha vive nos EUA há 20 anos. Uma filha e’ engenheira civil e arquiteta pela Escola Politécnica de Worcester, com mestrado em engenharia em Yale.O filho e’ físico pela Universidade da Califórnia. Ambos fizeram high school em escolas públicas americanas. Receberam bolsas integrais de ensino superior.


Rosane Santana on 14 Fevereiro, 2016 at 12:49 #

Mais um detalhe: minha amiga, Elizabeth Silva, formado em economia na Universidade da Cidade de São Paulo, com mestrado no Worcester College em Administração Hospitalar, e’ enfermeira pobre, para os padrões americanos. É a mãe dos estudantes que lhe falei. Criou três filhos sozinha, nos EUA. Os três estão no ensino superior.


Rosane Santana on 14 Fevereiro, 2016 at 15:16 #

Correção: 50 estados


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