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Postado em 31-01-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 31-01-2016 00:21


Neymar, na festa da Bola de Ouro 2016 MICHAEL BUHOLZER AFP

DO EL PAIS

O atacante Neymar foi denunciado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de sonegação fiscal e falsidade ideológica em negociações com o Santos, em contratos de publicidade e na transferência para o Barcelona, em 2013. A informação é da revista Veja, que traz na edição deste sábado detalhes sobre a acusação. O pedido foi assinado pelo procurador-chefe do MPF de São Paulo, Thiago Lacerda Nobre. Também foram denunciados o pai do atleta, Neymar da Silva Santos, o atual presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e o ex-mandatário do clube espanhol, Sandro Rosell. A Justiça analisará a denúncia nos próximos dias e pode transformar os citados em réus.

Segundo a Veja, há indícios de falsificação de contratos, em processos costurados para que o jogador recebesse dinheiro como pessoa jurídica e escapasse de pagar os 27,5% de impostos sobre pessoas físicas. Neymar e seu pai teriam criado empresas somente com o intuito de receber por elas o salário a que o atleta tinha direito no Santos e pagamentos por contratos de publicidade. Dessa forma, eles teriam conseguido abater mais de 50% de impostos. Em seis anos, três empresas foram abertas para realizar negócios em nome do atleta: a Neymar Sport e Marketing, a N & N Consultoria Esportiva e a N & N Administração de Bens. A denúncia aponta que nenhuma delas tinha “capacidade econômico-financeira, gerencial ou operacional” para administrar a carreira do craque, já que eram formadas por apenas dois funcionários, que trabalhavam como seguranças, e tinham como sócios o pai e a mãe de Neymar. Para o procurador, “fica muito claro que Neymar e seu pai constituíram as empresas com o único objetivo de receber por elas os valores dos contratos e assim pagar menos impostos”. Entre 2010 e 2013, o jogador recebeu 43,78 milhões de reais do Santos, mas somente 8,1 milhões entraram como salário. O resto foi pago pelo clube como ‘contrato de imagem’. Só em 2011, as empresas de Neymar fecharam contratos de publicidade que renderam quase 75 milhões de reais.

A negociação de Neymar com o Barcelona também consta na denúncia do MPF. Em 6 de setembro de 2011, o clube catalão fez um contrato com a N & N Consultoria e concedeu um ‘empréstimo’ de 10 milhões de euros para a empresa, que não tinha funcionários nem capital ativo. O dinheiro foi depositado no dia 15 de fevereiro do ano seguinte. Outros 30 milhões de euros também foram repassados à N & N em 2013 e 2014 como ‘indenização’. Para o MP, as operações eram “mera simulação” para esconder os 40 milhões de euros que Neymar recebeu como adiantamento para fechar com o Barcelona. Em depoimento ao procurado, o pai do jogador teria admitido que cobrou 10 milhões de euros adiantados para seu filho fechar com o clube espanhol.

Se no Brasil a situação começa a se complicar cada vez mais, na Espanha, o cerco também está se fechando para o jogador, seu pai e os dirigentes do Barcelona envolvidos na transferência de 2013.

Em janeiro, a Justiça espanhola intimou o brasileiro a depor, na condição de investigado, no caso que apura a suposta fraude no processo de transferência do Santos para o Barcelona. O juiz José de la Mata, da Audiência Nacional espanhola, atendeu um pedido do Ministério Público para intimar o atleta e outros envolvidos para que deponham nos dias 1º. e 2 de fevereiro sobre irregularidades na transação entre o time brasileiro e o espanhol. Além do atleta, serão ouvidos o pai dele, Bartomeu e Rosell. O camisa 11 do Barça foi convocado para depor no dia 2 de fevereiro às 10h (hora local espanhola) na sede da Audiência Nacional, principal órgão do Judiciário espanhol. Rosell e Bartomeu deverão comparecer ao local no dia anterior, às 10h e às 11h30, respectivamente. A Justiça também intimou representantes do FC Barcelona, do Santos, da empresa N&N Consultoria Esportiva e Empresarial e dois ex-dirigentes do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e Odilio Rodrigues Filho. Também irá depor o vice-presidente financeiro do Barça, Javier Faus, mas na qualidade de testemunha.

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