DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Cinema nos EUA: a arte no combate à discriminação

Não é preciso ser cinéfilo ou mesmo espectador regular dos filmes de Hollywood para saber que a meca cinematográfica norte-americana teve um papel importante no combate à discriminação racial nos Estados Unidos.

Sendo um reduto de capitalistas milionários engajados no american way of life, não seria de surpreender a atuação dos adeptos do macartismo “anticomunista”, numa época em que atores, diretores e outros profissionais brancos e negros lutavam ao lado dos direitos civis que seriam conquistados legalmente em pouco mais de dez anos.

No clássico da década de 60 “Adivinhe quem vem para jantar?”, Sidney Poitier diz ao pai: “Você pensa em você como um negro, eu penso em mim como um homem” – síntese da mensagem que o ambiente da arte, com sua essência libertária e até libertina, transmitia sobre as relações sociais de etnias distintas.

Essa compreensão, talvez equivocada, deixa sem explicação o fato de, pelo segundo ano consecutivo, atrizes e atores negros não terem obtido ao menos uma entre as 20 indicações do segmento para a premiação do Oscar.

Estaria o poderoso império afetado pelo multiplicação e personalização dos meios de comunicação, e por isso disposto ao sensacionalismo barato para valorizar a estatueta que, com todo progresso, continua sendo o símbolo do seu sucesso e existência?

A realidade do Capitólio contra o sonho da Academia

Spike Lee teria de reagir, mas o racismo nos Estados Unidos vive uma etapa histórica de reversão, caracterizada pela próxima conclusão de oito anos de mandato do primeiro presidente negro, cuja atuação o coloca certamente no panteão dos que melhor se comportaram no cargo, nomes talvez de que não haja lembrança.

Barack Hussein Obama, apesar da origem que sugere África e islamismo, elegeu-se no país que sofrera o 11 de Setembro com graves problemas em duas frentes: internamente, os efeitos da crise de 2008, e no Oriente Médio, a desgraçada herança de George Bush.

O avanço de Obama no plano internacional – no reatamento com Cuba, acordo com o Irã, retirada da tropas do Iraque, redução no Afeganistão – bate de longe os deveres e obrigações que cabem visceralmente a qualquer presidente norte-americano.

Na política interna, apesar das dúvidas – racistas? – que se levantaram no primeiro quatriênio quanto à recuperação da economia, ele finaliza sua era apresentando índices de crescimento cada vez melhores, especialmente o desemprego, que voltou a patamares anteriores à crise.

É certo que nenhum ator afro-americano ou afrodescendente subirá ao palco na cerimônia da “Academia”, mas o povo dos Estados Unidos, de todas as raças e origens, pode orgulhar-se dos aplausos que interromperam 37 vezes o discurso de Obama, no Capitólio, há uma semana, quando fez à nação o último relato do governo.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • Janeiro 2016
    S T Q Q S S D
    « dez   fev »
     123
    45678910
    11121314151617
    18192021222324
    25262728293031