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CRÔNICA

MINHA ALMA TORCE

Gilson Nogueira

Minha alma canta, como a de Tom Jobim, quando vejo o Rio de Janeiro, de cima, da janela do avião. O mesmo acontece ao sobrevoar Salvador. Antes, diziam os antigos, “um colar de pérolas”.Hoje, não mais. A Cidade da Bahia é uma enorme maquete de contrastes e absurdos. Roubaram-lhe o colar.Mas, a poesia resiste.
Paradoxalmente construida em cima da beleza que Deus criou, Salvador é uma metáfora sem o brilho de outros carnavais. A violência urbana transformou a primeira capital do Brasil no império do medo,sufocou-lhe a alegria.
Quem busca inspiração, para compará-la, na atualidade, a uma jóia, desiste.
Salvador lembra, infelizmente, armadilha, considerando a ação dos bandidos que a transformaram na metrópole do crime na porta de entrada do turismo no Nordeste.
Apesar desse quadro de descontentamento, em função da insegurança pública, há motivo forte a provocar gritos de gol na arquibancada de minhas recordações. E na de muita gente,como eu.
Recordo,aqui, o avistar a terra em que nasci da janelinha do Andes, navio inglês que me trouxe da adorável Santos, até o Porto, em 1957. E de ter, dois anos depois, a maior emoção da minha vida, ao testemunhar o Esporte Clube Bahia campeão da primeira disputa de um campenato brasileiro de futebol, a Taça Brasil.
Por ser o maior feito do clube azul,vermelho e branco, o Esquadrão de Aço, derrotando, em 1959, no Maracanã, então considerado o Maior Estádio do Mundo, por 3×1, o Santos de Pelé, sinto na alma do torcedor que só irá visitar a Fonte Nova no dia em que ela voltar a ser chamada de Estádio Octávio Mangabeira, um faiscar de esperança por constatar que o maior time do planeta, nas suas divisões de base, está preparando os futuros campeões brasileiros da Nova Era, aquela que, nos espaços serenos da memória, os “Heróis de 59”, título do livro que o jornalista Antônio Matos está ultimando, ressurgirão, com talento e brio, no modo de atuar em campo.Em corpo e alma de meninos que vi jogar, como anteontem, pela TV,contra o América de Minas Gerais.
Salvador, por essas e outras, é a grandeza do Bahia. O banditismo organizado haverá de perder o jogo, meu povo!
Gilson Nogueira é jornalista, col
aborador da primeira hora do BP

BOM DIA!!!

DEU NO BLOG POR ESCRITO(DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Uma longa equação na Bahia até 2022

Os próximos seis anos da política baiana podem ser representados por aquela cena recorrente que ilustra a descrição de grandes problemas: num quadro-negro que ocupa todo o fundo da sala, uma intrincada sucessão de fórmulas, símbolos e incógnitas.

Em meio a esse emaranhado, porém, uma afirmação pode ser feita: o prefeito ACM Neto é, inarredavelmente, candidato à reeleição, apesar dessas avaliações esquisitas que andaram por aí, segundo as quais ele temeria enfrentar a partir de 2017 a escassez de recursos decorrente da “crise”.

Sensatez é preciso. Neto ganhou a Prefeitura contra as máquinas federal e estadual em ponto de bala e assumiu o cargo com a cidade e as finanças em frangalhos. Não será agora, com melhor domínio da gestão e popularidade, diante do adversário enfraquecido, que abrirá mão do poder.

Igualmente frágil é a ideia adjunta de que, não sendo candidato este ano, o prefeito também poderia não enfrentar o governador Rui Costa em 2018, mas guardar-se para 2022. Faltou dizer o que ele faria nos seis anos seguintes.

jan
26
Posted on 26-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-01-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online


Ensaios das escolas de samba no Rio.
B.K. Getty Images/Robert Harding World Imagery

DO EL PAIS

María Martín

Do Rio de Janeiro

Não há neste Carnaval nenhuma fantasia, por mais criativa que seja, capaz de alavancar as vendas das lojas especializadas. Na tradicional fábrica de máscaras Condal, no Rio do Janeiro, os funcionários moldaram neste ano o rosto do japonês da Federal – o agente que aparecia com ar risonho e óculos de sol junto a todos os detidos da Operação Lava Jato. Também desenharam a do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e a dos políticos presos no escândalo da Petrobras, mas não há nenhum clima de euforia.

“Vendemos 3.000 máscaras do japonês, mas o resto, junto, não chega a outras 3.000. Só da do Joaquim Barbosa [então ministro do Supremo Tribunal Federal que foi protagonista no Carnaval de 2013] vendemos 15.000! Este ano está sendo muito difícil, vendi 30% menos”, calcula Olga Gibert, a catalã que comanda essa fábrica que abastece o Brasil com máscaras há 40 carnavais.

A crise no Brasil, em recessão há seis meses e com uma inflação muito acima do índice previsto, está desinflando o ânimo e os bolsos dos brasileiros, fechando lojas de fantasias – “Das 40 lojas que atendíamos em Belém, sete faliram”, conta Gibert – e anestesiando qualquer euforia para a festa mais importante do ano. Várias cidades cancelaram seus desfiles para investir em necessidades básicas a pequena fortuna antes dedicada ao Carnaval.

A cidade de Porto Ferreira, no interior de São Paulo, por exemplo, precisava de uma ambulância, então a prefeita decidiu dedicar à secretaria da Saúde os 150.000 reais inicialmente orçados para a folia. Em Irati, no Paraná, os 100.000 reais do desfile serão gastos em obras para evitar alagamentos no centro do município. A prefeitura de Rolim de Moura, em Rondônia, construirá salas de aula com os 120.000 reais reservados para o Carnaval, e Júlio de Castilhos, no Rio Grande do Sul, aproveitará os 24.000 reais do folguedo para recapear estradas. A imprensa local calcula que em mais de cem cidades o Carnaval será cancelado ou reduzido à sua mínima expressão.

No Rio, capital mundial do Carnaval, é provável que os turistas – cerca de um milhão deles são esperados – não vejam rastro da crise durante a festa. O prefeito Eduardo Paes decidiu dobrar a subvenção pública às escolas de samba (de 12 para 24 milhões de reais), mas, nos bastidores, a crise também aperta. A duas semanas dos desfiles, o Sambódromo ainda não alugou cerca de 20 camarotes, algo inédito desde 2000. Os tradicionais desfiles de rua, que dependem de patrocínios, também precisaram apertar os cintos. Seus organizadores reduzirão os músicos e os gastos em fantasias, mas prometem sair à rua mesmo que precisem passar o chapéu.
Delcídio Amaral, Eduardo Cunha e o japonês da Federal na fábrica de máscaras de Carnaval, no Rio.
Delcídio Amaral, Eduardo Cunha e o japonês da Federal na fábrica de máscaras de Carnaval, no Rio. Vanderlei Almeida afp

A crise serve de inspiração

A interminável novela da crise política brasileira, com a ameaça de um processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, a corrupção e as dificuldades econômicas, são temas centrais nas letras que serão ouvidas nas ruas brasileiras durante o Carnaval. No concurso de marchinhas do centro cultural Fundição Progresso, no Rio, 60% dos candidatos apostaram nessa temática. “A política sempre teve muito protagonismo entre os participantes, mas era difícil que chegassem à final”, diz Vanessa Damasco, uma das responsáveis pelo concurso, que tem duas letras de sátira política entre as finalistas.

O advogado paulistano Thiago de Souza, que apresentou uma letra sobre o agente de ascendência japonesa da Polícia Federal, tem um enorme repertório de canções que demonstram que também é possível rir da complicada situação do país. Nelas, ele ironiza a conflitiva relação da presidenta Dilma Rousseff com seu vice, Michel Temer, as provas encontradas durante as investigações na casa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e as dificuldades de pagar os juros com o aumento da inflação.

Também no Rio, a letra ganhadora do tradicional bloco carnavalesco Imprensa Que Eu Gamo apela à profunda crise econômica no Estado e tem como protagonista o seu governador, Luiz Fernando Pezão, aliado de Rousseff. Apenas um dos trechos satiriza ao mesmo tempo o governador, os discursos de Dilma, os panelaços, as pedaladas fiscais, o desastre de Mariana e até o Zika vírus: “Levei um ‘Pezão’ no orçamento/ Meu bolso é um estoque de vento/ É panelada, é pedalada, lama até no mar/Manda essa zika pra lá.”

VIVA SAMPA! AOS 462 ANOS, E SEMPRE!!!

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO G1/ O GLOBO

Do G1 São Paulo

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e o governador, Geraldo Alckmin, foram hostilizados após saírem de uma missa em comemoração ao aniversário da capital paulista na Catedral da Sé, no Centro.

Cerca de 20 integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) se concentraram ao lado da catedral para aguardar a saída dos governantes. Desde o anúncio do aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, o movimento organizou cinco grandes atos para pedir a revogação.

Haddad parou para falar com a imprensa, e os integrantes do movimento cantaram músicas contra ele. O prefeito foi atingido por uma garrafa quando dava entrevista para os jornalistas “Hoje é dia de celebração, o dia de comemorar São Paulo. Estamos tendo um feriado prolongado bastante bonito, muita cultura”, afirmou.

Ao perceber que foi atingido, afirmou. “Vamos deixar pra outra hora, que aqui está meio ruim”, disse.

Alckmin saiu por trás da Igreja e também chegou a ser cercado e hostilizado por manifestantes.

jan
25


CRÔNICA DE CINEMA

Ingrid Bergman: coração aos pulos

Maria Aparecida Torneros

O documentário “Eu sou Ingrid Bergman” é sensacional. Imagens concebidas pela própria atriz que trouxe no sangue a arte de fotografar e filmar, herdada do seu pai.
Como eu tinha lido há uns anos sua autobiografia, além de ter assistido diversos dos seus filmes, ao ver o trabalho que registra sua vida profissional e pessoal com profusão de dados e fidelidade de história, senti Grande emoção. Meu pai era seu admirador e foi ele que me deu o livro autobiográfico da dama sueca que conquistou Hollywood.
Mas a migrante Ingrid, que casara jovem com o sueco Petter e com ele teve a filha Pia, trocou a fama e a estabilidade afetiva pelo amor à italiana, ao se envolver cm o cineasta Roberto Rosselini com quem teve três filhos vivendo um romance que provocou repercussão até da igreja. A talentosa artista foi uma mulher à frente do seu tempo e deu a volta por cima sempre que resolveu mudar de país cidade, trabalho e levar sua melhor bagagem: as memórias .
Justamente por isso foi possível reunir tanto material com seus familiares para a riqueza do documentario. Cenas do dia a dia com seus maridos e filhos, a constante perseguição dos paparazzi e muitos depoimentos compõem o filme.
Conjunto que integra o compasso de amor à vida e à profissão de uma atriz que fotografava e filmava tudo e sobretudo escrevia diários e cartas para nos legar tantas preciosidades.
Angústias e alegrias são trazidas para a tela que sempre foi seu encanto. Ingrid tem um luminosidade intensa que ultrapassa o tempo e faz dela um ser sintonizado com o mundo grande que ela quis conhecer ao sair da Suécia para fazer carreira.
Numa das entrevistas diz que não tinha raízes e relembra que morou na América, na Itália , na França e na Inglaterra, mas voltou à Suécia para fazer cinema com Ingmar Bergman e teatro ao interpretar Joana Dark.
Seu último casamento foi com o produtor de teatro também sueco Lars.
Ingrid morreu aos 67 anos, de câncer , mas antes pôde voltar aos Estados Unidos e se reconciliar com o público Norte americano. Ganhou dois Oscars ao longo dos anos fazendo jus ao reconhecimento da sua garra e dedicação. A personagem de Casablanca vivida por ela marcou várias gerações que testemunharam a segunda grande guerra enquanto o romantismo sobrevivia ao nazi fascismo e aos bombardeios.
Ingrid filmou com Liv Ulman em 1978 , dirigidas por Ingmar Bergman, o conflito ente mãe e filha, e teve a coragem de mostrar rugas como troféu. Estava explendida nesse trabalho.
Seus filhos dão muitas declarações no documentario. Há uma unanimidade nas falas dos quatro: eles gostariam de conviver mais com ela mas guardam em suas lembranças o quanto era divertida e pelas imagens, é fácil perceber como a atarefada profissional buscava compensar os longos intervalos sem estar ao lado deles por viajar e trabalhar tanto.
Ela era Ingrid e aprendi cedo a ser sua fã por influência do meu pai e depois pelo que pude acompanhar da sua trajetória cinematográfica.
O documentário foi um presente que ganhei. Na minha companhia estava a amiga Vera que também se emocionou bastante e se identificou pois é fotógrafa com sensibilidade artística. Na verdade, saímos da sessão com o coração aos pulos. Ingrid é luz cujo foco é mesmo Câmera e Ação. Para sempre.
Cida Torneros é jornalista e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde é editora do Blog da Mulher Necessária.

Magnífica canção!!! Maravilhoso e imortal Bola de Nieve!!! Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

A sociedade espera a palavra de Dilma

Como forma de superar as dificuldades que enfrenta no Congresso – votação de projetos do “ajuste fiscal” e a possibilidade de impeachment –, a presidente Dilma Rousseff escalou o ministro Jaques Wagner para conversar com a oposição.

O diálogo é necessário, não há dúvida, mas é preciso levar em conta a peculiaridade que passou a cercar Wagner desde que contra ele vieram à tona denúncias de tráfico de influência e propina eleitoral, levando-o a ausentar-se até de solenidades oficiais.

Sem falar que à oposição, na presente conjuntura, não cabe o papel de ajudar o governo, seria indispensável que o embaixador presidencial fosse alguém que, ao mesmo tempo em que tratasse com deputados e senadores, estivesse aberto à interlocução com a sociedade.

A esta altura, entendimentos sigilosos, através de um representante que se mostra desinteressado de prestar publicamente contas políticas, estão condenados à mesma ineficácia que vem apresentando a articulação da presidente no âmbito legislativo.

Convém destacar que o movimento pelo impeachment perdeu força não por causa dos bons ofícios de graduados assessores ou distribuição de cargos, e sim pela desmoralização completa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seu principal algoz.

Tarefa quase impossível, a reconquista da confiança da nação é o único caminho para Dilma, primeiramente, não cair, e, depois, tentar reconduzir o país à recuperação econômica. O chá e simpatia do ministro, mais uma vez, não serão suficientes.

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