DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

O Carnaval é a cura para todos os males

Ao anúncio do secretário da Fazenda, Manoel Vitório, de que o reajuste salarial será zero em 2016, os “representantes” do funcionalismo ameaçam com a convocação da “mesa central de negociação”, peça do mobiliário político-sindical cujos efeitos não passam do terreno da demagogia.

“Alimentos, remédios, combustível, escola particular, plano de saúde, energia” – descobrem agora os luminares da Fetrab – sofrem aumentos com a inflação e “incertezas” na economia. Estão “apreensivos”, porque, se alguma compensação haverá, só na próxima data-base, daqui a um ano, se for o caso.

Interessante é como reagem “as entidades” diante de quadro tão tenebroso: depois do “protesto no cortejo do Bonfim”, articulam “nova manifestação para a segunda de carnaval, durante a saída do bloco popular Mudança do Garcia”.

Wagner ensaia retorno à ribalta

Enquanto isso, o ministro Jaques Wagner deu as caras e, claro, foi cercado pela imprensa. A notícia diz que ele “declarou” e coisa e tal, mas o correto seria informar que ele “reapareceu”, aproveitando a origem judaica para “prestigiar” um ato em memória das vítimas do holocausto.

Sem saída, usou o escândalo do dia para isentar-se de si mesmo e defender o ex-presidente Lula, personalidade absolutamente inocente da República, acusado na história do tríplex porque é um “objeto de desejo” da oposição. “Ele já disse que o apartamento não é dele”, argumentou, singelamente, o ex-governador da Bahia.

Foi um inteligente aquecimento após semanas de sumiço, pois lhe conferiu certa naturalidade para comparecer à reunião do “conselhão” e, mais que isso, discursar em primeiro lugar.

Foram, como de hábito, palavras vazias, em que ninguém jamais acreditou pelo conteúdo e, agora, mais ainda, pela credibilidade do autor. Mas ninguém perde por esperar. A vida real vai recomeçar com o fim do recesso do Congresso

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Comentários

Daniel on 31 Janeiro, 2016 at 10:01 #

Só eu considero estranho que um comentário com críticas ao Governo do Estado exiba uma imagem com ataque ao prefeito?


vitor on 31 Janeiro, 2016 at 10:41 #

Daniel:

É uma foto factual (de arquivo) de desfile do Bloco Mudança do Garcia, referido no comentário, que desfila tradicionalmente na segunda-feira do carnaval de Salvador. Historicamente, uma troça carnavalesca popular que faz críticas às mazelas sociais, políticas e economicas. Bate no governador, no prefeito nos políticos e nos corruptos e enganadores federais, estaduais e municipais. Pena que nos últimos anos, dominada por grupos ideológicos, partidos e facções políticas no poder, a Mudança do Garcia tenha sido domesticada para servir a poderosos da vez e perdido bastante do seu original espírito crítico, livre e popular. Espero que dê para entender. E chega mais para conhecer melhor o BP.


Taciano Lemos de Carvalho on 31 Janeiro, 2016 at 14:38 #

E há alguma diferença significativa entre o PT, seus governos, seus partidos satélites de hoje, e o DEM (e seus governos e agremiações partidárias aliançadas) de ontem e de hoje?

Definitivamente não! O arrocho em benefício dos banqueiros é igual. Os esquemas são os mesmos.

Quanto à Mudança do Garcia, sofre do mesmo mal do outrora irônico, crítico, ferino, e maravilhoso Bloco Pacotão aqui de Brasília.

Hoje, aqui, as críticas estão arrefecidas, domesticadas, com pouca graça. O que sobra são as crítica que aparecem no bloco, mas que são feitas por livre atiradores, não estimuladas pela direção.

Mas a “Sociedade Armorial, Patafísica e Rusticana Pacotão”, criada por jornalistas como resposta ao Pacote de Abril de 1977 baixado pelo ditador Erneste Geisel —daí o nome Pacotão— ainda é uma das coisas boas do Carnaval da capital do país. Aqui, o que não presta mesmo são os políticos. E aí na Bahia?


Taciano Lemos de Carvalho on 31 Janeiro, 2016 at 16:37 #

E por falar em Mudança do Garcia, o Núcleo Baiano da Auditoria Cidadã da Dívida vai também agitar no bloco. Se eu estivesse em Salvador na segunda-feira de Carnaval certamente faria parte do protesto da Auditoria Cidadã.

https://www.facebook.com/auditoriacidada.pagina/photos/a.568059073252337.1073741829.179192175472364/1027964273928479/?type=3&theater


luis augusto on 31 Janeiro, 2016 at 17:44 #

Mesmo na folia, é preciso separar o joio do trigo.


Daniel on 1 Fevereiro, 2016 at 9:03 #

Caro Taciano,

Há um ACM Neto de diferença entre qualquer outro partido e o petismo de Dilma, Lula, Rui Costa, Wagner, Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio, Erenice, Vaccari Neto e companhia bela. É notável (e patético, pressuposto) o esforço com que esquerdistas – em geral – e petistas – em particular – tentam universalizar a corrupção. Se antes o foco era dizer- se superior, hoje a opção é pelo discurso nefasto do “todos roubam”…

Ademais, esse palavreado tão novo quanto o século XIX embalado pelo eterno “arrocho de banqueiro”, não diz nada. É puro joguete ideológico de um pensamento velho.


Taciano Lemos de Carvalho on 1 Fevereiro, 2016 at 13:15 #

Caro Daniel,

O que você chama de ‘puro joguete ideológico de um pensamento velho’ arrancou do brasileiro, DIARIAMENTE, durante o ano de 2015, DOIS BILHÕES, SEISCENTOS E TRINTA MILHÕES de reais. Foram R$962 bilhões no ano (quase um TRILHÃO de reais), correspondentes a 42 por cento de todo o gasto federal.

Dinheiro usurpado da saúde, matando milhares e milhares de brasileiros nos hospitais —ou na fila dos serviços de saúde; que deixa milhares de brasileirinhos sem escola e sem creche; que obriga milhões e milhões de trabalhadores diariamente sacolejarem no transporte público de péssima qualidade. Grana que falta para dar segurança pública eficaz a cada uma das pessoas que vivem no Brasil. Dinheiro roubado dos aposentados e pensionistas. Valor que faz com que milhares de brasileiros morram nas estradas esburacadas, sem acostamentos, sem sinalização por esse Brasil a fora.

Joguete ideológico de um pensamento velho, como é também o pensamento ‘delfiniano’, é por exemplo, certamente, o que tenta ignorar, esconder, que auditoria descobriu que nos Estados Unidos o governo (o povo na realidade) deu uma ‘ajuda’ de US$16 trilhões a bancos falidos.

É também, alguns acham, joguete ideológico se falar que é um absurdo que de 1988 até 2013 o Brasil tenha gasto 10 trilhões de reais com a dívida pública. Lembrando aqui que um trilhão é mil vezes um bilhão. E um bilhão é mil vezes um milhão que, por sua vez, é mil vezes mil.

Simples joguete ideológico esse valor de dez trilhões de reais, né?

Quanto se há ou não ‘um ACM Neto de diferença’ entre qualquer outro partido e o petismo de Dilma, Lula, Rui Costa, Wagner, Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio, Erenice, Vaccari Neto e companhia bela, não enxergo essa diferença. E olha que não sou cego e nem míope. Como também não enxergo diferença significativa entre o neto e o avô. E nem entre a Arena, o antigo PDS, o PFL e o DEM. Foi pela Arena, partido ao qual o ACM devotou tanta dedicação à ditadura, que conseguiu ser indicado governador biônico da Bahia pelo DITADOR Médice. E, depois, presidente da Eletrobras, como peixinho de Ernesto Geisel, o Alemão que dele se pedia para não confundir uma pessoa sisuda de uma séria.

Camaleão, o avô, conseguiu ficar como ministro das Comunicações durante os cinco anos de desastre do governo Sarney. Sarney, hoje, grande aliado do PT.

Cadê a diferença?

Quanto ao escândalo da violação do painel do Senado, que obrigou o avô e também ao ficha suja já condenado pela Justiça José Roberto Arruda (de Brasília), os dois do DEM, a renunciarem aos cargos para se livrarem da cassação, não desejo comentar aqui. E nem sobre a Pasta Rosa. Afinal, grampinho é uma coisa, grampão outra.


luis augusto on 1 Fevereiro, 2016 at 14:07 #

Parabéns, Taciano, pela memória, pela argumentação e principalmente pela tabuada do numerário.

E, Daniel, é tudo farinha do mesmo saco, ou quase tudo. Mas, temos de consolar-nos, são as pessoas, não a política, um mal necessário e insuficiente.


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