DEU NO BLOG POR ESCRITO (DE LUIS AUGUSTO GOMES)

Vice ideal de Neto está entre Geddel e Lúcio

Foram tantos os auxiliares de alta confiança do prefeito ACM Neto a se filiarem a diferentes partidos políticos que todos logo tiveram o nome especulado para ser o vice na chapa da reeleição, em outubro deste ano.

Vale lembrar a importância dessa indicação: como é muito provável a vitória do prefeito, o vice assumiria o cargo por dois anos e meio quando Neto, em 2018, renunciasse para disputar o governo do Estado – ou, como já se supõe, a presidência da República.

Veja-se que muitos analistas descartam liminarmente a recondução da vice-prefeita, Célia Sacramento, com base na convicção de que, pela falta de experiência política e administrativa, ela poderia ser um desastre para os planos do prefeito.

O raciocínio é razoável, e se completa pela hipótese de que, caso Célia venha a permanecer na chapa, estará revelada a intenção de Neto de seguir até o fim no seu segundo mandato.

Tudo é plausível nessa teia de elucubrações, mas é importante considerar e tentar interpretar o que o prefeito diz sobre o assunto, que para ele, aliás, desta vez, está muito precipitado, tanto que só quer encará-lo lá para o São João.

Ressalvando que sua própria candidatura ainda é incerta, o que constitui deslavada mentira, o prefeito dá sinais: a definição será feita por “critérios objetivos, políticos, o que agrega mais…”

Vê-se, pela abertura da possibilidade de escolha de outro companheiro de chapa, que Célia não está segura, mas não lhe cairia mal um mandato de vereadora e uma carreira ascendente em futuro próximo.

O aspecto principal está, no entanto, nos “critérios”. O partido aliado mais forte é o PMDB, sendo os nomes mais importantes os dos irmãos Vieira Lima. O prefeito tem, certamente, condições de reeleger-se sem eles. A dúvida é se isso seria producente para novas empreitadas.

A relação política é uma via de duas mãos. De um passado em que seus ancestrais e mentores tornaram-se inimigos figadais, Neto e a dupla Geddel-Lúcio deram uma aula de reconciliação que os levou a uma unidade comumente anunciada como sólida.

A eleição de 2014 demonstrou claramente que o interesse político está acima das emoções individuais: Geddel desistiu da disputa do governo, para a qual se julgava preparado, e conformou-se em concorrer a senador.

O exercício do poder municipal por dois anos, quem sabe por mais quatro, por um dos irmãos peemedebistas – a precedência é do mais velho –, seria natural num acordo político, ainda mais levando-se em conta a penetração de ambos no eleitorado da capital.

Quanto aos representantes de Neto nos demais partidos – tipo Sílvio Pinheiro, Guilherme Bellintani e até o top de linha Luiz Carreira –, dariam bons vereadores, propiciando ao prefeito uma bancada muito mais reforçada do ponto de vista ideológico.

Be Sociable, Share!

Comentários

Jader martins on 4 Fevereiro, 2016 at 7:34 #

Janio de Freitas na FSP:
O retorno
04/02/2016

Eduardo Cunha recomeçou com a autenticidade conveniente: sua primeira decisão na reabertura da Câmara consiste em abuso de poder. E, de quebra, em desafio ao Supremo Tribunal Federal.

A presidência da Câmara não inclui o poder de impedir o funcionamento das comissões permanentes apenas por vontade pessoal –a rigor, vontade proveniente de interesse pessoal, o que caracteriza a decisão também como ato em causa própria.

A pré-estreia preparou e explica tudo: um golpe que invalidou o decidido pelo Conselho de Ética contra Eduardo Cunha, praticado pelo vassalo que o presidente da Câmara pôs como seu vice. Sendo o conselho componente do conjunto de comissões permanentes, está impedido pelo próprio réu de reiniciar os trabalhos para concluir pelo afastamento, ou não, do presidente da Câmara.

Exigir, como mínimo para autorizar atividades nas comissões, que o Supremo decida sobre seu embargo ao rito de impeachment definido pelo tribunal, é o complemento de um abuso que se sobrepõe a dois dos três Poderes –o Legislativo e o Judiciário. Se por essa atitude de Eduardo Cunha já se tem a negação de um regime político constitucional e democrático, ainda há mais na aberração política e moral: Eduardo Cunha está apoiado pelo PSDB e pelo DEM. Os peessedebistas até examinam sua adesão solidária à ação de Eduardo Cunha no Supremo. A baixeza não tem fundo.

Mas tem sua lógica. De cada vez que Dilma Rousseff, ao discursar na reabertura do Congresso, defendeu medidas neoliberais e antissociais, o PSDB comandou a vaia. Aécio Neves, em entrevistas de chefe da turma, logo depois verbalizou as vaias. Ou seja, em vez da inteligência de explorar a adesão de Dilma, o PSDB vaia as medidas de que é o representante.

À atual bancada do PSDB, que nasceu em recusa à degradação do PMDB, sem dúvida falta o que, quando existe, está na cara.

EM VÃO

Para o programa de medidas que apresentou no Congresso, Dilma não precisava ter induzido a substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa. O novo ministro não é apenas o eco do antecessor. Além disso, deixou de trazer a percepção política dele esperada, para suprir a escassa sensibilidade demonstrada por Levy em sua busca do inviável no Congresso.

Investir tudo em improbabilidades, ou no mínimo dificuldades altíssimas, como as mudanças na Previdência, não é um modo de buscar a correção da economia e da administração pública. É um modo de torná-la mais distante. O alcance de Dilma e Barbosa no Congresso dá, em prazo razoável, para medidas paliativas. Para remendar os rasgos e buracos. Não entender a dimensão e complexidade dos problemas no Congresso e fora dele é aumentar esses e todos os outros problemas.

DUAS BOAS

Um alento: novo livro de Emília Viotti da Costa, “Brasil – História, Textos e Contextos” (Ed. Unesp), em que reúne ensaios datados desde meados dos anos 1950, que se tornaram raridades, até alguns recentes. Como adendo, entrevistas da historiadora, que fez, ela mesma, toda a seleção.

Um sucesso: Adauto Novaes prepara um site para a leitura gratuita das mais de 800 palestras que compõem os ciclos temáticos, sob o título geral “Artepensamento”, por ele organizados nos últimos 30 anos. A série “Mutações”, que já deu livros esplêndidos, ainda continuará


Rosane Santana on 4 Fevereiro, 2016 at 8:43 #

Depois das opções para a governança de Salvador, informadas em sua coluna de hoje, Luís, e de ler a coluna de Janio de Freitas, resta-me, como alento, a compra do novo livro de Emília Viotti, referência indispensável para entender o Brasil.

P.S. De hoje até quarta, só circo. Na Bahia, especialmente. O prefeito ACM Neto acaba de renovar a concessão de generoso e nobre espaço público para o primo Luís Eduardo Magalhães Filho montar o seu balcão de negócios. Detalhe: os ingressos só são acessíveis aa elite paulista, que lota o espaço. Sabia? Adiante, a rale’ da cidade de Salvador pega o buzu na Estação da Lapa, controlada pela prima do prefeito, também filha de Luís Eduardo, Paula Magalhães e seu marido. Grande prefeito! Esperto, enquanto se apropria do público, coloca o povo para mirar o horizonte, isso mesmo, nos mirantes construídos na orla de Salvador.


Rosane Santana on 4 Fevereiro, 2016 at 8:44 #

Detalhe: é o povo o aplaude! Triste Bahia.


Rosane Santana on 4 Fevereiro, 2016 at 8:45 #

E o povo aplaude.


luis augusto on 4 Fevereiro, 2016 at 16:22 #

Ró, só fico bobo é do silêncio da grande mídia local, dos jornais, televisões, rádios, pra questionar a fundo essa história toda. A província continua. Os regalos, também.


Rosane Santana on 4 Fevereiro, 2016 at 16:35 #

Caro Luís, veja o que postei esta semana em minha página no Facebook:
Governando para as próprias câmeras (as de maior audiência!)

Há ” zilhões” de estudos, teóricos e empíricos, demonstrando o papel estratégico, crucial, decisivo da mídia eletrônica, especialmente da televisão, para a definição do voto, nas democracias eleitorais, a ponto de alguns cientistas considerarem a mídia, ela própria, um espaço de representação política tão importante quanto ou mais do que os parlamentos, por exemplo. Os estudos sao oriundos de diversas áreas: sociologia, ciência politica, comunicação etc. Ressalte-se que os estudiosos não são filiados ao PT. Quando alguns deles elaboraram seus estudos, o PT nem existia. A ressalva é necessária, num tempo em que o ” debate político” nas redes sociais resvala sempre para o primário FlaxFlu. Pois bem, num contexto onde a imprensa escrita, crítica por excelência, na Bahia está na lona, com zero autonomia financeira e de voz, não é nenhuma novidade a popularidade do prefeito proprietário da Rede Bahia de Televisão, que tem afiliadas em todas as regiões do estado. Suas intervenções urbanas seguem, invariavelmente, um roteiro midiático, apropriado ao espetáculo. São feitas sob medida para as câmeras: pintura de fachadas de casebres, embelezamento do litoral (está faltando árvores no cenário), retirada de mendigos e doentes das ruas etc. O essencial não muda nada (Transporte, Educação, Saúde etc)! E, assim, o prefeito e seu grupo, para escárnio dos que se lhe opõem, detêm o monopólio da voz na terrinha. Verdadeira aberração! Democracia, que democracia? É como diz Caetano:” Nessa terra a dor é grande e a ambição pequena/Carnaval e futebol…É domingo, é fevereiro/É Sete de Setembro/Futebol e carnaval/Nada muda é tudo escuro/Até onde eu me lembro/Uma dor que é sempre igual/ Eta, eta, eta, eta..


Taciano Lemos de Carvalho on 4 Fevereiro, 2016 at 18:56 #

Quer dizer que grampinho pode conseguir grampear os irmãos Vieira Lima? Isso não é o pior. O pior, o diabo, é que ele pode, talvez, voltar a grampear o voto do eleitor de Salvador.


luiz alfredo motta fontana on 4 Fevereiro, 2016 at 19:09 #

Pois é!

Quando deparo com “notícias” alentadas dos alcaides, rememoro, na Bahia, tirante ACM, prefeito não vira governador. Quando muito desfila sabujice na tribuna do Senado. Não é mesmo Lídice?


luiz alfredo motta fontana on 4 Fevereiro, 2016 at 19:23 #

ACM foi prefeito de Salvador e depois governador, os outros até tentaram, mas o baiano sabe negar. O problema é que o exílio é o senado.


Jader martins on 5 Fevereiro, 2016 at 11:17 #

Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Fevereiro 2016
    S T Q Q S S D
    « jan   mar »
    1234567
    891011121314
    15161718192021
    22232425262728
    29