Ciro, Dilma e Lupi no Congresso so PDT em Brasília…


…e Brilola, que ontem (22) festejaria 94 anos.

ARTIGO DA SEMANA

Festa para Ciro na sombra da memória de Brizola

Vitor Hugo Soares

Propaga-se, em meio a intenso e estranho foguetório de artifício e alarido, a notícia da festança que o PDT preparou para este fim de semana, em Brasília, de todos os bafafás e no Rio de Janeiro, de São Sebastião crivado de flechas. O motivo é o “lançamento bem antecipado” – diz nota na coluna Esplanada, da Folha – da candidatura do esquentado político de alta rotatividade partidária, Ciro Gomes (ex-ministro de Lula), a presidente da República em 2018, pelo partido fundado por Leonel Brizola (legendário nome da política brasileira), atualmente sob o comando do notório Carlos Lupi (ex-ministro dos governos petistas de Lula e Dilma), que segue amigo do peito e operando a serviço dos dois.

Não é preciso ser bom detetive, ou razoavelmente informado repórter e analista político, para detectar: As pegadas mal disfarçadas desta armação toda têm origem no Palácio do Planalto. Bem próximo do local, o PDT realiza o seu Congresso Nacional, com visita aguardada da presidente da República que, de uns dias para cá, voltou a bater asas com intensidade para o brizolismo.

Este é um dos frutos insidiosos, do trabalho solerte e primário (não raramente desastrado), dos “feiticeiros” e “alquimistas” de plantão, montados no poder há mais de 12 anos. De barbas branca ou de cara lavada. Sempre empenhados em estranhas transações e maquinações fixadas na manutenção de um cambaleante projeto de poder que se desnuda e naufraga à medida que a Lava Jato e a Zelotes avançam.

Indiferentes aos vaidosos e arrogantes pensamentos do fundador e líder nacional maior, do partido no governo há mais de 12 anos, que agora se proclama a alma mais honesta do Brasil. O “sapo barbudo” das mais severas críticas de Brizola quando vivo.

As notícias revelam também: a idéia da festa para Ciro partiu de Lupi. Foram convidados caciques pedetistas de todos os estados porque o evento – do começo prematuro da campanha presidencial, do político cearense – marcará, ao mesmo tempo, a homenagem póstuma ao grande e autêntico líder trabalhista, Leonel Brizola, que faria 94 anos, sexta-feira, 22 de janeiro. Para este sábado, 23, está programado, no Rio de Janeiro, uma festa – comícioem São Gonçalo, em frente a um dos primeiros Centros Integrados de Educação Pública (CIEP), construídos no Governo Brizola, a partir de projeto educacional revolucionário do professor e pensador Darcy Ribeiro, que o líder gaúcho sonhava espalhar por todo o País.

É neste ponto da história que reside o X da questão. Para o jornalista é a razão crucial destas linhas, de gratas recordações pessoais e profissionais, que considero relevante compartilhar, em memória do aniversariante. O pensamento levanta vôo e vai parar no Uruguai, na beira do Rio da Prata.

De férias do Jornal do Brasil, depois de cumprir de avião a larga e várias vezes percorrida rota Salvador- Porto Alegre, desembarco, de ônibus, com Margarida,no imponente terminal bem no centro da capital do país oriental da América do Sul. Viajo para rever, abraçar,conversar e matar saudades de queridos e generosos amigos – principalmente o falecido coronel Dagoberto Rodrigues, ex-dirigente dos Correios (equivalente ao Ministério das Comunicações) no deposto Governo de João Goulart; e o bravo jornalista alagoano, atuante no Rio, Paulo Cavalcante Valente – ambos da primeira leva de exilados depois do golpe.

Através deles chego a Brizola, às vésperas de sua tensa e polêmica expulsão, pela ditadura recém implantada no país vizinho, para ir cumprir nos Estados Unidos, governado pelo democrata Jimmy Carter, a sua penúltima etapa de exílio, antes de poder retornar à sua pátria. Então, Portugal também se debatia nos solavancos da transição da ditadura salazarista, que durara 50 anos, e seu povo buscava reencontrar os caminhos da liberdade, da democracia plena e do desenvolvimento econômico e social.

Numa estância, no povoado de Carmen, província de Durazno, deu-se o encontro, cujas conversas duraram parte da tarde, e a noite (até a madrugada). Uma vida e uma historia aprendidas, que não cabem nestas linhas. O que importa aqui e agora é que, a certa altura, Brizola me segurou pelo braço, ao modo das conversas gauchescas, conduziu-me para perto de uma porteira… E falou:

-Tu sabes que eu venho de longe, baiano. Quero que anotes o que digo agora e podes me cobrar depois, se houver oportunidade: Portugal vai superar mais cedo as desgraças e atrasos de seu meio século de ditadura. O Brasil levará muito mais tempo para ultrapassar os efeitos de 20 anos do regime que implantaram em nosso País com o golpe contra Jango.

Mostro surpresa, pergunto por que, e ele arremata:

-Vejo daqui que continuamos no mesmo. Somos um país de reduzida perspectiva histórica. Nossos políticos e governantes só enxergam até um palmo abaixo do próprio umbigo. Ou, no máximo até a eleição mais próxima. Anotastes?

Anotei. E vejo toda a clarividência profética das palavras de Leonel Brizola, ao observar fatos da semana e a festa, do PDT de Lupi, para Ciro. Constato que Brizola vive. Salve!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:Vitor_soares1@terra. Com.br

O sertão do rio São Francisco e o litoral da Bahia não são os mesmo sem João Justiniano da Fonseca, “seu Fonseca” que vai fazer muita falta.

Saudades!!!

(Hugo, como ele chamava)


Os sonhos de amor e paz de João Justiniano da Fonseca

Por Gabriel Fonseca

(O autor do texto é advogado,mora em São Paulo. Neto de João Justiniano da Fonseca, cuja morte deixa de luto também o Bahia em Pauta, site blog do qual ele foi colaborador, amigo generoso e um dos maiores incentivadores desde a primeira hora. Era pai do também falecido Dimas Josué da Fonseca, um dos fundadores, mediador e um dos pilares do BP até a morte. Morre João Fonseca! Viva João Justiniano da Fonseca!A Bahia inteligente e digna não o esquecerá e sua memória atravessará o tempo atraves da sua obra e dos seus exemplos. (Vitor Hugo Soares, pela família Soares e pelo Bahia em Pauta)

João Justiniano da Fonseca viveu muitos anos: quase um século. 95 anos de solidão. Ontem (22 de janeiro) ele fechou os olhos da sua existência, deixou os livros eternamente nas prateleiras. Sendo eu um dos seus netos, li muitos dos seus livros e carrego alguns comigo aqui onde moro, em São Paulo. Neles estão contidas as suas declarações poéticas de última vontade: muitas rosas vermelhas cobrindo o seu corpo inteiro e as suas cinzas lançadas ao vento na fazenda em que nasceu (na caatinga baiana).

As coroas, orações e discursos estão dispensados, assim como a construção de uma capela para proteger as suas cinzas. Indispensável: o plantio de um pé de quixabeira, que representa “o sertão dos nossos bravos terceiros avós”.

Quixabeira? Planta típica da América Latina, da região da caatinga e do Vale do São Francisco, que, em razão dos longos ramos e da resistência, é utilizada “pelos barqueiros como varas para empurrar as barcas rio acima e nas manobras de atracação”. Planta resistente, mas vulnerável e ameaçada de extinção (KIILL; MARTINS; DA SILVA, 2014, p. 1016), como o povo da caatinga.

João era como o pai do conto de João Guimarães Rosa, que um belo dia resolveu encomendar uma canoa e viver “solto solitariamente” no curso do rio da sua existência. O seu rio, como diria Manoel de Barros, era “letral”: biografias, memórias, romances, poemas, livros e mais livros. Um “ser letral” e, talvez por isso, muito solitário.

Ele próprio era um livro cheio de histórias, que iam desde o período da escola até as incursões na política e a trajetória no serviço público, com passagens que se misturavam com a história da Bahia e do Brasil: Lampião, ida para São Paulo, desejo de servir à pátria na Segunda Guerra Mundial, política baiana etc. João foi porteiro de guarita, vendedor de tecidos, sargento, auxiliar de coletoria, escrivão de coletoria, agente fiscal do imposto de consumo (cargo correspondente ao atual “auditor fiscal da Receita Federal”), duas vezes prefeito de Rodelas – BA e conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia. Mas, acima de tudo, foi um poeta e escritor baiano, que merece ser lido.

O João “biológico” se foi. O João “letral” permanece vivo. A maior parte do seu acervo está disponível gratuitamente na internet: http://www.joaojustinianodafonseca.com.br/. Não poderemos mais ouvi-lo contar pessoalmente as histórias maravilhosas, nem fazer perguntas sobre elas. Como seria, por exemplo, a sua vida em São Paulo aos 20 e poucos anos? Era feliz ou amarga? Como foi mesmo a história do dia em que o senhor perdeu o trem das dez em São Paulo, não tinha dinheiro no bolso para um pernoite e teve que acompanhar um grupo de soldados do Exército, que tocava violão e pandeiro, só para não ficar sem companhia?

Mas as memórias escritas estão aí, para nos ajudar a lembrar e esquecer. O João “letral” era mais doce. O João “biológico” era duro, como quase todo ser vivo nascido no sertão. A casca grossa e os espinhos eram compreensíveis, mas de onde vinha aquela delicadeza? Nem ele sabia: “Com efeito, muitas vezes pensava que eu não era eu. Algum ser misterioso, alguma força superior saía de dentro de mim para compor os meus poemas, os sonetos sobretudo.” (FONSECA, 2010, p. 60). Contudo, na página seguinte era possível saber que ele não era o único ser paradoxal do sertão: “Os brutos, os bichos, os irracionais têm os seus momentos doces. O diabo igualmente. Lampião os teve também. Em um desses foi o encontro com meu pai.” (FONSECA, 2010, p. 61).

O frágil rio da existência de João, após percorrer os secos e tortuosos solos da caatinga baiana, desaguou no mar. O sertão de João virou mar e a sua solidão, saudade. Fiz os cálculos e percebi que tenho 68 anos para tentar aprender com os acertos e os erros de João e quem sabe sonhar alguns dos seus “sonhos de amor e paz”.

“Saudade! Saudade é tédio,
ai, angústia, hipocondria
que tem cura no remédio
que a gente chama poesia.”
(FONSECA, 2002, p. 30)

Referências:

FONSECA, João Justiniano. Cantigas de fuga ao tédio. Salvador: EGBA, 2002.

FONSECA, João Justiniano. No correr do tempo: memórias. Salvador: EGBA, 2010.

KIILL, Lúcia Helena Piedade; MARTINS, Carla Tatiana De Vasconcelos Dias; DA SILVA, Paloma Pereira. BIOLOGIA REPRODUTIVA DE Sideroxylon obtusifolium (Roem. & Schult.) T.D. Penn. (Sapotaceae) NA REGIÃO SEMIÁRIDA DA BAHIA. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.38, n.6, p.1015-1025, 2014

GABRIEL FONSECA

jan
23

Grades de ouro

Não que isto signifique necessariamente uma situação irregular, mas o ministro Jaques Wagner não quis atender à Folha de S. Paulo para falar da notícia de que tinha uma filha empregada em empresa ligada à OAS.

Há petistas reclusos, outros correndo risco, alguns em prisão domiciliar. O caso do ex-governador da Bahia é o primeiro de prisão palaciana, o que não deixa de ser uma vantagem.

jan
23
Posted on 23-01-2016
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-01-2016


Corpo de João Justiniano da Fonseca será cremado este sábado, às 10h, no cemitério Jardim da Saudade, bairro de Brotas.


Clayton, no jornal O Povo (CE)

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