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Postado em 25-01-2016
Arquivado em (Artigos) por vitor em 25-01-2016 01:30


CRÔNICA DE CINEMA

Ingrid Bergman: coração aos pulos

Maria Aparecida Torneros

O documentário “Eu sou Ingrid Bergman” é sensacional. Imagens concebidas pela própria atriz que trouxe no sangue a arte de fotografar e filmar, herdada do seu pai.
Como eu tinha lido há uns anos sua autobiografia, além de ter assistido diversos dos seus filmes, ao ver o trabalho que registra sua vida profissional e pessoal com profusão de dados e fidelidade de história, senti Grande emoção. Meu pai era seu admirador e foi ele que me deu o livro autobiográfico da dama sueca que conquistou Hollywood.
Mas a migrante Ingrid, que casara jovem com o sueco Petter e com ele teve a filha Pia, trocou a fama e a estabilidade afetiva pelo amor à italiana, ao se envolver cm o cineasta Roberto Rosselini com quem teve três filhos vivendo um romance que provocou repercussão até da igreja. A talentosa artista foi uma mulher à frente do seu tempo e deu a volta por cima sempre que resolveu mudar de país cidade, trabalho e levar sua melhor bagagem: as memórias .
Justamente por isso foi possível reunir tanto material com seus familiares para a riqueza do documentario. Cenas do dia a dia com seus maridos e filhos, a constante perseguição dos paparazzi e muitos depoimentos compõem o filme.
Conjunto que integra o compasso de amor à vida e à profissão de uma atriz que fotografava e filmava tudo e sobretudo escrevia diários e cartas para nos legar tantas preciosidades.
Angústias e alegrias são trazidas para a tela que sempre foi seu encanto. Ingrid tem um luminosidade intensa que ultrapassa o tempo e faz dela um ser sintonizado com o mundo grande que ela quis conhecer ao sair da Suécia para fazer carreira.
Numa das entrevistas diz que não tinha raízes e relembra que morou na América, na Itália , na França e na Inglaterra, mas voltou à Suécia para fazer cinema com Ingmar Bergman e teatro ao interpretar Joana Dark.
Seu último casamento foi com o produtor de teatro também sueco Lars.
Ingrid morreu aos 67 anos, de câncer , mas antes pôde voltar aos Estados Unidos e se reconciliar com o público Norte americano. Ganhou dois Oscars ao longo dos anos fazendo jus ao reconhecimento da sua garra e dedicação. A personagem de Casablanca vivida por ela marcou várias gerações que testemunharam a segunda grande guerra enquanto o romantismo sobrevivia ao nazi fascismo e aos bombardeios.
Ingrid filmou com Liv Ulman em 1978 , dirigidas por Ingmar Bergman, o conflito ente mãe e filha, e teve a coragem de mostrar rugas como troféu. Estava explendida nesse trabalho.
Seus filhos dão muitas declarações no documentario. Há uma unanimidade nas falas dos quatro: eles gostariam de conviver mais com ela mas guardam em suas lembranças o quanto era divertida e pelas imagens, é fácil perceber como a atarefada profissional buscava compensar os longos intervalos sem estar ao lado deles por viajar e trabalhar tanto.
Ela era Ingrid e aprendi cedo a ser sua fã por influência do meu pai e depois pelo que pude acompanhar da sua trajetória cinematográfica.
O documentário foi um presente que ganhei. Na minha companhia estava a amiga Vera que também se emocionou bastante e se identificou pois é fotógrafa com sensibilidade artística. Na verdade, saímos da sessão com o coração aos pulos. Ingrid é luz cujo foco é mesmo Câmera e Ação. Para sempre.
Cida Torneros é jornalista e escritora. Mora no Rio de Janeiro, onde é editora do Blog da Mulher Necessária.

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Comentários

regina on 25 Janeiro, 2016 at 16:29 #

Cida Torneros on 25 Janeiro, 2016 at 17:29 #

Querida Regina. Merci. Bisous kisses


ermelinda rita on 26 Janeiro, 2016 at 8:27 #

Quem não viu,como eu,com o texto de Cida Torneros dá vontade de assistir ao documentário.Quem tiver oportunidade não deve perder.Parabéns pela sensibilidade Cida.
Beijos


Cida Torneros on 26 Janeiro, 2016 at 20:45 #

Erme obrigada por seu coment. Vá ver o documentario. Imperdivel. Bj


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