CRÔNICA

A peleja de Rui x Neto no Carnaval da Bahia

Janio Ferreira Soares

Ano passado, em igual época momesca, escrevi um texto falando dos surpreendentes desempenhos do governador Rui Costa e do prefeito ACM Neto no Carnaval 2015, quando os dois travaram uma acirrada disputa para ver quem se saía melhor no quesito “eu nasci com o samba, no samba me criei e do danado do samba eu nunca me separei”. Na ocasião, dentro de suas aptidões físicas, o bom senso prevaleceu e graças a Omolu, Ogum, Oxum, Oxumaré – e todo pessoal que desceu pra ver Filhos de Gandhi -, eles navegaram somente por ritmos apropriados às suas habilidades pélvicas. Evoé, mestre Gil!

Num rápido resumo da querela, Neto, mais experiente na muvuca, preferiu se coligar com seu new brother Igor Kannário, enquanto Rui, numa sábia atitude retrô, elegeu o fricote do bom e velho Luiz Caldas e quase azunhou o carpete no embalo de “eu queria ser uma abelha pra pousar na sua flor” (qualquer dúvida, o You Tube taí). Resultado do primeiro round? Na minha modesta experiência de ex-passista de frevo parado e lenço molhado cravaria um empate técnico, já que o governador levou a melhor na escolha musical, ao tempo que o prefeito foi na mosca na sua intenção de enviar o seguinte recado à sua nova galera: “aí, do gueto, eu uso cabelo de ladinho e calça de sarja Lacoste, mas tô pro crime, papai!”. Corta pra 2016.

Faltando poucos dias pra começar a furupa, percebe-se no Corredor da Vitória, Lapinha, Caminho de Areia e demais bairros que compõem a canção, uma enorme expectativa de como será esse segundo confronto, cujo esquenta já começou com as recentes trocas de farpas a respeito dos cachês das atrações do último réveillon e dos artistas que desfilarão sem cordas, além de outras mumunhas. Sendo assim, nesses tempos de grana curta e ânimos mais exaltados que cordeiros mal pagos, tenho uma sugestão que poderá dar uma bela movimentada na festa e até, quem sabe, se transformar numa ótima alternativa para os sem condições de brincar num bloco ou curtir num desses camarotes que prometem que as noites vão ser boas e de tudo vai rolar, só que, no lugar do blues de BB King…. trá, trá, trá, trá. Simbora!

Nos mesmos moldes dos eventos de MMA, seria montado um octógono em frente às arquibancadas do Campo Grande e lá teríamos, não esses violentos combates cheios de sangue, mas uma saudável competição de dança entre Rui e Neto, que resolveriam ali, ó, na quebrança, quem seria o dono do pedaço. Antes, porém, um parêntese.

Como toda disputa que se preza, essa também teria algumas preliminares, e aqui já sugiro uma que iria agradar tanto ao folião quanto o leitor destas páginas, que seria o duelo entre o deputado Federal José Carlos Aleluia e o presidente do PT da Bahia, Everaldo Anunciação, que teriam uma oportunidade de ouro para resolver, na base do molejo, as contendas travadas quinzenalmente em artigos e réplicas neste quadrilátero de papel – onde letrinhas de distintas procedências diariamente se transformam em variadas opiniões. Ao grande combate.
Com certas regras instituídas para que a competição não vire um samba do político doido, ambos seriam obrigados a se vestir de acordo com a coreografia escolhida. Assim, caso Rui optasse por, sei lá, a Dança da Manivela, poderia ressuscitar aquele velho macacão sujo de graxa da época do Polo Petroquímico e faturar preciosos pontos. Do mesmo modo, se Neto escolhesse a Dança da Bicicletinha, seguramente entraria no tablado trepado numa incrementada Houston Mini Boy aro 12 (evidentemente sem as rodinhas, que ele não é besta), que seria fundamental para sua performance. “Toca o gongo, percussão, que o bicho vai pegar!”. Bom Carnaval e pegue leve.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Publicitária Nelci Warken é presa pela PF na Tripo X para
explicar compra de apartamentos no condomínio do Guarujá


…onde a OAS fez reforma de triplex depois de assumir
empreendimento imobiliário iniciado pela Bancoop.


ARTIGO DA SEMANA

Triplex do Guarujá: Lula no bloco da Triplo X

Vitor Hugo Soares

“A situação está cínica / os mais pior vai pras Crínicas”

Adoniran Barbosa, no antológico “Samba no Bixiga”.

Estamos às vésperas de um carnaval de crise braba: tenso e estressado sim, mas jornalisticamente animado, atraente, relevante e referencial – como raramente (ou jamais) se viu por estas bandas do Atlântico Sul. A folia começa a chegar às ruas (em Salvador e no Rio de Janeiro, principalmente), mas o País e a sociedade seguem vidrados e embalados no passo ágil, decidido e cada vez mais surpreendente, ditado de Curitiba pela batuta do juiz Sérgio Moro, no comando da Lava Jato.

Na quarta-feira (27), por exemplo, amanheceu desfilando em várias cidades, o inesperado Triplo X, bloco novo (extensão do original curitibano), compacto e com todas as suas alas bem afinadas. Indiferente aos alaridos e ameaças do “manifesto” do criminalista Kakay, subscrito por pouco mais de 100 colegas advogados. Ridículo espantalho gestado na barriga dos grandolas envolvidos no Petrolão, maior escândalo de corrupção da história do Brasil. Responsável por esfrangalhar a credibilidade e praticamente deixar de tanga (para usar metáfora carnavalesca) a Petrobras.

No meio da farra acontece de tudo. Até mesmo o que para outras repúblicas e outras culturas possa parecer inimaginável. A exemplo da utilização de máquinas picotadoras de papel (clandestinamente e operando a plena carga dia e noite) para destruir documentos com prováveis indícios e provas (suspeita a PF) de estranhas e vergonhosas transações realizadas, à sombra do poder político e administrativo instalado no país há mais de 12 anos, em conluio com negociantes e seus operadores (vários já presos e condenados) que misturam público e privado sem o menor pudor.

No bojo das informações da Polícia Federal, na quarta-feira (27), sobre a deflagração da vigésima segunda etapa da Lava Jato, surgiram os espantosos áudios da conversa telefônica, grampeada com autorização da Justiça, do empresário Ademir Awada com a filha Carolina (a Carol), sobre o “trabalho pesado” dos dois na destruição de documentos. Um diálogo digno de “Histórias de Cronópios e Famas”, o genial livro de contos surrealistas do argentino Julio Cortazar.

Tudo se dá em meio às mais deslavadas e francas “conversas de família”. Aí são tramadas e executadas as maiores e piores patifarias, misturadas com prosaicas e aparentemente inocentes trocas de afetos, preocupações familiares ou pedido de compras de shortinhos, macacões, vestidos e de “uma garrafinha” de vinho especial.

Em um trecho da conversa (que a mãe também escuta em uma extensão do telefone), a filha confessa suas atribulações com a demora em conseguir reativar uma máquina, na qual ela “trabalhava em casa e que parou de funcionar de repente em função da sobrecarga”. O pai conta, da outra ponta da linha, que quase ocorreu o mesmo problema com ele, “ao triturar aquela mala cheia de documentos, filha!”.

Awada, com mandado de prisão expedido pela Justiça, era um dos procurados pelos agentes da PF na Operação Triplo X, cujo alvo é investigar suspeitos de abrir empresas offshores e contas no exterior, para ocultar e disfarçar o crime de corrupção com pagamento de propina. O empresário estava fora do Brasil na hora das “batidas” (sem o japones da Federal) na quarta-feira. Visitava o Panamá, onde operam as maiores “lavanderias” internacionais do setor offshore. Retornou na quinta-feira e foi direto para Curitiba, onde se entregou e está preso.

Seguramente tem muito a contar sobre suas ações e suas máquinas de moer documentos. O juiz Moro e a PF suspeitam, seriamente, de que unidades imobiliárias da Bancoop/OAS foram utilizadas para repasse de propina, no megaesquema de corrupção instalado na Petrobras. Um dos apartamentos está no nome da empresa Murray, uma offshore aberta pela Mossak. Uma linha de investigação, revela o jornal espanhol El Pais, “aponta que o esquema ocultava os reais donos das offshores”.

As unidades investigadas ficam em condomínio no Guaruja, de construção iniciada pela Banccop (a cooperativa dos bancários já presidida pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso pela Lava Jato), antes de passar ao controle da empreiteira OAS. As investigações apontam que um dos apartamentos pertence à OAS (o Triplex), que depois de regiamente reformado e com elevador privado, seria destinado à família do ex-presidente.

O próprio Lula e a ex-primeira dama, Dona Marisa, foram vistos em visitas por lá, mais de uma vez, segundo confirmaram uma empregada e o porteiro do condomínio, em depoimentos arrasadores ao Jornal Nacional, na quinta-feira. O Instituto Lula e o ex-presidente negam propriedade e presenças no Triplex do Guarujá. “Amaldiçoado seja quem pensar mal dessas coisas”, diriam os franceses com ironia.

“Você queira ou não queira, nêgo, nêga / o Carnaval chegou”, como no frevo de Caetano Veloso. O fato é que a nova etapa da Lava Jato jogou de vez o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva na folia deste Carnaval de 2016 e do maior escândalo da história do Brasil. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Fantástica composição! Incrível interpretação ao vivo!!!.

O mestre Edu Lobo na melhor forma! Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

jan
30
Posted on 30-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-01-2016


DO EL PAÍS

Talita Bedinelli

De São Paulo

A presidente brasileira Dilma Rousseff e o mandatário dos Estados Unidos, Barack Obama, acordaram a criação de um grupo binacional para estudar e desenvolver uma vacina contra o zika vírus, doença apontada como a responsável pelo aumento dos casos de microcefalia no Brasil. O acordo foi feito em um telefonema de Rousseff para Obama nesta sexta-feira. Nos próximos dias, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, se reunirá com representantes do Departamento de Saúde norte-americano.

Na quinta-feira,o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, revelou que o país já está trabalhando em dois projetos de vacina contra o zika. No entanto, segundo ele, apesar dos estudos “promissores” e do fato de que os primeiros testes poderão ser feitos antes do fim de 2016, não é provável que a vacina chegue à população nos próximos anos. Castro também já afirmou que o processo levará, no mínimo, dois anos. Até o momento, no território continental dos Estados Unidos, foram confirmados 31 casos de zika vírus, registrados em 11 Estados e na capital. Todos os doentes foram infectados em viagem ao exterior.

O grupo binacional acordado por Rousseff e Obama terá como base uma parceria já existente de cooperação para a vacina da dengue, formada pelo brasileiro Instituto Butantan e o norte-americano National Institutes of Health. Nenhum detalhe sobre datas foi fornecido, até o momento, pelo Governo brasileiro.

A vacina é apontada como uma das principais necessidades, neste momento, no combate à doença. O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, amplamente disseminado nas Américas. Mas o desenvolvimento dela impõe um grande desafio, pois ainda não se tem certeza de que o zika apresenta apenas um sorotipo, ao contrário da dengue (que tem 4), nem qual a capacidade de o vírus sofrer mutações, o que tornaria a imunização inviável a cada nova epidemia. Para a dengue, que já existe há décadas, só se conseguiu desenvolver uma vacina no ano passado, ainda assim, ela não é totalmente eficaz

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)rui

Briga de egos eleitoreiros na fronteira da folia

É inacreditável que, no momento que vive o país, seja o Carnaval – para ficarmos no exemplo da Bahia –, e não a educação, ou a saúde, ou a economia, a levar ao conflito duas autoridades do nível do governador Rui Costa e do prefeito ACM Neto.

Trata-se do perfeito caso em que os dois brigam e nenhum tem razão. Rui parte para o confronto como meio de polarizar com Neto num quadro pré-eleitoral em que é flagrante a vantagem do prefeito para a reeleição, o que o faz jogar qualquer cartada.

A desavença do momento tem seu cerne num aspecto supostamente técnico e funcional: o prefeito quer estender a folia e certa área da cidade e o governador diz que não há condições de policiamento por falta de recursos.

O prefeito certamente agiu de forma folgazã, marca da gestão, que pesa muito na conquista da simpatia popular, correspondendo ao seu interesse de consolidar a reeleição com que já sonha.

O governador acusa o prefeito ação “eleitoreira” ao querer forçar um gasto extra do Estado, dizendo preferir “salvar vidas”, numa alusão ao investimento em saúde, que o deputado Jorge Solla, do seu partido, no mesmo dia, garantiu que vem caindo.

Quem dá mais não interessa

Por outro lado, há uma guerra sobre despesas e patrocínios. Cervejarias pra cá, trios sem cordas pra lá, um gasta não sei quantos milhões, o outro não fica atrás – num duelo despudorado que faz do irracional coletivo o objeto da mensagem eleitoral.

A diferença só se estabeleceria se o governo ou a Prefeitura se descartasse de suas obrigações e deixasse com o outro a responsabilidade. Atuando como estão, cada um na sua seara, cooperam para dar aos soteropolitanos e visitantes um evento em que prevaleçam a paz e a diversão.

Nas ruas, a ação da polícia, da vigilância sanitária, dos agentes de trânsito, de órgãos de segurança de instalações e de diversas outras áreas de competência não será vista como estadual ou municipal pelo folião que vai às ruas. No barulho, ninguém distingue.

Reprovado

Mesmo com essa confusão toda, no entanto, não dá para o secretário estadual da Cultura, Jorge Portugal, dizer que a grana para pagar a Ivete Sangalo e Bell vem da” iniciativa privada” e citar como fontes o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Bahiagás.

jan
30
Posted on 30-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-01-2016


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Se a política não resolver a crise, a crise resolverá a política”

No Facebook, o deputado Raul Jungmann publicou um texto que chama às falas os seus pares:

“Na crise do impeachment de Collor, a política — os parlamentares, os partidos, o Congresso, juntamente com a sociedade — construiu um saída para uma delicada e grave crise, com o afastamento do primeiro presidente eleito diretamente após a ditadura. Tanto isso é verdade, que até hoje ninguém atira pedras na solução que foi dada. E, mais importante, não houve nenhum retrocesso institucional ou democrático no primeiro e maior teste do pacto que resultou no fim do regime militar.

Hoje, novamente estamos diante de uma grave crise política, econômica e moral.

Temos um governo que não tem saída para si mesmo e a crise, pois já quase não governa; e uma oposição que, até aqui, não construiu uma solução. Logo, a crise em que estamos imersos só piora e não há uma mudança à vista.

Se nos próximos meses essa crise continuar e, ao que tudo indica, se agravar, então é provável que a crise resolva a política. E como se dará isso? Infelizmente, com perda de governabilidade, tumulto, desordem e vítimas, e com a entrada de atores que não são políticos, provavelmente com perdas e retrocessos para cultura democrática do pais.

Se a política não resolver a crise, a crise resolverá a política. Navegar é preciso. E urgente.”

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